sexta-feira, outubro 31, 2008

Será que a bolota encontrou a perdigota?

Haverá uma mão invisível no governo socialista?

Haverá dinheiro invisível a passear na banca portuguesa?

Aguarda-se, com expectativa, a constituição de um super regulador internacional da economia. Tal instituição adoptará uma conduta muito mais responsável e não irá fazer de conta que regula os bancos centrais que fazem de conta que regulam a banca.
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Defeito profissional

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Programa para os lisboetas, amanhã à tarde



guerras que podem valer a pena. Destas, já se fizeram em várias capitais (em Paris, por exemplo) e não houve notícias de baixas graves.

Via Se numa noite de Inverno um viajante.
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quinta-feira, outubro 30, 2008

Deboche socialista


O que se diria por esse país fora se um executivo liderado por Pedro Santana Lopes antes de ir para uma cimeira Ibero-americana vender portáteis, tivesse ainda aprovado um decreto-lei a prolongar por mais 27 anos a concessão da exploração do terminal de contentores de Alcântara a uma empresa presidida por um ex-ministro das Obras Públicas do PSD, sem qualquer concurso público.

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MFA strikes again




Nota: O que realmente me impressiona nas declarações do general é ter conseguido dizer a parte a sublinhado sem se engasgar e nem sequer esboçar um pequeno sorriso.
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Pasta Medicinal Couto

É um artista português e anda na boca de toda a gente.

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5 minutos à Benfica


Só consegui assistir aos últimos 5 minutos da entrevista que Ferreira Leite deu ontem à SIC Notícias e gostei bastante de a ouvir. Principalmente aquela parte do “boa noite e muito obrigado”.

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Olha o Tintim

Segundo Sócrates, e após o remix "Grandola Vila Morena", surgiu agora o Tintim. Diz o Primeiro Ministro que até os seus assessores o usam. Depois do cherne e do menino guerreiro, o que nos fazia falta era o Tintim, um belíssimo enredo para qualquer banda desenhada. Porreiro, pá.

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Secrets of a Long Life

Num artigo no The Independent os jornalistas deram-se ao trabalho de recolher a informação sobre diversos estudos, daqueles que dizem que se fizermos assim ganhamos nao-sei-quantos anos de vida, e chegaram à conclusão que tudo somado podemos ganhar cerca de 114 anos. Ora vejam:

  • Ser um vencedor, 1.8 anos (como aqui estamos a falar de um nobel, um oscar, uma taça do mundo, etc.… não estou bem a ver como é que eu vou lá!)
  • Comer chocolate, 2 anos (check! fã incondicional de chocolate preto)
  • Ter imenso sexo, 2.5 anos (wishful thinking!)
  • Seguir uma religião, 3 anos (isto não deve ser valido para aqueles rapazes muçulmanos mais afoitos!)
  • Comer menos carne, 3.6 anos (esta até acho que não me iria custar muito)
  • Fazer exercício, 3.7 anos (basta pagar o ginásio ou é mesmo preciso lá ir?)
  • Beber vinho, 4 anos (se desse para acumular (suspiro!) só com esta ganhava a imortalidade!)
  • Tensão e colesterol baixos, 4.1 (pois!)
  • Ter um curso universitário e jogar golfe, 5 anos (o curso não sei! os 5 anos que ganhava perdia-os de qualquer forma a queimar pestanas; acho que vou investir mais no meu swing!)
  • Alimentação saudável, 6.6 anos (saudável! saudável! isto também é tudo conceitos muito subjectivos!)
  • Perder peso, 7 anos (eu perder até perco, mas o danado volta sempre)
  • Ter uma atitude positiva, 7.5 anos (e o pobre do VPV nem deve saber disto…)
  • Não fumar, 8 a 10 anos (checkado ha 6 anos!)
  • Casar-se (por alguma razão (?) só é valido para os homens), 10 anos, (hum!hum!)
  • Ser feliz, 10 anos (mesmo se não ganhar os 10 anos, valeu sempre a pena!)
  • Estilo de vida saudável (exercício, 5 porções diárias de frutas ou legumes, não fumar, consumo de álcool moderado), 14 anos (isto é como aquela historia da hiena: e ri de que?)
  • Ser rico e viver num bairro fixe, 20 anos (isto no fim vem sempre tudo dar ao mesmo e são sempre os mesmo que mamam!)
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quarta-feira, outubro 29, 2008

Prognósticos só depois dos jogos [Jornada 6]


Após mais uma interrupção no campeonato nacional, que serviu essencialmente para a selecção nacional tomar plena consciência da sua mediocridade, chegámos finalmente à sexta jornada.
Nesta jornada a grande surpresa acabou por ser a vitória do Benfica na Luz – porque depois do banho de bola que levou do Penafiel para a Taça, e da exibição em Berlim, o mínimo que se esperaria era que a Naval fosse à Luz golear o Benfica. Mas como a bola é redonda e Deus não existe, a equipa da Luz, contra todas as probabilidades, conseguiu vencer a valorosa equipa da Figueira da Foz e ascender ao terceiro posto da classificação geral, distanciando-se do seu principal adversário, o Vitória de Guimarães.
O Fê Cê Pê, depois de ter sido vencido em casa pelo Dínamo de Kiev, recebeu o Leixões, e, para não destoar, voltou a ser derrotado. Acabou por perder a liderança para o Nacional e descer três lugares na classificação geral.
O meu Sporting, depois de uma exibição pobre mas de um resultado excelente na Ucrânia frente ao Shakhtar, deslocou-se à capital do móvel para ganhar 1 ponto (na perspectiva do adepto Dr. Jekyll) ou perder dois (na óptica do adepto Mr. Hyde). Com este resultado o Sporting subiu um lugar na classificação geral, e encontra-se a 1 ponto do Fê Cê Pê.

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coisas do diabo III

Podem dizer que é uma coisa sem importância, podem dizer que a Liga Intercalar é um fait-divers em relação à big picture, mas no final a verdade é que ninguém gosta de perder, nem a feijões.
Faz hoje precisamente uma semana escrevi isto por causa da derrota do Sporting diante do Clube Desportivo de Mafra na Liga Intercalar. Hoje, bastou mudar o link da notícia.

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É passar, vilanagem!

Assim se mudam as estatísticas. No futuro insucesso será um conceito obsoleto no Ensino, mesmo que o povo não saiba ler uma letra do tamanho de um camião. Quanto mais ignorantes melhor. As ditaduras alimentam-se da ignorância.

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terça-feira, outubro 28, 2008

Coisas que podem dar mau resultado

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Não queira o sapateiro ir além da sua chinela

Há dúvidas "económicas" que não deixam de pairar no meu espírito:

- se afinal só poderá ter acesso ao crédito quem der garantias para tal quer dizer que no cenário pós-2008 a maioria da população deixará de ter acesso ao crédito?
- será que a taxa de produção baixará drasticamente?
- será que a taxa de desemprego aumentará?
- será que regressaremos ao reino pré-capitalista? a exclusão de bens de propriedade para a maioria e o regresso aos velhos cânones onde quem possuía propriedade privada é que punha e dispunha?*
- Meu Deus, regressarás ao conforto dos lares como cura espiritual, um consolo tão necessário ao espírito de quem, infelicidade do destino, foi excluído da possibilidade de obter o outro?



* - Sim, Meu Deus, eu sei que nunca foi assim.

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Dos despojos da vida


A minha outra costela de costureira tinha de se revelar, mais tarde ou mais cedo.

Estava eu no meu atelier - até à semana passada, chamava-se escritório -, muito entretida a virar as alças dos meus novos sacos, quando algo do lado de lá da janela me chamou a atenção. Uma das vizinhas da frente dispunha, ao longo do passeio, objectos de que se queria desfazer: um computador, duas colunas, um monitor, uma mala cromada, um carrinho de arrumações sobre rodas, uma torradeira. Tudo em avançado estado de utilização. Finda a disposição, voltou para casa e fechou a porta.

Acto contínuo, passou uma ciclista de mochila às costas e cachecol a enforcar-lhe o pescoço (já mencionei que por aqui o frio já ataca em pleno?). Mãos nos travões, a rapariga saltou da bicicleta e dirigiu-se ao monte de lixo que a outra acabara de patentear.

Neste momento, fiz uma pausa no que estava a fazer (é assim que começam os atrasos nas empreitadas). Mas que raio é que poderia haver ali que interessasse à mulher? Os carros estacionados estavam com certeza a tapar-me a vista para algum tesouro.

Mas não! Ela estava mesmo interessada era na mala cromada. Levantou-a, abriu-a, espreitou lá para dentro, fechou-a e, depois de a amarrar com um elástico à bicicleta, lá foi à sua vida. E eu à minha.

Mas fiquei a pensar. É engraçado como o lixo de uns faz a felicidade de outros. E pensei mais além. E isto também acontece com as 'pessoas-lixo' de alguém.

Para o que havia de me dar!
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Os Morangos de Janeiro

Durante a minha meninice sempre aguardei impacientemente o meu aniversário não só pelas prendas, mas também porque era nessa altura que abria a Feira Popular e, principalmente, porque era também por aí que começava a época dos morangos.

Ainda me lembro da excitação que sentia quando o meu pai aparecia em casa com os primeiros morangos. E depois, simples, com açúcar ou com Chantilly, durante os dois ou três meses em que duravam, os sabores sobrevoavam os meus sentidos, quais variações de Bach, deixando-me arrebatado num exercício de puro hedonismo. Quando acabava a época eu estava satisfeito e preparado para enfrentar a privação que aí vinha como uma coisa natural.

E de repente tudo mudou. Os morangos começaram a aparecer nas prateleiras nas épocas mais inesperadas, os restaurantes passaram a servir durante todo o ano morangos de aspecto lustroso em tacinhas muita foleiras, e o encanto foi morrendo. Ao entusiasmo inicial por poder comer morangos quando quisesse, depressa se sucedeu um nostálgico vazio. E o que tinha até aí sido uma experiência emotiva passou a ser um descaracterizado e insosso acto de consumismo, como que ao som da musica do Sardet. Hoje, é raro comer morangos!

Mas afinal quem foi o gajo que pediu para comer morangos no Inverno, porra?

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mudar de vida 2

Há deslocações que vêm mesmo a calhar! No ano passado, a comemorar Abril, foi assim na Casa da Música (no Porto). Esta semana chega à capital: 5a e 6a na Culturgest.

Mudar de Vida chamava-se o espectáculo "único" de José Mário Branco, agora "repetido" sob o título Mudar de Vida - 2. Novos convidadados permitirão novas abordagens, mas o conceito acredito que se mantenha: um desfile de canções do Resistir é Vencer, entremeadas com canções de outros tempos que o artista mantem actuais...

Mudar de vida e acordar o pensamento...

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segunda-feira, outubro 27, 2008

Fogo cruzado


Confesso que o que mais me preocupa nas presidenciais norte-americanas são os candidatos à vice-presidência.
McCain já tem uma idade bastante avançada e, se vencer as eleições, fico assustado só de pensar que em caso de morte a presidência seja assegurada por Palin.
O mesmo se passa com a dupla Obama-Biden: ainda no passado mês de Agosto três pessoas foram detidas em Denver por suspeitas de arquitectarem o assassínio do candidato Democrata; hoje, foram detidos no Tennessee mais dois radicais que tinham o mesmo intuito. Num país com o historial dos Estados Unidos não é nada que já não fosse previsível, mas é deveras preocupante que o principal candidato à presidência esteja desde já sob fogo cruzado e que seja alguém com um historial como o de Biden o mais provável candidato a ocupar o lugar de vice-presidente dos Estados Unidos.

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Boas notícias

O início da história que a seguir continua poderão lê-la aqui.

Há quatro dias atrás foi publicado em Diário da República a "Alteração ao Decreto-Lei n.º 62/2006, de 21 de Março" que tem agora um novo artigo 7.º.
Diz agora o número dois desse artigo que:

"Considera-se, ainda, pequeno produtor dedicado a autarquia local, o serviço ou organismo dependente de uma autarquia local, e a empresa do sector empresarial local, tal como definida no n.º 1 do artigo 2.º da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, que cumulativamente:
a) Tenha uma produção máxima anual de 3000 toneladas de biocombustível;
b) Tenha a sua produção com origem no aproveitamento de matérias residuais, pelo menos em parte de óleos alimentares usados oriundos do sector doméstico;
c) Coloque toda a sua produção em própria frota ou, a título não oneroso, em frotas de autarquias locais (...)"

Basicamente o Governo percebeu a incongruência do que professava no discurso mas multava na Lei e finalmente tomou uma atitude sobre isso.
Resta agora saber se sempre vai para a frente a penhora à Junta de Freguesia da Ericeira, que despoletou o caso, já que os quase seis mil euros de multa aplicados pelo Ministério da Economia por produção ilegal de biocombustível continuam por pagar.
Tenho a convicção que, se as rádios, televisões e jornais, em primeira instância, alguns partidos com assento parlamentar, em segunda, não tivessem transformado o caso em prime-time noticioso, nada disto teria acontecido.
O mais positivo desta alteração à Lei - para lá de retirar as boas intenções do Inferno - é que a quantidade máxima fixada de 3000 toneladas/ano de biocombustíveis abre a porta a que concelhos como Lisboa ou Porto possam apostar na sua própria unidade de produção, retirando das sanitas muito óleo de fritar batatas e afins.

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O blog convidado da semana


Está na altura de partilhar a vista para o mundo perfeito com mais alguém, a partir da janela que se abre no topo da coluna do GR, mesmo aqui ao lado.
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domingo, outubro 26, 2008

José Cardoso Pires

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A luta pelo senso comum

O senso comum é uma palavra desconsiderada por muitos e considerada por muitos outros. Se olharmos para a história da humanidade percebemos, no entanto, o quanto a religião, a política, a economia lutaram, incansavelmente, para que as suas teorias se tornassem senso comum.

Quando uma teoria se torna senso comum torna-se, inevitavelmente, maioritária, mas não a única.

Partindo deste pressuposto olhamos para a história da humanidade, e para o nosso tempo, de uma forma muito mais clara, mas comprometida.

A pergunta que nos surge é a seguinte: que teorias se combatem actualmente?

Esta semana assistimos à capitulação de um determinado senso comum: o livre mercado. A mão erguida de Alan Greenspan no congresso norte-americano simbolizou o fim de uma era. A era do senso comum económico, vulgarmente apelidado de mercado livre. Os seus contornos tornaram-se complexos, no sentido em que o liberalismo económico se confundiu com o político e foram/são ambos considerados, tanto pela direita como pelo centro esquerda como sinónimos de liberdade individual, liberdade de expressão e sociedade democrática. Durante décadas o liberalismo económico povoou todo o espectro político do poder. Contudo o liberalismo económico mais não fez que, ironicamente, esvaziar o debate político. O livre mercado transformou-se em senso comum consensual na sua apologia do determinismo, considerado sinónimo de progresso, competitividade, da defesa de um determinado modelo social europeu (inclusão e igualdade de oportunidades são palavras que normalmente vemos como sustentáculo de políticas económicas liberais). O senso comum do liberalismo económico generalizou-se indo buscar argumentos políticos à esquerda e à direita. Será que uma teoria para se tornar senso comum deverá ser cozinhada de forma consensual? Não é de estranhar, por isso, vermos, actualmente, alguns teóricos da economia liberal responsabilizarem os estados pela falácia da igualdade, foi ela, meus senhores, a responsável pela queda de outro muro (Wall Street). Em nome de uma liberdade de expressão crítica invocam então o nome de reputados economistas como sinónimo da necessidade de olhar criticamente o mundo. Esta nova forma crítica e absoluta de olhar o mundo, parece-se, estranhamente, com a forma de procedimento de um determinado muro que também caiu, mas lá pela década de 80. Será que esse muro caiu por uma razão ideológica? Ou será que o erro histórico do comunismo de Leste terá sido o de não ter escancarado as portas à globalização e de não ter deixado os senhores da nova ideologia fazerem os seus negócios? Na China, ao que parece, o liberalismo económico preocupa-se muito com o excesso de igualdade de oportunidades dos seus homens de negócios.

Quer a esquerda queira quer não um modelo de sociedade proteccionista, paternal e assistencialista não se adapta a um mundo pós-neoliberal (o casamento entre o liberalismo económico e o político?), apesar de ontem José Sócrates nos ter tentado convencer do contrário e apesar da sabedoria de reputados economistas de esquerda, os mesmos que antes implementaram candidamente o senso comum económico. O socialismo ajudou a compor a balada mais famosa do liberalismo económico: livre circulação é sinónimo de globalização, vocação, adaptação, progresso, eficácia, competitividade, tecnologia, informação, sociedade do conhecimento, desempenho, avaliação, certificação. Os socialistas light ou heavy sentados nas suas poltronas de pele lutaram, incansavelmente, pela apologia de um determinado pensamento crítico. Ou será que lhes deu jeito outrora e ainda lhes dá mais jeito, agora, para demonstrarem, hipocritamente, o quanto estavam/estão certos? Em nome da igualdade de oportunidades, da inclusão e de uma sociedade do conhecimento mais livre e justa, os socialistas da Europa venderam toda a sua capacidade crítica ao novo modelo económico, apesar da sua acumulação de conhecimento e longevidade histórica, o que nos sugere o quanto o conhecimento não é sinónimo de pensar bem, outra falácia habilmente tornada senso comum.

As alegres comadres de Windsor pretendem impor-nos um novo senso comum, mais propriamente o regresso dos actores políticos, isto é mais Estado e mais regulação económica. Que modelo de Estado nos espera? Entre o Estado-Providência e o Estado-Mínimo eu pretendo erguer a minha voz cívica e propor um novo senso comum: a teoria do Estado Faz de Conta. No Estado Faz de Conta os socialistas colaboram activamente para a imposição de um novo modelo de Estado político global, consiste em colocar como protagonista um regulador sério e atento, um político mais ou menos activo, mais ou menos pragmático e com um índice de popularidade elevado e, fundamentalmente, muito compenetrado na seriedade do seu pensamento e nas oscilações da opinião pública (Sarkozy parece-me uma figura notoriamente consensual) e os sociais-democratas tratam de, periodicamente, também regular o Estado global, para tal precisam de um homem sério, liberal e bastante conservador (Tony Blair parece-me uma figura notoriamente consensual).

A luta pela implementação de uma determinada teoria como senso comum é, por isso, uma luta cujas consequências são previsíveis:

- é cruel a médio e longo prazo para os partidários da teoria oposta, remete-os para determinados “nichos” de poder;

- é benigna a curto e médio prazo para os seus adeptos, pois remete-os para o centro das decisões, isto é mais igualdade de oportunidades e inclusão nas instâncias do poder.

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Baú dos Tesourinhos Estridentes [2]

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sábado, outubro 25, 2008

A frase da semana da Constança



Em Portugal, onde a memória é curta, qualquer político tem as vidas que quiser.


Tenho uma dor de cotovelo imensa de gente como a Constança Cunha e Sá que consegue, pelo menos uma vez por semana, escrever uma frase que torna o destaque do editor-chefe do Público tãaao mais fácil.
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sexta-feira, outubro 24, 2008

Bird watching is bird porn


Nada de observar a bicharada, se faz favor, deixem os passarinhos em paz. E ainda se admiram como é que o George W. foi eleito e reeleito...
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Em nome de Magalhães - 2º round

A Leonor já o tinha postado aqui e já seria de prever que a habitual falta de humor que nos caracteriza iria dar nisto.

Imagino então que a Vida de Brian (Life of Brian, 1979) dos Monty Python seja um filme proscrito nas prateleiras de um católico que se preze. Por mim continuo a seguir esta máxima: 'Always look on the bright side of life'.

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Foguetes depois da festa

Trim, trim, trim.
Miguel Fonseca - Diga lá, Ana.
Ana Silvestre - Está ao telefone o Sr. Eng.º Honório Pinguim, pode atender?
Miguel Fonseca - Claro, passe lá a chamada.
Eng.º Honório Pinguim - Bom dia, Dr. Miguel, diga-me lá o qu'hei-de fazer?
Miguel Fonseca - Em relação a quê, Eng.º?
Eng.º Honório Pinguim - Ó Miguel, por favor, diga-me lá em quem devo investir amanhã. Preciso de liquidez homem! Amanhã apostaria na subida de quem?
Miguel Fonseca - Ó Eng.º nos dias que correm se quer investir em algo que suba, invista em foguetes.

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Fotos geniais [8]

Dada Max Ernst, 1921, Max Ernst
Inauguração da exposição na Galerie au Sans Pareil, Paris, 2 de Maio de 1921
Da esquerda para a direita: René Hilsum, Benjamin Péret, Serge Charchoune, Philippe Soupault, Jacques Rigaut (de cabeça para baixo), André Breton

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quinta-feira, outubro 23, 2008

festival à porta

Alguma vantagem havia de ter de andar mais tempo cá para baixo... sempre são menos 300km!

Planos para o fim-de-semana?...

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Em nome do Magalhães



Descoberto aqui
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Notícias póstumas



Estes cantadores de tirolês, que conseguiram convencer meio-mundo de que Adolf Hitler era alemão e Richard Wagner era austríaco, são estranhos seres...
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Descobri a pólvora molhada

"Quando me zango com o meu criado, faço-o com todo o vigor de que disponho, com imprecações verdadeiras e não fingidas; mas, uma vez passada a borrasca, se ele tiver necessidade de mim, acedo de boa vontade. Volto a página de imediato. Quando lhe chamo idiota, ou calaceiro, não estou a pensar em colar-lhe estes epítetos para sempre; nem considero que me estou a desdizer se pouco tempo depois o apelidar de homem honesto. Nenhuma qualidade nos abarca de uma forma pura e universal. Se não fosse uma coisa de loucos falar sozinho, não haveria dia em que não me ouvissem resmungar comigo próprio e contra mim próprio: cretino de merda. E, porém, não penso que me possa definir dessa maneira."

MONTAIGNE (2004). Pequeno Vade-Mécum. Lisboa: Antígona, p. 55.

Concordo em absoluto com Montaigne. Que consequências nefastas para os partidários desta forma de pensar?

Um mundo globalmente moralizado primeiro pela religião, ideologia, economia e ... - sabe-se lá o que mais nos espera - construiu toda uma sinalefa argumentativa em prole da descredibilização de uma tal forma de pensamento/actuação, reveladora, enfim, do carácter obscuro da personagem X, Y ou Z.

Trocando por miúdos: o absoluto reinando na moralidade de conveniência do seu tempo.

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quarta-feira, outubro 22, 2008

coisas do diabo II

Podem dizer que é uma coisa sem importância, podem dizer que a Liga Intercalar é um fait-divers em relação à big picture, mas no final a verdade é que ninguém gosta de perder, nem a feijões.

Fica a certeza de que Paulo Bento tem acertado em deixar de fora dos seus escolhidos o defesa Ronny e esse avançado de nome Tiuí, esta tarde mostraram porquê.




P.S. - O meu Benfica adiou o encontro com o Torreense para 5 de Novembro. Espero também aqui o pior.

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coisas do diabo I

Porque será que cada vez que o Futebol Clube do Porto perde um jogo na Liga dos Campeões sai-lhe ao caminho o Sporting Clube de Portugal?

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terça-feira, outubro 21, 2008

na mouraria...

Num percebo...
Num posso abrir a boca que bem logo alguém perguntar se sou do Norte...

TPC: dezóito, dezóito, dezóito, dezóito, dezóito, dezóito, dezóito, dezóito, dezóito, dezóito

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Coisas da vida





A mesma pessoa que pôs o Vasco Pulido Valente como comentador das sextas-feiras no Jornal Nacional.
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Entre o vulgar e o banal

Um dia destes fui à Fnac.
Para além de outros produtos irresistíveis comprei a Revista Ler.
Compro assiduamente a revista "Os meus livros", leio um ou outro artigo no Expresso, ouço, quando posso, os programas de rádio do Carlos Vaz Marques e do Francisco José Viegas, tudo sobre livros.
A minha relação com os livros é, como podem constatar, bastante heterogénea, poderia tornar-se socialmente incorrecta se optasse por apenas uma das vias, mas faço questão de me tornar mais culta entre amigos de várias colheitas: o superficial, o inteligente, o humorístico, o desempoeirado e o qualquer-coisa-acontece-naquele/a-artigo/conversa-sobre-livros-não-se-percebe-é-o-quê.
Bem, mas tudo isto é a propósito da revista Ler.
Já li alguns artigos, mas destaco o de Pedro Mexia sobre o livro de Pamela Anderson, Star Struck (2005):
"Há um elemento visual, quase imagista, nesta escrita. Eis a descrição da angustiada vida das estrelas: 'Era mesmo o tipo de iate que se esperava que um agente rock tivesse. Espelhos no tecto, jacuzzi de mármore, tudo em pele de leopardo, aquilo fazia o simplesmente vulgar parecer banal. Era o esconderijo perfeito para Star e Jimi. Fugindo dos paparazzi, produtores e autoridades, com as suas vidas e as suas fotografias estampadas nas capas da imprensa na maioria das línguas do mundo, o meio do oceano Pacífico era o único sítio onde ainda tinham alguma paz.' Ninguém que ame a literatura pode desmerecer aquele 'fazia o simplesmente vulgar parecer banal.'"
Hilariante.

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segunda-feira, outubro 20, 2008

Venham mais três

A morada não tem nada que enganar e depois o resto é fácil, é o Lote 5-1º Dto, escrevem-se lá posts cheios de humor, entre a actualidade e os estados de espírito aqui e ali ensombrados pelos caprichos do tempo de Bruxelas e comemoram-se hoje três anos de blogovida. Recapitulando, Lote 5 1ºDto, não tem nada que enganar, subam as escadas que lá vive a 'nossa' Carlota, batam à porta e dêem-lhe os Parabéns. Ela merece todinhos.
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Valha-nos o Zé Carlos

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CDS-PP quer saber quem paga formação 'ridícula'

Ora aqui está algo que eu também vou gostar de saber.

Até porque pelo preço - se algum dia o Ministério da Educação se lembrar de o divulgar - convida-se o 'Zé Cabra' e poupa-se nas más figuras.

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domingo, outubro 19, 2008

Explicação da crise aos leigos





Rise so high, yet so far to fall.
A plan of dignity and balance for all.
Political breakthrough, euphorias high.
More borrowed money, more borrowed time.
Backed in a corner, caught up in the race.
Means to an end ended in disgrace.
Perspective is lost in the spirit of the chase.

Foreclosure of a dream,
Those visions never seen,
Until all is lost,
Personal holocaust.
Foreclosure of a dream.

Barren land that once filled a need,
Are worthless now, dead without a deed.
Slipping away from an iron grip,
Natures scales are forced to tip,
The heartland cries, loss of all pride.
To leave aint believing, so try and be tried.
Insufficient funds, insanity and suicide.


Now with new hope some will be proud.
This is no hoax, no one pushed out.
Receive a reprieve and be a pioneer.
Break new ground of a new frontier.
New ideas will surely get by.
No deed, or dividend. some may ask why?
Youll find the solution, the answers in the sky.

Rise so high, yet so far to fall.
A plan of dignity and balance for all.
Political breakthrough, euphorias high.
More borrowed money, more borrowed time.

Holocaust.

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sábado, outubro 18, 2008

É dura a batalha pela Casa Branca

Imagem via: NoName

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O Crash sistémico dos blogues colectivos de esquerda na blogosfera nacional dava um Case Study


O 5 Dias não está a conseguir resistir à OPA hostil do Jugular.

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sexta-feira, outubro 17, 2008

Fracturas Expostas

O Paulo Cunha Porto despediu-se hoje do Corta-Fitas com um desejo, diz ele que "a maior alegria que me podem dar é não esquecerem as minhas Sextas". Será difícil caro Paulo, digo eu.

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Obama e McCain

O André tenta explicar-nos o porquê da direita dever apoiar McCain e não Obama e a esquerda, convenientemente, não dever apoiar nenhum.
O André está a conduzir-nos, sabiamente, à sua lente ideológica, pois olha para a direita com a lente do CDS/PP. Contudo, mal grado as suas preferências, actualmente a direita maioritária em Portugal não partilha de tal opção ideológica, com algum pesar da sua parte, imagino.
A direita do PSD possui duas grandes alas: a neoliberal Cavaco Silva nos anos 80, António Borges, Durão Barroso, Luís Menezes, Santana Lopes (ele há circunstâncias felizes, e não é que nos tempos "aparentemente" avessos ao neoliberalismo ajudaram a eleger uma verdadeira social-democrata?) e a social-democrata Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio e Cavaco Silva, Presidente da República.
As guerras internas do PSD deverão ser encaradas nesta perspectiva? Talvez.
Uns substituem outros, enquanto uns lideram, outros vão trabalhando, empenhadamente, por certas mortes políticas a prazo.
A tendência maioritária da actual liderança do PSD é a social-democrata, mais conservadora, tradicional e elitista.
Daí a razão dos partidários do PSD, ala social democrata, apoiarem Obama e os da ala neoliberal apoiarem McCain. Quem mais deveria apoiar o CDS/PP?
A razão da esquerda apoiar Obama?
Mas a esquerda também não é responsável pela reconstrução de novos paradigmas?
E os novos modelos de sociedade não se apoiam na liberalização de certos costumes?
E quem pretende construir novos modelos de sociedade não deverá conservar, estrategicamente, aliados de circunstância? Pois...

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Deolinda, a provocadora

Provocar ou não provocar eis a questão.



E se a Aula Magna nos facultasse um pequeno luxo?
A gravação do concerto.

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O melhor remédio

Do que eu gosto nestes momentos de crise é que há sempre alguém que tira partido deles da melhor forma: fazendo os outros rir.
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Fotografia da semana


Líderes europeus à procura da solução para a crise (recebido por e-mail).
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quinta-feira, outubro 16, 2008

O pior cego é aquele que não quer ver

Gregory Eanes, "Blind Man Gathering Stones"

“Perceberam-se claramente as diferenças políticas entre os dois candidatos e não vejo como pode continuar a nossa direita a apoiar Obama contra McCain.”

O que considero verdadeiramente notável é o apoio da nossa extrema-esquerda ao candidato Democrata. Porque mesmo considerando as diferenças políticas entre os Democratas e Republicanos, o Senador Obama encontra-se nitidamente bastante mais próximo do CDS/PP do que da UDP ou do PSR, apesar de travestidos em Bloco de Esquerda.

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Artistas

Este fim-de-semana a distinta Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos reúne-se na Ericeira para as suas Jornadas de Outono. Proponho desde já que alguns professores se unam também para justificar toda a publicidade conseguida na internet ao longo do dia.
Avante com a Sociedade Portuguesa de Artistas e Remadores Professores!
Devo dizer que foi com pena que vi retirados do YouTube as provas de excelência dadas por estes professores que se juntaram em Cantanhede para receberem formação acerca das potencialidades dessa descoberta ‘quase portuguesa’ chamada – neste caso – Magalhães. Enquanto estiver disponível fica aqui a amostra do jornal Público. Desconfio até que terá sido o maior acontecimento musical nessa bela localidade depois da passagem dos Whitesnake por ali.
Compreendo plenamente o nojo sentido pelos professores que acreditam na sua profissão ao verem, e pior, ouvirem estas actuações. Felizmente não sou professor porque reconheço ser uma cana rachada do canto, mas vai daí também não iria achincalhar o Fernão de Magalhães desta maneira.

P.S. – Neste magnífico país à beira-mar plantado é preciso não esquecer outras coisinhas: a TVMais começou a publicar ontem uma colecção de livros única. Nas bancas já está o best-seller Maria das Dores: A Matadora do Jet Set.
Se acham que isto fica por aqui podem começar a correr, na próxima semana por mais pouco menos de três euros, leva no bolso esse pedaço de boa literatura chamado Cabo Costa: O meu vizinho é Um Serial Killer.

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Mediosfera: O Estado da Crise


(..) esta é uma crise financeira e bancária, e o sector é provavelmente o mais regulado e intervencionado pelo Estado dos sectores privados. É um sector cujo “produto” (o dinheiro), em primeira instância, é produzido em condições de monopólio pelo Estado, o qual, de resto, define o seu preço arbitrariamente. É também um sector cujas empresas dependem de autorização discricionária do Estado: não se abre um banco como uma loja de ferragens; é o Estado quem autoriza a sua abertura e quem define as condições de operação, impondo regras e regulação muito estritas. Mais: toda a regulação bancária conduz a uma intervenção constante do Estado. (…) Se dependessem apenas das contas públicas, os Estados ocidentais praticamente não conseguiriam fazer políticas sociais. Caso se aplicassem as regras actuais privadas aos Estados, a Bélgica, a Itália ou o Japão já teriam falido muito antes da Lehman Brothers. Vale a pena perguntar: é o fim do “ultraneoliberalismo” (que ninguém sabe o que seja) ou do Estado-Providência como o conhecemos?

Luciano Amaral, O Estado da crise, Meia Hora

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Somos Traídos pela Nossa Própria Percepção e Experiência

"Vemos muito bem que as coisas não se alojam em nós com a sua forma e essência, e não penetram em nós pela sua própria força e autoridade; porque, se assim fosse, recebê-las-íamos do mesmo modo: o vinho seria o mesmo na boca do doente e na boca do homem são. Quem tem os dedos gretados, ou que os tem entorpecidos, encontraria na lança ou na espada que maneja uma rigidez semelhante à que o outro encontra. Os objetos externos rendem-se então à nossa mercê; alojam-se em nós como nos apraz. Ora, se da nossa parte recebêssemos alguma coisa sem alteração, se as faculdades humanas fossem bastante capazes e firmes para apreender a verdade pelos nossos próprios meios, esses meios sendo comuns a todos os homens, essa verdade se transmitiria de mão em mão de um para outro. E pelo menos se encontraria uma coisa no mundo, entre tantas que há, que seria acreditada pelos homens por um consenso universal. Mas o facto de não se ver proposição alguma que não seja debatida e controversa entre nós, ou que não o possa ser, mostra bem que o nosso julgamento natural não apreende muito claramente aquilo que apreende; pois o meu julgamento não pode fazer com que isso seja aceite pelo julgamento do meu companheiro, o que é um sinal de que o apreendi por algum outro meio que não um poder natural que exista em mim e em todos os homens. Além dessa diversidade e divisão infinitas, pela con­fusão que o nosso julgamento causa a nós mesmos e pela incerteza que todos sentem em si, é fácil ver que a posi­ção deste é bem pouco sólida. Quão diversamente não julgamos nós as coisas? Quantas vezes mudamos as nossas opiniões? O que hoje afirmo e acredito, afirmo-o e acredi­to-o com toda a minha convicção; todos os meus instrumen­tos e todos os meus recursos empunham essa opinião e ­respondem-me por ela em tudo que podem. Eu não poderia abraçar verdade alguma nem preservá-la com mais força do que faço com esta. Estou nela por inteiro, estou nela verdadeiramente; porém acaso não me ocorreu, não uma vez mas cem, mas mil, e todos os dias, de ter com es­ses mesmos instrumentos, nessa mesma condição, abraçado alguma outra coisa que depois julguei falsa? Precisa­mos pelo menos de nos tornar sábios à nossa própria custa.
Se amiúde me vi traído por essa aparência, se a minha pe­dra de toque costuma mostrar-se falsa e a minha balança parcial e injusta, que segurança posso ter nesta vez mais que nas outras? Não será tolice deixar-me enganar tantas vezes ­por um guia? No entanto, que a fortuna quinhentas vezes ­nos mude de lugar, que não faça mais que, como a um vaso, esvaziar e encher incessantemente a nossa crença com outras e outras opiniões, sempre a actual e mais recente é a certa e infalível. Por esta é preciso abandonar os bens, a honra, a vida e a salvação, e tudo, A última desgosta-nos das primeiras e desacredita-as no nosso espírito (Lucrécio)"
Michel de Montaigne, in 'Ensaios'

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Reality-show


Quem estiver interessado na altercação que está em curso entre um jornalista do Libération e o gabinete do Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, ora clique aqui, aqui e depois aqui.
Muuuito interessante, o que pode acontecer quando a farinha não é toda do mesmo saco.

Fotografia do Berlaymont, daqui.
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quarta-feira, outubro 15, 2008

Sócrates e OE2009 serão um só?

Sócrates chega atrasado a Cimeira e justifica o atraso com o facto de ter viajado num "voo comercial".

Pronto, o ministro dos Negócios Estrangeiros que tinha viajado no mesmo voo chegou a horas. Será caso para dizer que 'aqui há orçamento'?

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Carrossel Financeiro

Na Euronext Lisboa o PSI20 fechou a perder três por cento. Bolsas mundiais voltam aos resultados negativos no dia em que uma responsável da Reserva Federal americana declarou que os Estados Unidos já se encontram em recessão.

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"Portugal's antidote"

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terça-feira, outubro 14, 2008

Baú dos Tesourinhos Estridentes [1]

Warlock - All We Are

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Lições práticas de Capitalismo para "Socialistas Democráticos" [2]

Como é possivel acreditar que o Capitalismo tem os dias contados, quando, em apenas dois dias, este investimento de 5.000€ numa carteira de acções do PSI20, valoriza 1.026€ [+20,52%]?



Nota: Como mero exemplo comparativo, a maioria dos PPR renderam no ano de 2007 entre 4 e 5%, em 365 dias.

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Subprime na Educação

A crise que estamos a atravessar teve a sua génese, entre outras coisas, na "distribuição" de crédito a pessoas que não tinham rendimentos para os pagarem, feita por "responsáveis" analistas de risco que recebiam prémios proporcionalmente ao número de créditos concedidos. Parece que a coisa foi estanque este fim de semana com a atribuição de uns valentes 1.3 triliões ao mercado.
Por incrível que pareça, esta burrice tem um dos seus mais conseguidos paralelismos na educação. Atribuem-se notas a quem não tem saber para isso, as famílias rejubilam com a entrada dos filhos na universidade, como com os créditos que lhes venderam a taxas pornográficas, e os professores - já faltou mais - são promovidos pelo número de aprovações que concedem e não pela sua qualidade ou excelência. Para terminar em beleza o paralelismo, resta acrescentar que no ensino superior não se passa pelo número de cadeiras ou disciplinas aprovadas, mas por um sistema de... créditos.
Isto é a caldeirada que se está a preparar. Na presente crise, houve bancos que faliram pessoas que ficaram sem casas, um país na bancarrota, taxas de juro a bater recordes e mais uma série de consequências por todos conhecidas. No entanto, na outra crise que penso que advirá de uma tamanha irresponsabilidade na educação, consequências muito mais gravosas se esperam. Até porque os biliões nunca transformarão um analfabeto com licenciatura num cidadão competente num fim de semana.

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Visitas blogosféricas

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Modelos e Classes Sociais

O capitalismo acabará um dia, mas ainda não é desta.
O capitalismo é um sistema resultante da capitulação de outro sistema.
Um dia destes o capitalismo será substituído por outro sistema mais conveniente às classes sociais predominantes.
A história da humanidade é uma luta de classes constante, como muito bem observou Marx.
A sua leitura da história da humanidade remetia para a consciencialização do operariado enquanto classe como forma para atingir o poder(*).
O conflito é a cereja em cima do bolo para qualquer classe social cujo objectivo seja o poder.

O modelo de Marx não foi o adoptado pelos diversos estados comunistas (embora a ala direita nos pretenda vender essa ementa). Nos estados comunistas adoptou-se um modelo particular, como muito bem caracterizou Orwell numa das suas paródias mais famosas: O Triunfo dos Porcos. Tal modelo consistiu no advento de uma nova classe a dos iluminados, os escolhidos do regime e do proletariado como guias e orientadores da massa anónima. A adopção de um colectivismo aparentemente igualitário, culto da personalidade, controle férreo da economia, sociedade e cultura foi com sucesso propagandeada como ditadura das massas, bem como a imposição do isolamento, disciplina férrea e a ocupação de todos os espaços pelo poder político. O temor, a apologia do medo foram os corolários do regime comunista o protótipo de um estado totalitário(**).
Os países comunistas ocuparam de tal forma o espaço humano, que se transformaram em estados concentracionários. Um modelo de Estado-Providência levado às últimas consequências.
Até aos anos setenta também o Ocidente adoptou tal modelo de Estado, com algumas nuances. No Ocidente apesar do Estado-Providência ter funcionado como uma oportunidade para repor alguma justiça social, a exigência dos trabalhadores e a distribuição de riqueza começou a incomodar algumas classes sociais emergentes.
Thatcher na Inglaterra, Reagan nos EUA, anos 70, iniciaram então uma nova era.
A predominância do político e a regulação do económico foi substituída pelo seu inverso: a capitulação do político ao económico. Quem efectivamente exerceu o poder durante várias décadas, cerca de 30 anos, foi o poder económico. Em Portugal esse fenómeno ficará para sempre aliado, pelo menos na minha memória, a um acontecimento muito especial: a imposição de uma determinada hora aos deputados para a abertura da Assembleia da República. Belmiro de Azevedo foi quem simbolizou em Portugal a capitulação do poder político ao económico.
Durante estas décadas assistiu-se à usurpação de todo o espaço social, político, cultural pelo poder económico.
Os media transformaram-se em veículos publicitários e instigadores de uma era de consumo sem precedentes.
A nomenclatura e os procedimentos de gestão invadiram todo o espaço da actividade humana verificando-se, igualmente, a colonização de conceitos de gestão por toda a esfera das políticas públicas: avaliação de desempenho, eficácia, eficiência, produtividade, motivação, sucesso, ...
Os excessos do poder político através da ocupação total de todo o espectro humano foram assumidos e postos em prática pelo poder económico.
Assistimos agora à sua decadência, como assistimos outrora à decadência do outro modelo.

Os novos tempos sugerem-me uma questão: após a preponderância do político seguida do económico qual é o actor seguinte?

O episódio continua dentro de momentos...

(*) - Os digníssimos representantes do "peace and love" rapidamente foram "digeridos" pelo sistema e transformados em ícones altamente lucrativos.
(**) - Cunhal pretendia substituir Salazar através de um sistema político semelhante, apenas mudavam os actores e a explicação teórica de algumas práticas.

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Narcisices (colectivas)



Em tempos de penúria do Technorati, isto serve perfeitamente.


Atenção, não se esqueçam de substituir a palavra yoursite pelo url do vosso, sem https, barras, dois pontos ou www.
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segunda-feira, outubro 13, 2008

Lições práticas de "Socialismo Democrático" para Capitalistas

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O meu guru

O André escreveu aqui isto há três dias. Hipoteticamente, se alguém seguiu o conselho aqui deixado é agora um capitalista dos 'quatro costados' já que a carteira de investimento proposta valorizou-se hoje, e fortemente. O hipotético investidor que tinha cinco mil euros para investir na sexta-feira tem agora 5.672,375 euros. Nada mau para um dia de trabalho.

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Ensaio sobre a desconfiança

Contrariamente à autoconfiança dos americanos nós possuímos um cognome um pouco mais inventivo: a desconfiança.
A desconfiança transforma o Zé Carlos num ser muito particular.
O Zé Carlos nunca fala de si, está sempre a falar do Zé Carlos do andar de cima.
A forma de ser do Zé Carlos do 2.º direito é, felizmente, a mesma do Zé Carlos do 3.º esquerdo e restantes andares.
Os Zés Carlos daquele condomínio desconfiam, coitadinhos, da performance comum.
As asserções menos corriqueiras dos Zés Carlos são as seguintes:

Isto é tudo uma cambada de incompetentes!
Este país não vai a lado nenhum!
São todos uns corruptos e uns ignorantes!
Tenho vergonha deste país!
Se este país não existisse teria de ser inventado!
Este país é uma espécie de república das bananas!
... (aceitam-se propostas)

Então:

- se ninguém sabe fazer contas
- se ninguém conhece o Turguenev
- logo são todos uns ignorantes

o melhor a fazer é dar de frosques deste condomínio.

Como o Zé Carlos raramente "dá de frosques" torna-se expert num exercício muito particular a auto-flagelação, ligeiramente apimentada de sado-masoquismo.

Mas encontra-se sempre convicto numa certeza:

ah, como me arrependo de não ter partido!

ah, como passei ao lado de uma carreira brilhante!
ah, com gente tão ou mais inteligente do que eu!


Também poderá travestir-se desta forma:

- ridicularizar militantemente os restantes habitantes do seu país;
- alienado em crenças pessoais, logo partidário activo de uma espécie de moralismo totalitário a raiar a insanidade;
- corroído pela desconfiança, logo paralisado na acção;
- idolatrador militante de celebridades culturais, desportivas, sociais e políticas que, infelizmente, são humanas, logo acertam e erram.

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De férias



Isto é muito interessante e diz bastante acerca do estado do jornalismo em Portugal. Isto também.
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Podemos Sempre Relativizar

Em cada 3.6 segundos alguém, algures morre de fome.

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domingo, outubro 12, 2008

Lições práticas de Capitalismo para "Socialistas Democráticos" [1]

Carteira fictícia de acções do PSI20 com data da última sexta-feira:








Investimento: 5.000 €

Agora vamos companhar esta carteira de acções durante uns tempos e testar essas teorias que defendem que o Capitalismo tem os dias contados.

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Oh Fortuna!

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sábado, outubro 11, 2008

Entre Lady Di e James Dean

Jörg Haider, líder da extrema-direita austríaca, morreu hoje pela madrugada num acidente de viação em Klagenfurt, sul da Áustria. O Presidente austríaco, Heinz Fischer, descreveu a morte de Haider com uma "tragédia humana", Stefan Petzner, porta-voz de Haider, afirma ser para eles "como o fim do mundo". Entretanto, a onda de consternação estendeu-se aos populares que acorreram ao parlamento regional para manifestar o seu pesar, deixando velas e flores no local e comparando Haider a James Dean e a Lady Di. Numa nota de condolências pode ler-se Querido Jörg, ficarás para sempre na nossa memória. Tu foste para nós como a Lady Di. Um homem com coração.
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Coincidências

No dia em que foi chumbado pela Assembleia da República o projecto de lei para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a SIC passou a reportagem sobre Dina Matos, a ex-mulher do governador norte-americano do Estado de New Jersey, Jim McGreevey, que admitiu publicamente ser homossexual.

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sexta-feira, outubro 10, 2008

na mouraria...

... ou esquizofernia geográfica

Quinze minutos parada em frente ao rio, com uma amostra de mapa, a tentar perceber como é que, estando na margem Sul entre as duas pontes, continuo a ter água a Sul e vejo a ponte 25 de Abril à minha direita...

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Época muito perigosa para certo tipo de boatos

9:30 am
[Trim-trim, trim-trim…]
- Estou sim?
- Sou eu André!
- Tudo bem contigo Pedro?
- Nem por isso.
- Algum problema?
- Olha André… tens conta no Banco X?
- O que é que tens a ver com isso?
[risos]
- É que vai falir.
- [silêncio] Aonde é que fostes buscar essa informação?
- Bem… pelo menos é o que o pessoal está aqui a dizer na redacção.
- Ó Pedro, todos sabem que a banca está com problemas, mas daí até ao Banco X ir falir…
- Ó pá. Sou te estou a dizer o que ouvi dizer.
- Mas o que se ouvia dizer não era que os dois bancos com problemas eram bancos daqueles mais pequenos?
- Pois… mas olha que também se fala no Banco Y.
- Tem cuidado com esse tipo de informação porque se essa “notícia” se espalha e o pânico se alastra aos clientes, os bancos podem mesmo acabar por ter problemas sérios.
[…]

02:30 pm
- Tudo bem André?
- Está tudo bem! E contigo Zé?
- Bem... podia estar melhor.
- Estás com um ar preocupado Zé. Passa-se alguma coisa?
- Ainda não sabes?
- Não?!
- Então não sabes que o Banco X vai falir?
- [silêncio]
- Olha, se tens lá conta o melhor é fazeres como eu.
- O que é que fizeste?
- Já transferi tudo para uma conta que tenho no Banco Y.
[…]

* Os nomes das personagens e dos bancos são fictícios

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Estratégias políticas

Como a política não se faz sem estratégia não sou tão benevolente com Manuel Alegre como o Hélder.
Todos se lembram, certamente, do movimento social de apoio à candidatura de Alegre às presidenciais, MA representa a ala esquerda do PS que não perdeu hoje uma oportunidade para actuar.
A ala esquerda do PS aguarda uma oportunidade para liderar o partido, até lá vai actuando conforme a sua agenda e a do parlamento, a actuação política exige determinadas "convicções" e, como tal, a necessidade de não se perderem determinadas oportunidades.

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Tê-los no sítio


Manuel Alegre é um homem coerente.
Fez hoje o que, acredito, muitos socialistas queriam ter feito. O que o Partido Socialista, enquanto partido, fez hoje na Assembleia da República é digno da direita mais conservadora.
Como 'um almoço nunca é de graça' José Sócrates terá agora os bons auspícios do clero para uma reeleição. Hoje, Sócrates e Ferreira Leite foram um só, a esquerda do 'Zé' e a direita da 'Manela' unos, numa união de facto negada a outros.

Obrigado 'Manel'!

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As nossas melhores ideias são dos outros

"'Não viverei fora de mim,
Não verei com olhos alheios;
Meu bem é o bem, meu mal é o mal.
Quero ser livre - não posso ser
Enquanto aceitar o padrão dos outros.
Atrevo-me a traçar a minha estrada.
Aquilo que me agrada será Bom,
Aquilo que não quero - indiferente,
Aquilo que odeio é o Mal. É isso;
Doravante, se Deus quiser, rejeito
O jugo da opinião de outros. Serei
Leve qual pássaro & vivo com Deus.
Encontro-o no fundo do coração,
E ali discuto sempre a sua Voz.
E livros, padres, mundos não estimo.
Quem diz que o coração é guia cego? Não é.
Meu coração jamais me fez pecar;
Pergunto de onde vem o seu saber.
Nas trevas, nas mais doces tentações,
Ou em meio ao perigo, nenhuma vez,
Aquele Anjo meigo errou em seu oráculo.
A curta agulha aponta sempre o norte;
O passarinho lembra do seu canto,
E esse Vidente sábio nunca erra.
Nunca lhe ensinei o que ele me ensina;
Sempre que o sigo, ajo como devo.
De onde veio esse Espírito Onisciente?
Veio de Deus. É a própria Divindade.'

Não é métrica, mas um argumento gerador de métrica o que confere validade a um poema, segundo Emerson. O fragmento anterior contém o sotaque autêntico da religião norte-americana. Sendo a voz de Emerson, o poema me fascina, mas fico angustiado, quando imagino os versos sendo declamados por meus contemporâneos pentecostais, batistas e mórmons. Como emersoniano devoto, reconheço que, ao formar a mente dos Estados Unidos, Emerson criou uma salada azeda para acompanhar o prato de carne. Falava de si mesmo como um experimentador, sem um passado às costas. A Velha Europa foi por ele rejeitada, em favor do Adão norte-americano. Apesar de os Bush serem semi-analfabetos, sua visão de que os Estados Unidos devem impor noções de ordem ao universo apresenta um elo implícito ao emersonianismo.
(...)
Nenhum outro crítico destacou, de modo tão produtivo, a utilidade da literatura para a vida. Centenas de aforismos emersonianos repercutem em mim, mas nenhum o faz mais do que este, encaixado no primeiro parágrafo de 'Autoconfiança':

'Em toda obra de gênio reconhecemos nossos próprios pensamentos rejeitados: voltam para nós com uma certa majestade alienada.'"

BLOOM, Harold (2004). Onde Encontrar a Sabedoria? Rio de Janeiro: Objetiva, p. 229-230.

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O PS e a disciplina de voto

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quinta-feira, outubro 09, 2008

Baby Swimming Survival

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Ter bom perder

Nunca perco nada. Só perco algumas coisas de vista durante algum tempo. Depois volto a encontrá-las. Como encontrei as chaves do carro de que não sabia há um mês quando procurava os documentos do carro de que não sabia há quatro. Ou como encontrei os óculos escuros após um mês do regresso de férias. A isto se chama 'ter bom perder'.
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Harold's Planet
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A apologia do trabalho

"Ir para a escola? Ele precisa é de trabalhar!"

Este tipo de mentalidade ainda é frequente na população que me rodeia. Escola não significa estudar, fazer e exercitar. Escola significa aturar professores chatos, auxiliares autoritários e amigos "fixolas".

Os anos vão passando e continuamos instalados no fenómeno avestruz.

Os professores lamentam-se, os pais lamentam-se, os governos lamentam-se e os alvos desta choradeira ilimitada, os educandos, divertem-se à brava enquanto são adolescentes e retomarão, tão breve quanto o possível, ao seu lugar charneira de digníssima autoflagelação.

Há sempre quem espere um activismo participativo dos pais;
Há sempre quem espere um activismo participativo dos professores;
Há sempre quem espere um activismos participativo dos governantes

e não tarda nada

Há sempre quem espere um activismo participativo da autarquia.

Entre uns e outros restam gerações de pessoas incultas, mal preparadas e acabadinhas de chegar ao mundo laboral sem o mínimo de conhecimento do que são os direitos e os deveres dos trabalhadores.

Daí potenciais explorados, tão logo exploradores e quase sempre hábeis no fazer de conta que estão a trabalhar.

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quarta-feira, outubro 08, 2008

Felinas...

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Centrismo

"It's a time to figure out what works, not what ideological mantras to keep repeating."
Fareed Zakaria, Newsweek
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O debate quinzenal

Portugal possui um CV, modelo europeu, invejável. Frequenta, de há uns anos para cá, cursos de formação profissional altamente qualificantes. É certo que alguns deles foram um nadinha dispendiosos, mas na época d'o meu Cv é melhor que o teu, isso é uma questíuncula altamente relativa.

Um país digno distingue-se pela elevada taxa de frequência de conferências/colóquios de vários cientistas altamente qualificados, entre os quais se destacam os seguintes:

- Tony Blair
- Al Gore
- Steve Ballmer
- Santana Lopes
e o nosso primeiro, José Sócrates*.

Quanto aos digníssimos representantes das micro-empresas mais altruístas do planeta, nada se poderá dizer, enfim agradece-se a sopa dos pobres; quanto a Santana Lopes, bem parece-me que os portugueses não o irão esquecer nos próximos domingos; em relação ao nosso primeiro e aos seus companheiros de luta do parlamento, apraz-me dizer-lhes que os ouvimos atentamente. A forma enriquecedora como fico esclarecida abona sempre a favor do meu CV pessoal e do CV do meu glorioso e profundo amigo de cabeceira, Portugal. Assistimos embevecidos a uma revisão do acordo ortográfico em versão simplificada, congratulamo-nos pela riqueza e diversidade do argumentário, raramente é substítuido pelo pagamento da promessa à Nossa Senhora da Agrela.

Amiúde concluímos o seguinte: vivemos uma época bestial, no futuro desaprenderemos todas as recomendações do presente**.

* - aguardamos ansiosamente, já comprámos os bilhetes e tudo, pelas vindas de Bush, Chavez, Barroso, um representante das FARC, Bin Laden, Sarkozy e Pallin.

** - é uma recomendação importante, mas apenas para quem acredita no destino.

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Desgarrada à la mode de Lyon


Há alguns meses que passa todos os dias na rádio que mais ouço - a Pure FM. É um harmonioso conjunto de letra e música.
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terça-feira, outubro 07, 2008

Prognósticos só depois dos jogos [Jornada 5]


Depois de ter sido copiosamente batido pelo Arsenal, o Fê Quê Pê foi a Alvalade procurar sarar as feridas. E como quem procura sempre alcança, o campeão nacional foi feliz no jogo e ascendeu ao primeiro lugar da Liga Sagres depois de vencer o meu Sporting por dois a um. Este resultado foi o bastante para fazer esquecer os adeptos do Porto da mediania de Jesualdo Ferreira; mas ao contrário do que dizem algumas más-línguas, [ainda] não foi suficiente para convencer os adeptos do Sporting da mediocridade de Paulo Bento.
Para contrabalançar a derrota do Sporting, o Ésse Éle Bê voltou à sua normalidade: depois de ter vencido o Sporting e de uma boa exibição frente à Nápoles, deslocou-se ao Estádio do Mar para levar um autêntico banho de futebol do modesto Leixões. As papoilas saltitantes acabaram por ter a sorte do jogo do seu lado e o empate acabou por ser um mal menor.

Classificação:
1 - FC Porto 11
2 - Nacional 10
3 - E. Amadora 10
4 - Leixões 10
5 - Benfica 9
6 - Sporting 9

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Explicação da crise aos leigos

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Sem comentários

O mesmo Ministério Público que ordenou as buscas enviou os três suspeitos detidos para casa com termo de identidade e residência, uma vez que os crimes de que são suspeitos não pressupõem a aplicação da prisão preventiva e a nova lei das armas ainda não está em vigor.



Nota de rodapé: É óbvio que as caçadeiras seriam usadas para cabide, as pistolas 6.35 serviam para matar moscas e melgas, e a besta mais não era que um adereço da peça que os senhores andavam a ensaiar, Guilherme Tell.

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segunda-feira, outubro 06, 2008

Adoro-vos a todos, mas hoje 'tou mal disposto!

Um aviso bastante apelativo. E na porta do gabinete de trabalho de quem?
- José Sócrates? - cognome brincalhona, ouço o assessor da 'Central de Informação' exclamar, seriamente, aos sete ventos;
- Cavaco Silva? - a menina não tem sentido patriótico? palavras cínicas do conselheiro para a informação do nosso PR;
- cela n.º 224, prisioneiro Mário Machado - esta senhora está a precisar de ir à manicure! responde indiscriminadamente o presidente do partido nacionalista;
- Henrique Raposo - a menina não percebe nada de neoliberalismo!, os neoliberais fartaram-se de fazer o bem à humanidade, os bens deles estão agora, indecentemente, à mercê desses apologistas do Apocalipse, e desses fulanos que têm a mania de querer destruir as individualidades. Versão revista do Manual do capitalismo.
-
Bush - estes fulanos dos blogues têm a mania que percebem alguma coisa do que se passa no mundo, mas nós encolhemos os ombros e rimos a bandeiras despregadas, não é tareco?;
- Sarkozy - a mademoiselle é uma espirituosa, por falar em espírito hoje ainda só telefonei 323 vezes ao ministro da economia.
- Durão Barroso - a economia euro é uma economia versátil e capaz de enfrentar as adversidades, daí que seja praticamente impossível andar mal disposto devido à crise financeira dos EUA. Minha senhora, amanhã reunirei com o camarada Bush, iremos conversar sobre as próximas férias em Marte. O assessor do Presidente da Comissão Europeia estava ao telefone com os assessores dos 45 países que negoceiam o pacote do próximo alargamento.

Tentativas, apenas tentativas e frustradas...

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domingo, outubro 05, 2008

Fim de ciclo

Podem os sportinguistas queixar-se que Tomás Costa deveria ter sido expulso e não foi. Podem os portistas queixar-se que Abel devia ter sido expulso e não foi. Podem os benfiquistas queixar-se de um jogo que se terminasse empatado teria dado mais jeito. A questão central permanece, tal como contra o Benfica, o Sporting voltou a mostrar pouca vontade de ganhar. O que escrevi aqui há uma semana podia ser escrito hoje que continuava actual. Paulo Bento tem uma margem muito, mas mesmo muito, reduzida para dar a volta a uma equipa que parece estar decidida a mandá-lo embora.

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uma casa portuguesa: eu queria ser músico... de jazz

Esta semana comemorou-se mais um Dia Mundial da Música. O meu contributo para a causa é - como não podia deixar de ser! - com música nacional. Desta vez, chamo à casa Margarida Pinto. Tem apenas um trabalho a solo - Apontamento (2005) - (sendo também vocalista dos Coldfinger). Apresenta-se aqui a cantar em português, com uma voz doce e arranjos quentes e diversificados. Um álbum de que gosto bastante, nas suas proximidades e afastamentos das "fronteiras" de estilos. Em particular, "Eu queria ser músico..." mantém a simplicidade e a suavidade harmoniosa de todo o álbum, e chama a si também uma profundidade sonora com sabor a jazz.

O jazz... Há uns anos perguntaram-me se gostava de jazz e a resposta foi qualquer coisa como: estou a tentar aprender a gostar... Não acho que seja algo inato, tem de se ir amadurecendo, mas anos volvidos e a reposta vai-se mantendo... Há apresentações mais experimentais que me ultrapassam um bocado, mas já vou sabendo que há muita música boa de ouvir. Não tenho CD's de jazz, no entanto, no devido ambiente e com a devida disposição, consegue ser o som perfeito. As minhas memórias jazzísticas são deitadas no relvado de Serralves, de olhos fechados apenas a ouvir a banda... porque sim.

Gosto do jazz "bem comportado", que soa bem, que encaixa sem dificuldade no conceito de música... Não quero ser mal interpretada, mas o que quero dizer com isto é que a onda experimental e do improviso, por vezes estranham os meus ouvidos (e os de muita gente!). Percebo a riqueza musical, quer ao nível da técnica, quer da interpretação, mas às vezes, do lado de fora, o resultado é... incompreensível... Não gosto de não perceber o que ouço... Aliás, gosto de poder não precisar de perceber... Gosto de poder ouvir... apenas porque sim...

Quando quero descansar
e quando tu vais dormir
ponho um disco do coltrane e ficamos a ouvir
[...]
Às vezes não adormeces
E eu não descanso
Mas o jazz ajuda a sonhar
Faz-nos voar com seu balanço

Eu queria ser músico de jazz
Eu queria ser
Eu queria ser alguém
E eu imagino o Coltrane
Certo dos segredos que desvenda
Na alma de quem ouve a luz e a poesia e o som e a vida
e tudo o que ela tem de bom...

Miguel Cardona, "Eu queria ser músico..."
cantado por Margarida Pinto (2005)

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sábado, outubro 04, 2008

Lapsus linguae?

Quem merecia estar na prisão eram os ciganos e os pretos. O líder nacionalista também comemora o 'Dia da Raça'.
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na mouraria...

Um novo conceito de linhas longitudinais: umas leves manchas de tinta esbranquiçada que aparecem de longe a longe (muito de longe a longe!!!) na estrada.

Como é que conseguem conduzir naquela coisa a que chamam 2a circular sem conseguirem ver o que quer que seja marcado no chão?!...

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sexta-feira, outubro 03, 2008

Bloom e Shakespeare

Estou neste momento a ler a edição brasileira da obra Onde encontrar a sabedoria? de Harold Bloom.
Possuo algumas obras deste crítico literário norte-americano* e sinto sempre um enorme prazer em ler os seus escritos sobre literatura, particularmente sobre um autor cuja importância Universal ambos compartilhamos. Tal como Bloom, considero não existirem páginas tão literariamente relevantes como as de algumas das peças de Shakespeare.
Em quase todas as obras que já li de Bloom, são comuns as suas posições contra as ideologias e a tentativa destas de invadirem o campo literário com jargões “correctos” acerca do que se deve julgar boa e má literatura.
Pressuponho que para Bloom não seja digno de análise literária o machismo inerente ao “Amansador da Fera”, versão da Campo das Letras. Ainda me lembro da última vez que li esta comédia, e dos meus esforços involuntários para não expandir gargalhadas que insistiam em saltar-me pelos olhos. O meu esforço na altura foi o de esconder o que estava a ler, pois temi a investida de alguma feminista mais afoita, que assim incomodaria o meu gozo literário a bordo do voo número não sei quantos e cujo destino era algures no deserto.
A literatura que se impõe está para além das ideologias e das modas sociais dos tempos. Contudo é óbvio que nenhuma mulher que eu conheço, poderá ignorar e dar graças às lutas que travaram as suas antepassadas feministas. A mulher de hoje, a forma como se movimenta na sociedade, a “igualdade” conquistada é devedora de determinadas actuações mais radicais e seria pouco generoso ignorar tal facto.
Daí que compreenda e até concorde com Bloom na essência, efectivamente Shakespeare e a sua importância estético-literária não poderá ser posta em causa no presente, devido a determinadas normas sociais que vigoraram no seu tempo e do qual ele é, obviamente, porta-voz. Até porque não nos deveremos esquecer que estaríamos a avaliar a mentalidade de alguém do século XVII, um facto evidente e que se traduz numa desvantagem temporal.

*É certo que com estas palavras não se pretende ignorar o seguinte: o Cânone Literário de Harold Bloom é muito discutível.

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Pensamentos matutinos (7)


imagem: Harold's planet

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quinta-feira, outubro 02, 2008

Imagem do dia

A magia da rádio está de volta. Graças a meo!

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Comodidade de expressão

Afinal, O Minstério da Educação que tem alardeado a sua imensa generosidade com distribuições massivas de Magalhães e requalificação das Escolas admitiu que a Acção Social Escolar não contempla o pagamento integral dos manuais escolares do Ensino Secundário. Justificando a incongruência entre o site do Ministério da Educação e o despacho de Agosto de 2008, Jorge Pedreira afirmou que foi uma comodidade de expressão não distinguir o ensino secundário do ensino básico, o que me parece bastante esclarecedor. Resta saber quantos decretos mais foram redigidos com esta comodidade. É este o Ministério que quer pôr a educação na ordem.

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