sábado, setembro 30, 2006

Passeando pelos media

Para quem ainda não a ouviu, vale a pena ir ao arquivo podcast do site da rtp/rdp, e ouvir a reportagem Antena 1 sobre uma viagem à Coreia do Norte.
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A insustentável maleabilidade da lei do aborto

Manchete do Expresso de hoje: Portas e Marcelo lançam pacto para o aborto. Parece que os deputados do PSD e do CDS, no âmbito do relançamento do referendo, se preparam para propor o arquivamento dos processos contra mulheres que abortaram.
Das duas uma:
1. Ou o Expresso voltou às manchetes completamente amalucadas;
2. Ou a falta de vergonha de alguns políticos a lidarem com coisas sérias atingiu um novo zénite.
A acompanhar.
João Morgado Fernandes

Este é um assunto em que só toco com pinças. Mas sinceramente se por um lado se propõe o arquivamento dos processos contra quem aborta, porque é que se quer manter a Lei como está? Será para fortalecer a Lei?

É que eu, mesmo defendendo uma maior liberalização da Lei, acho que é necessária uma Lei, ou daqui a pouco vamos ter gente a abortar aos 8 meses de gestação.
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sexta-feira, setembro 29, 2006

Rir é o melhor remédio

Cristianismo versus Islamismo

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Agenda GR: I Encontro de Alternativas de Sintra


De hoje até Domingo, I Encontro de Alternativas de Sintra, nos jardins da nova Biblioteca de Municipal de Sintra. A entrada é livre.

Para além do programa ser efectivamente muito interessante e variado, este I Encontro de Alternativas, conta com a colaboração empenhada de um elemento do GR, a Maria Barracosa (MissM), que é a responsável no evento pelas áreas do teatro, música, animação e poesia. Nos seus tempos livres, que provavelmente não serão muitos, a Maria ainda procurará exercer funções de barmade, onde terão a possibilidade de comprovar a sua especial aptidão para a confecção de umas divinais caipirinhas.

Hoje, às 22h, recomendo o espectáculo dos verdadeiramente fabulosos, KUMPA'NIA AL-GAZARRA.

O programa completo deste evento, que homenageia o Professor Agostinho da Silva, pode ser consultado aqui.

Divirtam-se!
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PORTUGAL EM GRANDE!

 


pergunto-me:

- necessitarei de apresentar currículo????

NOTA:

(ultimo parágrafo... algo ilegível )

" há riscos
mas boas recompensas!"

HUMMM.. dá que pensar!!!

LOL Posted by Picasa
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Quando a praxe não(?) é o que devia ser [editado]

As discussões sobre a praxe e a recepção ao caloiro são por norma acaloradas. Lembro-me que em tempos o movimento anti-praxe foi particularmente bem organizado no meu curso. Nesse ano a discussão entre os que defendem a tradição académica à antiga e os que se opõem à praxe foi particularmente dura. Não havia manhã ou tarde em que na sala de alunos de física não houvesse uma discussão sobre o assunto. A discussão versava tópicos tão delicados como a maneira como os alunos do primeiro ano deviam ser referidos: "alunos do primeiro ano" ou "caloiros"? De acordo com o movimento anti-praxe de então (no qual eu me revia) o uso da palavra "caloiro" era "revelador de uma atitude inaceitável de superioridade por parte dos veteranos" (fim de citação).

Como se está bem a ver este ambiente de tensão política (e linguística) culminou ... no dia de recepção ao caloiro.

Decidiu-se que a comissão de praxe e a comissão anti praxe organizariam actividades de recepção ao caloiro, perdão alunos-do-primeiro-ano, em pontos convenientemete afastados do campus, para evitar conflitos e garantir que cada um recebia o caloiro de acordo com os seu princípios.

Eu não estive nem num lado nem noutro, assim sendo foi com natural curiosidade que me aproximei da sala de alunos de física na tarde do dia da recepção ao caloiro. Estranhei a atmosfera, onde eu esperava acesa discussão reinava o companheirismo e a descontração ... curioso perguntei: "Então como é que correu a recepção ao caloiro." A resposta não se fez esperar: "Estivemos aqui a comparar e concluimos que o movimento anti-praxe e a comissão de praxe receberam os caloiros da mesma maneira!". Ora bolas!
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gracias a la vida

qu'isto hoje tá um pouco mais afoito
ontem vi-me em papos de aranha
p´ra postar alguma coisinha...
a informática tá sempre numa de nos por à prova, essa é qu'é essa! (-;) (um piscar de olho em dia de chuva)
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Num supermercado Intermarché algures na zona centro

a primeira empregada recarregando prateleiras - pois, é uma chatice!

chefe do supermercado passando – as meninas nem sabem o que vos vai acontecer.

segunda empregada curiosa dando saltinhos curiosos enquanto recarrega uma outra prateleira – o quê? o quê?

chefe do supermercado – vão ter uma fatiota nova.

terceira empregada que chega saltitante – ó Ermingarda já não era sem tempo. Estas fardas são uma lástima, uma pessoa nem se sente bem com isto.

chefe do supermercado – mas ao menos andam todas iguais.

a terceira empregada saltitante – iguais? iguais? Ó Ermingarda isto é uma lástima uma pessoa nem se sente bem.

chefe do supermercado – mas eu mandei fazer umas novinhas em folha, bem bonitinhas e até vos vou mandar ao cabeleireiro.

a primeira empregada ensimesmada – ao cabeleireiro? e pintar e tudo?

chefe do supermercado – quem precise, está claro que sim.

a segunda empregada brincando – define “quem precise”!?

chefe do supermercado encaminhando-se para outro corredor – quem tem cabelos brancos, por exemplo.

a primeira empregada irónica – és mesmo boa Ermingarda, se tu soubesses o quanto és boa.

chefe do supermercado piscando os olhos – pois, eu também podia enveredar pelo outro lado da novidade: substituindo-vos a todas, mas…

a terceira empregada – ó Ermingarda e onde é que tu ias arranjar empregadas tão boas?

a chefe do supermercado encaminhando-se para outra zona e não prestando atenção aos dislates. a segunda empregada rindo para a terceira e exclamando – tu ouviste-a? Ela é fantástica.

a primeira empregada – é verdade! e continuo a dizê-lo: ela é mesmo boa!

as outras riem à gargalhada continuando a recarregar as prateleiras.
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quinta-feira, setembro 28, 2006

eu acho graça à praxe!

[...]
P`ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar, ladrar
lamber de quatro o chão
[...]
Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p`ró estudante
que não quer ser popriamente
um ingnorante

Empurrar fósforos com o nariz
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes
eis tradição
sem ser o que era dantes

[...]
Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

(e haja quem ache)

Sérgio Godinho, “Maça com bicho” (2000)

Eu acho graça à praxe! Só porque a fruta tem bicho, não quer dizer que a deitemos logo fora; há que aproveitar as partes boas. O convívio, a união, a descoberta da faculdade e da cidade, o conhecimento da vida académica. Dir-me-ão que se poderia ter tudo isto sem “lamber de quatro o chão” nem entrar no campo da “besta anormal”. Certo! Mas comandar 100 pessoas em todas aquelas actividades exige alguma hierarquia – tem de ser! Não se podem ter 100 opiniões diferentes sobre o que fazer, quando até maioritariamente o conhecimento dessas 100 opiniões é muitas vezes nulo em relação a novos espaços, a uma nova cidade e a toda uma série de novos hábitos. Isto pode parecer um bocado ditatorial, mas não é, ou melhor, não tem de ser! Aquelas 100 opiniões têm voz própria em tudo o que achem que atente contra a sua pessoa. Primeiro, só está na praxe quem quer!!! – “e isto é verdade, não é só publicidade”. Depois, aqueles que lá estão não têm de se sujeitar a tudo. À partida, a praxe não é ofensiva, é um modo divertido de se ir conhecendo as pessoas e o meio. Mas a diversão é muito relativa e se, por algum motivo, alguém sentir que a brincadeira ultrapassa os limites do razoável, quer física, quer psicologicamente, não tem de ficar calado.

É certo que ninguém gosta de andar de quatro. Mas, se tivermos em conta a tal necessidade de hierarquia e o “espírito de manada” que se cria, não me parece que isso seja assim tão grande humilhação. Isto desde que o tempo e o piso não sejam descabidos e sendo certo que quem tiver problemas físicos impeditivos não é nunca – não pode ser! – obrigado a estar de quatro.

Quanto ao “chamar-se a si mesmo "besta anormal", qual é o problema?! Nunca se insultaram a vocês ou aos vossos amigos nestes termos?! É preciso saber dar o desconto ao que se diz, tendo em conta o contexto em que é dito.

“Empurrar fósforos com o nariz” – isso até é divertido! E contar degraus, ou encenar piadas, ou passear as ruas a gritar as músicas, ou... “tirar à estupidez a bissectriz” – isto literalmente até deve dar uma situação engraçada, puxa pela imaginação e criatividade dos caloiros.

Quanto ao ser “tradição sem ser o que era dantes”, digam-me primeiro o que é que era dantes...

A praxe não é uma “lição de vida” [nem deve ter tal pretensão], mas é “divertida” [ou , pelo menos, pode e deve sê-lo!]. O problema é que só vêm às notícias as coisas más. Acho bem que se noticiem essas coisas, até porque para chegerm aos media é porque são mesmo graves. Mas isso não é problema da praxe em si, é problema de uns quantos anormais que se acham no direito de praxar. Ou seja, não é problema do espírito é problema das pessoas – de algumas pessoas!

“Haja quem ache” que a praxe é “maçã com bicho”, mas haja também quem, reconhecendo que o bicho existe, esteja interessado em recuperar a fruta, não se limitando, simplesmente, a abandonar o pomar.
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UPS

 

"calma, calma... tava a brincar pá! hehehe! LOL!
eu é que tou com cenas? vocês é que tão com cenas!
eu é que tou com cenas? vocês é que tão com cenas!" Posted by Picasa
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não deixa de ser interessante

este post de Pacheco Pereira, efectivamente só chefias jornalísticas acéfalas conseguem dar relevância jornalística a um documentário baseado na teoria da conspiração.

mas é igualmente interessante vermos PP citar como fonte a wikipedia, esse site considerado há tempos, por PP, como uma espécie de coisa comunitária sem rei nem roque epistemológico.

as voltas que a argumentação dá.
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oprtunidade fotográfica

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Tudo a Ler

Campanha do hipermercado Continente que decorre de 25 de Setembro a 31 de Setembro. Por cada 30 eur em compras é-lhe oferecido um cupão Tudo a Ler, depois basta escrever no cupão o nome e a morada de uma escola e colocá-lo numa tômbola.

Em cada Continente a escola que tiver mais cupões vai receber 500 livros (Jardim Infância ao 2.º ciclo).

Vale a pena divulgar.
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quarta-feira, setembro 27, 2006

Eschermania

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Escher's "Relativity" in LEGO®

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Passeando pela blogosfera


Paulatinamente, o respeitinho aproxima-se do medo puro e duro, como se vê por mais este exemplo. Por enquanto, é a memória do sr. profeta que não deve ser desrespeitada; qualquer dia, é toda e qualquer alusão ao mundo árabe que será proibida. Depois queixem-se...
P.S: De acordo com as últimas linhas do post «Ali Kizilkaya, presidente do Conselho do Islão, saudou o cancelamento. E sugere outra encenação». Por mim, poria itálico no "sugere". Reparem como o sr. Kizilhaya já se atreve a sugerir alterações em criações artísticas Ocidentais. Repito: depois queixem-se...
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de volta ao mundo virtual


depois de um banho empresarial

já 'tava com saudades vossas!
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A decadência académica

A praxe já exige escolta policial. Até no Instituto Superior Técnico que até há alguns anos vivia mais ou menos à margem de certo tipo de excessos ...
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Directo ao assunto

Aqui. Queres ver que quando fala o Pedro Arroja até o maradona vira à esquerda?
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Ponham os olhos no Pedro Mexia

O Pedro Mexia não é de esquerda não senhor, mas vejam lá se ele vai em cantigas no que toca ao Inteligent Design? E no entanto é capaz de ter a sua dose de Marxismo no no lombo. Sem contradição. Mas isto sou eu a especular ...
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Agosto, Setembro e os cabeças de abóbora


Existe uma cena magistral em que um casalinho circunstancial, numa onda de romantismo mágico, contempla Viena de Áustria a partir do telhado de um imponente monumento. É justamente a consciência dessa magia romântica que alimenta o clímax da cena.

Obviamente ao clímax segue-se imediatamente o anticlimax. Na mesma noite, no mesmo telhado, sobre a mesma Viena de Áustria um deles ousa dizer: "O problema é que amanhã de manhã voltaremos a ser os mesmos cabeças de abóbora de sempre ..."

Para alguns Agosto é assim: o mês de todos os sonhos e de todas as oportunidades e depois lá vem Setembro como um balde de água fria.

Para outros Agosto é uma autêntica travessia do deserto: resta-lhes a imponência das tílias na Lisboa semi-deserta de Agosto. O problema é que no fundo no fundo as tílias são tão imponentes em Setembro como em Agosto. Mesmo com mais gente na rua.

Venham as tenebrosas chuvas de Outubro. No fundo, no fundo, eu já tenho é saudades das minhas nuvens Londrinas.

(Na imagem: o lago Serpentyne com o Palácio de Kensington ao fundo, em Hyde Park, Londres)
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terça-feira, setembro 26, 2006

O melhor veneno é... com açucar!

Julie Bell, "Golden Lover"
Parabéns à Tati pelos 3 anos do seu magnífico, «Sem Pénis, Nem inveja».
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A utilidade dos retratos do trabalho do Abrupto

(Sempre me questionei sobre a utilidade dos retratos do trabalho no Abrupto hoje ao contemplar este post finalmente entendi. Ora reparem na tshirt do jovem artesão ...)

Um pouco mais a sério. Quem conhece o actual pensamento político do JPP sabe bem que ele e o "camarada Che" não são exactamente camaradas da mesma praia. Simplesmente conhecendo a biografia política de Pacheco Pereira e o seu interesse pelo movimento comunista em Portugal suspeito que é improvável que aquela tshirt lhe cause incómodo.

Esta conversa da treta faz-me lembrar uma nota política, escrita por Júlio Machado Vaz à margem de um dos seus livros, sobre o posicionamento de António Guterres relativamente despenalização da interrupção voluntária da gravidez. É sabido que Júlio Machado Vaz e António Guterres não partilham da mesma opinião sobre o assunto, a referida nota era algo amarga e terminava com algo como "A minha política é o trabalho".

Para que não restem dúvidas explicito que este post nada tem a ver com a clivagem entre a esquerda e a direita. Se alguém perceber o significado da última frase, suspeito que os retratos do trabalho (do Abrupto) já serviram para alguma coisa.
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Leituras


Com um ano de atraso, e muitas tentativas depois, acabei de ler Diário Remendado, de Luiz Pacheco. E, no fundo, desiludi-me. Não me incomoda nada que o livro esteja cheio de fodas, punhetas, broches, panascas e conas (uso o vocabulário da própria obra). De resto, e para irmos directo ao assunto, este picante só pode contribuir para espicaçar o voyeur que há em todos nós, o que não será necessariamente mau. O que me desgosta neste diário remendado é que não vá além das fodas, das punhetas, dos broches (ou da ausência deles). Porque não vai além disso, se exceptuarmos os momentos em que Pacheco reflecte sobre a sua obra literária. Mas isto, que poderia ser extraordinariamente interessante, acaba por ter um interesse muito relativo. Mais do que reflectir nos defeitos e virtudes dos seus escritos enquanto peças literárias, indicadores de influências, etc., Pacheco, quase sempre, analisa-os do ponto de vista financeiro – este livro pode dar dinheiro se for assim, publicar aquilo pode dar dinheiro, etc. Dir-me-ão que, por este lado sinceramente pungente (admita-se o sinceramente, com reservas) este livro se destaca, pela diferença; que é um livro de espécie rara, entre nós, etc. Seja. Mas – e aqui está o ponto: há duas ou três décadas atrás, tornar público o vómito teria a sua piada e, até, a sua utilidade. O próprio Pacheco, de resto, acaba por reconhecer, numa determinada passagem, que certos aspectos da sua obra perderam algum sentido depois do 25 de Abril. Contas feitas, livro pouco interessante, pelo qual dificilmente me despediria de 15 euros – ah, benditas bibliotecas públicas! Sem dúvida, livro bem menos interessante que Figuras, Figurantes e Figurões, que O Independente publicou o ano passado e que é constituido por antigos textos de Pacheco. Já se vê que nem sempre é preciso tirar a gravata para se ser interessante.
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A nata da moralidade canónica

Não mentirás. E se mentires, mentirás com plena convicção.
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segunda-feira, setembro 25, 2006

Screaming Pope

Francis Bacon
Study after Velazquez's Portrait of Pope Innocent X
1953
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No campo da conspiração














Hoje, na Antena1, ouvi Pedro Rolo Duarte defender que esta fuga de informação dos serviços pouco secretos franceses se prestava, perfeitamente, a alimentar as mais fantasiosas teorias da conspiração que, segundo o próprio, abundam na blogosfera lusa.

E eu que pensava que esta “fuga” servia apenas para forçar Bin Laden a dar sinal de vida…
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Muppet show live in Portugal of the little ones

No público de Sábado, Carlucci retorna a Lisboa para rever Mário Soares.

Conversam, e na entrevista das duas uma, ou o entrevistador não soube colocar perguntas ou então vedaram-lhe tópicos, de forma a que pudesse estar sequer presente.

Dois dinossauros, sem objectivo aparente, a relatarem coisas já revolvidas e amplamente divulgadas em textos de estudo, exaustivamente presentes em qualquer bibliografia de Ciência Política, mas num tom de conspiração e cumplicidade jarreta.

Todos sabemos o plano em que Carlucci operava, a importancia que teve no verão quente, o almoço que partilhou com Otelo mesmo antes de se encontrar com Mário soares... tudo isso já sabemos.

Também já sabemos o que Kissinger lhe segredava, o que acreditava que era Portugal e o que podia ter sido e seu papel geo estratégico na balança de poderes mundial, tudo isso mil vezes anunciado e contado pelos
avozinhos em jeito de seca para os netos que já não querem saber.

Não querem saber, porque a história cheira a mofo e tem um dedinho de sabor a azedo, o azedo que parece esconder alguma coisa.

O pior, é que possivelmente não há nada mais para saber, e os sacanas com aquela pose de estado, mantêm aquele indicio falso de que levam alguma coisa para a sepultura. E é esse indício, que dá direito a capa, folha dois e três do público ( tipo revista caras ), com o jornalista a fazer referências ao desgaste físico dos senhores.

Faltou uma crítica à roupa, ao corte de cabelo e ao lugar onde passaram as férias de verão.

Há tipos que fazem qualquer coisa para aparecer nas notícias!
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o que dizem os antigos em qwerty3001

em Setembro
lua nova chovida e trovejada, sete meses de chuva.
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domingo, setembro 24, 2006

I Encontro Alternativas em Sintra 2006
Homenagem ao Prof. Agostinho Silva

Sexta-feira 29 de Setembro

17,30h.– Inauguração

Palestras:
16h Crianças Índigo e Cristal – Yasmin
17h30 Leitura da Aura – João Pires
19h Agostinho da Silva – Paulo Borges

Teatro:
19h30 “A Quatro Mãos” - Teatro Valdevinos

Poesia:
20h/20h30h Meninos da Avó

Música:
20h30 OCO – Seres do Vento Pedro Soares – digiridoo, voz e taças Miguel Ângelo – digiridoo, voz e percussão Rui Martins – harmónica, cítara e percussão Alban – digiridoo, voz e flauta Ruben Branco – digiridoo e percussão

22h KUMPANIA ALGAZARRA
Luís Barrocas – guitarra, sax e voz
Hugo Fontainhas – bateria
Kiko Amorim – trombone Pedro Pereira – contrabaixo
Nuno Salvado – acordeão Ricardo Pinto – trompete
Pedro Pereira – contrabaixo Helder Silva – percussões

Oficinas:
15h/17h Cerâmica/Fantoches
17h/19h Reciclagem/Cremes Artesanais
19h/20h Reflexologia
16h/19h Pintura Facial


Sábado 30 Setembro

Palestras:
16h Alquimia Vegetal e Equilíbrio Energético – José Medeiros
18h Astrologia e as Quatro Formas do Conhecimento – Luís Resina

Oficinas:
11h/12h30 Papel Reciclado/Fiação/Pintura Facial
15h/17h30 Cerâmica/Coroas de Flores/Paleotecnologia/Viagem Botânica
15h/19h Pintura Facial
17h30/20h Aromaterapia Cosmética/Plantas Medicinais

Teatro:
17h “ O Touro da Estrela d’Ouro “ – Marionetas Luísa Barreto

Poesia:
20h/20h30h Meninos da Avó

Música:
20h30 QUINTETO RELICARE
Andreia Lopes – voz
Sérgio Zurawski – guitarra clássica e eléctrica
Paulo Croft – guitarra clássica
Carlos Costa – violoncelo
Manuel Luís Cochofel – flauta transversal

22h BELTANE (música celta)
Sofia Castro – voz e percussão
Ricardo Ramos – violino e voz Teresa Ledo – acordeão
Rui Ramos – percussão
Rui Graça - guitarra


Domingo 1 de Outubro

Oficinas:
11h/12h30 Fantoches/Cerâmica
15h/17h30 Papel Reciclado/Fiação/Aromaterapia Cosmética
17h30h/19h30h Oficina de Teatro/Viagem Botânica
11h/12h30 e das 15h/19h Pintura Facial

Palestras:
15h Leitura Natural de Auras – Susana Pinho
16h Educação Sustentável e Ecopedagogia – Susana Pinho
17h30 Tarot – Uma das Vias para Integração – Maria João Monteiro

Teatro:
17h ERA UMA VEZ UM DRAGÃO – Grupo 373 Teatro
19h O ESPÍRITO DA LUA – Utopia Teatro

Poesia:
20h/20h30 Meninos da Avó

Música:
20h30h MR. BLUES (blues) Miguel Lança – bateria TóLis – baixo TóZé – guitarra Pedro Nunes – guitarra Matheus Vilela – harmónica José Santos – voz

Exposições: Centenário do Nascimento do Prof. Agostinho da Silva

Marionetas de Peças de Teatro: Teatro Valdevinos

Instalações: Sara Inácio e Susana Guardado

Animação: Reticências Teatro

Canil Municipal de Sintra: Adopção de Animais
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Será que este também foi pressionado para dizer isto?

«Presidente elogia Governo pelos resultados muito positivos no combate aos fogos»
Público de hoje.
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Bebé Lilly???!!!...

Um almoço tardio hoje fez com que o Top+ (programa que já não via há algum tempo) fosse a companhia televisiva da minha refeição. Findo o repasto, preparava-me eu para desligar o aparelho e ir à minha vidinha, quando vejo que em 13º e 12º (ou qualquer coisa parecida) estão, respectivamente, FF e D’zrt. “Então quem são os três primeiros?!... Isto hoje vai valer a pena!” E deixo-me ficar até ao fim do programa. Em primeiro mantém-se a Floribela, mas em segundo temos André Sardet – nada mau! Mas o que me fez vir aqui foi o terceiro lugar: Bebé Lilly. “???“ Vejo o vídeo-clip... Fico estupidamente estática a olhar a tv... “O que é aquilo???!!!” Uma animação, com música batida, onde canta um bebé, contando os disparates que faz quando está sozinho. “Mas será que isto é mesmo um projecto de alguém ou só se lembraram de fazer concorrência às Músicas da Carochinha?” Por outro lado, se aquilo é para as criancinhas, acho que algumas vão ter pesadelos. Até percebo que possa ter alguma piada, mas como é que isto está em terceiro do top?!...

Já no computador faço uma pequena busca e descubro que é uma tradução de um projecto original francês. Se não fazem ideia do que eu estou a falar – digam-me que eu não era a única ignorante! - podem espreitar o vídeo-clip original (youtube) e ainda complementar com 30s da música na versão portuguesa (CDGO).
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sábado, setembro 23, 2006

dona melancia jamesonisada

Ela - 'Cê me "jamesonisa", benzinho?

Ele - não dá, meu bem, é muito cedo e não fica bem.

Ela - não fica bem? que 'cê pretende oralizar com isso?

Ele – nada, nada, não enche o saco, hj tou desinspirado!

Ela – porquê, benzinho?

Ele - 'Cê sabe, acabei de ler O SOL e aquilo é Expresso em versão light.

Ela – ahn?

Ele – nada de novo, mais do mesmo.

Ela – ‘cê tá-se precipitando, benzinho, o Arqto ainda não teve tempo de teorizar modernidade.

Ele incomodado – ‘Cê sabe que a única coisa qu’eu li foi a entrevista do Ricardo Araújo Pereira, genial, o rapaz é fantástico, eu adoro ele.

Ela sarcástica – ‘cê toma cuidado, benzinho, ‘cê é um pouco homofóbico, esqueceu disso?

Ele – ‘cê é uma fala-barato, essa é que é essa, o RAP é homem com H.

Ela assobiando pró alto – E que ‘cê leu mais d’O SOL?

Ele – a coluna do professor, ‘cê sabe qu’eu gosto do professor e do seu jeito desempoeirado e li a Charlote

Ela curiosa – que ‘cê achou da Charlotte?

Ela – Charlotte me pareceu um pouco desinspirada.

Ela – ‘cê deixa a Charlotte s’ambientar também, benzinho, Charlotte precisa de tempo.

Ele – é ‘cê sabe, eu gosto de Charlotte, principalmente quando ela pensa qu’acredita nessa coisa de isolamento genial.
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Ela: 'Cê Acha qui eli istá sóbrio?!
Ele: Puxa vida, bota ébrio nisso!
Ela: Good old Jameson!
Ele: By old do you mean current?
Ela: Yes I do, indeed, say "good old Jameson" to mean "good current Jameson"
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Your blog requires word verification

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Eu bem que disse à Nancy para não puxar demasiado pela molécula.
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Já lhe tinha ouvido chamar muita coisa ...

... mas orgão de soberania é a primeira vez!
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Os posts filhos da puta

Quando o expediente acabava já os posts estavam mortos. Filhos da puta!
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sexta-feira, setembro 22, 2006

A cultura da desresponsabilização

«Não tendo sido renovado o mandato do actual Procurador já não faz sentido ouvir uma pessoa que deixará as funções a curto prazo»

Ricardo Rodrigues, coordenador do PS na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
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A nata dos provérbios

O filho pródigo à casa torna.
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gloriosa versus portucow

eu sempre fui do benfica e o responsável é o meu pai, pois teimava insistentemente no seu clube: o sporting.
a minha família sofre toda pelo sporting mas actualmente eu não sofro nem pelo sporting, nem pelo benfica.
mas continuo benfiquista, vá-se lá saber...
gosto imenso de bons jogos de futebol.o meu sofrimento pelas minhas duas selecções: Brasil e Portugal, não tem comparação com qq outro tipo de sofrimento.
e a cow parade que tem a ver com isto?
leiloam-se aqui duas das vacas do evento.
os valores das licitações até agora são os seguintes:

gloriosa - 4000 euros
portucow - 2000 euros

e as últimas licitações, em ambas, couberam a José de Sousa.

o meu entendimento debate-se agora com a presente dúvida existencial:

será José de Sousa um benfiquista português ou um português benfiquista?
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ó boazona, boazona!


trim, trim, trim, trim, trim

Ela ligeiramente irritada – que raio de toque!

A outra exclamativa – agora imagina o qu’é isto num parque de campismo.

Ela admirada – Ahn?

A outra – Imagina que tinha um papagaio a imitar um som igualzinho a este, todo o dia, durante as minhas férias.

Ela – Que horror! e não protestaste com os donos?

A outra – eu? nã! então ele chamava-me boazona todo o dia.

Ela rindo – conta lá isso.

A outra sorrindo – Imagina, assim que cheguei ao parque de campismo ouço aquele toque, mas não via ninguém, e o toque não parava, resmunguei em voz alta: porque raio não atendem o telemóvel? e ouço uma voz dizer: ó boazona! olhei em frente e lá estava o gajo, um papagaio.

Ela compreensiva – o dono do papagaio era “abençoado” pelas gajas todas do parque, não?

A outra – O papagaio era cá um safado! Vê lá que ele dizia: ó boazona, boazona! és tão boa! és mesmo boa! boazona! e eu a rir virava-me pra ele e dizia: não tens vergonha, seu mal educado! então não é que o raio do bicho começava a assobiar ou a imitar o toque do telemóvel?

Ela compreendendo – Como quem diz: a conversa não me interessa!

A outra – pois é! portanto já percebes porque é que o bicho era tão popular entre as mulheres.

Ela – percebo pois, pura relação de interesse!

A outra – é! e são ou não essas relações que dão melhor resultado? Este pessoal ainda anda atrás da conversa dos poetas!
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Dia Europeu... do faça o que lhe apetecer!

- Hoje é Dia Europeu Sem Carros! - relembro.
- Onde? - pergunta-me preocupado porque está de saída para o Porto.
- Na Europa - é um Dia EUROPEU!!!
- Está bem, mas aqui, aqui não há problema em andar de carro. Onde é que não se vai poder?
- Aqui no Porto, proíbido, proíbido, acho que não é em lado nenhum. Só deixa o carro em casa quem quer.

- Bom.

Pois é, a gente só adere a essas coisas quando é obrigada. No primeiro ano (em 2000) muitas ruas importantes do Porto foram realmente fechadas aos carros. Estava um dia lindo de sol e havia espetáculos e actividades em alguns pontos da cidade. De lá para cá a coisa foi sendo esquecida, os grandes anúncios passaram a pequenas reportagens nos (tele)jornais e a proibição deu lugar apenas a um apelo.

Nota: Para ajudar à festa, os STCP entram hoje numa greve parcial. Mas, preocupados com os utentes, cada condutor apenas deixa de fazer as últimas quatro horas do turno. Que simpáticos!
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quinta-feira, setembro 21, 2006

depressão

Ela – ‘cê sabe benzinho, Nancy anda muito triste.
Ele preocupado – ai é? e ‘cê sabe porquê?

Ela – tá faltando sal na sua vida.

Ele gracejando – xi meu bem, tem de convidar Nancy pra feijoada de mamãe.

Ela – ‘cê sabe qu’ela anda um pouco deprimida, perdeu seu time.

Ele espantando negatividade – q’horror meu bem, ‘cê precisa de convidar Nancy pra mudar de claque, ‘cê pode aprontar isso na feijoada de mamãe.

Ela abanando sua cabeça brilhante – ‘cê sabe, benzinho, Nancy é uma rapariga cheia de mania e fixação colorida.

Ele sarcasticamente eufórico – ai é, meu bem, manda ela pra mim, manda! – fazendo beicinho – por favor!

Ela retomando Jane – ‘cê é um baita d’um cretino!
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não há festa como aquela - impressões de uma estreante [VI - última]

Sérgio Godinho

Grande, grande, muito grande! Simplesmente muito bom! Eu sei que sou suspeita, mas naquele dia não era só eu, nem eu mais meia dúzia de pessoas, era toda a tenda do 1º de Maio! Os concertos do 1º de Maio são mais intimistas; SG levou temas não tão conhecidos do grande público, um bocado ao estilo do concerto a que assisti no ano passado na Câmara de Matosinhos. Mas desta vez foi diferente, e a diferença estava essencialmente no público. Com excepção de duas músicas novas – a sair no próximo trabalho – todas as músicas foram acompanhadas pelo público que cantou alto e em bom som do princípio ao fim, aplaudindo entusiasticamente em momentos chave - foi lindo! Deu-me vontade de perguntar a toda aquela gente onde é que têm andado escondidos este tempo todo... Como já se deve ter notado, eu gostei muito, o resto do público também e acho que isso transpareceu no palco, onde o cantor e os músicos pareciam também estar a aproveitar o momento. Foi muito bom!

[Não me recordo da ordem, e se calhar estou-me a esquecer de alguma, mas cá vai o que me lembro:]

O primeiro gomo da tangerina – "Todos vieram ver a menina" abriu o espetáculo
Dias úteis – numa versão que gostei bastante em estilo de bossa nova
Balada de Rita
Com um brilhozinho nos olhos – o grande emblema que continua a ser uma grande música
Dancemos no mundo
A noite passada
– a fechar o concerto ouviu-se um sentido e sonoro “disseste ainda bem que voltaste”

A carroça dos poetas
Quatro quadras soltas

É tão bom – com um final acelerado e divertido a fazer lembrar as brincadeiras de criança =)

O homem-fantasma
Arranja-me um emprego

A democracia (Aforismos)
Cuidado com as imitações
Liberdade – inevitável!

Músicas novas (CD a sair no próximo mês):
(O lamento da) Deusa do amor
Rei do zum-zum



Quanto ao Avante, o “não há festa como esta” é, realmente, verdade e, portanto, para o ano há mais! =)

[parte I: A Carvalhesa]
[parte II: O espaço]
[parte III: O espírito]
[parte IV: A política]
[parte V: Os concertos]
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desvantagem

Hoje acordei minha vida
ela estava descansando
mas eu sou ave delambida
sempre ciente de seu canto

E ela no seu grazinando
autêntico e incomodado
foi dizendo sem escândalo
e manifestando seu desagrado:

estais assim tão levantada
nesse madrugar outonal
se soubéreis quão enteada
é vossa azáfama frugal!

ela é assim! dona folgada
cheia de mania senhorial
mas eu, dona de meu destino,
levanto o dedo e digo brutal:
minha senhora, siga meu trilho
pois eu converto desvantagem
em vassalagem proporcional!
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Sexo, dinheiro e comprimidos

As caixas de correio electrónico são um dos melhores retratos do nosso tempo.
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O país onde não há lugar para mais de dois




"Porque acabou o Independente?" - discute-se no Clube dos Jornalistas. José António Saraiva acaba de propor uma explicação definitiva: O Independente acabou porque percebeu que não tinha hipóteses contra O Sol. Pois. Mas Saraiva vai mais longe. Desenvolvendo a sua vocação filosófica, garante que, em Portugal, em tudo, só há lugar para dois. Evidentemente.
P.S: Vai uma aposta sobra a perenidade de O Independente? Para mim, é simples: daqui a trinta anos, já ninguém se lembra da coisa.
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quarta-feira, setembro 20, 2006

O Bairro e as gentes















Eduardo Pitta deu o mote, e o seriado já vai no episódio 10.

Como comecei a frequentar a noite do Bairro Alto em meados da década de oitenta, não posso deixar de achar estranho que alguns bloggers considerem que o Bairro de hoje está pior do que o Bairro de há duas décadas atrás.

É verdade que a rapaziada da nova geração – que invadiu as ruas do Bairro com os seus copos de plástico cheios de cerveja choucha –, fuma charros atrás de charros com a mesma descontracção de quem fuma um cigarro num outro qualquer espaço público. Porém, nos ditos “saudosos” tempos áureos do Bairro, as ruas estavam entregues aos pintas; o dialecto mais auscultado era o calão; e os becos e WC’s estavam assolados de seringas, restos de pratas queimadas, limões, ratos, baratas, e ratazanas mortas.

A realidade é que o velho Bairro Alto, que alguns parecem agora querer evocar, tinha um ambiente verdadeiramente asqueroso, repleto de gente gordurosa e malcheirosa. Se bem me lembro, não havia esquina, beco, viela, porta ou janela por onde não espreitasse um chunga meio aciganado com uma naifa romba, um pseudo fadista cirroso, ou uma puta velha, desdentada, desgrenhada, e remelosa. O constante fedor que habitava naquela zona esquecida da cidade era adequada à sua fauna – mais pungente que o odor emanado por uma sarjeta imunda.

Há cerca de 20 anos, as tradicionais tabernas e leitarias de bairro começaram a dar lugar a bares ranhosos - com nomes mais ou menos pomposos, mais ou menos patetas, mais ou menos surrealistas -, que serviam bebidas alcoólicas adulteradas, em copos de vidro rasurados nas bordas por lanhos amarelados, e ainda besuntados pelas bocas e mãos untuosas dos fregueses da última semana.

Apesar de tudo, e de também não conseguir de deixar de recordar com alguma saudade alguns locais emblemáticos daquela época (Ocarina, Frágil, Gingão, Três Pastorinhos, Sudoeste, Lábios de Vinho), tenho de reconhecer que o passar dos anos trouxe ao Bairro novos espaços, com propostas mais agradáveis, mais civilizadas, e mais adequadas ao gosto das mais e menos hodiernas tribos urbanas.
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querelas mundanas

“(…) Ai de mim! Se a heroína de um romance não for amparada pela heroína de outro, de quem poderá esperar protecção e respeito? Eu não o posso aprovar. Deixemos isso aos críticos, que eles maltratem como bem entenderem tais efusões da imaginação, e que acerca de cada novo romance falem nos esforços gastos com o lixo sobre o qual a imprensa agora se debruça. Não desertemos uns dos outros, somos um grupo maltratado. Embora as nossas produções tenham proporcionado maior e mais profundo prazer do que as de qualquer outro grupo do mundo, jamais outra escrita foi tão denegrida. Por orgulho, por ignorância ou por moda, os nossos inimigos são quase tantos quanto os nossos leitores. E, enquanto o talento da nonagésima pessoa que resume a História de Inglaterra, ou do homem que reúne e edita num volume algumas dúzias de linhas de Milton, de Pope, ou de Prior, com um nota do Spectator e um capítulo de Sterne são elogiados por mil canetas, parece existir um desejo generalizado de denegrir a capacidade e desvalorizar o trabalho do romancista, e de desprezar as execuções que só têm o engenho, o talento e o gosto para as louvar.” p.49-50
AUSTEN, Jane, A Abadia de Northanger, Mem Martins, Publicações Europa-América, Agosto 2004, pp. 49-50
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A Ilha dos Blogues

Ao ver aproximar o meu último dia de férias, e já com regresso marcado para Lisboa, lembrei-me, para amenizar o choque, de tentar organizar um pequeno convívio entre bloggers: um almoço dominical junto ao Tejo.

Para além de mim, do Filipe e do Luís, todos desta casa, ainda nos deram o prazer das suas companhias, Rogério Santos, José Carlos Abrantes, e Paulo Rebelo. Pela contigência do encontro ter sido planeado muito em cima da hora, os outros bloggers contactados (Tati, Miss Pearls, Di, Espumante, MissM e Nancy Brown) acabaram por não poder marcar presença neste almoço, no entanto, já se disponibilizaram para comparecer no próximo.

Como não poderia deixar de ser, o encontro serviu para se falar – alguma coisa – de blogues (no geral e no particular), mas dada a presença de Rogério Santos e de José Carlos Abrantes, acabou por se falar, ainda mais – e ainda bem –, de imprensa, jornalismo, televisão, programação, ficção, edição, publicidade, ensino superior, etc.

Da parte que me diz respeito, considero que foi um almoço muito simpático e interessante, como tal, acabou por se estender para lá da hora «Coca-Cola». Depois do repasto no Piazza di Mare, os últimos sobreviventes ainda arranjaram forças para ir beber um copo ao «Amo-te Tejo», no Museu da Electricidade, e para dar um pulinho à instalação de Joana Vasconcelos, «A Ilha dos Amores». Já passava das sete quando nos decidimos a dar por findo o encontro.
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terça-feira, setembro 19, 2006

uma tarde diferente...

Passo os olhos pela programação do FIMP (Festival Internacional de Marionetas do Porto) e reparo que eu tinha, em tempos, assinalado alguma coisa para hoje. Informo-me das horas... 16h. “Calha bem! Não trabalho hoje de tarde e a Praça D. João I é já ali abaixo. Pois, mas daqui até às 4h ainda faltam quase duas horas. Passo no Rivoli a ver o que há de programação para os próximos tempos e depois passeio um bocado na FNAC. É isso!” Rumo, então, ao Rivoli. Qual não é o meu espanto quando vejo que a cinzenta e vazia Praça é agora um verde relvado onde há pessoas sentadas e deitadas a almoçar e a conversar. “Olha, é mesmo isto!” Entro no Rivoli a buscar alguma coisa para ler... a programação da Culturgest serve, e abanco-me na praça relvada. Nas colunas ouve-se alguma coisa em estilo de ópera e música antiga e mais tarde qualquer coisa com gaitas mais tradicional. A lembrar-me que estou em pleno centro da cidade só o barulho das obras e do trânsito em volta, mas com a música até disfarça.

Às 16h, tudo para as escadas que o espectáculo vai começar. Um misto de novo-circo e teatro de rua. Em “palco”, um banco de jardim, um tapete, duas concertinas, um homem e uma mulher que vão trocando pequenas bolas brancas de mão em mão, pelo ar, pelo chão, por cima, por baixo, pelos lados, rolam depressa e devagar, saltam, encolhem-se e serpenteiam-se pelo meio. Tudo muito ligado e harmonioso; apresentado com uma simplicidade tal que até parece fácil! «Bal À Balles... Musette é um tempo de suspensão em que o diálogo se transforma em movimento, acrobacia, malabarismo e música.» – dizia no resumo da Agenda do Porto. E, atendendo de bom grado ao apelo da parelha, informo-vos que o espectáculo repete amanhã às 11h30 e às 16h; não chega a meia hora de duração, por isso, se tiverem um tempinho e quiserem ter uma tarde diferente, passem pela Praça D. João I (em frente ao Rivoli). Para espreitar um bocadinho podem ir ao site da Cie Baladeu'x.
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De volta à normalidade?


Durante um mês mais de 1000 bombas caíram diariamente sobre o Líbano.
Agora, o futuro político do país joga-se entre ruínas.
Acusado de ter provocado a guerra, o Hezbollah quer agora ganhar a batalha da reconstrução contra o governo legítimo.
Incrivelmente, a guerra aproximou as comunidades e apesar do dinheiro escassear as populações deslocadas regressam agora às suas casas, e as lojas começam a ser reabertas... Lentamente a normalidade vai sendo restabelecida...
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as raparigas

imparáveis na sua devassidão, o tema? a indecência católica apostólica. qualquer rapariga que se preze deve ter cuidados especiais com este tipo de moral, a não ser que algum dia decida espantar o mundo.
as palavras obscenas invadiam o ar carregado do restaurante latino americano. uns vintes e poucos e um futuro risonho. uma das quais decidira honrar a santa madre igreja e casar. por isso, juntara as amigas de infância, adolescência e de trabalho naquele jantar, conluio feminino.

todas estavam dispostas a venerar a noiva. para que serve uma noiva, se não para ser honrada? a noiva é algo a caminho de uma coisa completamente diferente e é o abençoar do mundo para um estado vindouro. entenda-se então a sensibilidade muito especial de uma noiva. uma unha diferente, um cabelo tratado, uma pele extraordinariamente bem composta, um toque chique, onde outrora convivia o habitual.

o noivo quer ultrapassar o ritual o mais rápido possível. é uma corrida em velocidade moderada. gostaria de livrar-se dos convidados, do padre, do almoço. ia directo da igreja para a lua de mel.

a noiva não!

para a noiva aquele dia é o auge de um começo pormenorizado.

daí que o dono do restaurante as receba sempre no pino da euforia, ele, um zénite no maneirismo feminino e um requintado trejeito de oralidade.

essa ementa é meio abichanada! – dizia meneando a cabeça para um lado e as letras para o outro, enquanto o seu corpo dançava ao ritmo da salsa.

meninas, a minha ementa é muito melhor e muito menos abichanada! – os braços enlaçando o ar arrebatados.

e as meninas, colegas da noiva, sorrindo abichanadamente, e uma e outra gracejando do abichanamento do outro.

e a noiva?

sumptuosamente em vias de um começo pormenorizado, apenas um começo.
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segunda-feira, setembro 18, 2006

clivagens ideológicas pós 11 de Setembro

Que as pessoas discutam o 11 de Setebro, o Afeganistão e o Iraque eu percebo. Ainda há pouco tempo uma prima minha (que não lê blogues) me dizia que o 11 de Setembro é o 25 de Abril da nossa geração: todos se lembram do local onde estavam nesse dia fatídico da história. Na minha opinião a analogia não é perfeita mas é muito útil.

Que esses assuntos sejam discutidos na blogosfera, para mim, faz todo o sentido. Independentemente das posições assumidas, são assuntos do quotidiano cuja discussão só demonstra consciência política o que, para mim, em si, não é com certeza uma coisa má.

Aquilo que eu não percebo é como é que na blogosfera a discussão de tais assuntos cria animosidades entre o blogue A e B e o blogger X e Y. Gostava de perceber melhor como é que isso funciona ... Não é a questão de X ou Y serem de esquerda ou de direita, a questão é como é que surge tensão entre X ou Y por um assunto que no fundo, para nós portugueses, é tão distante.
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corre um silêncio

sepulcral na blogosfera sobre os senhores.
e quem forçou o silêncio, queimou-se.
há guerras que valem a pena ser compradas, outras não.
o blogue em si pretende servir uma causa: a literatura.
mas a literatura não precisa de exércitos de cruzados.
quem pensa que a literatura precisa deste tipo de exércitos, não sabe nada de literatura.
as capelinhas da literatura nunca fizeram sobreviver nenhum autor canónico.
por isso, caros guerreiros, a vossa máscara poderá ser artesanato com uma certa autenticidade mas, até ao momento, tem um terrível calcanhar de Aquiles: a ideologia.
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um postal alternativo dos Clérigos...

Os Clérigos estão em obras e, por isso, têm a fachada tapada por grandes telas. Mas essas telas, em vez de anunciarem as mudanças que estão a ser feitas, os prazos a cumprir ou - muito ao jeito do Sr. Rio - enalteceram mais uma das suas obras, são espaço de publicidade da Sagres! Assim, a igreja é hoje um grande cartaz vermelho anunciando "Mais uma prova de bom gosto. A Sagres Bohemia apoia o restauro dos Clérigos." e a torre é um Pierce Brosnan gigante que todos os dias me convida para um copo.

Posso dizer que acho mal ou estarei a ser demasiado conservadora?... Não me parece nada bem um monumento como os Clérigos ser agora, e por longos tempos - a avaliar pela duração das obras cá na terrinha - um convite ao consumo de cerveja. Sim, lá no cantinho tem o habitual "Seja responsável. Beba com moderação.", mas continuo a achar mal. Os Clérigos são um símbolo da cidade! Eu sei que é uma maneira de arranjar fundos, mas... acho mal, pronto!

Por outro lado, é capaz de ser melhor a Sagres do que a Coca-Cola ou o McDonald's - imaginar a torre com um enorme Ronald todo colorido a oferecer-me um Big Mac... é uma visão muito má... Aquele Pierce Brosnan gigante sempre vai dando um postal alternativo agradável à vista! =) Mas, para que conste, acho mal!
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feijoada completa

Ela – ei Rosa, ‘cê passa aí o feijão?

Rosa – sim, melancia, que ‘cê acha?

Ela falando pra ele – Rosa é estilo carraça, pega você e não larga, não, mas ‘cê vê como sem ela nada é possível?

Ele – é benzinho, Rosa é assim, e prá’lém disso aí, Rosa é muito sensível, seu tacho se destampa sem fervura.

Ela – é meu bem, mas ‘cê viu como tá gostosa essa feijoada, xi… é de comer e chorar por mais.

Ele – ‘cê já provou a couve mineira, benzinho?

Ela – não meu bem, no meio dessas quarenta pessoa aí couve mineira esgota rápido.

Ele cavalheirescamente – tome um pedaço de meu prato, benzinho.

Ela osculando ele – sem você o que seria de mim?

Ele peremptório – sua vida ‘tava muito complicada, benzinho.

Ela levando garfo à boca e abanando sua cabeça – é meu bem, põe complicado nisso.

Ele – Rosa, senta aí Rosa, ‘cê já fez tudo isso aí pra todo o mundo, agora senta Rosa, dá uma descansada comendo.

Rosa – s’acalme lá meu chapa, tou terminando farofa.

Ela – farofa Rosa, ‘cê tem aí farofa?

Rosa – tenho sim riqueza, tenho sim.

Ele – ‘cê vê como não há feijoada equiparável à de Rosa, benzinho?

Ela – é meu bem, não há memo! Feijoada de Rosa é inigualável.
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domingo, setembro 17, 2006

Desassossegos

«Se alguma coisa odeio, é um Reformador. Um Reformador é um homem que vê os males superficiais do mundo e se propõe curá-los agravando os fundamentais».

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

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O binómio esquerda-direita

Na blogosfera surge muita conflitualidade em torno do binómio esquerda-direita. As pessoas têm que começar a entender que muita dessa conflitualidade nada tem a ver com o binómio esquerda-direita, as questões ideológicas surgem muitas vezes apenas como pretexto para resolver outros assuntos que nada têm a ver com o binómio esquerda-direita.

(Piscadela de olho para o Filipe e para o André: eu conto escrever qualquer coisa sobre o agrdável almoço de hoje, mas assim de momento acorreu-me escrever sobre isto.)
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ficheiros secretos

não |
não tenho |
paciência para /
não tenho paciência para /
as teorias *
não tenho paciência para as teorias *
da conspiração €
não tenho paciência para as teorias da conspiração €

por isso
peço encarecidamente
a todos os meus amigos, inimigos e a todos os outros
inclusivamente os que se auto-excluem
para não me pedirem
sobre essa "coisa"
a opinião

é que eu não tenho mesmo paciência para...
e não sei se os meus amigos, inimigos e todos os outros...
já perceberam!?
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Sol: a montanha pariu um rato

Para um projecto que nasceu com a ambição de destronar o Expresso, o novo semanário Sol, deixa logo na sua primeira edição, muito a desejar.

Arrastar para a primeira página, uma notícia que dá conta que «Isaltino tem casa apreendida», é demasiado tablóide e desinteressante. Pior mesmo, só a abertura do jornal da tarde da SIC com a mesma notícia – cuja fonte foi o Sol.

Correu tudo mal a José António Saraiva, que nem sequer foi muito feliz no seu primeiro editorial.

O Sol foi uma desilusão completa. Mais valia terem oferecido um DVD. Meu rico Expresso...

Outros pareceres:
NEM SOL NEM SOMBRA
QUANDO NASCE É PARA TODOS
condenado ao sucesso
O Sol
DOIS EUROS
O Sol nascente já brilha
A estreia do Sol
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Microcausa


Quer o Santo Padre Bento XVI, representante na Terra de Nosso Senhor Jesus Cristo Todo Poderoso, escolhido pelo Espírito Santo representado na Terra pelos Cardeais da Cúria Romana, explicar a Quwerty MMMI qual a origem teológica da Superioridade Moral da Esquerda?

É que eu tenho uma fé cega e inabalável em tal entidade, mas juro pelo que me é mais sagrado (basicamente o meu ego) que não percebo patavina da origem teológica de tal entidade.

Se a Verdade for demasiado barbuda peço ao Santo Padre que me poupe ou que peça a alguém que actue como intermediário.

Se achar alguém com desenvoltura e coragem para tanto!
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sábado, setembro 16, 2006

a inconsistência das palavras

a existência
é por si só um acto pensativo
mas nesse acto
existiu algures um pensamento activo
e outro receptivo
e enquanto a acção jorrou
na recepção
ninguém perguntou ao Islão
se aquele acto de estupefacção
gerou algum ser inédito
vedado à insuspeição.

nove meses após
ousará e perguntará assim:
excelentíssimo e reverendíssimo senhor
vós que sois abstracto
omnipotente, omnipresente e alvo
e tendo de nós
a absoluta irrealidade da imaginação
podereis faZer um nó de faz favor
e nos nodar no doar licença?

um deus que se preze
perceberá com certeza
a inconsistência das palavras
de um nado vivo.
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Directo ao assunto



The decisive statement in this argument against violent conversion is this: not to act in accordance with reason is contrary to God's nature. The editor, Theodore Khoury, observes: For the emperor, as a Byzantine shaped by Greek philosophy, this statement is self-evident. But for Muslim teaching, God is absolutely transcendent. His will is not bound up with any of our categories, even that of rationality. Here Khoury quotes a work of the noted French Islamist R. Arnaldez, who points out that Ibn Hazn went so far as to state that God is not bound even by his own word, and that nothing would oblige him to reveal the truth to us. Were it God's will, we would even have to practise idolatry. Papa Bento XXI numa palestra na Universidade de Regensburgo onde anteriormente foi professor de teologia.

Eu espero que ninguém me acuse de idolatria devido à imagem que escolhi para ilustrar este post.

Um pouco mais a sério, eu sugeriria ao Santo Padre (não sei se ele tem por hábito ler o GR) que averiguasse porque é que os muçulmanos não estão autorizados a reproduzir imagens de figuras divinas. Neste aspecto aliás a doutrina muçulmana aproxima-se bastante da doutrina protestante onde é privilegiada a leitura dos textos sagrados. E muito haveria a dizer sobre a contribuição de tal pratica para o progresso dos países de matriz protestante, incluindo a própria Alemanha.

O que aqui me interessa é que o trecho citado põe todo o Islão no mesmo saco, não distinguindo os sectores mais moderados dos mais radicais, e é isso que me preocupa. É certo que não se perde nada em tentar persuadir os muçulmanos mais radicais das virtudes de alguns dos valores ocidentais, o que não me parece lícito é reclamar esses valores como um exclusivo do Ocidente.

Valerá também a pena lembrar a forma como Bento XVI tratou os sectores mais heterodoxos da Igreja Católica Romana durante o prelado de João Paulo II. Mas isso era outro post.
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o que se diz, por aí...

- quando ouço os telejornais fico espantado com a quantidade de barbaridades ditas pelos advogados. imagina a seguinte situação, olha isto aconteceu comigo quando estava colocado em qwerty3001, um fulano foi apanhado em flagrante delito a assaltar umas vivendas, foi preso e passados 24 horas foi ouvido, o juiz após analisar o auto da polícia chegou à conclusão que o assaltante apenas tinha na sua posse um maço de cigarros. Pergunta-me: quanto é que custa isto? bem – disse eu – um maço de SG Ventil custa prá’í 2 euros e picos. não sei se sabes mas uma pessoa para ser detida em flagrante delito tem que estar na posse de algo que valha mais que 90 euros. vai daí o juiz ‘teve de soltar o assaltante sabendo, à partida, que ele continuaria a assaltar casas. depois cá fora ouvem-se os populares exclamar: - isto é uma vergonha, ao estado em que nós chegámos! e eu encolho os ombros. Olha sabes, a Assembleia da República legisla, mas… façam como o PCP, criem grupos especializados para tratar os assuntos, e não esta coisa que agora existe, o legislador não faz a mínima ideia do que se passa no mundo real e a gente olha para a justiça e… - encolhe uma vez mais os ombros.
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sexta-feira, setembro 15, 2006

Directo ao assunto

Se algumas dúvidas persistissem sobre a superioridade do Ocidente sobre a barbárie intelectual e política que se instalou, por conta do Islão, em muitos países islâmicos, as palavras de Ratzinger e a reacção primitiva que já estão a gerar, acabam com elas. Num notável discurso, Bento XVI resume, recorrendo à história, o fundamental. Não existem "conversões" forçadas. E não agir de acordo com a razão é contrariar a natureza de Deus. Daqui para diante, é mais da mesma parvoíce. Pedradas, bandeiras queimadas e patéticas indignações. Vamos ver como se porta o "ocidente" desta vez.
P.S: E vamos ver, digo eu, qual será a reacção dos sectores politicamente correctos da Igreja...
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psicótico ou abençoado?...

Quando ele fala com Deus, é religioso;
quando Deus fala com ele, é psicótico.

[Citado de memória da série “Dr. House” – ontem à noite na TVI (!!!).]

Ora aqui está uma grande frase! No contexto da série, isto foi dito pelo House – não crente – sobre um miúdo – crente – que alegava ser mensageiro de Deus.

Façamos uma pequena análise:
Quando falamos com Deus, acreditamos na sua existência e, portanto, temos de ser religiosos – aqui acho que não há discussão [não há, pois não, meninos?...]. Na prática, falar a Deus exige apenas acção da nossa parte e, na pior das hipóteses, no caso de Ele não existir, o que pode acontecer é estarmos a falar sozinhos. O “problema” põe-se quando acreditamos que Deus fala connosco. Ouvir Deus, pressupõe uma acção da Sua parte e, portanto, acreditar na sanidade mental da pessoa que ouve obriga implicitamente à aceitação da existência divina.

Portanto, do ponto de vista de um não crente, aquele que fala com Deus, fala sozinho, acreditando inutilmente que alguém o ouve – cada um acredita naquilo que quer! Mas, ainda na visão do não crente, quem alega ouvir as respostas de Deus, em maior ou menor grau, só pode estar a alucinar. Uma coisa é acreditar sem provas – ser religioso – outra coisa é querer forçar a existência de provas – ser psicótico. O primeiro caso é inofensivo; o segundo é potencialmente perigoso.

Já agora, a versão crente da frase do House deve ser qualquer coisa como:

Quando ele fala com Deus, é religioso;
quando Deus fala com ele, é abençoado.
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O Pacto. Tragicomédia em vários actos (I)

Cave de um prédio, algures na baixa lisboeta. Iluminação fraca. Cheiro a fósforos queimados.

Dr. Mendes, batendo à porta:
- Abri, abri, por Portugal

De dentro:
- Qual a graça?

Dr. Mendes:
- PS e PSD: por Portugal e por você

Abre-se a porta. O Engenheiro dirige-se aos acompanhantes do Dr. Mendes:
- Dr. Moura, como está? Dr. Guedes, então como vai isso?

Dr. Mendes, ligeiramente nervoso:
- Boa tarde, Sr. Primeiro

Engenheiro:
- Ah, você também veio? Boa tarde!

Dr. Moura, despindo a gabardine:
- Questão simples e assaz compreensível (tirando um papel do bolso): vocês cedem nisto, nós cedemos naquilo. Pela Pátria! Com os jornais, não se preocupem. A operação limpeza prossegue a bom ritmo. E, porventura necessária, contarão sempre com a minha pena, já envelhecida porém sempre disponível para zurzir alguns lombos!

Engenheiro:
- óptimo, óptimo… (virando-se) Eh, pá: como é que se diz “óptimo” em finlandês?

Dr. Coelho, saindo da sombra:
- Ora deixem cá ver a versão final

Dr. Moura:
- Cá a têm. Repare no português à Manuel Bernardes. Convém a elegância e, além disso, joga-se com a ambiguidade, factor sempre mui necessário em se tratando de leis.

Engenheiro, aproximando-se:
- Muito bem, muito bem… All right, all right.
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Sejam bem-vindos!


A Presidente do Conselho Executivo na sua vozinha desafinada, depois de se apresentar, dizia animadamente:

- É a vossa primeira vez e queremos dizer-vos de coração aberto: é uma alegria receber-vos! Eu estou aqui juntamente com todos os directores de turma, todos com uma missão acolher-vos. De seguida vou apresentar-vos os directores de turma e depois, nas mesas aqui ao lado, comeremos um bolinho.

- Schiu, calem-se lá, não se ouve nada! – pai incomodado.

Aqui à minha direita vocês têm o professor Desidério, director de turma do 5.ºA, quem é do 5.ºA ponha o dedo no ar!

No meio das cabeças circunspectas dos pais uns deditos mais magros dançam euforicamente.

- Olá, tás bom? Estás contente por vir prá’qui? – a presidenta interrogando um aluno.

A cabecita abana afirmativa e reluzente e, simultaneamente, pensando: ‘tava farto de ‘tar em casa!

- Esta – a presidenta abraçando alegremente uma mulher alta, simpática e gorda – é a minha querida amiga Maria João e é a directora de turma do 5.º B. Ora mostre-se lá o 5.ºB!

Deditos dançando no ar eufóricos e os pais bastante circunspectos.

- esta porcaria nunca mais acaba! – um pensamento voou para fora da boca de um pai e ele que bem o tentou agarrar.

- Quanto ao 5.º C temos um problema que não é um problema, a professora Graziela não pode vir à apresentação, um problema pessoal impediu-a, peço a vossa desculpa, mas a substituí-la temos aqui o professor Valente, vosso professor de educação física. – continuou informativa a presidenta - quem é do 5.º C?

E novamente uns dedinhos bailando no ar e convidando os pais à dança, enquanto isso um suspira olhando para o relógio:

- mas quando é que isto acaba?

Finalmente o professor Ambrósio, director de turma do 5.º E, a derradeira apresentação e com ele mais uns dedos imponentes e revirados no meio da população escolar.

- É com grande alegria que vos recebemos – continua a presidenta – esperamos que tenham um bom ano escolar, agradeço a presença dos pais, espero a vossa contribuição activa para termos uma escola melhor, isto é para os vossos filhos terem uma escola melhor, e a escola é um local que deve estar aberto à vossa participação, as críticas, os elogios, os problemas dos alunos, etc., deverão vir ao nosso encontro, só assim conseguiremos ser cada vez melhores e para bem de todos nós e fundamentalmente dos vossos filhos. – olhando para o lado direito e abanando a cabeça – bem, como vocês devem estar a reparar eu estou para aqui a empatar conversa, explico-vos a razão é que falta um bolinho numa das mesas e estamos à espera que ele fique pronto – rindo alegremente para a plateia e a plateia rindo também muito e os miúdos deixando saltar a alegria e a amiga da alegria e todos os familiares mais a linhagem geracional alegrota – um dos pais ainda deixa à solta:

- mas esta gente pensa qu’eu não tenho mais nada que fazer!

Entretanto os miúdos já comiam as mesas e os bancos e a toalha de mesa e os enfeites enquanto os pais acalmavam a paciência dando palmadinhas nas cabeças dos rebentos.

Quando a palavra mágica rebentou no ar era vê-los em filinha, arranjadinha e engomadinha, direitos ao bolinho.

O bolinho eram seis mesas recheadas de sumo, pãozinho fresco com fiambre ou queijo, pão no forno recheado de chouriço e queijo, bolo de laranja, bolinhos de coco e um enorme bolo colorido dizendo: sejam bem-vindos!

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quinta-feira, setembro 14, 2006

gente que não tem mais nada que fazer

sentada no canto esquerdo da porta principal, cabisbaixa, aguada, no lado de lá da porta frontal as outras bichanando desassossego. contornando o motivo continuou fazendo de conta de seu taciturnismo, um soturno decadente seguindo um ou outro pensamento ilativo. a outra sentou-se junto dela, as mãos buscando sintomas de nervosismo, os pés desconversando cansaço.

- já estavam a falar de mim, eu sei, esta gente! – ela destronando o conclusivo.

- como sabes que falam de ti? – a outra alheando o reflexivo.

- bichanam e olham pra mim – ela convencendo o obviamente.

- sabes… há dois tipos de pessoas: as que dominam a imaginação e a transtornam criando; e as outras, as que se deixam domar pela imaginação e realmente se perturbam – a outra discreteando o complexo.

- ahum, não percebo nada do que estás a dizer – ela incentivando o imaculável.

- é, deixa lá, mas olha… não imagines o que os outros dizem sem eles to confirmarem por escrito, afinal uma escrita criativa é bem mais interessante do que uma previsível – a outra desvinculando o devaneio.

- eu acho qu’elas ‘tavam a falar de mim e do Ricardo, esta gente não tem mais nada pra fazer.

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não há festa como aquela - impressões de uma estreante [V]

Os concertos

Dia1 (25 de Abril) – Sinfonietta da Lisboa
Não vou dizer que tenha ficado fã do estilo, mas foi um serão agradável. Não é todos os dias que se pode estar sentado na relva à noite a ouvir um concerto de música clássica sem o pretensiosismo das grandes salas. O concerto era de homenagem a Lopes Graça, de quem a única música que conheço é “Acordai” – fechou o concerto (já com o coro Lopes Graça), mas não teve a força com que já a ouvi.

Dia 2 (1º de Maio) – Mandrágora
Uma coisa a puxar para o tradicional, boa de se ouvir, apesar do calor da tarde.

Dia 2 (1º de Maio) – A Naifa
Só cheguei a tempo da última música: “Tourada” do Tordo – há versões que são boas homenagens...

Dia 2 (1º de Maio) – Tim
... e há outras que não! – mas porque é que ele tinha de estragar a “Estrela do Mar” do Jorge Palma?!...

Dia 2 (25 de Abril) – Gaiteiros de Lisboa
Sobre o palco, nada a assinalar – são bons e eu já sabia que ia gostar!... –, mas cá em baixo foi complicado conseguir apreciar quando por todos os lados se iam impacientando os fãs do Xutos, que viriam a seguir. Eu até acho que haveria bastante gente no recinto capaz de apreciar Gaiteiros, mas fazer a primeira parte dos Xutos é uma tarefa ingrata...

Dia 3 (1º de Maio) – Ritinha Lobo (Cabo Verde)
Ritmos quentes (como a temperatura), a puxar para a sensualidade da dança africana – diga-se que no meu campo de visão havia um moço que tinha muito jeito! =)

Dia 3 (1º de Maio) – Sérgio Godinho
Grande, grande, muito grande! Que, de tão grande que foi, merece um post à parte! =)

Dia 3 (25 de Abril) – Boss AC + convidados
Fecharam a festa! Só ouvi a última meia hora, porque estive, obviamente, no concerto do outro senhor =). Destaco a última música, “Sodade” de Cesária Évora, cantada pela mãe do Boss e acompanhada por todos os convidados. Foi um bom final.

Peço desculpa aos artistas dos outros palcos, que, não desprezando, foram boas bandas sonoras em momentos de passagem, de descanso ou de refeição.

[parte I: A Carvalhesa]
[parte II: O espaço]
[parte III: O espírito]
[parte IV: A política]
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This is not 'God is on our side'

President Bush said yesterday that he senses a "Third Awakening" of religious devotion in the United States that has coincided with the nation's struggle with international terrorists, a war that he depicted as "a confrontation between good and evil."

Bush told a group of conservative journalists that he notices more open expressions of faith among people he meets during his travels, and he suggested that might signal a broader revival similar to other religious movements in history. Bush noted that some of Abraham Lincoln's strongest supporters were religious people "who saw life in terms of good and evil" and who believed that slavery was evil. Many of his own supporters, he said, see the current conflict in similar terms.

"A lot of people in America see this as a confrontation between good and evil, including me," Bush said during a 1 1/2 -hour Oval Office conversation on cultural changes and a battle with terrorists that he sees lasting decades. "There was a stark change between the culture of the '50s and the '60s -- boom -- and I think there's change happening here," he added. "It seems to me that there's a Third Awakening."

(...)

"He's drawing a parallel in terms of a resurgence, in dangerous times, of people going back to their religion," said one aide, who spoke on the condition of anonymity because the session was not open to other journalists. "This is not 'God is on our side' or anything like that."(...)


Está um gajo a ouvir um discurso sem compromissos, com uma distinção clara entre o Bem e o Mal, tem sempre que aparecer um badameco qualquer a dizer "This is not 'God is on our side'". Qualquer dia vêm pedir um Estado laico!

Felizmente à esquerda ninguém acredita nisso da superioridade moral! Não ... Ou será que a superioridade de que a esquerda fala é da superioridade mUral?
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quarta-feira, setembro 13, 2006

Efeitos do pacto

No DN, lado a lado: Vasco Graça Moura louva o sentido de Estado, inteligência, oportunidade e sensatez de Sócrates; Vicente Jorge Silva censura-lhe a visão meramente táctica e instrumental da acção política que oscila em função das circunstâncias.
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A crítica do relativismo cultural

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cada cabeça sua sentença

“Isto de um professor poder chegar ao topo da carreira independentemente da avaliação do seu trabalho e do que fez pelos seus alunos é uma coisa que não existe em profissão nenhuma.”

Ninguém chefia ninguém e os professores até têm medo da palavra director. Ninguém especifica objectivos a atingir. É um deixa andar descoordenado e um cada cabeça sua sentença.
O principal problema da educação e do funcionalismo público em geral, reside aqui.

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ingenuidade gritando por neurónio

Ela – meu bem, ‘cê m’explica uma coisa?

Ele – sim, benzinho.

Ela – porque raio a gente tem de pensar todo o dia?

Ele – não tou t’entendo, benzinho.

Ela jogando o fazendo de conta – ‘cê até tá m’entendendo muito bem.

Ele entrando no jogo – é, benzinho, ‘cê tem razão, tou t’entendendo.

Ela – ‘cê vê o esforço intelectual que neurónio desgasta todo o dia, essa gente que não quer trabalhar deveria por olho em meu neurónio, esse bicho é de uma incansibilidade.

Ele – é, benzinho, ele acredita piamente no que há-de ser.

Ela – ‘cê escusa de tentar me convencer do qu’eu sou, com treta motivacional.

Ele – meu bem, isso não é treta motivacional é o que ‘cê essencialmente é: um caso exemplar de determinação.

Ela – ‘cê sabe eu acho que vou emprestar um pouco de meu neurónio prá Nancy.

Ele – Nancy não precisa de seu neurónio, meu bem.

Ela – ‘cê tá enganado! Nancy, por vezes, é ingenuidade gritando por neurónio.

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está arrependido... e depois?!!!...

«O Benfica vai recorrer do castigo de Petit, alegando que o médio está arrependido e que foi uma reacção instintiva, não premeditada, e que, por isso, o castigo deve ser atenuado»

Ó meus amigosss! Então o rapaz está arrependido, deixai-o jogar! Sim, porque as reacções de todos os outros jogadores são planeadas de véspera e executadas com o pleno sentimento de maldade pura...

Mas estão-se a passar?!!! O menino arrependeu-se, e depois?!!! Cumpre o castigo e pode ser que para a próxima se lembre de controlar melhor os seus instintos!
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Blair out

Tony Blair fez ontem o seu discurso de despedida na conferência anual da maior confederação sindical Britânica (o Trades Union Congress). Durante o seu discurso foi repetidamente vaiado.

O que torna o discurso (e a reacção ao discurso) simbólico, é o local em que ele acontece. A relação entre Tony Blair e os sindicatos Britânicos foi sempre fria e marcada por uma profunda hipocrisia. Tony Blair herdeiro de Margaret Tatcher desprezava os sindicalistas e os sindicalistas herdeiros de Scargill desprezavam Tony Blair. O facto é que Tony Blair precisava dos votos que os sindicalistas podiam garantir ao Partido Trabalhista e last but not the least do generosíssimo financiamento das confederações sindicais ao Partido Trabalhista. Também os sindicalistas precisavam de Tony Blair foi ao fim ao cabo a coragem política de Tony Blair que permitiu que na conservadora Inglaterra o ordenado mínimo adquirisse a força de Lei. E no entanto odiavam-se mutuamente. Esse ódio era ainda assim coberto por um pacto de silêncio, só isso explica que nunca até este ano Tony Blair tenha sido vaiado nas conferências anuais das confederações sindicais.

Ontem o tabu foi quebrado: Tony Blair foi vaiado na conferência anual da TUC. A próxima conferência anual é a do Partido Trabalhista, daqui a duas semanas.
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Avante camarada!

Como tinha 16 anos e vinha de uma família anti-salazarista, eu queria salvar o mundo. Quando se tem essa idade, das duas uma: ou se quer salvar o mundo, confrontando-o, ou se confronta o mundo para nos afirmarmos. Eu talvez quisesse as duas coisas - porque este "ou... ou..." é redutor. E, assim, recém-chegado a Lisboa e ao deslumbramento do contacto com outros jovens bem mais avançados no caminho da salvação, lancei-me nas lutas académicas (um misto de descoberta das artes, da política e de tudo o que era proibido). Como tinha alma de guerreiro, fui notado e, pouco tempo depois, estava no Partido Comunista. Eu não sabia quase nada de marxismo-leninismo, soletrava umas frases-chavão apenas, mas continuava querendo salvar o mundo. Entrei no PCP para atingir o paraíso. Com o sacrifício da minha própria liberdade, se fosse caso disso.

Meu avô paterno, um militar que passara grande parte da sua vida preso por ter a mania de estar em muitas das tentativas de revolta contra Salazar, ficou feliz. De cada vez que eu chegava a casa, após participar em mais uma pequena luta académica antiditadura, interrogava-me ao detalhe, deliciava-se com a actividade "corajosa" do neto e insultava Salazar. Esta passagem para o lado "revolucionário", de resto, fizera-o reconciliar-se comigo. Como anti-salazarista de gema e ateu convicto (também era maçon), não me perdoara ser, aos 14/15 anos, membro da Mocidade Portuguesa, a MP, organização de juventude do Estado Novo, e ter tido uma educação católica. Quando vim estudar para Lisboa e entrei nas lutas académicas e, depois, no PCP, ele recuperou o orgulho no neto. Ainda por cima, eu aderira a uma nova igreja, deixara de crer nessa coisa do Deus dos católicos e trocara a visão do paraíso, depois da vida, pela luta pelo paraíso em vida. Se havia já milhões de pessoas que lá viviam, porque não nós? Bastava deitar fora o dr. Salazar e trocá-lo pelo dr. Cunhal. Como era tudo uma questão de dogma e eu nunca visitara o paraíso do catolicismo nem o paraíso comunista, achei que lutar pelo que estava mais perto era mais compensador.

Tinha 17 anos. Rebeldes. Adorava fazer perguntas, algo que muitos dos meus controleiros do PCP nem sempre apreciavam. Quando subi um pouco na hierarquia da organização académica do partido, essa tendência pequeno- -burguesa foi-se acentuando. "Porque é que a rádio do partido diz ter havido milhares de pessoas na manifestação do Rossio, se só lá estavam dezenas? Porque dizemos mentiras?", perguntava eu, crendo que, numa igreja ou noutra, mentir era sempre ruim. "Porque é preciso mobilizar as pessoas, dar-lhes fé na luta, e quem nos escuta não está aqui para verificar." Era uma resposta. "Porque é que escrevemos que o fascismo é tão mau que até o pontão do porto do Funchal tem buracos, por incompetência na construção, se eles afinal são necessários para escoar a pressão do ar provocada pelo movimento das águas?" Sem resposta. "Porque entraram os tanques soviéticos em Praga para esmagar os contra-revolucionários, se o povo está na rua defendendo as mudanças do 'seu' partido comunista?" Resposta longa, cassete e olhar desconfiado.

Pergunta a pergunta, resposta a resposta ou não resposta a não resposta, descobri que aquele caminho para o paraíso era, afinal, muito duvidoso. O que ia conhecendo dele não parecia melhor que o que não conhecia do outro. Ao menos, o outro situava-se na eternidade - ao lado do inferno, é certo, mas diverso dele. E não havia notícia de tanques esmagando os anseios de liberdade das pessoas, nem hospitais psiquiátricos para dissidentes, nem... E assim deixei de ser comunista, continuando a ser antifascista e a odiar o sr. Hitler. Mais tarde aprendi que o sr. Hitler não era pior que o sr. Estaline ou o sr. Mao. Aprendi, também, depois do 25 de Abril, que os anti-salazaristas que odeiam o dr. Salazar, mas desculpam ou "esquecem" os crimes de Estaline e de Mao, são "democratas".
José Manuel Barroso (bolds meus) no Diário de Notícias

Eu adoro (efectivamente) citar.
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Leonardo Ralha sobre Mário Soares

Tive o bom-senso de não assistir ao "Prós e Contras" mas ainda assim o noticiário da Antena 1 forçou-me a tomar conhecimento do âmago da intervenção de Mário Soares no programa em que esgrimiu argumentos com Pacheco Pereira. E pois que o ex-Presidente da República voltou a defender a tese das conversações com a Al-Qaeda, equiparando os mentores dos atentados de há cinco anos a outros dirigentes políticos em tempos considerados terroristas, como os líderes dos movimentos de libertação das ex-províncias ultramarinas portuguesas. Presumo que, estejam onde estiverem, Agostinho Neto e Samora Machel não terão ficado agradados com a comparação. Apesar dos métodos utilizados antes de e durante a Guerra Colonial serem por vezes terroristas - veja-se os arrepiantes massacres perpetrados pela UPA no Norte de Angola -, há que notar que nunca existiu o objectivo de erradicar Portugal ou de converter toda a sua população a uma qualquer crença consentânea com os valores defendidos pelos dirigentes africanos. Estes pretendiam apenas a independência dos seus países e o estabelecimento dentro das suas fronteiras de um regime baseado nas cartilhas que haviam lido. Leonardo Ralha
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terça-feira, setembro 12, 2006

lost in translation

"the rule of law" deve traduzir-se como "o primado da Lei", tudo o resto é conversa.

Esta chamada de atenção seria desnecessária não fosse o facto de os ingleses usarem a expressão "the rule of law" no sentido em que nós portugueses usamos "Estado de Direito". Por sua vez o "Estado de Direito" não deve, no meu entender, ser confundido com os direitos e garantias do cidadão.

Se queremos dar garantias temos que que assumir deveres. E não são pequenos esses deveres incluem por exemplo o dever de ir a tribunal prestar depoimento como testemunha, e já agora se não for pedir demais não cometer perjúrio.
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gatos, gatos e gatos...

Hoje à noite há (está a haver) “Cats” em estreia no Coliseu do Porto e em Outubro, pela segunda vez, no Coliseu de Lisboa. Eu vi pela primeira vez na televisão há muito tempo, e, por isso, quando há dois anos o espectáculo veio a Lisboa, nem pensei duas vezes: eu tinha de ir ver! Até porque não pensava que regressasse tão cedo cá à terrinha – estamos a ficar importantes!
29 bailarinos encarnam a pele de 29 gatos diferentes (e mais alguns) e, em palco, no meio de uma espécie de sucata, vão saltando, deslizando, esgueirando-se, encolhendo-se e esticando-se bem ao jeito dos gatos reais. Com uma excelente caracterização, cada um tem os seus tiques e exibe as suas capacidades. Assistimos à festa do baile Jellicle e ao desfilar de várias histórias de vida até à deliberação final, em que ficamos a saber quem é “o escolhido” que renascerá para uma nova vida.

[15 segundos de apresentação do espectáculo por parte da UAU]
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Docas

Prevêem-se incursões na noite lisboeta após longos dias de trabalho. Privilégios inerentes a uma secretária e um computador no centro de Lisboa.
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Entretanto...


O canal Aljazeera divulgou ontem um novo vídeo da Al-Qaeda alegadamente preparado para ser difundido no quinto aniversário dos atentados terroristas do 11 de Setembro, nos Estados Unidos. No documento com 76 minutos e legendado em inglês, Ayman al-Zawahiri promete «novos acontecimentos» e considera «condenadas ao fracasso» as tropas internacionais que operam no Iraque e no Afeganistão. O 'número dois' da organização terrorista fez alusão à missão das Nações Unidas no Líbano, descrevendo-a como «inimiga do Islão» e criticou em particular a resolução 1701, que pôs fim ao conflito que opunha as tropas israelitas e as milícias do Hezbollah. Para al-Zawahiri tratou-se de uma resolução que, «tal como tantas outras», foi «desenhada para humilhar os muçulmanos».No vídeo, o líder máximo da Al-Qaeda (juntamente com Osama Bin Laden) apelou à união de «todos os muçulmanos» do mundo para lutarem contra o Ocidente e adverte para a realização de «novos eventos». Zawahiri acrescentou que os ocidentais «devem reforçar» as defesas em duas regiões específicas: «A primeira é o Golfo de onde serão expulsos. E a segunda é Israel, porque os reforços da Jihad aproximam-se». «A vossa derrota será o fim da supremacia actual dos sionistas e das Cruzadas», anunciou o dirigente da Al-Qaeda.
(via aeiou. Negritos meus)
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perguntas

não sei se 'cê continua aí do lado escrevendo sobre linguística, mas 'cê m'explica porque raio não nos "emprenhamos" mais de pergunta ao invés de permancermos relativamente conscientes da importância do que temos para dizer?
a minha pergunta de hoje é: porque raio a maior parte das pessoas não investe na sua contribuição para tentar melhorar o mundo em vez de o pretender moldar?
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Mais análise linguística do(s vários) sotaque(s) do Português

Existem pronúncias feias? Os linguistas, gente pragmática, precatada, afirmam que não. Que - isto pelo menos - 'feio' não é uma categoria linguística. Mas o cidadão em mim vive num desconforto. Veja-se, por exemplo... Isso, não vamos mais longe. «Veja-se» serve bem. E para simplificar, «veja».

No Alentejo, pronunciamos «vêja». Coisa normal, já que reduzimos o ditongo para «ê». Ditongo? Qual ditongo? Pois, o de «vejo», que o padrão português pronuncia «veijo», e que se opõe a «beijo» só pela consoante inicial. Coerentemente, no Minho, ou mais alargadamente em Entre-Douro-e-Minho, o som da forma verbal «vejo» e o do substantivo «beijo» são indistinguíveis.

Mas a classe média-alta de Lisboa e Coimbra passou (possivelmente já no século XIX) a pronunciar «vâijo», tal como «cadâira». E as modificações não pararam aí, estando a citada classe na fase do «vâja». E, se bem ouço, também da «cadâra» (portanto, da «câdârâ»). Trata-se, importa lembrá-lo, de uma pronúncia originada, um dia, em bairros populares lisboetas, e que - o fenómeno é conhecido - as classes superiores recuperaram.

É feia, essa pronúncia? Tenho de confessar que não a consigo achar maviosa. Eu sei, daqui a cem anos (olá, futuro!), estamos todos a falar assim, e feias serão já outras coisas. Mas, de momento, isso cria alguns novos homófonos. E é bizarro lermos António Lobo Antunes (e os seus revisores...) a mostrar, espetado no dedo de um fulano, um «lenho», quando, vendo bem, aí não entra mais que um «lanho».

Sendo assim, não é improvável que, numa repartição pública, alguém acabe por escrever (se é que não sucedeu já) «LEVANTE AQUI A SANHA». Mas, se o vir, não se assanhe você, por tão pouco.
Fernando Venâncio (bold meu)

A frase em que assinalei uma pepita a bold é uma pepita!

Tem piada que os Ingleses ainda hoje (em pleno século XXI) vivem atormentados com os rigores do seu antigo sistema de classes, que existia na mais antiga democracia europeia. O facto de eles andarem sempre a falar no "dawn fall" do "ancient Class System" sempre me deixou céptico.

Foi até ao dia em que colocaram andaimes no local onde eu vivia junto às janelas do meu quarto.

Nunca eu ouvi aqueles sotaques no jacobiníssimo local onde eu estudava.
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