quarta-feira, dezembro 31, 2008

eu fui a miranda ver os pauliteiros...

Buonas nuites mos dê dius...

No último fim-de-semana do ano, tivemos direito ao primeiro festival de Inverno em Terras de Miranda: Geada 2008. Dizia assim a organização:
A 1ª edição do GEADA terá como objectivos principais: festejar e divulgar a cultura, a língua e as tradições de Inverno das Terras de Miranda [...] Pretende-se [...] que todos os visitantes e participantes levem algo mais que uma recordação, mas antes uma experiência, que sintam a motivação de fazerem parte integrante de uma cultura tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante, tentando percebê-la por dentro e não só a estudando.
E assim foi!...

Chegada a Miranda com gelo (não derretido!) na estrada - caminho difícil, hora tardia, muito tempo no carro e muita vontade de dançar...

«Estamos todos no Cartolinha, mesmo ao lado da Sé e da fogueira. É só seguir o som das gaitas.»

A porta do bar abre-se a muito custo, tal é a enchente de gente no pequeno espaço. No piso de baixo tocam as gaitas e os bombos. De volta dos músicos, todos cantam, todos aplaudem, todos criam o seu espaço próprio de movimentação. No piso de cima, recebem-se os participantes, conversa-se ao redor dos copos na mesa, salta-se e baila-se o que permite o espaço e o soalho... que ameaça ceder sobre quem baila em baixo. Os músicos vão-se revezando, vão trocando de instrumento e a alegria e a animação duram noite dentro.

A "polémica" matança é motivo de reunião dos participantes - apesar da cidade, das paisagens e do enquadramento histórico - natural serem também aliciantes alternativos. As alheiras e os chouriços abrem as grandes refeições conjuntas que restabelecem energias.
Os workshops de pauliteiros, de gaita e de percussões, aliados à palestra sobre o mirandês completam o leque de tradições mirandesas ao dispor do participante.

Os concertos da noite, em espaço amplo, perdem alguma cumplicidade e espontaneidade da véspera, mas ganham dimensão e possibilidade de resposta mais enérgica do público. O pingacho, a saia da carolina e o passeado [danças tradicionais mirandesas], também munheiras, rumbas e passodoble, a par dos saltos, da agitação e da alegria que simplesmente se solta ao som da música sem dança predefinida.

Uma deslocação às aldeias vizinhas possibilita o enquadramento "natural" de mais algumas tradições. A Velha e o Carocho de Constantim não estavam no programa, mas foram uma alteração de última hora muito bem-vinda.

E a festa termina em beleza, de volta dos enchidos e do caldo quente... derretendo o gelo... sempre com uma gaita a tocar!


... Que dius mos dê buonas nuites!

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quinta-feira, outubro 23, 2008

festival à porta

Alguma vantagem havia de ter de andar mais tempo cá para baixo... sempre são menos 300km!

Planos para o fim-de-semana?...

imagem

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sexta-feira, setembro 12, 2008

12,13 e 14 de Setembro...

... ou tivera eu o dom da multiplicação...

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quinta-feira, setembro 04, 2008

5, 6 e 7 de Setembro...

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quinta-feira, agosto 14, 2008

se perguntarem por mim...

[site]

... eu hei-de voltar...
É só deixarem passar este festim de festivais e eu volto a assentar arraiais.


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quarta-feira, agosto 13, 2008

andanças 2008 [I]


Tenho umas coisas para dizer, mas isso vai ficar para depois [pois outros festivais se me atravessam no caminho!]. Para já, ficam com um pequeno vídeo do Tiago Pereira que, acompanhando B Fachada na sua música, dá um pequeno passeio visual pelos cantinhos andanças com uma incursão sonora descontraida/reflexiva pela importância da tradição/variação.

nestes dias tive tempo para pensar
se a tradição estará mesmo para acabar
e cheguei à conclusão fundamental
que nesta história da canção tradicional
é bonito ouvi-la vir de alheia mão
mas mais bonito é vir do próprio coração
se depois tem de resultar num bem comum
isso não nos pode pôr problema algum
que o colectivo que há em cada um de nós
não tem, porra, apenas uma voz

e ouvir o bem comum de outra gente

que deixa o antropólogo louco de contente

que por nascer das veias da comunidade

para nós é música e para eles identidade

e porque vejo que saber gostar de ouvir

é diferente de lembrar e produzir
perguntei ao sangue pela minha tradição
o sangue respondeu-me esta canção...
[B Fachada, 2008]

espaços andanças: bar farturas / relvado / espaço paralelas / tenda6 / bar / pauliteiros / tenda2 / bar / instrumentos / entrada campo / mural / tenda7 / relvado / palco alto / cantina / igreja / cantina entrada / wc / bombeiros / camping / horta / estufa / wc

foto: minha

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domingo, agosto 03, 2008

e o andanças está de volta!

Bem-vindos todos ao salão de festas
faz bem andar metido nestas ANDANÇAS
se agora danças
logo pensas
e mais
fazes diferentes
dias que eram iguais
ora puxa o corpo pra cá
quero o eco aqui que é de lá
faz por mexer, mexe
e faz com que (oxalá!)
amanhã seja o que não há

Sérgio Godinho, "Salão de Festas" (1984)


No ano passado foi assim: Impressões de uma estreante
[os espaços] [o espírito] [os bailes] [as oficinas] [as portuguesas] [últimos agradecimentos]

Agora, com vossa licença,
vou novamente ali bailar e já volto.

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quinta-feira, julho 31, 2008

tivera eu o dom da multiplicação...

Ollin Kan Portugal
31, 1 e 2 - Vila do Conde

Galaicofolia
1, 2 e 3 - Esposende

Intercéltico de Sendim
1, 2 e 3 - Sendim / Miranda do Douro

L Burro i l Gaiteiro
3 a 6 - Miranda do Douro

Andanças
4 a 10 - Carvalhais / S. Pedro do Sul

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sábado, fevereiro 09, 2008

uma casa portuguesa: NMB - no mazurka band

Primeiro, e porque suspeito que não saibam do que estou a falar, vamos a uma explicação... A mazurka é uma dança tradicional europeia, acho que originalmente polaca, dançada em grupos de pares. No entanto, nos nossos bailes, e sob fortes influências francesas, apresenta-se como uma dança de par fechado (ao estilo da valsa). Além disso, as "nossas" mazurkas, as "mazurkas portuguesas", são muitas vezes dançadas de "par colado" (numa espécie de "valsa kizombada") o que permite/incentiva uma maior entrega, sendo habitualmente vista como uma dança de sedução. São, portanto, bastante requisitadas pelo público nos bailes... Há sempre aquele/a menino/a com quem gostávamos de dançar (mais) uma mazurka, ou porque até já funcionámos bem como par, ou porque ele/ela até parece ter um modo especial de dançar, ou... - vá, admitamos! - apenas porque sim! ;)

Neste contexto, um grupo de baile que assume logo à partida não tocar mazurkas é visto um bocado de lado... Então e a proximidade e a entrega?!... Mas a filosofia dos NMB é outra! A aposta é feita na revitalização das NOSSAS músicas e danças tradionais e, portanto, nada de mazurkas! Viva o vira, a chula e o corridinho!!!

Para vós, que não fazeis ideia do que eu estou a falar, isto deve estar a começar a soar-vos às apresentações do rancho lá da terra. Não é bem isso! Está presente esse espírito, mas por dentro e por fora a forma é trabalhadada. Os bailes ganham dinâmicas diferentes - não têm de ser melhores, nem piores... são diferentes! E o grupo vale por isso mesmo, pela irreverência e ousadia de marcar a diferença - e, claro!, pela qualidade do trabalho de recolha e desconstrução das músicas. Dizem eles:
«É a ditadura dos pastoris,
integrado na intransigência característica do MRPP,
Movimento Radical Pastoril Português.»



«El Vira» deve ser a sua música mais conhecida - e é, naturalmente, um vira! (dançado de forma valseada, em quadrilhas, com trocas de lugares animadas). O vídeo acima (de Tiago Pereira) não é uma reprodução linear da tradição nem a apresentação de um baile, é, antes, um trabalho sobre a primeira, tendo em vista a segunda - digo eu! E, desta forma, se encaixa tão bem no espírito do grupo da recolha e desconstrução.


Devo dizer que o mote deste post foi o fim-de-semana à vista do Hélder... É que, depois de ver tanta sornice, não pude deixar de me lembrar que o meu fim-de-semana aparenta vir a ser um bocadinho diferente... :) Ora, a esta hora deve estar a acabar o baile de Coimbra, mas hoje ainda temos baile à tarde em Aveiro e à noite no Porto...

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sábado, fevereiro 02, 2008

uma casa portuguesa: galandum galundaina

Chamam-se Galandum Galundaina, são mirandeses, cantam em mirandês e trazem-nos as tradições de Miranda (do Douro, a saber!).

São quatro e, para além de cantar, tocam habitualmente gaita mirandesa e galega, sanfona, flauta e tamboril, bombo e mais uns quantos instrumentos de percussão. Animados, com apresentações divertidas - sempre em mirandês!!! - criam uma empatia especial com o público. É um grupo familiar - literalmente! os irmãos Meirinhos e Paulo Preto... - que transporta, então, pelo país e para os palcos um bocadinho do espírito de Miranda: os instrumentos, as roupas, o mirandês!!! e também as danças (sendo muitas vezes acompanhado por pauliteiros).

Ouvi-os pela primeira vez na Casa da Música há dois ou três anos a propósito de um ciclo de música portuguesa de raiz tradicional. Divertiram o público, que aplaudia e se esforçava por reproduzir o mirandês ensinado - tenho de confessar que às vezes não apanho uma!!! E já aí - na Casa da Música - houve quem dançasse. Na altura, eu não fazia ideia do que eram aquelas movimentações animadas na primeira fila, mas vim depois a perceber... «Por Beilar el Pingacho» - diziam eles... ;)

Não vos trago o Pingacho, mas deixo-vos com o «Fraile Cornudo»...



... numa versão com vozes, sanfona, sino, bombo, rabeca, flauta e tamboril e... um par de bailadores - a lembrar que tudo isto veio a propósito do meu Carnaval, que começa já depois de almoço e só termina na noite de 2a feira, precisamente com estes tocadores!

Para quem ainda não tiver planos, fica a proposta: ENTRUDANÇAS - bailes, oficinas, cante, artesanato, passeios, concertos e muito mais em Castro Verde, de 2 a 4 de Fevereiro. No ano passado foi assim e eu cá voltarei um dia para vos dar notícias do deste ano!

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domingo, janeiro 06, 2008

sentir o tempo do mundo...

Peço desculpa pela ausência, mas fui ali bailar e ainda não estava inteiramente operacional. Entretanto, e em jeito de balanço pessoal do ano passado, queria partilhar convosco uma das letras do Senhor Tê.

Não é impossível dançar
mesmo p'ra quem tenha
pé de chumbo
dançar é apenas um modo
mais intenso de existir
é sentir o tempo do mundo
e deixar-se ir
[...]
Nas abas do vento
deixam-se ir
sem pensamento
quase a cair
mas sempre no tempo

Carlos Tê, "Abas do Vento" (musicado por Clã, 1997)

Tudo isto nunca me fez tanto sentido como no ano que agora findou... Portanto, os meus votos para o ano que agora começa são: DANCEM, BAILEM, TORNEM A DANÇAR E BAILEM NOVAMENTE!!!

Lentas e embaladas, enérgicas e saltadas, aconchegadas nos braços do par, em coesão reflexiva de grupo, em brincadeirdas divertidas contagiantes, em espaço próprio interiorizado, invadindo em desafio o espaço do outro... De facto, é tudo uma questão de «sentir o tempo do mundo e deixar-se ir»... Dançar não é impossível e nem sequer é difícil, é apenas... intimidador. Reproduzir passos é bonito e, quando todos certinhos, é bastante agradável à vista, mas dançar é mais que isso (e pode até nem passar por aí!!!). É aqui que entra o tal «modo mais intenso de existir»... e é isto que intimida. O "problema" não é não saber, o "problema" é achar que não se sabe! Não digo que não é importante conhecer esquemas e passos - é! numas mais do que noutras... -, mas, antes, durante e depois disso, agora e sempre, é preciso libertar o pensamento... «sentir o tempo do mundo e deixar-se ir»...

foto: Vasco Neves - Out/2007 - ESMAE (Porto)

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quarta-feira, dezembro 26, 2007

os cozinhados do peixe das botas

O "peixe das botas" é o nome - divertido! - com que foi baptizada a parceria entre o Rodobalho [o peixe] e o Tradballs [as botas]. E quem são estes?! - perguntam vocês. Ora, são grupos de boa gente que trabalha com dedicação e muita boa vontade para que outros - como eu! - possam, agradecidamente, ir bailando durante todo o ano.


E é este "peixe das botas" o chefe de cozinha da passagem de ano bailante por terras de Coimbra... Para este festival estão, então, a ser cozinhados vários pratos - sem açúcar e sem gorduras, para abater aos disparates da semana ;) Na ementa constam:

APERITIVOS
- workshops de danças (iniciação/aperfeiçoamento):
bourrées, portuguesas, poitou, tango, irlandesas, expressão dramática, mazurka, scottische, valsa mandada, danças de grupo
- workshops de instrumentos (aperfeiçoamento/novas abordagens):
concertina, sanfona, gaita de fole, acordeão,...

ENTRADAS
- tertúlias-trad:
Triple-X, Alfa Arroba, Celina Piedade Duo

ACOMPANHAMENTOS
- projecção de vídeo
- contadores de histórias

PRATOS PRINCIPAIS
- bailes/concertos:
Diabo a Sete, Fol&ar, DJ Yggdrasil, Triple-X, Bailebúrdia, Alfa Arroba

DIGESTIVOS
- tertúlias-trad:
Mosca Tosca, Jam Session


Tudo servido com uma boa disposição contagiante!
[Ver ementa completa no site oficial.]

Para os interessados, "habituées", estreantes ou simplesmente curiosos, aqui fica, mais uma vez:

PASSAGEM DE ANO 07-08

COIMBRA - Centro Norton de Matos

29, 30, 31 de Dezembro
(com aquecimento na noite de 28/Dez
e despedida na tarde de 1/Jan)


imagens (1) (2) (3)

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quinta-feira, dezembro 20, 2007

um ano a bailar...

Está a fazer um ano que eu entrei maravilhada na cave da igreja do Marquês (Porto) e conheci um novo conceito de baile! Aquela gente dançava... simplesmente porque sim... Bastava um bocadinho de música e logo se viam movimentações. O tradicional estender de mão em jeito de convite era prontamente aceite. «Danças?...» Nem todos sabiam o que fazer, mas o espírito convidava à experiência, e a aventura da dança tranformava-se numa imensa partilha.

Aprendi umas rodas, daquelas em que toda a gente entra e onde o "Maria vai com as outras" funciona lindamente - círculo e chappelloise, vim depois a saber. Ainda tentei dançar uma ou outra valsa e outras coisas a par e lembro-me, perfeitamente, de, no meu canto, observar atentamente os pés daquela gente, tentando perceber que raio de contagem estranha era aquela - mazurka... "a" mazurka... Também fiquei a conhecer os UxuKalhus e as novas roupagens das nossas músicas tradicionais, dançando o malhão, a erva cidreira, o mat'aranha ou o regadinho... com gente jovem e divertida.

Havia workshops durante o dia e dancei gregas, italianas, portuguesas, galegas, orientais... Também havia oficinas de instrumentos - mas eu é mais danças! Ao fim da tarde, antes de jantar, já havia música - jam sessions, diziam eles. Havia uns quantos músicos de base, mas o cantinho musical às vezes ganhava novos elementos, que com o seu instrumento se juntavam e livremente todos se acompanhavam uns aos outros; enquanto isso, claro está!, aquela gente bailava.


Está então a fazer um ano que eu dizia «aquela gente»... Um ano passou... concertos, bailes, workshops, festivais, algumas viagens, convívio e dança, muita dança... E agora também me considero, humildemente, parte d'«aquela gente»! E, se a dança vicia e a tradição corrompe, há sempre espaço para mais viciados e corrompidos...

E, para que daqui a um ano mais curiosos possam escrever sobre o quanto ficaram maravilhados com os bailes tradicionais da passagem de ano, aqui fica a informação:

PASSAGEM DE ANO 07-08

COIMBRA - Centro Norton de Matos

29, 30, 31 de Dezembro
(com aquecimento na noite de 28/Dez
e despedida na tarde de 1/Jan)

[site do festival]

Eu ainda hei-de voltar a isto, mas, a pedido de várias famílias, fica, então, para já, a informação. Se ainda não têm planos para a passagem de ano, aqui está uma excelente proposta. Se já têm... estão sempre a tempo de os alterar!


- fotos: Hugo Lima (Porto - Passagem de ano 2006/2007)
- cartaz

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sábado, novembro 10, 2007

hoje, em Coimbra...

Hoje desço um bocadinho no mapa, para vos falar das Oficinas de S. Martinho que vão decorrer no Jardim da Sereia (Coimbra). Lembram-se, com certeza, das danças tradicionais de que tenho falado com alguma frequência... [Se não se lembram, avisem, que eu falo mais um bocadinho :) ] Pois bem, o espírito é o mesmo, mas desta vez as estrelas não são as danças, mas sim os instrumentos: cavaquinho, gaita de foles, concertina, flauta e tamboril, percussão e sanfona. A tudo isto acresce também uma oficina de pauliteiros e ainda (a pedido de muitas famílias) uma de danças tradicionais europeias (sem necessidade de inscrição).


As oficinas (que pediam inscrição prévia) começam a partir das 10h e prolongam-se até à hora de jantar. À noite, há magusto, projecção de vídeo, música e... dança para toda a gente! É só aparecerem!

cartaz

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sábado, novembro 03, 2007

a ouvir zeca...

Já não é a primeira vez que, perante uma notícia de morte, me dá para ouvir Zeca... Não sei bem o que é, mas há alguma coisa de reflexivo e apaziguador...

Morreu ToPê Borlido, um dos professores responsáveis por tantos dos sorrisos do fim-de-semana... As alpinas e as bourrées são danças animadas, passíveis de interacção de grupo em grandes rodas familiares e de olhares fortes em paragens e cruzamentos de pares. Nos workshops de ToPê reinou, sem dúvida, a boa disposição...

...

Ainda no domingo dançávamos todos...

Um velho voltou
E disse-lhe adeus
Cantando e dançando
Debaixo do céu
"Que é pena que é mágoa
que uma ave de penas
não possa voar"

Zeca Afonso, «Fura Fura» (1979)


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sexta-feira, novembro 02, 2007

obrigado pelos sorrisos...

No fim-de-semana passado, o Teatro da Luz (Lisboa) recebeu mais um FEST-i-BALL. Estou a falar, mais uma vez, das músicas e danças tradicionais (predominantemente) europeias – música folk, como parece dar mais estilo dizer... Da minha parte, workshops e bailes... dança, dança e dança toda a tarde e pela noite dentro. Partilhas, cruzamentos, olhares, sorrisos, cumplicidades,... Como diz a organização em jeito de balaço: «foi um evento fantástico» – sem dúvida! E ainda nos perguntavam admirados se tínhamos ido do Porto de propósito!... Sim... e não fomos só nós! O que não falta em Lisboa é gente, mas há quem não perceba a sorte de ter um festival assim à porta de casa...

Em jeito de agradecimento, da parte da organização, ficou um singelo «obrigado por tudo, obrigado pelos vossos sorrisos. e carinho!»

Delicioso! De facto, os sorrisos, mais soltos ou mais tímidos, que por lá andaram são a reacção imediata e sincera de toda a atmosfera que rodeia estes eventos. A simplicidade do sorriso é demasiadas vezes sub-valorizada...


Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem

Jorge Palma, «Bairro do Amor» (1989)
[relembrado pela amok]

foto: Hugo Lima (Marquês - Passagem de ano 2006/2007)

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quinta-feira, outubro 25, 2007

FEST-i-BALL

Música, bailes e workshops, mas também danças latinas, exposições e baile para crianças.

Portugal, Galiza, França, Itália, Cabo-Verde, Escócia, Irlanda,...

Scottich, bourré, valsa, valsa mandada, jig, reel,...

Sabeis do que eu estou a falar?... Se sim, já sabem que vale a pena. Se não, estão sempre a tempo de descobrir...

Bom fim-de-semanaaaaaaaa!
imagem

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domingo, setembro 30, 2007

o flautista de Hamelin do século XXI...

Omiri é um projecto (português!) a solo do verdadeiro homem dos sete instrumentos: nyckelharpa, bouzouki, flauta, guitarra, gaitas-de-foles (galega e transmontana) e manipulação sonora. Vasco Ribeiro Casais cruza a música de baile tradicional com a electrónica e o resultado está à vista! Ainda não assisti ao vivo, mas dancei num workshop na semana pasada e ainda não me cansei de ouvir este «Dentro da Matriz» – um andro com uma sonoridade muito, muito particular...


Um andro é uma dança tradicional da Bretanha, que se dança em cadeia, numa repetição contínua de meia dúzia de passos – [aprendi que] seria dançada por uma aldeia para aplanar o chão de terra batida das novas casas. Pode ser mais lento e introspectivo, dançado até de olhos fechados, num quase estado de transe colectivo. Pode também ser mais rápido e animado, quase corrido. Diz assim no Mosca Tosca: «Arrastar as pessoas, conduzi-las com música. Afinal o flautista de Hamelin tem fundamento, a música atrai, desperta, apaixona, seduz, liberta, encarcera, faz sonhar... neste caso apenas excluimos os ratos...» – é isso mesmo!

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quarta-feira, setembro 26, 2007

Uxu Kalhus x2

Nos últimos tempos assisti a dois concertos dos Uxu Kalhus fora do ambiente específico das danças tradicionais. Na Carregosa integrado nas festas da aldeia e em Aveiro integrado na Semana da Juventude. O impacto do grupo nas populações é interessante...


Na Carregosa (uma aldeiazinha de Oliveira de Azeméis), havia uma plateia de cadeiras, repleta de espectadores atentos, mas apenas contempladores. Observava-se, num misto de desconfiança e divertimento, aqueles sons de uma tradição atrevida e as movimentações de uma dúzia de bailadores animados. No fundo, no fundo, muito deles até queriam bailar e depois de alguns convites, ainda consegui convencer dois autóctones a juntarem-se ao baile. «Ó menina, mas eu não sei!...» Isso não é problema! A dança é de roda com algumas trocas de lugar com o par; os passos não são complicados e as gentes da aldeia até os conhecem. E, com um ar bem-disposto, após alguma falta de confiança inicial... «Estou a ir bem, pois estou, menina?...»

Em Aveiro, o grupo acomodou-se no coreto da Praça do Peixe, ladeado por algumas esplanadas de bares. O som forte e rejuvenescido, que deixou a Carregosa desconfiada, trouxe Aveiro para a Praça e não foi preciso muito para que toda aquela plateia apeada se deixasse contagiar. Durante todo o concerto, dançou-se, pulou-se, bateu-se o pé,... Alguma dificuldade para cada par ganhar o seu espaço, mas, no meio da confusão, toda a gente se divertiu. Todos curtiram o som e muitos foram entrando nas rodas ou fazendo crescer as filas e se mais espaço houvera, mais gente entrara! A música tradicional não tem de ser uma coisa passada e cheia de pó! E quem disse que o malhão é para ser dançado só pelos ranchos ou que a Saia da Carolina é coisa dos nossos avós?!...

imagem adaptada

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quarta-feira, setembro 19, 2007

Tranças... e mais danças...

E tivemos a primeira edição do TRANÇAS - Festival de Danças Tradicionais! Em Estarreja, junto às piscinas municipais, num espaço muito agradável para se estar. Nos relvados, workshops de danças, música, malabarismo e actividades infantis, ainda um bocado perdidos nos horários e nos "clientes", mas nada de comprometedor... – há-de vingar! Ladeando o caminho, bancas de artesanato. Junto ao estacionamento, uma mega-tenda para os espectáculos nocturnos:

- Monte Lunai – infelizmente não pude estar presente, mas as opiniões de quem esteve foram bastante positivas.

- Festival de samba – tenda a abarrotar de público... de braços cruzados... a apreciar as meninas no palco...

- Tricaninhas do Antuã – um grupo de folclore com um público "especial" que, na espera do concerto final, foi acompanhando e imitando, divertida e espontaneamente, as movimentações dos bailadores no palco.

- Elsa Sham's – uma curta demonstração de danças orientais, a solo, terminando também com a colaboração, muito menos atinada – diga-se! –, do público.

- Mosca Tosca – já noite dentro, em véspera de um dia de trabalho... a cidade foi recolhendo e restou o tal público "especial" que lá foi especialmente para bailar. Do palco soa uma concertina, guitarra, precursão e sopros. Divertidos, animados e até emocionados, tocaram um pouco de tudo: portuguesas e europeias, de pares e de roda, rápidas e lentas... E é sempre uma boa oportunidade para aprender mais uns passos que se vão bailando de acordo com as indicações avisadas do palco. Foi um bom fim de fim-de-semana.




Próxima paragem: dia 22 (sábado), integrado na Semana da Juventude de Aveiro, há workshops de danças portuguesas (manhã) e europeias (tarde) e concerto à noite com os UxuKalhus (estes, lembram-se?...). Gratuito, também.


imagens (1) (2)

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