quinta-feira, dezembro 10, 2009

dilema...

Compro já ou espero umas semanas a ver se alguém me oferece no Natal?...



Para os mais distraídos está-se a falar desta noite gigante (ou das suas homónimas lisboetas...)

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quarta-feira, novembro 04, 2009

agora na Antena 3...

... a transmissão em directo do concerto de "homenagem" a João Aguardela no CCB.
Recomendo!

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domingo, novembro 01, 2009

uma noite gigante...

Três grandes nomes da nossa música juntos em palco para um espectáculo construido em conjunto... A ideia é genial e o resultado ou é muito bom ou é uma grande desilusão... O colectivo não pode ser apenas a soma das partes. Os três senhores têm de justificar - para além do óbvio - este encontro tão desejado. A responsabilidade é imensa! De bilhete na mão já há dois meses, fui deixando que se apoderasse de mim a expectativa de uma grande noite!... Dos concertos de Lisboa nada soube. Estranhei a ausência de comentários imediatos, mas também nada fiz para os procurar... a surpresa faz parte da grandeza do conceito.

...

Letras partilhadas, divididas e conjuntadas - lindo! Os três juntos exploraram cumplicidades sem nunca perder a sua individualidade. Incrível como, no meio de tanta convergência, se distinguem perfeitamente os traços individuais... A palavra solene de José Mário, a palavra multifacetada de Sérgio Godinho, a palavra bailada de Fausto... A palavra, sempre a palavra, rainha mãe na obra destes senhores e convidada de honra neste espectáculo.

Também a presença... a afirmação de José Mário, o gesto de Godinho, a discrição de Fausto. Mas, acima de tudo, um prazer imenso que transbordava na sinceridade do primeiro, na dinâmica do segundo e na intimidade do terceiro.

Uma noite gigante!...

Voltem sempre!


A minha selecção de momentos:

"Guerra e Paz" - integra o meu lote de preferências de Godinho e não me lembro de alguma vez a ter ouvido em concerto; foi uma excelente abertura, com bons augúrios para o resto da noite.

"Como um sonho acordado" - "a" minha canção de Fausto; integrou o lote das canções de abertura; foi uma boa partilha, mas o final não teve a força que devia - faltou a energia dos sopros que ficaram abafados no meio da multidão sonora.

"Primeiro Dia", "Rosalinda" e "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" - foram as canções de cada um dos senhores mais acompanhadas pelo público na cantoria colectiva.

"O canto dos Torna-viagem" - foi cantada pelos três sozinhos em palco; a ideia é muito boa, mas não resultou muito bem; as três vozes da música, originalmente cantadas com coros de apoio, foram repartidas apenas pelos três; faltou um temperamento do volume sonoro que permitisse equilibrar a harmonia e distinguir a nova voz das anteriores continuamente repetidas.

"Quatro quadras soltas" - foi um momento naturalmente adequado.

"Ser solidário" - foi uma boa memória...

"Que força é essa" - apresentada com os arranjos de José Mário para o "Irmão do Meio"; é, para mim, uma referência pessoal obrigatória que esteve à altura do acontecimento.

"Maré Alta" - já em encore; era a minha aposta inicial para música de fecho do concerto; não falhei por muito; ainda com o balanço da agitação de um final próximo, foi a música em que os meus parceiros do lado mais se podem ter queixado de perturbação sonora: há palavras que são para serem cantadas bem alto!

"Inquietação" - também em encore, foi um agradável presente; tem lugar indiscutível na minha selecção de José Mário; pena a atrapalhação de Fausto, mas a canção é mais forte que isso.

"Na ponta do Cabo" - fechou o concerto; o alinhamento na frente do palco de todos os músicos acompanhados de pequenas percussões deixou-me antever a canção que aí vinha e fiquei com pena pela escolha; a dinâmica criada com o público nos dois temas anteriores seria cortada, pela "impossibilidade" de um acompanhamento de tamanho emaranhado de letra; no entanto a força das vozes e das percussões a par da alegria conjunta que transbordava do palco acabaram por conseguir um bom ponto final.

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quinta-feira, outubro 01, 2009

uma música para hoje...

Dia Mundial da Música - tenho de publicar no GR! Na aparelhagem toca o piano de João Paulo... - não há vídeos... Um olhar rápido de alto a baixo na estante dos CD's... Vou falar de quem?... Alguém que eu ainda não tenha convidado... Já falei... já falei... já falei... - eh, pá, já falei de muita gente! E na prateleira da alegada world music - portuguesa! pois claro - ao lado de Isabel Silvestre está Dulce Pontes: O Primeiro Canto. É o único que tenho da senhora, mas recomendo-o do início ao fim.

Há uma certa relutância em relação a Dulce Pontes que nunca percebi muito bem. Tem uma voz peculiar, explorando num timbre muito próprio uma considerável extensão de escala. Respeito-lhe também a preocupação com a tradição, trazendo ao de cima cantares, poemas ou ambientes com memória. Mais que a voz lírica ou fadista, é esta voz miscigenada de mundos e sons que mais lhe aprecio. E deixo-vos com o tema que dá nome ao disco.



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domingo, julho 12, 2009

uma casa portuguesa 2009

A Casa Portuguesa da Casa da Música (Porto) está de volta, este ano em formato alargado (de 8 Jullho a 2 Agosto) miscigenado com o Verão na Praça. O tema da temporada 2009 é o Brasil, que assim se junta a esta portugalidade.

Faz dois anos que Casa Portuguesa saiu à rua e montou arraiais na Praça. Frio... muito frio fez na altura. No ano passado, voltou para dentro de portas. Este ano está de novo na Praça, mas com um pequeno mimo: distribuição gratuita de mantas da Super Bock! Fiquei maravilhada - é que ali à noite faz mesmo frio! Um agradecimento sincero à organização e ao patrocinador. Resultado final: uma plateia toda coberta pelo vermelho das mantas. «Uma gracinha!» - dizia um dos convidados da noite. «Assim nem é preciso perder tempo a escolher a roupa para vir ao concerto» - dizia a senhora tia ao meu lado.

Entrando pela Casa propriamente dita, na 5a feira assisti a:

- Pauliteiros de Miranda: a tradição portuguesa que teima em não desaparecer. Lhaços tocados por duas gaitas (surpreendentemente, abrindo com uma mulher a tocar!), uma caixa e um bombo, dançados pelos oito bailadores (homens), acrescidos de uma dança mista com uma quadrilha de pares a bailar o Repasseado. Apresentações com algumas explicações dos nomes, temas e parte das letras mirandesas, pena não ter sido integralmente em mirandês - lembranças dos Galandum (que estão a tocar esta noite na Praça)...


- Hamilton de Holanda (quinteto) : um jazz chorado, um choro jazzado, com muita sonoridade à mistura. Não conhecia, fui no escuro, mas foi uma boa aposta. Visual descontraído, conversa apaixonada de brasileiro irmão. Em palco o bandolim (de 10 cordas) de Hamilton, uma harmónica, uma guitarra, um baixo e uma guitarra. Na espectativa dos primeiros momentos, sou surpreendida pela sonoridade do jazz - sinceramente não estava à espera. O bandolim e a harmónica não faziam parte do meu universo jazzístico - como eu sou ignorante... Gostei! Uma vez que a Casa é Portuguesa, aos convidados estrangeiros é pedida uma interpretação de um tema português: Hamilton tocou a solo no seu bandolim Serenata de Carlos Paredes e, em colaboração com a percussão de Naná Vasconcelos, Canção do Mar celebrizada por Dulce Pontes.
Hamilton de Holanda volta a Portugal no fim do ano (4/Dez) para tocar em Lisboa com Richard Galliano - uma combinação que promete!

Quanto à Casa, continua a dar música até ao fim do mês, com o meu (pessoal, claro!) destaque para Galandum Galundaina (hoje à noite) e Laginha e Sassetti (dia 25). Os bilhetes variam entre os 10€ e 15€, havendo um passe de 30€ para quatro concertos à escolha.

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terça-feira, abril 28, 2009

15 anos, 15 bandas - os vencedores

E, com o meu singelo contributo para o primeiro lugar, os vencedores da votação Antena3 são:

1. Ornatos Violeta - "O Monstro Precisa de Amigos"
2. Silence 4 - "Silence Becomes it"
3. Slimmy - "Beatsound Loverboy"
4. Mão Morta - "Nus"
5. Xutos & Pontapés - "Ao Vivo na Antena 3"
6. The Gift - "Vinyl"
7. Blasted Mechanism - “Namasté
8. Da Weasel - “Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder
9. David Fonseca - “Dreams in Colour
10. Deolinda - “Canção ao Lado
11. Humanos - “Humanos
12. Pedro Abrunhosa & Bandemónio - "Viagens"
13. Moonspell - “Memorial
14. Sam the Kid - "Pratica(Mente)"
15. Clã - “Lustro

imagens: Antena3

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sexta-feira, abril 10, 2009

uma casa portuguesa: 15 anos, 15 álbuns

A Antena3 completa 15 anos daqui a duas semanas. E, integrada nos festejos, decorre uma votação para eleição dos melhores álbuns portugueses editados no período de vida da estação - "os 15 álbuns mais representativos do que se tem feito de há 15 anos a esta parte, pelas várias gerações da música nacional". Estão propostos 100 álbuns, podendo cada ouvinte interessado escolher apenas um. Um???!!!... Haverá alguém que em consciência consiga escolher um de cem?!
Dos 100 seleccionados eu tenho apenas 10 e mais dia menos mês (assim os preços o permitam) juntar-se-ão mais 4 ou 5. Ainda assim, com o leque reduzido a apenas 15 não é fácil...

Álbuns de continuidade - quero dizer, originais de músicos em carreira - são, para mim, mais difíceis de destacar pela representatividade [basicamente porque sim, porque tenho de começar por algum lado]: "Lustro", "Voo Nocturno" ou "Alma Mater" não são, por isso, primeiras opções - sem desmerecer qualquer um deles. "O irmão do meio" é, para mim um excelente álbum, muito bem conseguido no conjunto e na individualidade, mas, ainda que não seja de originais, é relegado com a mesma desculpa. [E o "Afinidades" não está na lista porquê?...] Há ainda "Vinyl" - para mim (ao contrário de toda a gente) o melhor album dos Gift, mas, a ter de escolher só um, não há-de ser este. Por fim, "Apontamento" - um álbum de que já aqui falei - foi a minha mais difícil rejeição, perdendo apenas no ponto de vista da representatividade pretendida. E assim a minha escolha impossível é...


Alguém se atreve a fazer uma escolha?
[ver lista e votar]


imagens: Antena3 / CDGO

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sexta-feira, janeiro 30, 2009

uma casa portuguesa: João Aguardela


Eu acho que o contributo que nós podemos dar é de assumir que temos coisas absolutamente fabulosas em termos de tradição seja na música seja noutras áreas e que é preciso perdermos o medo de mexer com elas, ou seja, pegar nelas, trazê-las para o quotidiano e construir uma nova identidade a partir delas. Penso que a haver uma lição se assim se pode dizer - e isso também é uma lição que já partilhamos há uns anos - a lição é essa, ou seja, temos de deixar ,de uma vez por todas, de termos vergonha de sermos portugueses.
[João Aguardela, recordado no Portugália de 19/Jan]
Estão a passar duas semanas sobre a morte de João Aguardela. O acontecimento foi assinalado aqui pelo André, mas, e como disse na altura, o músico é muito mais que a voz dos Sitiados... Para a maioria das pessoas, acredito que João Aguardela seja simplesmente a voz da Vida de Marinheiro, do Vamos ao Circo... No entanto, o músico assumiu uma posição bem particular no mundo da música, posição essa mais marcada em todos os seus restantes projectos: Megafone, Linha da Frente, A Naifa.

A importância da tradição, em especial da música tradicional portuguesa, é a base dos projectos de Aguardela. O músico referia que neste momento já não existe uma música tradicional activa, pois a música desligou-se da actividade quotidiana das pessoas. E, portanto, a existir uma música tradicional portuguesa ela tem de ser re-inventada. Desta forma, ele não canta a tradição, não mostra a tradição, acolhe-a e reinventa-a. As recolhas já documentadas, os contactos mais pessoais, a memória da memória, aliam-se a outras sonoridades, a outros instrumentos e tecnologias. O resultado são diferentes abordagens em diferentes contextos sonoros, que podem chocar pelo confronto, mas também surpreender pelo conjunto.

Neste campo, Megafone é o projecto mais arrojado, cruzando as recolhas com música electrónica.
O Megafone é tradicional de mais para o circuito electrónico e é electrónico de mais para o circuito tradicional.
Megafone teve quatro volumes e Aboio (do terceiro, 1999) deve ter sido a música mais divulgada [na Antena3]. Portanto, para juntarem ao vídeo do André, fica agora outro, assinalando uma vertente do músico desconhecida por muitos.



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terça-feira, novembro 25, 2008

uma casa portuguesa: UPA

Com a casa já totalmente habitada, vou apresentar os inquilinos em atraso no meu registo. No mês de Junho entraram Mesa (numa substituição de última hora) e Rui Reininho, introduzindo o binómio medo/compreensão.
Mesa e Reininho é uma parceria já conhecida com a participação do cantor no Luz Vaga do grupo portuense. Esta nova música é, claramente, Mesa, sendo a voz de Reininho um contributo que não estranha e soa até, de certo modo, familiar.

Medo/compreensão é o binómio em trabalho e Bi-polar é o título da canção, que canta (na minha opinião) a mudança de atitude perante uma mudança de vontades. Essas vontades resultam de uma consciência da necesidade de assumir o comando das coisas, libertando-se de uma presença controladora pseudo-protectora.

Eles sabem quem eu sou. Eles sabem onde vou. E são eles que sabem o que consigo fazer.
[...]
É uma voz que não fala, mas que não se cala.
[...]
É aquilo que queremos que nos está a mudar. É o que sonhamos que está a mudar.

João Pedro Coimbra (dos Mesa), "Bi-polar" (2008)
interpretada por Mesa e Rui Reininho


Relembro que as músicas são criações originais [ou não!] e vão sendo disponibilizadas na página UPA08
do site da Encontrar-se, onde se pode ouvir a música gratuitamente e fazer o donwload mediante um donativo.

NOVIDADE: todas as músicas da casa encontram-se também reunidas em CD+DVD.

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quinta-feira, novembro 06, 2008

mudar de vida... em Lisboa

Sala cheia, pois claro! Ao palco sobem convidados de peso e músicos de luxo: Gaiteiros de Lisboa, José Peixoto, Carlos Bica, Rui Júnior, Filipe Raposo, Guto Lucena, que fazem soar percussões, guitarra, contrabaixo, piano/acordeão e saxofone, acompanhados também por um quarteto de cordas [a malta da Jota! =) ]. Ao centro, um banco e uma guitarra aguardam José Mário Branco para (mais uma) noite "única".

Mudar de Vida foi de novo cantado, declamado trazendo à memória o afamado FMI. Os gritos de ordem "Mudar de vida" sairam por vezes um pouco descoordenados, mas com a força indispensável para um concerto que, com letras de hoje e de ontem quer manter alerta a mente entorpecida.
... Mudar de vida
romper os cordões da sorte
Não sei se é suposto fazerem-se comparações, mas eu estive nas duas "edições" do espectáculo e, por isso, é inevitável. Não sei se a memória já me atraiçoa a análise, não sei se foi a força da primeira vez, mas gostei mais do concerto do Porto. O impacto dos Toca Rufar a descer a escadaria da Casa da Música, um leque de vozes mais completo e acho que também a data influenciou: José Mário em Abril tem outro espírito colectivo. Achei, este espectáculo de Lisboa, mais vivido dentro do palco... um excelente encontro de amigos, mas com uma maior distância para fora... Terá sido?
... Mudar de vida
isto não muda sozinho
Comparações de lado, gosto bastante do senhor em palco, gosto das apresentações (pseudo-)intimistas em jeito de tertúlia, gosto da escolha contextualizada dos temas, gosto da riqueza dos arranjos musicais e do entrosamento das vozes, gosto da movimentação "maestrina" do corpo, gosto da entrega interpretativa.
... Mudar de vida
acordar o pensamento
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domingo, outubro 05, 2008

uma casa portuguesa: eu queria ser músico... de jazz

Esta semana comemorou-se mais um Dia Mundial da Música. O meu contributo para a causa é - como não podia deixar de ser! - com música nacional. Desta vez, chamo à casa Margarida Pinto. Tem apenas um trabalho a solo - Apontamento (2005) - (sendo também vocalista dos Coldfinger). Apresenta-se aqui a cantar em português, com uma voz doce e arranjos quentes e diversificados. Um álbum de que gosto bastante, nas suas proximidades e afastamentos das "fronteiras" de estilos. Em particular, "Eu queria ser músico..." mantém a simplicidade e a suavidade harmoniosa de todo o álbum, e chama a si também uma profundidade sonora com sabor a jazz.

O jazz... Há uns anos perguntaram-me se gostava de jazz e a resposta foi qualquer coisa como: estou a tentar aprender a gostar... Não acho que seja algo inato, tem de se ir amadurecendo, mas anos volvidos e a reposta vai-se mantendo... Há apresentações mais experimentais que me ultrapassam um bocado, mas já vou sabendo que há muita música boa de ouvir. Não tenho CD's de jazz, no entanto, no devido ambiente e com a devida disposição, consegue ser o som perfeito. As minhas memórias jazzísticas são deitadas no relvado de Serralves, de olhos fechados apenas a ouvir a banda... porque sim.

Gosto do jazz "bem comportado", que soa bem, que encaixa sem dificuldade no conceito de música... Não quero ser mal interpretada, mas o que quero dizer com isto é que a onda experimental e do improviso, por vezes estranham os meus ouvidos (e os de muita gente!). Percebo a riqueza musical, quer ao nível da técnica, quer da interpretação, mas às vezes, do lado de fora, o resultado é... incompreensível... Não gosto de não perceber o que ouço... Aliás, gosto de poder não precisar de perceber... Gosto de poder ouvir... apenas porque sim...

Quando quero descansar
e quando tu vais dormir
ponho um disco do coltrane e ficamos a ouvir
[...]
Às vezes não adormeces
E eu não descanso
Mas o jazz ajuda a sonhar
Faz-nos voar com seu balanço

Eu queria ser músico de jazz
Eu queria ser
Eu queria ser alguém
E eu imagino o Coltrane
Certo dos segredos que desvenda
Na alma de quem ouve a luz e a poesia e o som e a vida
e tudo o que ela tem de bom...

Miguel Cardona, "Eu queria ser músico..."
cantado por Margarida Pinto (2005)

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segunda-feira, setembro 01, 2008

uma casa portuguesa: km zero

Estou maravilhada!... Acabei de descobrir que há um programa televisivo de divulgação de músicos/bandas portugueses! Estava a fazer um último zapping antes de desligar a televisão, quando vejo passar à minha frente as letras finais de um programa com apresentação de J.P.Simões que parecia chamar-se "km zero". Voltei ao computador e fui investigar...

É um programa semanal da dois:, emitido sábados ao fim da tarde, com repetição aos domingos de madrugada. Estreou no fim de Julho e durante 13 emissões de meia hora vai divulgar 39 músicos/bandas portuguesas em início de carreira, com trabalho de qualidade mas desconhecidos do grande público.
KM0 (Quilómetro Zero) é um programa televisivo sobre músicos portugueses não conhecidos do grande público e que não têm um contrato editorial relevante mas que têm já uma obra, de algum modo, apelativa. [...] Entra nos ensaios de fim-de-semana, nos concursos de estreantes, nos bares e nas discotecas, nos estúdios das rádios locais que divulgam nomes novos, nos quartos dos DJ’s, nas salas de gravação alugadas à hora, nas redacções dos fanzines, nos jardins dos subúrbios, e nas garagens das bandas.
Para já não tenho muito mais a dizer, mas estou tão maravilhada pela existência do programa que não consegui resistir a vir bradá-lo a todos.

KM ZERO
RTP2
sábados, 19h30
(repetição) domingos, 1h30
[programas on-line] [blog] [myspace]

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quarta-feira, julho 23, 2008

uma casa portuguesa: Danças Ocultas no FMM

dancasocultas_250Em palco, quatro cadeiras, ladeadas por quatro (na verdade, cinco!) concertinas aguardam a entrada de quatro músicos... Eu aguardo também expectante. Conheci o projecto por acaso, gosto da sonoridade, conheço algumas músicas... nunca os vi ao vivo. Entram silenciosos, contrastando com os aplausos do público... Um breve momento para sentar e abraçar a concertina, troca de olhares e soam as primeiras notas. Nada mais se ouviu do palco para além do som das concertinas, mas viu-se e sentiu-se muito mais do que isso...

dancasocultas2_250

Atrás dos músicos uma tela branca vai ganhando formas e imagens. A tela una divide-se e também a imagem acompanha a melodia, o contributo e a interpretação de cada uma das concertinas: os silêncios, os fortes e os fracos alimentam imagens rurais e movimentações cosmopolitas que se quedam, aceleram e abrandam.

Voltando às quatro cadeiras, nelas estão agora sentados quatro músicos que dão vida às concertinas inicialmente inertes. As notas e ritmos diferenciados formam um conjunto harmonioso. Mas este todo unificado tem ainda personalidade própria pois atrás de cada concertina continua a estar um músico. E é delicioso observar a entrega de cada um, a expressividade e a concentração, a energia e a contenção, a emotividade pessoal partilhada numa cumplicidade de olhares e sorrisos.

dancasocultas3_250Artur Fernandes mais contido, Filipe Ricardo mais expressivo (com a sua concertina-baixo "gigante"), Filipe Cal mais enérgico e Francisco Miguel mais concentrado fazem soar as notas e os foles das suas concertinas em viagens e paisagens sonoras diversas, musicando silêncios e movimentações ainda por descobrir... - Danças Ocultas!

E, no domingo, em Porto Covo, vi-me no meio de um público que soube acolher e aplaudir, acompanhando os momentos mais enérgicos e respeitando os momentos mais introspectivos.


fotos: Carlos Santos

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quinta-feira, junho 26, 2008

uma casa portuguesa: UPA

E, já quase a fechar o mês de Junho, abro mais uma janela - a de Maio! - do projecto UPA. Os créditos ficaram nas mãos de Tiago Bettencourt e Cool Hipnoise, sob o binómio dependência/autonomia.
Gostei! Só ouço Tiago Bettencourt (Toranja) do início ao fim - também, são dele música, letra e voz! Cool Hipnoise encarregaram-se dos arranjos, mas nem por isso a coisa soa a groove junkie =) Guitarra, bateria, percursões, baixo, teclado e mais para a frente um timbre de sopros que me fazia lembrar algo que demorei a identificar: Boitezuleika! (pode não ter nada que ver, mas foi ao que me soou). Mais uma vez, gostei!

Dependência/autonomia... Indiscutivelmente um binómio importante... mas, nem sempre um "binómio"... A dependência que percorre a música começa como uma necessidade, mas vai-se diluindo num conforto, numa confiança, numa espécie de ligação afectiva, algo de positivo e não de excessivo.
Sou parte de ti...
é uma união, uma simbiose, não tem de ser negativo. No entanto, já fora da letra da música e, quando a depêndencia até já parecia algo quase positivo, ouve-se
porque eu sou mais do que os nomes que me podes dar
dá-me espaço para te fazer acreditar
e aqui sim, a atonomia conquista o seu lugar, sem que com isso a segurança de uma ligação de confiança se tenha de perder.


Ouve bem
Aqui é o espaço onde não se pode existir
Sou parte do resto de quem não se quer lembrar
Preciso de ajuda para resistir... vem-me buscar
Sou eu que te peço, vem aqui
[...]
Como vens
Sei que com tempo vou poder saber seguir
Tens um espaço onde posso descansar
Porque há sempre alguém que dá tudo o que tem
Sou eu que te chamo, estou aqui

Tiago Bettencourt, "Ouve bem" (2008)
interpretada por Tiago Bettencourt e Cool Hipnoise


Relembro que as músicas são criações originais [ou não!] e vão sendo disponibilizadas na página UPA08
do site da Encontrar-se, onde se pode ouvir a música gratuitamente e fazer o donwload mediante um donativo.

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segunda-feira, junho 02, 2008

uma casa portuguesa: ornatos violeta

O mês dos anos 90 terminou sem que eu tivesse tido tempo para falar em Ornatos Violeta - falha grave! O grupo nasceu em 1991 e lançou dois CD's: Cão (1997) e O Monstro Precisa de Amigos (1999), tendo terminado pouco tempo depois.

Só comecei a ouvir falar deles com os clips do segundo CD, que me lembro perfeitamente de ver nos tops da televisão: o Monstro que precisava de amigos era um vídeo familiar cá em casa; todos víamos o Monstro triste, só e abandonado de volta das ruas e das cartas, a presseguir o carteiro...



Só os vi ao vivo uma vez numa Queima passados dois anos, altura em que o grupo já havia (ou não!) terminado. E foi aí que realmente os conheci para lá do cilp do Monstro. Concerto fantástico e fiquei rendida. Entretanto os rumores confirmam-se e o grupo termina. Manel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Elísio Donas e Kinorm prosseguem com trabalhos musicais distintos, não obrigatoriamente estanques e desligados, mas Ornatos como entidade musical em si havia chegado ao fim. No entanto, Ornatos, em geral, e Manel Cruz, em particular, tinham já uma legião de fãs, que não desmorona e se mantem fiel e projectos como Pluto e SuperNada são também acarinhados,


Foge Foge Bandido é o mais recente projecto de Manel Cruz que acaba de vir a público. Desta vez a solo, mas recheado de convidados/amigos Manel apresenta mais do que um CD, é uma obra no verdadeiro sentido da palavra: uma construção artística trabalhada sonora, física e emotivamente. O objecto em si é um livro com dois CD's e já está disponível (em edição limitada) fora dos grandes circuitos comerciais. Há também um site oficial onde temos disponíveis algumas músicas, letras, vídeos, com as habituais ilustrações de Manel Cruz. Ainda não tenho o CD, mas parece-me uma obra indispensável e a ser particularmente apreciada pela tal legião de fãs. Há coisas assim: para serem apreciadas...

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sexta-feira, maio 23, 2008

a casa portuguesa da casa da música

Na semana passada as portas da Casa da Música abriram-se às sonoridades tradicionais e por ela passaram nomes nacionais («Uma Casa Portuguesa») e nomes nórdicos («Focus Nórdico»).

Vamos, então, às impressões gerais:


Na 5a, a Casa estava um bocado despida e com o avançar das horas foi ficando cada vez mais desfalcada - foi pena. Os Realejo animaram a plateia e Rão Kyao e o seu amigo nórdico (KARL SEGLEM) foram mais contemplativos, ainda que com alguns momentos também animados.

Na 6a, os senhores nórdicos (LARS-ÀNTE KUHMUNEN) trouxeram sonoridades diferentes numa língua que nos estranha, cantando as montanhas e... as renas.

Aos Gaiteiros faltou-lhes criar uma ligação com o público. Pecaram na falta de apresentações, de comentários ou descrições entre as músicas, deixando no ar sempre uma distância desconfortável. Fora isso, a música esteve ao seu nível... Não foi o concerto do ano passado, mas foi bom.

No sábado, não pude ir, mas quem lá esteve fala da singularidade da voz nórdica (ANNA-KAISA LIEDES E TIMO VÄÄNÄNEN) e da animação dos Toques do Caramulo.

No domingo, gostei dos senhores nórdicos (HAUGAARD AND HOIRUP). Violino e guitarra. Boa comunicação. Serenos mas divertidos. Deu para dançar e tudo! =)

Júlio Pereira, nunca tinha visto ao vivo... Uma figura forte! Animado e expressivo. Ele, o moço da guitarra e a voz da menina aliavam-se lindamente. Mas aqueles teclados/sitetizadores fizeram-me comichão... Não estou habituada a ferrinhos sintetizados... Mas voltando ao senhor e à sua música: grande concerto!

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quinta-feira, maio 15, 2008

uma casa portuguesa: uma casa portuguesa

Hoje a casa portuguesa do GR traz-vos a casa portuguesa da Casa da Música! É um festival de música de raíz tradicional, que nos mostra grupos portugueses consagrados e divulga novos projectos. Este ano, aos nomes nacionais juntam-se nomes nórdicos, numa fusão da Casa Portuguesa com o Focus Nórdico - tema da temporada 2008 da Casa. Mas vamos aos convidados:




- dia15 (5a), 22h, sala1: RÃO KYAO e KARL SEGLEM: 'Skrey Project' + REALEJO

Rão Kyao é mais um dos nomes que tocavam nas cassetes do meu pai na minha infância. Conheço-lhe a figura, a flauta e a sonoridade de há 20anos. Nunca o vi ao vivo nem ouvi trabalhos recentes. E o senhor até esteve no Porto no ano passado... mas não deu par ir... Estou bastante curiosa.
Os Realejo são de Coimbra e, dizem, «combinam sonoridades da música tradicional portuguesa e europeia com música de câmara» dos primeiros. Não conheço...


- dia16 (6a), 22h, sala1: GAITEIROS DE LISBOA + finlandeses (LARS-ÀNTE KUHMUNEN)

De Gaiteiros de Lisboa já aqui falei... «A força da percussão, a harmonia dos sopros, a envolvência das vozes, unidos por um espírito de raíz tradicional e salpicados pela exploração de novos sons saídos de instrumentos únicos feitos por medida» - disse eu a propósito do primeiro concerto que vi, também na Casa da Música. Que venha outro igual!


- dia17 (sáb), 19h, sala2: TOQUES DO CARAMULO + escandinavos (ANNA-KAISA LIEDES E TIMO VÄÄNÄNEN) [às 21h, no restaurante Kool (no último piso da Casa), há JANTAR DE COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA E NÓRDICA e "JAM SESSION" (aberta a todos os músicos do festival)]

Os Toques do Caramulo são de Águeda. Não os conheço o suficiente para vir cá falar, mas fica a apresentação do «Puro folk serrano».


- dia18 (dom), 22h, sala2: JÚLIO PEREIRA + dinamarqueses (HAUGAARD AND HOIRUP)

Júlio Pereira era-me um ilustre desconhecido até há bem pouco tempo. O lançamento do "Geografias" já em tempo útil do meu maior interesse na música tradicional fez com eu ouvisse falar no senhor - mais vale tarde que nunca! Cavaquinho, braguesa, bandolim, guitarra,... Temos o senhor das cordas a fechar o que abriu o senhor das flautas. Ansiosa...


Os bilhetes diários custam 10€ e o bilhete completo 30€.
Parece que ainda há muitos...
Para sábado, o conjunto concerto+jantar fica por 25€.


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sábado, maio 10, 2008

uma casa portuguesa: UPA

Mais uma vez atrasada - eu, não a janela! - abro mais uma janela do projecto UPA. O mês (atrasado) de Abril foi entregue a Sérgio Godinho e Xana, sob o binómio culpa/tolerância.

[ouvir a música no site]

Desta vez a canção não é original - como era suposto ser! «O Rei Vai Nu» é uma música de Sérgio Godinho do álbum «Canto da Boca» (1980). Tem nesta nova casa, novos arranjos e a voz acrescida de Xana. No entanto, continua a ser-me Sérgio Godinho do início ao fim, o Godinho de hoje (rejuvenescido na sonoridade), mas sempre Godinho. Gosto, portanto, mas tenho pena que não tenham feito uma canção original... estava curiosa...

Quanto ao tema: culpa/tolerância... Não percebo... Para mim, esta música fala da conquista de independência, de liberdade, de autonomia, da força para seguir em frente - tudo coisas importantes no contexto do projecto: luta contra a discriminação das doenças mentais. Importante, sem dúvida, mas desenquadrada do tema... - digo eu! Vá, a primeira estrofe até pode fazer o jeitinho, mas o resto... Os senhores não devem ter tido tempo para criarem em conjunto um original - percebo. tenho pena, mas percebo - no entanto, dentro dos repertórios disponíveis não haveria uma letra mais apropriada para o tema... Ou eu não estou a ler a coisa em condições, ou simplesmente ignoraram o mote... - é pena...

E viva o dia
em que já não precisas
de reis, nem gurus
nem frases-chave, nem divisas
o dia
em que já não precisas
de reis, nem papás
nem profetas, nem profetisas

Sérgio Godinho, "O Rei Vai Nu" (1980)
interpretada por Sérgio Godinho e Xana


Relembro que as músicas são criações originais [ou não!] e vão sendo disponibilizadas na página UPA08
do site da Encontrar-se, onde se pode ouvir a música gratuitamente e fazer o donwload mediante um donativo.

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quinta-feira, abril 24, 2008

uma casa portuguesa: ao vivo no coliseu...

Zeca! Em vésperas da revolução (do seu aniversário, entenda-se), achei o pretexto - como se dele precisasse - para trazer Zeca à casa mais uma vez. Recordando os anos oitenta em Abril, a morte de Zeca é uma referência importante. Mas a morte de Zeca é um marco não pelo momento em si, mas sim pela sua vida anterior, pela sua obra... A minha consciência musical é bastante tardia e, portanto, Zeca sempre me foi (apenas?) obra, a obra para lá do músico...

Dando um pouco a volta à motivação inicial, venho recordar o seu último grande concerto: 29 de Janeiro de 1983 no Coliseu dos Recreios. Zeca já em dificuldades partilhou o palco com uma dúzia de amigos num Coliseu repleto de outros tantos e muitos mais. Memorável diz que se lembra - que não é o meu caso... A minha referência a este concerto é o LP duplo que mora cá em casa lançado na altura e, ocasionalmente, os vídeos posteriores que passam na televisão.


Uma reunião de canções variadas, com diferentes contextos, abordagens, melodias e poemas. O Zeca da Grândola, da luta e da mensagem, mas também o Zeca de Coimbra, o Zeca do povo, o Zeca dos simples, o Zeca da tradição. E atrás de uma voz já cansada está todo um precurso que a sustenta.

Deixo-vos com "Era um redondo vocábulo" - canção que aprecio bastante -, acompanhado à guitarra por Fausto. A música não faz parte da primeira edição (ainda em LP), mas esteve lá no Coliseu e consta de edições posteriores editadas já em CD. Só depois de ter escolhido a música é que fui ver o vídeo disponibilizado... Apreciei também os "discursos" de apresentação e de fecho: os amigos, o PREC, as partilhas musicais, a criatividade... - a criatividade é, sem dúvida, um bom alibi!... para muitas (demasiadas?) coisas...




mais informação: http://www.aja.pt/
várias músicas para ouvir: http://delta02.blog.simplesnet.pt/

imagem: capa do LP

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domingo, abril 06, 2008

uma casa portuguesa: UPA

Com algum atraso da minha parte [peço desculpa], aqui se abre mais uma janela do projecto UPA. O mês (atrasado) de Março ficou a cargo de Camané e Dead Combo, sob o binómio separação/união.

As guitarras do duo Dead Combo entram devagar e suspendem bem ao jeito do fado para entrar a voz do fadista menino: «O vendavaaal paaassou, nada mais resta». O enquadramento musical mantem-se com o dedilhar lento das guitarras (eléctricas) que arrastam ao sabor do fadista. A voz é de Camané no seu registo. Continua a ser interessante como as parcerias são conseguidas sem esquecer as individualidades: há um todo musical onde identificamos claramente as partes.

O binómio separação/união nasce da relativização comum da saúde mental em face da saúde física, quando deveriam ser consideradas como um todo... A letra solta-se da origem do tema e canta o auto-encontro de quem se perdeu e a importância do equilíbrio interior após uma separação.

Para onde vou? não sei
O que farei? sei lá
Só sei que me encontrei
E que eu sou eu enfim
E sei que ninguém mais rirá de mim

A. Rodrigues, "O Vendaval" (2008)
musicada por Joaquim Pimentel
interpretada por Camané e Dead Combo


Relembro que as músicas são criações originais e vão sendo disponibilizadas na página UPA08
do site da Encontrar-se, onde se pode ouvir a música gratuitamente e fazer o donwload mediante um donativo.

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