sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Protestem enquanto podem III

Hum... hããã... Nem sei o que possa dizer sobre isto, depois de um final de manhã e de um início de tarde de diz que disse e diz que não disse e tal. A verdadeira notícia é que a escola de Leiria ainda não levou a tal proposta a Conselho Pedagógico, logo não foi chumbada, logo Maria de Lurdes Rodrigues mentiu - politicamente correcto seria dizer que foi mal informada. Eu não sou filósofo nem adivinho mas, depois desta estória, apostaria que a ministra da Educação não chegará como ministra ao dia 8 de Março.
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Ó Kafka, vem cá ver isto



Organigrama da Avaliação de Professores de acordo com a Decreto Regulamentar nº 2/2008

Recebido por e-mail.
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Coisas que nunca mudam

Antes da habitual hibernação de fim-de-semana está na hora de falar de coisas mais leves, arrumar a má-língua partidária, deixar os búúús de lado, e olhar para esse clássico do futebol português, esse hino à magia do futebol que é o Sporting – Benfica. Podem estas duas equipas jogar mal, jogar muito mal, pronto, jogar pessimamente mesmo, mas este é o verdadeiro duelo de gigantes do nosso futebol. Eu bem sei que o campeonato é uma miragem mas aqui não se jogam campeonatos. Entre Benfica e Sporting joga-se a possibilidade de gozar alarvemente com os colegas de trabalho derrotados, de chatear o homem que nos tira a café na pastelaria, de sermos pisoteados pela alegria do colega do lado, de lermos títulos nos jornais que podem ir do “Águia depenada” ao “Leão sem unhas”, passando pelo “Chamem a Polícia” – este só para roubos de igreja por demais evidentes. Há ainda a possibilidade de alguém se lembrar de escrever “Dragão já tem as faixas no cofre”, este é mais arrojado, bem sei, mas em caso de empate acredito que a algures há um editor que aposta em algo deste estilo. Mas a magia de um encontro entre estes dois colossos – sim, sou um sonhador – do futebol mundial, empolga a plateia, o balcão, o sofá e até, pasme-se, consegue meter mais de meia casa em Alvalade. Por mim terei pena se se confirmar que o estádio não vai encher, um clássico destes merece público, merece barulho, merece golos, merece jogadores a fazerem aquilo que não fizeram uma época inteira, merece ser grande, inesquecível, e merece também respeito, amizade, dignidade e – Paulo Bento dixit – tranquilidade. O que este clássico não merece é violência, idiotice e encobrimento dos clubes aos gangs em que as claques de futebol se transformam facilmente.
O Sporting – Benfica é, e será sempre, um clássico, mesmo sendo o da 2ª Circular. Respeite-se isso e certamente que no domingo vamos ter um dos melhores jogos de futebol da época.

P.S. – Mike Plowden, poste do dream team de basquetebol do Benfica nos anos 80 e 90, morreu há três dias de forma abrupta enquanto orientava um treino. Foi graças a ele, a Carlos Lisboa, a Henrique Vieira e a José Carlos Guimarães que durante dois anitos pensei em jogar basquetebol a sério, infelizmente parei de crescer nos 1,78 metros e tinha pouco jeito para base – pronto… tinha mesmo era pouco jeito. Mike Plowden era um atleta exemplar, graças a muita gente e a ele também em especial, o basquetebol português deu um enorme salto qualitativo. Ele merece - espero que alguém se lembre disso - um minuto de silêncio no início do clássico, juntamente com a homenagem à memória de Cabral Ferreira, ex-presidente do Belenenses falecido também esta semana.

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Protestem enquanto podem II

Obviamente desmentida a notícia, mas o grave disto tudo é o facto de, se alguém no Conselho Executivo de uma qualquer escola, pode fazer este entendimento do Decreto Regulamentar da Avaliação de Desempenho, não será sinal que o texto não é claro e objectivo podendo antes ser confuso e subjectivo?

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Protestem enquanto podem

Que o Paulo Portas vá buscar o Garcia Pereira para processar o ministro Jaime Silva supreendeu-me de facto, agora isto, não sei porquê não me surpreende mesmo nada.

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Simplesmente Simone


Gostei imenso de ver a entrevista da Simone de Oliveira, ontem, na RTP1.

Apesar de ter sido educada para não gostar daquela mulher, com o passar dos anos, não sei porquê, afeiçoei-me a ela. Talvez pela força da natureza que ela representa, pela forma como diz o que pensa, pelo respeito que granjeia e pela dignidade que transpira.

Se chegar aos setenta, quero ser como a Simone.


Foto: daqui.
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Brussels by moi

Esperava-a ao cima das escadas
Foto: minha
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Chamem-lhe parvo

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Acordares de plástico

Alguém que gosta disto mas escreve isto em vésperas de um clássico da 2ª Circular - a jogarem tão bem como na quarta-feira passada, nem se lhe pode chamar jogo grande - não merecia esta dica.

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Fim-de-semana à vista

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Passado presente

foto: minha (Aldeia da Mata Pequena - Mafra)

Há dias em que este sossego de outros tempos faz muita falta.
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Sofrimento antecipado



Eu sei que é exagerado, mas como é que se podem ignorar as más notícias?

A não ser que o descodificador se avarie...

Imagem: miguelp
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quarta-feira, fevereiro 27, 2008

NMP

NMP: Nova Música Portuguesa - será um conjunto de posts que publicarei sobre algumas novas bandas portuguesas que sabem muito bem o que fazem e para onde vão.
Começo com os Sean Riley & The Slowriders. São de Coimbra e dizer que trazem o Farwest para o Choupal é um bom princípio para começar a descrever a sua música. Mas é redutor, porque incompleto, para a paleta de sons e influências que mostram neste primeiro álbum. Destaco neste single de avanço a letra muito bem conseguida, a voz imperfeita e o ambiente que o órgão Hammond empresta ao tema. Fixem este nome e apreciem esta música. Porque em minha opinião ainda vamos ouvir falar muito deles.

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Eles olham pela janela e...

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Nós os Vencidos do Catolicismo

Nós os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana

Nós que perdemos na luta da fé
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos

Já nenhum garizim nos chega agora
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana

Nesta vida é que nós acreditamos
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos o jogamos
«Meu deus meu deus porque me abandonaste?

RUY BELO
(1933-1978)
Todos os Poemas
(II volume)
in Poemário, Assírio e Alvim, dia 27/02/2008

Por simples coincidência este é o poema de dia 27/02 do Poemário da Assírio e Alvim.
A minha leitura da referida obra é pouco ortodoxa, passo à frente sempre que um poema me diz pouco e leio outro de outro dia, estou dias sem ler, dias há que leio uns tantos de seguida, portanto uma leitura... heterodoxa?

Já lá vão cerca de dois meses de leitura de poesia e este é, até agora, o poema que mais me tocou, juntamente com Canção de O'Neill (3/01) e Juntei-me um dia à flor da mocidade de Assis Pacheco (25/01).

A minha interpretação do poema do RUY BELO, diga-se de passagem que RB é um dos meus poetas preferidos do séc. XX, juntamente com O'NEILL:

Os sem fé buscam a necessidade do transcendente na cultura, aqui representada pela música.
A busca do transcendente pertence a uma esfera privada.
A busca da transcendência na cultura porque já não se acredita na vida celeste e sim na terrena.
A angústia do homem perante a perda da fé e o abandono a que ficou votado?
Onde é que o homem poderá encontrar a verdade?
Terá o homem consciência de que é necessário encontrar uma verdade, qualquer que ela seja?
Terá o homem consciência de que esse encontro/desencontro com a verdade pertence à sua esfera privada, daí a sua responsabilidade, estritamente pessoal, numa vida com/sem sentido?
Será o homem sem fé, e com a consciência da necessidade da busca de transcendência, um vencido do catolicismo?

Há neste poema uma coincidência interessante, Carmina Burana é das únicas obras de música erudita que eu consigo ouvir e, para ser correcta, apenas algumas passagens.


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terça-feira, fevereiro 26, 2008

Publicidade interactiva

Clicar na imagem e responder ao questionário com a idade, o nome, e o número de telemóvel. Assistir ao anúncio com atenção, manter o som do PC ligado, e o telemóvel por perto.


P.S. É seguro. Trata-se de um anúncio oficial da Pisang Ambon

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Moeda comemorativa dos 10 anos da UEM


Está escolhido o desenho da moeda comemorativa dos dez anos da UEM. Foi seleccionado através do voto dos cidadãos da zona euro, como se devem recordar de eu ter anunciado há pouco tempo por aqui.

Também está encontrado o vencedor do sorteio.
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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Oito milhões de Portugueses sob forte suspeita

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O país que temos (4)

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Liberdade, essa palavra maravilhosa

Por razões mais ou menos obscuras os últimos dias têm sido férteis em desenvolvimentos sobre o caso das manifestações espontâneas. Sobretudo ao nível dos blogues: contam-se armas, grita-se pela ilegalidade das referidas, grita-se pelo direito à indignação, acusa-se os professores de serem uns calões que nada querem fazer, acusa-se o Governo de um autoritarismo digno de outros tempos, os da Velha Senhora. No meio de tudo isto está um muro, uma linha muito fina, tão fina que impede que alguém fique no meio-termo. O espaço do meio-termo era precisamente o espaço ocupado pela liberdade de exprimir ideias, de discuti-las, de gritá-las até. Agora, de um lado está a autoridade, do outro os arruaceiros, os malandros que só existem para gritar búúú e chatear o nosso primeiro, gente reles que não percebe o tremendo esforço de construção que o País está a enfrentar pela mão dos abnegados e heróicos governantes.
O actual Governo já demonstrou, por várias vezes, que lida mal com a liberdade de expressão e de manifestação de ideias, se bem me lembro só os governos de Cavaco Silva tinham este mesmo problema tão agudo. Mais recado menos recado, a verdade é que temos um país feito à imagem dos seus líderes, um país onde ser bufo dá créditos, um país que José Sócrates sonhou ser uma maravilha numa entrevista à SIC, um país onde, um destes dias, até para se estar numa paragem de autocarro com mais vinte pessoas poderá ser obrigatória a identificação pelas autoridades, não vá o diabo tecê-las.

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sábado, fevereiro 23, 2008

uma casa portuguesa: UPA

Já está activa mais uma janela do projecto UPA. O mês de Fevereiro ficou a cargo de Rodrigo Leão e J.P. Simões, sob o binómio negar/assumir.

Guitarra e voz, apenas com uma marcação de bateria por trás... - a música transpira J.P. Simões desde o primeiro momento (letra e música). Rodrigo Leão (nos arranjos) vai entrando aos poucos: um violoncelo vai preenchendo o espaço sonoro, um violino vai-se chegando e conquista o seu lugar e finalmente surge um acordão a colorir mais um pouco a pintura. Eu gosto do resultado - parceria aprovada! É sempre bom quando duas partes que admiramos individualmente trabalham bem em conjunto!

Quanto à letra, aborda um conflito interior de negação, a dificuldade de reconhecimento de que os que nos são próximos não estão imunes alterções / dificuldades...

Não, o meu rapaz era incapaz
...
Ouça, é bem capaz de ser engano
...
Éramos dois e só os dois
Sem mais ninguém no mundo
Deus sabe quantas aflições
Mas quem me vem dizer agora
Que ele sofre, que ele chora
Sem motivos, sem razões

J.P.Simões, "Ele é que não" (2008)
musicada/interpretada por Rodrigo Leão e J.P.Simões


Relembro que as músicas são criações originais e vão sendo disponibilizadas na página UPA08
do site da Encontrar-se, onde se pode ouvir a música gratuitamente e fazer o donwload mediante um donativo.

imagem

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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Entre estes e o SLB venha o diabo e escolha

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Fim-de-semana à vista

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Parlamento Europeu: ninho de fraudes?


Para mim, a história dos malabarismos feitos por deputados europeus por forma a meterem ao bolso a grande parte dos 17 500 euros mensais a que tem acesso para fazer face a despesas com os seus assistentes, não é novidade nenhuma. Sei bem do que estão a falar.

Mas para o público em geral, é coisa nova. E já é mais do que tempo de a comunicação social, neste como noutros assuntos, deixar de fazer panelinha com a política e passar a fazer o seu trabalho, que é informar. Por princípio e não apenas quando lhe dá jeito.

Imagem: PE
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Evolução

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quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Can we fix this?


Não há pachorra!

Como é que alguém com dois dedos de testa pode impressionar-se com seja qual for o slogan da campanha das primárias norte-americanas?

Pior: como é que alguém pode comover-se com qualquer slogan de qualquer campanha política?


Pamôdedeus!

Sabem o que me faz lembrar o 'Yes, we can!', sabem? Isto! (não sei se conhecem a letra da canção em inglês). E é tudo quanto o slogan me impressiona.

Imagem: daqui

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quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Ribanceira abaixo

Se não fosse o André, jamais me resvalaria a memória para um filme tão passado. Estaríamos lá para o início dos anos oitenta, seria? quando apareceu no grande ecrã uma versão do Quadrophenia dos The Who. Conta a história triste do pobre rapaz, Jimmy de seu nome, que vivia uma existência enfadonha em Shepherd´s Bush, Londres e que depois de idolatrar o líder do mods, Ace Face, muito bem representado pelo sempre agradabilíssimo Sting, de abraçar a causa e o movimento, de se incompatibilizar com o mundo e de se desiludir com o rebelde e carismático líder posteriormente integrado no establishment – não encontro palavra melhor, perdoem-me o inglês- na pele de um mero bellboy num hotel de Brighton, o mesmo a que tinham partido os vidros anteriormente em protesto, pega na scooter do Ace Face e atira-se por uma ribanceira abaixo – gosto desta expressão-. E o filme, dizia eu, estava lá arrumadinho nos cafundós da memória, até o André ter feito uma descoberta semelhante a esta que revelou aqui, mas que, por artes de berliques e berloques, fugiu. Foste tu, André? Depois disto, e com a avaliação perversa e kafkiana que me espera, também eu tenho vontade de me lançar pelas arribas da Ericeira. Ó David Lee Roth, achas bem?

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Será doença...

... ver o nosso primeiro-ministro em todo o lado, até na série da NBC Life?

Legenda (da direita para a esquerda): O actor político José Sócrates e o actor Ted Early

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Prognósticos acertados




Eu não disse?

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VIVA A REPÚBLICA!

neura 1 - um amigo da onça canta o seguinte fado: estudar dá prazer. Da próxima vez atiro-lhe com meia dúzia de letras, escolhidas ao acaso num teclado perto de mim.
neura 2 - quando algum membro da comunidade me vier com mais uma história verosímil de presumível rapto de criança, atiro-lhe com meia dúzia de televisores a preto e branco, escolhidos ao acaso numa loja de ocasião.
neura 3 - reler a última entrevista de Luís Pacheco, o grande libertino, explicando, convenientemente, aos meus neurónios que libertino, afinal, também é aquele que convive alegremente com as benesses dos capitalistas e dos governos da praxe.
neura 4 - o José António Saraiva, o arquitecto d'O Sol, escreve crónicas muito interessantes, gosto, especialmente, da sua pose moralista sobre a qualidade das notícias dos jornais da praça.
neura 5 - gosto imenso de ouvir as entrevistas de Maria Flor Pedroso na Antena 1, aos sábados, 12h-13h. A última foi com um dos fundadores históricos do PSD, Miguel Veiga, gostei de ouvir MV a enfeitar o éter de veneno quanto ao estado do maior partido da direita, segundo ele do centro esquerda, ainda segundo MV, o PSD actual não tem uma estratégia, uma ideia de como chegar ao poder, as intervenções de Menezes são "desentroncadas", demasiada emoção. MV, um homem de outra época e paradigma, ainda não se apercebeu que o que dita a sua idade (os 73 anos, salvo erro) é precisamente esta sua posição. Caro Miguel, entretanto mudámos de paradigma, o racionalismo, filho do digníssimo Descartes, apoiado na outra digníssima senhora, a ciência, são pressupostos do passado e a política, meu caro, também se actualiza.
neura 6 - campanhas de compre um livro/dvd oferecemos um jornal: Expresso - DVD, série de tv, jornal gratuito; Público - DVD/livro, um grande realizador todas as sextas-feiras, um jornal carote; SOL - livro, um jornal um nadinha mais caro.
neura 7 - descobri há dias que não sei nada sobre o século XIX/início séc. XX em Portugal, tenho uma lacuna histórica de cerca de um século. Descobri também que há dois homens que escrevem bem sobre o tema: Fernando Catroga, professor catedrático de história de Coimbra, e Vasco Pulido Valente.
neura 8 - hoje José Sócrates vai "encantar" a imprensa com três anos de reinado. Serão cantadas as virtudes do Plano Tecnológico?

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terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fiquei perfeitamente esclarecido

















Escutei o "nosso" Primeiro-ministro com [bastante] atenção e a minha única dúvida é a seguinte: se desta vez citou o Bill Clinton, será que da próxima vai tocar saxofone?

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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

lembranças...

... de uma viagem relâmpago.

foto: minha

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Uma imagem vale [mesmo] mais que 1000 palavras

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Enigma II

Quando me oiço a ouvi-lo, ele nunca é quem diz, poderá ser talvez a reencarnação de Alves dos Reis. Quem será ele?

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Foi preciso coragem

Leni Riefenstahl foi provavelmente a artista que mais conflito despertou entre a consciência ética e o sentido estético. De facto, os frescos que “pintou” são perfeitos esteticamente, mas a nível ético é deplorável o que propagandeavam.
Esta semana, quando foi à AR, o nosso PM deve ter passado pelo mesmo dilema ético/estético: ou assumia que esteticamente projectara uma casa em cima de curral sem fossas ou afirmava que eticamente não fora muito correcto e que os projectos não eram da sua autoria. Preferiu o primeiro. Reconheçamos-lhe alguma coragem no acto.

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domingo, fevereiro 17, 2008

O liberalismo já não é o que era [1]

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O mártir

imagem: minha e do Hélder Franco

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sábado, fevereiro 16, 2008

O Botas de Armani

Alguém que diga ao Primeiro-Ministro que a democracia permite que o povo se manifeste, portanto, se lhe aparecem à porta para protestar, estão a exercer um direito. Para quem governa assim, ouvir o retorno sonoro das aberrações e ataques à dignidade dos cidadãos em que o governo é perito -ou será o PS também?- é o mínimo.

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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Enigma

Para onde é que o macaco Aristóteles está a olhar?


Foto e montagem pobrezinha: minha


Opção 1 - Está a olhar para o aumento dos ordenados.

Opção 2 - Está a olhar para a percentagem de benfiquistas que ainda acha que o campeonato vai ser nosso.

Opção 3 - Está a olhar para mais de 448 mil desempregados no ano passado.

Opção 4 - Está a olhar para o Corta-Fitas porque hoje é sexta-feira e eles costumam ter por lá fotografias giras e interessantes para o arranque do fim-de-semana.

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Era uma vez...


Tenho um amigo que diz que uma história, para ser boa, não tem de ser verdadeira. É uma das minhas frases preferidas, que repito sempre que me contam uma boa história que, embora passível de ter acontecido, é inventada.

Outras vezes, porém, deparo-me com histórias que, de boas que são, até custa a acreditar que sejam tenham sido inventadas. Foi o que me aconteceu quando ouvi falar disto pela primeira vez, não obstante a minha primeira reacção ter sido, precisamente, a de repetir a frase do meu amigo.

A história toda, bem contadinha, que anda por aí a circular por e-mail, pode encontrar-se na caixa de comentários deste post.
Ilustração: daqui
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Fim-de-semana à vista

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Chamem o Bruce Willis

Já aqui tinha falado disto mas agora começo a achar que está na altura de ir buscar a fisga senão ainda me estragam o jardim.

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as mulheres que nós amamos...

Em dia de namorados, deixo-vos o precesso de escrita da carta do velho Pires à sua amada Felismina, no tempo em que as cartas eram escritas e entregues em mão... Para quem não está situado, estou, mais uma vez, a falar dos Amigos do Gaspar... Segue, então, o diálogo e a música incluídos na faixa do CD.

Minha querida Felismina:

Bem sabes como sofre o coração deste pobre e velho marinheiro por não conhecer a correspondência do teu amor.

O amor, Felismina, o amor quando nos toca é como se tocasse um sino, um hino, [sei lá] o trino de um alegre passarinho. Felismina, eu quero voar para o teu ninho [esta está boa: «voar para o teu ninho»!] e fazer o pino [«fazer o pino»?! pronto, faço o pino! Felismina, as coisas a que o amor nos sujeita; por ti, fazia o pino...] Já não sei, que desatino. Mas que hei-de eu fazer? Felismina, o amor é um furação desgovernando a minha embarcação.

Felismina, abranda a tua tempestade e manda-me uma brisazinha para atiçar as brasas em que vive o meu coração.

Pires

- E pronto! Agora vocemecê leva-me esta cartinha ali à loja da Felismina e diga-lhe que vai de meu mando, está bem?...

- Olhe Sr. Pires, eu levo, mas não me meta em trabalhos, está bem?...

- O'm'essa, homem! Claro que não! Então aquela Felismina é uma mulher de categoria, de categoria! Percebeu?

- Ai isso acredito, mas deixe-me que lhe diga uma coisa: as mulheres que nós amamos são sempre mulheres de categoria.

- Está certo! Está certo! Ah, Felismina, Felismina, mulher da minha alma...

Ai, o amor quando nos toca
é como se tocasse um sino,
um hino, um trino
de um alegre passarinho

Vou voar para o teu ninho
vou tentar fazer o pino
vou ser bailarino
argentino, desatino

Mas que hei-de eu fazer?
O amor é um furacão
desgovernando
a minha embarcação

Sérgio Godinho (musicado por Jorge Constante Pereira),
"A Paixão do Velho Pires, o Marinheiro" (1988)

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Namoro

Passada a adolescência, a idade madura chegara. Que idade era aquela em que o corpo se tornava estranho? Que tempo era aquele em que escurecia o olhar? Que corpo era esse que se lhe impunha? As rugas faziam as primeiras aparições e no espelho aparecia reflectida não só a imagem do corpo mas a imagem da mente, quando o reconhecimento nos retratos se faz a custo - aquela, quem é?- e as feições se assemelham velozmente às dos antecessores Serei esta, eu? A revelação ficou péssima, desfocada, e a cor, a cor está esbatida. Está sujo, o espelho. Serei eu, aquela? E, no final da noite há muito adormecida, o espanto e surpresa perante o rosto cansado, desconhecido até aí, e a pergunta ressurge, aquela ali, sou eu? Não me pareço eu. Eu era outra. Comprara os primeiros cremes anti-rugas com colagéneo ou silicone e extractos de algas, elixires da juventude da era pós-moderna havia pouco tempo, desde que aquela outra ela, eu? lhe aparecera após uma noite de intemperança. O armário da casa de banho, que suportava o espelho com quem detinha conversas inaudíveis pautadas por silêncios longos e observações demoradas, engravidara-lhe repentinamente, uma gravidez prenha e rotunda. Frascos e boiões, bisnagas e latinhas: grandes, pequenos, esbranquiçados, de cores desmaiadas, a panaceia possível para a agonia inevitável do inconformado entardecer. Ao contemplar-se no espelho, julgava-se momentaneamente ausente de mais uma ruga. Serei esta, eu? Pareceu-me ver-me de repente, e auscultando criteriosamente rugas e linhas, aquela ali, eu? desejava secretamente que o colagéneo - quem sabe?- surtisse efeitos também na alma consumida e que as marcas do tempo, bom e mau, se apagassem ou reduzissem. Como as rugas. Mas naquele dia de invernia cinzenta -quem diria?- em que ele gentil lhe pediu namoro, namoro como ninguém nunca lhe fizera antes, ela regenerou-se, sem cremes, sem elixires. Penteou-se, o cabelo ajeitado por cima do ombro, sorriu-se-lhe, e aquela ali, quem é? e reconheceu o rosto que regressava devagar, devagarinho, cada vez mais nítido no espelho. Serei esta, eu? Era ela de novo.

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Clássicos da bola I

Sem rir os dias parecem sempre mais negros, portanto espero que gostem de uma pequena colecta de frases famosas do futebol. Muitas outras podiam caber aqui mas à medida que a pesquisa avançar lá chegaremos. As pérolas seguintes foram encontradas em caderninhos dispersos, em blogues e páginas na internet, portuguesas e brasileiras.

Romário: Pelé calado é um poeta. Tinha era que colocar um sapato na boca.

Jardel: Clássico é clássico e vice-versa...

Jardel (ele merece): Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe!

Neném Prancha (filósofo da bola): Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminava empatado.

Mas isto é do outro lado do Atlântico, naveguemos pois então...

Gabriel Alves (o Rei):

Sobre Hugo Leal: Este jogador é uma jovem esperança do futebol português que se não se vislumbrar nem embandeirar em arco se poderá concretizar numa certeza.

Num jogo Benfica - Porto quando se ouve o público a gritar : Oh Pinto da Costa vai pró c******!!. O comentário: O público entusiasmado apoia as duas equipas.

Avaliação sobre o desempenho da Selecção Nacional: A selecção não jogou bem, nem mal, antes pelo contrário.

A emoção e saber no relato de um golo: E aqui está, um golo substantivo que nem pode ser adjectivado.

Para fechar deixo-vos os meus preferidos:

Bradock, amigo de Romário, a reclamar de um passe muito longo: Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava aquela bola!

João Pinto, ex-jogador do FCP, a comentar o regresso de Vítor Baía ao FC Porto: Ele é sem dúvida o melhor guarda-redes do mundo, e talvez da Europa!

Neném Prancha: Pênalti é tão importante que quem devia cobrar era o presidente do clube.

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Modernices

O FBI alertou para a possibilidade de um novo vírus informático designado por «Storm Worm», escondido em postais de São Valentim, poder infectar hoje milhões de computadores em todo mundo.

in Diário Digital

As saudades que eu tenho do bom, velho (e fiel) Sexta-feira 13...

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Amor, a quanto obrigas




A vida humana está em constante evolução. Inúmeras tradições adaptaram-se às novas mentalidades, outras desvaneceram-se, os custos dos casamentos e dos divórcios inflacionaram, os hábitos quotidianos desfiguraram-se, foi descoberto um buraco na camada do ozono, as alterações climáticas passaram a ser um tema corriqueiro e os tempos que correm não se compadecem com desperdícios. Vistas bem as coisas, isto só pode querer dizer que é também preciso alterar os critérios da escolha da nossa cara-metade e ter uma apertada malha na rede que lançamos para a apanhar. Para que a não se extinga a vida no planeta e, no fundo, para um futuro melhor.

O slogan a aplicar a esta nova forma de descobrir o objecto do nosso afecto poderia ser: Querido coração, espera aí que vou ali ter uma conversinha com a razão. Como tudo funcionaria, é o que vou tentar explicar.

Pensamos que encontramos a pessoa certa, não é? É isso, pelo menos, que o coração nos diz. Muito bem. Mas mandemos o dito numa excursão às grutas de Mira de Aire e convoquemos uma reunião com o cérebro.

O(a) mais-que-tudo recila? Apaga as luzes quando já não precisa delas? Pressiona o botão pequeno do autoclismo com regularidade? É a favor do uso das lâmpadas económicas? Não tem qualquer tipo de apego aos sacos de plástico do super-mercado? Está disposto(a) a deslocar-se numa viatura com baixas emissões de dióxido de carbono? Ainda assim, recusaria utilizar os transportes públicos diariamente? Não tem nada contra a compra de mobílias feitas com madeira cujo corte foi certificado como ambientalmente apropriado, socialmente benéfico e economicamente viável? Não se importa de apenas comer o peixinho de cultura sustentável? Pode mesmo passar sem o jaquinzinho? É contra a caça da baleia? Prescinde de todos os produtos com clorofluorcarbonetos? Aprovaria a compra, pelo condomínio, de um painel solar a instalar no telhado do prédio? Está disposto a substituir o ar condicionado pela ventoínha e o aquecimento pelo saquinho de água quente? Alguma vez se atreveria a deitar o óleo alimentar usado pelo cano abaixo?

Ainda que se torne tudo mais complicado do que responder à questão 'É com esta pessoa que quero juntar os trapinhos?', a resposta a muitas destas perguntas poderia ser a chave para celebrarmos, por muitos São Valentins, a escolha do objecto da nossa afeição. Porque o amor, apesar de intenso, é uma coisa frágil, o nosso coração não pode estar em permanente excursão e, vistas bem as coisas, é sabido que o futuro da vida na Terra depende de todos nós.

Como diz o outro, vale a pena pensar nisto.

Agora, se me dão licença, vou mandar o meu CV para aquela vaga de consultora sentimental no Greenpeace.
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Coisas de época III

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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Assim não dá luta

«Queria todos os jogadores do Sporting»
Christian Gross, treinador do Basileia

Quando li o título desta notícia pressenti logo que a coisa hoje ia-nos correr de feição. Como ninguém acredita que [para além de Paulo Bento] possa existir no mundo inteiro outro treinador a querer na sua equipa um jogador como Farnerud, ficou de imediato claro no meu espírito que o Basileia não tinha qualquer possibilidade de fazer um bom resultado em Alvalade porque o seu treinador nem sequer se deu ao trabalho de conhecer os jogadores da equipa adversária.

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A palavra e as coisas

Imagem: Markku Lahdesmaki

Pedro Correia, “instigado” pela Leonor, lançou este repto. Como todas as coisas têm um início, devo começar por confessar que nada me move contra as palavras – gosto de todas, sem qualquer excepção. O que posso não apreciar [tanto], por vezes, é o contexto em que as mesmas são empregues. Mas aceito com gosto o desafio e passo a distinguir dez palavras pelas quais, no contexto adequado, nutro uma particular empatia: gosto da palavra “viver”, porque tem como referente a existência; “amar”, porque é o verbo que dá todo o sentido à vida; “imaginação”, porque só tem os limites próprios de cada indivíduo; “liberdade”, mesmo nos casos em que não rima com “responsabilidade”; “Portugal”, porque, apesar de tudo, é a minha pátria [ou “país” para o pessoal de esquerda – não pretendo ferir quaisquer susceptibilidades com este post]; “mar”, porque gosto de o sentir perto de mim – gosto particularmente do cheiro e do som que emana; “sol”, porque ilumina e aquece – mesmo os textos mais sombrios; “chocolate”, porque é doce e alimenta; “vinho”, porque mata a sede e embriaga; e gosto da palavra “sexo”, porque leva um xis antes do ó.


Como este é um daqueles desafios tipo corrente, e como não quero ser responsabilizado por a quebrar, lanço este mesmo repto a Pedro Santana Lopes e a Vital Moreira, mas com uma "ligeira" dificuldade acrescida: Santana Lopes não vai poder optar pelas palavras “Primeiro-ministro”, “governar” e “liberalismo”; já Vital Moreira, não vai poder eleger as palavras “Constituição”, “socialismo” e “Estado”. Será que vão ser capazes?

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Blogotrends



Mudar do blogspot para o sapo.



(Lindíssima) Ilustração: Mudança em Cores de Alice Prina

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Coisas de época II

Minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu pelargónio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peónia. Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão. Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor. Floramarílis. Floranémona. Florazálea. Clematite minha. Catléia defínio estrelítzia. Minha hortensegerânea. Ah, meu nenúfar. Rododendro e crisântemo e junquilho meus. Meu ciclámen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha. Daliabegónia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas. Violeta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo-pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte.

Carlos Drummond de Andrade, A Paixão Medida, Declaração de Amor, 1980

P.S. Experimentem tentar decorar isto...

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Hum? Quem? Onde? Nabu quê?

We had never heard of her. We had to look her up in Wikipedia.

Magnífica tirada do porta-voz dos armazéns online Woolworths, em Inglaterra, que foram obrigados a retirar de venda uma cama para crianças comercializada com o nome Lolita. Ao que parece algumas mães inglesas tinham, pelo menos, visto o filme.

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You Know I'm No Good

Foi a grande vencedora dos grammys de domingo.
Condimentos para a eleição:
-uma voz extraordinária, reencarnando as grandes damas negras do soul/blues/jazz;
- música ritmada;
- letras existenciais;
- vida pacata, sem o condimento ideal: sexo, drogas e soul;
- imprensa alimentando a sua vida pacata;
- milhões de discos vendidos, prémios, internamentos saudáveis, pais repletos de bom senso, vida amorosa equilibrada, enfim...

a história da música popular com novos mitos.

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Heranças

O autor, em entrevista ao DN, e baseado no argumento do seu livro, diz que a corrupção no Brasil é uma herança portuguesa. Eu propunha-lhe, e com que certeza que também aí irá encontrar determinismos genéticos, que pensasse nessa mania que portugueses e brasileiros têm em culpar os outros pelos seus erros.

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terça-feira, fevereiro 12, 2008

Coisas de época

Perguntas sempre: "Quando estás longe tens saudades de mim?" Respondo-te sinceramente:
- Não. Não creias que a distancia separe, o que separa é o esquecimento.
Tem-se saudade dos que já não vivem, dos que já não se vêem. E, como queres que a saudade me atormente se estás sempre em meu coração?
Saudade, não, porque vives commigo, porque a toda a hora sinto que palpitas em mim, dentro de minh'alma.
A saudade, amor, é o fogo fátuo das venturas mortas, pairando sobre o coração.


Coelho Netto, Romanceiro, Porto, Lello & Irmão, 1906

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Como foi possível?

Pergunta Matan Ruak, chefe do Estado Maior das Forças Armadas, de Timor Leste, ouso acrescentar outras perguntas:

- Qual o papel da ONU na supervisão de países cuja democracia é débil?
- Qual o enquadramento teórico e político do chefe máximo das forças internacionais "estacionadas" em Timor Leste?
- Qual a razão do comando das forças internacionais pertencer à Austrália?
- Que qualidade na vigilância internacional em Timor Leste se no espaço de uma hora quase se consegue delapidar o governo de uma nação?
- Que tipo de ligações existem entre os membros das Falintil (forças de defesa de Timor Leste) e os elementos de supervisão internacional?
- Que tipo de ligações existem entre os membros das Falintil e os grandes grupos económicos interessados na exploração do petróleo em Timor?
- Quem compõe a Comissão sugerida por Matan Ruak e que tipo de interesses defendem os seus elementos?

É que assim talvez consiga compreender melhor o que se passa, até lá a música é demasiado afinada e os meus ouvidos habituaram-se, irremediavelmente, à música popular.


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Dicionário PT(BR)-PT



ônibus é autocarro,

camisola é camisa-de-noite,

carona é boleia,

maiô é fato-de-banho,

secretária electrônica é atendedor de chamadas,

concreto é betão,

banheiro é casa-de-banho,

terno é fato,

bandeide é penso-rápido...


E flanelinha, uma palavra cheia de graça, quando pronunciada com o sotaque brasileiro, quem sabe o que é?, sem passar pelo Google...

Imagem daqui.
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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Fernando Pessoa ®

Francisco José Viegas dinamizou como ninguém a Casa Fernando Pessoa. Um trabalho meritório e corajoso que [coisa rara neste país] tem sido reconhecido por todos. Chegou agora a vez de Inês Pedrosa. Para fazer face às já conhecidas dificuldades financeiras com que a anterior direcção também se debateu, a escritora pretende lançar uma linha de merchandising Fernando Pessoa. Como a ideia até não me parece má de todo, aproveito para deixar aqui a minha primeira sugestão:


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e porque ainda há quem não viva no mundo do Cabo...



Prison Break está de volta (desde o Carnaval) aos domingos depois de almoço na RTP1




Dr. House estreia hoje uma nova série na TVI



imagens (1) (2)

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À atenção de Sporting e Benfica

Eis a mascote ideal para os avançados de qualquer clube da Segunda Circular que se preze.

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domingo, fevereiro 10, 2008

Porque hoje é domingo [e dia de Grammys]

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sábado, fevereiro 09, 2008

Postal de Lx

Está-me a parecer que Fevereiro é mês de aniversário de blogues. Primeiro foi o nosso estimadíssimo Corta-fitas, agora é uma das nossas bloggers e leitoras queridas e assíduas, a Sinapse do outro lado do Atlântico -ai Nova Iorque, Nova Iorque- que comemora dois anos de existência blogosférica. Um beijo grande, querida Sinapse, esperamos continuar a receber postais de Bruxelas ou de Nova Iorque.

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uma casa portuguesa: NMB - no mazurka band

Primeiro, e porque suspeito que não saibam do que estou a falar, vamos a uma explicação... A mazurka é uma dança tradicional europeia, acho que originalmente polaca, dançada em grupos de pares. No entanto, nos nossos bailes, e sob fortes influências francesas, apresenta-se como uma dança de par fechado (ao estilo da valsa). Além disso, as "nossas" mazurkas, as "mazurkas portuguesas", são muitas vezes dançadas de "par colado" (numa espécie de "valsa kizombada") o que permite/incentiva uma maior entrega, sendo habitualmente vista como uma dança de sedução. São, portanto, bastante requisitadas pelo público nos bailes... Há sempre aquele/a menino/a com quem gostávamos de dançar (mais) uma mazurka, ou porque até já funcionámos bem como par, ou porque ele/ela até parece ter um modo especial de dançar, ou... - vá, admitamos! - apenas porque sim! ;)

Neste contexto, um grupo de baile que assume logo à partida não tocar mazurkas é visto um bocado de lado... Então e a proximidade e a entrega?!... Mas a filosofia dos NMB é outra! A aposta é feita na revitalização das NOSSAS músicas e danças tradionais e, portanto, nada de mazurkas! Viva o vira, a chula e o corridinho!!!

Para vós, que não fazeis ideia do que eu estou a falar, isto deve estar a começar a soar-vos às apresentações do rancho lá da terra. Não é bem isso! Está presente esse espírito, mas por dentro e por fora a forma é trabalhadada. Os bailes ganham dinâmicas diferentes - não têm de ser melhores, nem piores... são diferentes! E o grupo vale por isso mesmo, pela irreverência e ousadia de marcar a diferença - e, claro!, pela qualidade do trabalho de recolha e desconstrução das músicas. Dizem eles:
«É a ditadura dos pastoris,
integrado na intransigência característica do MRPP,
Movimento Radical Pastoril Português.»



«El Vira» deve ser a sua música mais conhecida - e é, naturalmente, um vira! (dançado de forma valseada, em quadrilhas, com trocas de lugares animadas). O vídeo acima (de Tiago Pereira) não é uma reprodução linear da tradição nem a apresentação de um baile, é, antes, um trabalho sobre a primeira, tendo em vista a segunda - digo eu! E, desta forma, se encaixa tão bem no espírito do grupo da recolha e desconstrução.


Devo dizer que o mote deste post foi o fim-de-semana à vista do Hélder... É que, depois de ver tanta sornice, não pude deixar de me lembrar que o meu fim-de-semana aparenta vir a ser um bocadinho diferente... :) Ora, a esta hora deve estar a acabar o baile de Coimbra, mas hoje ainda temos baile à tarde em Aveiro e à noite no Porto...

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Está [oficiosamente] aberta a caça ao Bufo

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sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Parabéns, pois claro

Na verdade, este post tem um leve travo a atraso, foi ontem, já se vê, mas para que a festa se prolongue, felicitamos hoje o caríssimo Corta-fitas pelo seu segundo aniversário. Que contem muitos, sempre com a pertinência e qualidade com que nos têm brindado e que continuem a cortar fitas por essa blogosfera fora. Estamos cá para ver e aplaudir.

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Fim-de-semana à vista

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quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Bom senso e bom gosto

Há duas coisas que as mulheres do meu país jamais deviam fazer, em circunstância alguma, aconteça o que acontecer. Primeiro: pintar o cabelo de loiro, a menos que já sejam loiras ou de tez clara. Segundo: despir-se em público em pleno Fevereiro, subir a um carro alegórico carnavalesco e dançar samba para o Portugal inteiro. Ninguém leva a mal, lá dirão os amantes do Carnaval, mas que é um espectáculo digno de pena, deprimente e patético, isso ninguém lhe tira.
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Uppssssssss!!!

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Coberturas


Vestir-me.
O quê? Para quê? Para quem?
Qualquer coisa, não posso vestir. Para não ter frio, para não ser objecto de comentários desagradáveis. Um bocadinho para mim e um bocadão para os outros. Porque se fosse só para mim, então vestia qualquer coisa. Não me daria a ver a ninguém, por isso nem sequer me preocuparia em vincar as calças, escovar uma nódoa ou engraxar as botas.

Escrever.
O quê? Para quê? Para quem?
Qualquer coisa, não posso escrever. Para não destapar a minha intimidade, para não ferir susceptibilidades. Um bocadinho para mim e um bocadão para os outros. Porque se fosse só para mim, então escrevia sobre tudo o que me vai na alma. Não o daria a ler a ninguém, por isso nem sequer me preocuparia em corrigir as gralhas, eliminar as palavras repetidas ou reler o texto.

Aqui, os textos são o meu guarda-roupa. As palavras, se não forem do tamanho certo, vão apertar-me as articulações ou cair-me pelas pernas abaixo. A pontuação, essa, tem de ser aplicada com parcimónia, pois os acessórios em excesso podem tornar-me numa montra de bijuteria. Os erros têm de ser procurados à lupa e cosidos à máquina em costuras reforçadas. E o estilo, que tem de ser escorreito, pode umas vezes ser sóbrio e outras ornamentado, em função da ocasião. Só assim estarei apresentável.


Desenho: Denise Brandt
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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

I wanna jam it with you

Menos vetusto do que Padre António Vieira estaria Bob Marley que, se não tivesse partido tão cedo, faria hoje 63 anos, nem por sombras a bonita idade que o Padre António Vieira atingiu, embora ambos tivessem respirado o ar saudável dos trópicos. Tal como o Padre António Vieira também era um defensor dos direitos humanos e tinha jeito com as palavras, mais cantadas, é certo, mas algumas letras são hinos que ficam e ficaram ao longo das décadas. E como seria hoje Bob Marley aos sessenta e três anos? Seria uma espécie de Keith Richards com dreadlocks grisalhos? Ou mais como Mick Jagger? Continuo a imaginá-lo cheio de charme e magro, o sorriso de sempre –adoro sorrisos genuínos- como mais uma vintena de filhos pelo caminho, que ele era rapaz muito dado ao amor pela próxima, e a brindar-nos com muito mais música, mais letras e mais hinos. Uma pena ter partido tão cedo. E porque acho que Bob Marley jamais gostaria de ser lembrado com pesar, comemoremos com música.

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Dez post´s sobre Economia (vi)

«NAGG - Escuta-a [a estória] outra vez. (Voz de narrador) Um inglês que precisava urgentemente de umas calças às riscas para as festas de Ano Novo vai ao seu alfaiate, que lhe toma as medidas. (Voz do alfaiate) «Já está, volte dentro de quatro dias, estarão prontas.» Bem. Quatro dias depois. (Voz do alfaiate) «Sorry, volte dentro de oito dias, os fundilhos saíram-me mal.» Bem, realmente é difícil fazer os fundilhos. Oito dias mais tarde. (Voz do alfaiate) «Estou desolado, volte dentro de dez dias, o entrepernas saiu mal.» Bem, está bem, o entrepernas é difícil. Dez dias depois. (Voz de alfaiate) «Lamento, volte dentro de quinze dias, a braguilha saiu mal.» Bem, realmente, é difícil fazer uma boa braguilha. (Pausa. Voz normal) Estou a contar mal. (Pausa. Num tom abatido) Cada vez conto pior esta história. (Pausa. Voz de narrador) Em resumo, entre uma coisa e outra, chegou a Páscoa e saíram-lhe mal as botoeiras. (Voz do cliente) «Goddam, sir, não, realmente acaba por ser indecente! Em seis dias, percebe, seis dias, Deus fez o MUNDO! E você não consegue fazer-me umas calças em três meses!» (Voz do alfaiate, escandalizado) «Mas, milord! Mas, milord! Veja...(gesto depreciativo, com desdém)...o mundo...(Pausa)...e veja bem...(gesto apaixonado, com orgulho)....as minhas CALÇAS!»

Samuel Beckett - Fim de Partida

E é isto, em suma, que acontece ao cumprimento dos prazos na economia portuguesa.

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Caipirinhas

Cada um tem o Cristo que merece. Lembrei-me disto durante a tarde, enquanto tentava esburacar uma parede sem a deitar abaixo e vi um sinal que me pareceu interessante (se tivesse escrito divino ali atrás é provável que estivesse a incorrer numa heresia ainda maior). Numa viagem ao Rio de Janeiro há coisas que são obrigatórias: feijoada, Pão de Açúcar, feijoada, Calçadão, feijoada, Ipanema, feijoada, Copacabana, feijoada, Lagoa Rodrigo de Freitas, feijoada, Cidade Maravilhosa, feijoada, bondinho, feijoada, havaianas, feijoada, calor, feijoada, Leme, feijoada, Santa Teresa, feijoada, Cristo Redentor… podia ficar aqui o resto da noite mas tenho de ir ver o Portugal – Itália e portanto fica abreviado sendo que o que falta aí atrás deve ser lido – e bebido – 50 vezes no título.
Mas para além de tudo isto o Rio de Janeiro é a minha cidade das cidades, só vendo se pode acreditar que algures em algum tempo seja lá quem for fez nascer aquilo. Deus, Zeus, Odin, Maomé ou Jah, não interessa porque quem foi está de parabéns. Digo isto porque religião não é o meu forte – já devem ter percebido – mas no Rio fica-se crente na hora. Entre os recuerdos que vieram de lá conta-se uma pequena imagem de Cristo com um imã, ideal para pôr no frigorífico. Pode até parecer piada de mau gosto mas o homem morre, alegadamente, na cruz e ainda é vendido em madeira para pregar no frigorífico. Não admira, portanto, que uma das primeiras decisões daquela peça foi atirar-se para o chão, sobreviveu é certo mas causou um pequeno problema cá em casa, o braço esquerdo foi-se, só aponta para a direita – foi certamente castigo. Em dias de discurso de Luís Filipe Menezes ou Santana Lopes, mistério dos mistérios, ele vira-se de cabeça para baixo e lá fica a apontar para a esquerda, estranhamente também fazia isso com o Correia de Campos, continua a fazer quando há discurso da Maria de Lurdes Rodrigues, e faz questão de se mandar para o chão cada vez que o jornal "Público" manda mais uma acha para a fogueira do filósofo da nação.
Se têm dúvidas deste verdadeiro fenómeno do Entroncamento aqui fica a prova, hoje ele apareceu a apontar para cima, em direcção à frase No Frost que está no topo direito do frigorífico, sinal mais do que óbvio que vem aí a Primavera.

Foto: minha

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Ela tem cara de quem gosta de dinheiro

Há caras para todos os gostos.
E cara de quem gosta de dinheiro.
De hippie.
De punk.
De quem come pouco.
E de quem tem estômago de porco.

Há caras de homens sem fé.
De meia leca.
De senhora beata,
E de quem anda a pé
e não se desgasta.

Há caras para todos os gostos
algumas com um ligeiro
trejeito em repolho.

Ele há caras sem lata
e de QI caolho.

Caras, carinhas e caretas.
Venha lá senhora trombeta.

Vá lá, não levem a mal
estamos em pleno Carnaval.

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Imperador da língua Portuguesa

Padre António Vieira
6 de Fevereiro de 1608 - 6 de Fevereiro de 2008


Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: Homines pravis, perversisque cupidítatibus facit sunt veluti pisces invicem se devorantes: Os homens com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros.
Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes, Lisboa, Editorial Nova Ática.

Imagem daqui
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Sempre bem-vindo sem convite

O Pedro gostou dos meus convidados assíduos e eu, mais uma vez, gostei que tivesses gostado, naturalmente.
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terça-feira, fevereiro 05, 2008

Diga lá, excelência

É o CDS-PP e eu. Eu também gostaria de ouvir o que a Ministra da Educação tem a dizer relativamente à nova avaliação dos professores, nomeadamente por que é que o Conselho Científico para a Avaliação de Professores é formado apenas pela sua Presidente e por que é que Maria de Lurdes Rodrigues tem tanta pressa em implementar este sistema de avaliação, por exemplo, tanta pressa que se esquece que além de se avaliarem uns aos outros, os professores são, acima de tudo, professores e que, sendo professores, têm aulas para dar.

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Ubíqua


Como todas as mães modernas, consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo, em diferentes sítios da casa.

Um exemplo? Faço uma sopa, ponho a mesa para o jantar e supervisiono o banho do meu filho.

Desenho daqui.

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Casas dispostas de formas diferentes

Reparei há pouco que não tenho feito uso de uma das ferramentas fundamentais deste blog. É por causa da falta de hábito, pois lá no Lote 5 não costumo etiquetar nada. Mas isso é coisa para se resolver já a seguir.

Estive a percorrer a lista das etiquetas do GR e cheguei à conclusão de que são uma verdadeira e quase inesgotável fonte de inspiração. Suponho que vou passar a dar-lhe uma vista de olhos, escolher um tema e desatar a escrever.

Desenho daqui.

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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Prognósticos só depois do jogo

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Engenharia Carnavalesca

Num futuro paralelo, e nas mãos de um certo e determinado engenheiro, esta é a Covilhã em 2050.

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Parabéns Carlos

Carlos do Carmo recebeu ontem à noite o Prémio Goya para Melhor Canção Original. Quem disse que os espanhóis não gostam da língua portuguesa?

Foto daqui

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Pormenores e pormaiores

Quanto mais leio poesia do século XX, mais me certifico que no mundo não houve poeta melhor do que Pessoa. Para além da escrita, há algo nele com que me identifico. Já pensei que fosse o misticismo, o que é pouco provável por causa do meu ateísmo a religiões e misticismos; a atitude anglófila era possível, mas não acho que gostar de uma mesma cultura seja suficiente para gerar uma tão grande aproximação. E ainda cheguei admitir como hipótese o patriotismo, mas o quotidiano rapidamente me fez desistir da ideia. Até que um dia, sem esperar (estas coisas aparecem sempre quando estamos a escolher a marca de azeite que devemos comprar) encontrei aquilo que procurava: identifico-me com Pessoa porque ele era um tipo igual a nós. De manhã atendia uns telefonemas, à tarde fazia a escrita da empresa e, ao fim do dia, depois de passar pela taberna, escrevia. Pessoa não era mais do que um blogger. Isto é, um tipo igual a mim: de dia escritório, à noite escrita. Porém com duas pequenas diferenças: eu não passo pelo café ao fim do dia e Pessoa, à noite, escrevia coisas como esta:
«Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.»
ao passo que eu escrevo coisas como a que acabaram de ler. Enfim, pormenores.

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domingo, fevereiro 03, 2008

Carnaval

Veneza
foto: minha

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sábado, fevereiro 02, 2008

Lisbon after Dark

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Que mais se pode desejar?


Mais sobre a Bookinist aqui

via DN

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Recordar Natália Correia [2]

















MALVADAS LÍNGUAS QUE DÃO FEL À FAMA

Malvadas línguas que dão fel à fama
Dizem que nestes lúdicos quadrantes,
Os políticos querem é ter mama.
Como não hão-de querer se são lactantes?

Do tenro Alfaia o génio petroleiro
Já no berço os emires embasbacou.
Mal saltou o rebento do cueiro
Logo espantosa pasta sobraçou.

Entre os gigantes sociais, um ás
Com chucha e birra na pueril veneta,
Todo o planeta assombra: é o Ferraz.
Como não há-de a CIP querer chupeta?

Muito a preceito dos cristãos fervores
do CDS, o Lucas é o retrato
De um menino Jesus entre os doutores
A meter Mestre Freitas num sapato.

Também o PSD lá nos seus topes
Um prodígio infantil com brio exibe.
É o pasmoso bebé Santana Lopes
Que PR há-de ser de arquinho e bibe.

Há ainda o Jaimito que nas cristas
Do PS a singrar é mesmo um Gama.
Dá beliscões no Soares sem dar nas vistas.
Faça o que faça o puto não se trama.

Porém como o Marcelo neste mapa
A brincar aos cow-boys não há nenhum.
Passa rasteira: o mais subtil derrapa;
Dá ao gatilho e faz: pum-pum.

Onde os meninos de tudo são senhores
Forçoso é que da asneira haja fartura.
E se alguns deles são uns estupores.
É só por traquinice. É só candura.

in O Bisnau, n.º 5, 1983

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uma casa portuguesa: galandum galundaina

Chamam-se Galandum Galundaina, são mirandeses, cantam em mirandês e trazem-nos as tradições de Miranda (do Douro, a saber!).

São quatro e, para além de cantar, tocam habitualmente gaita mirandesa e galega, sanfona, flauta e tamboril, bombo e mais uns quantos instrumentos de percussão. Animados, com apresentações divertidas - sempre em mirandês!!! - criam uma empatia especial com o público. É um grupo familiar - literalmente! os irmãos Meirinhos e Paulo Preto... - que transporta, então, pelo país e para os palcos um bocadinho do espírito de Miranda: os instrumentos, as roupas, o mirandês!!! e também as danças (sendo muitas vezes acompanhado por pauliteiros).

Ouvi-os pela primeira vez na Casa da Música há dois ou três anos a propósito de um ciclo de música portuguesa de raiz tradicional. Divertiram o público, que aplaudia e se esforçava por reproduzir o mirandês ensinado - tenho de confessar que às vezes não apanho uma!!! E já aí - na Casa da Música - houve quem dançasse. Na altura, eu não fazia ideia do que eram aquelas movimentações animadas na primeira fila, mas vim depois a perceber... «Por Beilar el Pingacho» - diziam eles... ;)

Não vos trago o Pingacho, mas deixo-vos com o «Fraile Cornudo»...



... numa versão com vozes, sanfona, sino, bombo, rabeca, flauta e tamboril e... um par de bailadores - a lembrar que tudo isto veio a propósito do meu Carnaval, que começa já depois de almoço e só termina na noite de 2a feira, precisamente com estes tocadores!

Para quem ainda não tiver planos, fica a proposta: ENTRUDANÇAS - bailes, oficinas, cante, artesanato, passeios, concertos e muito mais em Castro Verde, de 2 a 4 de Fevereiro. No ano passado foi assim e eu cá voltarei um dia para vos dar notícias do deste ano!

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Os "projectos" de José Sócrates

Todos os "projectos" do senhor "engenheiro" aqui, via Público.

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Recordar Natália Correia [1]

Imagem: Natália Correia por Artur Bual, fotografia de Gisela Cañamero, Biblioteca Municipal de Ponta Delgada

Se Natália Correia ainda estivesse entre nós, é de crer que as [des]venturas de José Sócrates teriam sido uma fonte de inspiração [praticamente] inesgotável para a poetisa. São famosas [e notáveis] as suas incursões pelo campo da poesia satírica e humorística, onde se destacam: as «Cantigas de Risadilha», publicadas no jornal humorístico «O Bisnau» em 1983; e o «Cancioneiro Joco-Marcelino», publicadas em «O Corvo», o jornal de campanha eleitoral autárquica da Coligação por Lisboa em 1989. O que é interessante [e preocupante] é a actualidade que em muitos aspectos estes poemas ainda conservam apesar de já se terem passado mais de 20 anos sobre os acontecimentos. A recordar:

Nesta Lusa farronca sem vintém

Nesta lusa farronca sem vintém,
Nesta muda que muda sem mudança,
Venha o que venha, há-de lixar-se quem
Do salsifré tiver a governança.

Quis o Caldas por Freitas dar Barbosa,
Mas de Lucas o verbo metafórico
Adriano abençoa, e a raposa
Tem nas direitas direito mais histórico

O PSD chorando o pai extinto
No Choupal crê achar líder a estalo;
Afinal só trocou pinto por pinto
E pintainho não dá cantar de galo.

Para São Bento, o Mário Triunfal
Lá em paris já encomenda os fraques;
Perde Zenha, Constâncio, etcétera e tal
Mas ganha Acácio, Simão e outros craques.

Vitalício o Cunhal manda o Vital
Das verduras purgar as loucas culpas;
Que artes de moço tão constitucional
Para afastá-lo, são boas desculpas.

Em conclusão: onde o maior partido
É o do ócio que causa inveja à lesma,
Ganhe quem ganhe, só muda o vestido
O génio de deixar tudo na mesma.

In O Bisnau, n.º2, 1983

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Lá tinha de ser...

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Última hora

Na sequência desta notícia acabaram de passar na TVI as casas que são alegadamente da autoria de José Sócrates. É fácil concluir que, a ser verdade, José Sócrates projecta casas como governa o país ou governa o país como projecta casas. Imaginem agora a fronha dos mamarrachos.

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Convidados assíduos

O Salazar e o Rei eram convidados assíduos e frequentes de lá de casa, pela hora de jantar, em tempo de vida da minha avó. O meu pai não gostava nem de um nem de outro, menos do Salazar, é certo, que arrumava a um canto ou pedia para sair, de forma a podermos ter uma refeição descansada, sem lápis azul nem a carranca austera. Acresce a isto o facto de a voz aflautada do Botas nunca ter sido do agrado de ninguém lá por casa. Por fim, o Botas arrastava-se, a queda da cadeira deu-lhe cabo das cruzes, e quando o meu pai lhe atirava com Fátima e a Irmã Lúcia e ia buscar Fátima Desmascarada à estante do corredor, vinham-lhe umas tosses cavernosas e a imagem a preto e branco contrastava ainda mais com a nossa vida a cores de meados dos anos 70. A minha avó tolerava o Botas e tinha dias de elogios rasgados. Era ela quem o convidava amiúde e as discussões mantinham-se sempre por causa das estradas que o Botas construíra, a virtude máxima encontrada e citada pela minha avó, e que, não sendo novidade para ninguém em pleno século XX, constituíam o foco de admiração profunda que nutria pelo ditador.
O Rei aparecia mais vezes do que o Salazar. O Rei aparecia quase a qualquer momento, mesmo sem o meu pai em casa, já o Botas só aparecia quando o meu pai lá estava. Acho que o Botas gostava do confronto, porque quando não era o Fátima Desmascarada, o meu pai citava-lhe trechos d´ A Velhice do Padre Eterno do Guerra Junqueiro. Não sei o que era pior. Sei que num desses duelos, Fátima Desmascarada de um lado e A Velhice do Padre Eterno do outro, o Botas começou a empalidecer até se tornar transparente e desaparecer pela janela do hall como uma serpentina de fumo. Foi um descanso o resto do jantar. O Rei aparecia, por exemplo, a meio da tarde, vindo do nada Coitado do rei! Admite-se fazer uma coisa daquelas ao rei! Coitada da rainha! Via-o lá por casa algumas vezes em amena cavaqueira com a minha avó, sempre pesarosa com a crueldade do regicídio. O meu pai não se incomodava muito com o Rei, embora o irritasse aquela mania de tratar todos por tu. O ar bonacheirão, contudo, devia inspirar-lhe confiança e como era dado aos prazeres da vida e às artes, o Sr. Dom Carlos, o meu pai achava-lhe piada e deixava-o contemplar os quadros a óleo da sala de jantar com mares e naturezas mortas. De modo que havia dias lá em casa em que a alternância entre a monarquia, - a desgraça que se abatera sobre a casa real, coitado do Rei, a rainha D. Amélia viúva e o filho assassinado- e a república na pessoa do Botas, o grande mentor das auto-estradas portuguesas, um Ferreira do Amaral dos tempos da ditadura, operava-se com uma rapidez estonteante, assim a minha avó se lembrasse de ambos. E lembrava-se muito.

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