sábado, fevereiro 09, 2008

uma casa portuguesa: NMB - no mazurka band

Primeiro, e porque suspeito que não saibam do que estou a falar, vamos a uma explicação... A mazurka é uma dança tradicional europeia, acho que originalmente polaca, dançada em grupos de pares. No entanto, nos nossos bailes, e sob fortes influências francesas, apresenta-se como uma dança de par fechado (ao estilo da valsa). Além disso, as "nossas" mazurkas, as "mazurkas portuguesas", são muitas vezes dançadas de "par colado" (numa espécie de "valsa kizombada") o que permite/incentiva uma maior entrega, sendo habitualmente vista como uma dança de sedução. São, portanto, bastante requisitadas pelo público nos bailes... Há sempre aquele/a menino/a com quem gostávamos de dançar (mais) uma mazurka, ou porque até já funcionámos bem como par, ou porque ele/ela até parece ter um modo especial de dançar, ou... - vá, admitamos! - apenas porque sim! ;)

Neste contexto, um grupo de baile que assume logo à partida não tocar mazurkas é visto um bocado de lado... Então e a proximidade e a entrega?!... Mas a filosofia dos NMB é outra! A aposta é feita na revitalização das NOSSAS músicas e danças tradionais e, portanto, nada de mazurkas! Viva o vira, a chula e o corridinho!!!

Para vós, que não fazeis ideia do que eu estou a falar, isto deve estar a começar a soar-vos às apresentações do rancho lá da terra. Não é bem isso! Está presente esse espírito, mas por dentro e por fora a forma é trabalhadada. Os bailes ganham dinâmicas diferentes - não têm de ser melhores, nem piores... são diferentes! E o grupo vale por isso mesmo, pela irreverência e ousadia de marcar a diferença - e, claro!, pela qualidade do trabalho de recolha e desconstrução das músicas. Dizem eles:
«É a ditadura dos pastoris,
integrado na intransigência característica do MRPP,
Movimento Radical Pastoril Português.»



«El Vira» deve ser a sua música mais conhecida - e é, naturalmente, um vira! (dançado de forma valseada, em quadrilhas, com trocas de lugares animadas). O vídeo acima (de Tiago Pereira) não é uma reprodução linear da tradição nem a apresentação de um baile, é, antes, um trabalho sobre a primeira, tendo em vista a segunda - digo eu! E, desta forma, se encaixa tão bem no espírito do grupo da recolha e desconstrução.


Devo dizer que o mote deste post foi o fim-de-semana à vista do Hélder... É que, depois de ver tanta sornice, não pude deixar de me lembrar que o meu fim-de-semana aparenta vir a ser um bocadinho diferente... :) Ora, a esta hora deve estar a acabar o baile de Coimbra, mas hoje ainda temos baile à tarde em Aveiro e à noite no Porto...

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