sábado, julho 30, 2011

Deleite




















LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

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terça-feira, março 22, 2011

A morte chega cedo












A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

Fernando Pessoa

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segunda-feira, março 21, 2011

DESASSOSSEGOS [RELOADED]

Quando nasceu a geração a que pertenço encontrou o mundo desprovido de apoios para quem tivesse cérebro, e ao mesmo tempo, coração. O trabalho destrutivo das gerações anteriores fizera que o mundo, para qual nascemos, não tivesse segurança que nos dar na ordem religiosa, esteio que nos dar na ordem moral, tranquilidade que nos dar na ordem política. Nascemos já em plena angústia metafísica, e plena angústia moral, em pleno desassossego político.

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

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sexta-feira, março 11, 2011

DESASSOSSEGOS [RELOADED]





















Imagem: M.C.Escher, Relativity, 1953

«Pertenço a uma geração - ou antes a uma parte de geração - que perdeu todo o respeito pelo passado e toda a crença ou esperança no futuro. Vivemos por isso do presente com a gana e fome de quem não tem outra casa. E, como é nas nossas sensações, e sobretudo nos nossos sonhos, sensações inúteis apenas, que encontramos um presente, que não lembra nem o passado nem o futuro, sorrimos à nossa vida interior e desinteressamo-nos com uma sonolência altiva da realidade quantitativa das coisas».

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego

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terça-feira, junho 10, 2008

Gaffes de Fernando Pessoa



















VIRIATO

Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memoria em nós do instincto teu.

Nação porque reincarnaste,
Povo porque resuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou.

Teu ser é como aquela fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada.

Fernando Pessoa, Mensagem

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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Fernando Pessoa ®

Francisco José Viegas dinamizou como ninguém a Casa Fernando Pessoa. Um trabalho meritório e corajoso que [coisa rara neste país] tem sido reconhecido por todos. Chegou agora a vez de Inês Pedrosa. Para fazer face às já conhecidas dificuldades financeiras com que a anterior direcção também se debateu, a escritora pretende lançar uma linha de merchandising Fernando Pessoa. Como a ideia até não me parece má de todo, aproveito para deixar aqui a minha primeira sugestão:


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