sábado, abril 12, 2008

o vitinho

Anos 80! Ah, agora já posso falar da minha boca! Então cá vai:

Está na hooora da camiiinha
Vamos lá dormiiir!...

Lembram-se?... O Vitinho é o expoente máximo dos vídeos de Boa Noite da televisão. O boneco é da Milupa mas como que ganhou vida própria com o sucesso televisivo. [Aliás, a Milupa já lhe deu uma nova imagem e eu senti-me completamente ultrajada - aquele não é o "meu" Vitinho!!!]

É certo que não vivemos todos no mesmo tempo, mas só no ano passado, em conversa de grupo, tomei consciência de que o Vitinho não é universal!!! - já há quem não faça ideia do que era o Vitinho... E, num misto de saudosismo, tristeza e autoridade informativa, lá tive eu de esclarecer a audiência... ignorante!

Eu sei que houve muitos bonecos de boas noites, mas o Vitinho é o Vitinho! Como é possível não saberem o que isso é?! Que pais desnaturados não apresentam o Vitinho às suas crianças?!


E, estava eu à procura de umas imagens para este texto, quando descobri que há uma «Comunidade Vitinho» empenhada em trazer o menino de volta para o pequeno ecrã. Assim, e ao encontro de toda esta minha indignação, corre uma petição (no meio de "milhentas") que me fez sorrir:


Apelo da "Comunidade": [vídeo 1] [vídeo 2] [vídeo 3]



E agora vou dormir, porque já deu o Vitinho... há muito tempo!

Sonhos liiindooos!
Adeeeus e até amanhããã...




[Quantas e quantas vezes eu desliguei o meu candeeiro passeando os dedos devagarinho até ao interruptor...]

imagens: retiradas do vídeo do Vitinho I

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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

as mulheres que nós amamos...

Em dia de namorados, deixo-vos o precesso de escrita da carta do velho Pires à sua amada Felismina, no tempo em que as cartas eram escritas e entregues em mão... Para quem não está situado, estou, mais uma vez, a falar dos Amigos do Gaspar... Segue, então, o diálogo e a música incluídos na faixa do CD.

Minha querida Felismina:

Bem sabes como sofre o coração deste pobre e velho marinheiro por não conhecer a correspondência do teu amor.

O amor, Felismina, o amor quando nos toca é como se tocasse um sino, um hino, [sei lá] o trino de um alegre passarinho. Felismina, eu quero voar para o teu ninho [esta está boa: «voar para o teu ninho»!] e fazer o pino [«fazer o pino»?! pronto, faço o pino! Felismina, as coisas a que o amor nos sujeita; por ti, fazia o pino...] Já não sei, que desatino. Mas que hei-de eu fazer? Felismina, o amor é um furação desgovernando a minha embarcação.

Felismina, abranda a tua tempestade e manda-me uma brisazinha para atiçar as brasas em que vive o meu coração.

Pires

- E pronto! Agora vocemecê leva-me esta cartinha ali à loja da Felismina e diga-lhe que vai de meu mando, está bem?...

- Olhe Sr. Pires, eu levo, mas não me meta em trabalhos, está bem?...

- O'm'essa, homem! Claro que não! Então aquela Felismina é uma mulher de categoria, de categoria! Percebeu?

- Ai isso acredito, mas deixe-me que lhe diga uma coisa: as mulheres que nós amamos são sempre mulheres de categoria.

- Está certo! Está certo! Ah, Felismina, Felismina, mulher da minha alma...

Ai, o amor quando nos toca
é como se tocasse um sino,
um hino, um trino
de um alegre passarinho

Vou voar para o teu ninho
vou tentar fazer o pino
vou ser bailarino
argentino, desatino

Mas que hei-de eu fazer?
O amor é um furacão
desgovernando
a minha embarcação

Sérgio Godinho (musicado por Jorge Constante Pereira),
"A Paixão do Velho Pires, o Marinheiro" (1988)

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quinta-feira, janeiro 10, 2008

é tão bom...

Hoje de manhã, em mais uma saída apressada da cama, uma música fez-me parar e ficar a ouvir, saltitando (mentalmente) numa alegria esfusiante - tendo em conta a hora matinal...




Enquanto vocês andavam a começar a pensar em protestos e manifestações eu ainda estava aconchegadinha no sofá a ver na televisão "Os amigos do Gaspar". Era uma série portuguesa de bonecos manipulados e o Gaspar era... um rapaz que tinha muitos amigos. O Manjerico - pois claro... ó-tói-ó-sói-ó-toi-ó - o Farturas, a Marta, o Romão, mais a D. Felismina da loja, o Pires marinheiro e o insubstuível... insubstutível... insubstituível - ou ixo! ou ixo! - Guarda Serôdio.

A banda sonora ficou a cargo de Sérgio Godinho e Jorge Constante Pereira e faz parte ainda dos vinis cá da casa. Há uns anos, num concerto intimista na Câmara de Matosinhos, ouvi, pela primeira vez, este "É tão bom" ao vivo... Foi assim como um pequeno mimo para aquela faixa em torno dos 25 anos - para mim, portanto. Bem... se calhar não era só para mim, mas o inesperado tocou-me como se pessoalmente me fosse dedicado.

Desde então já ouvi mais algumas vezes esse tema ao vivo e hoje de manhã, como disse, apanhou-me de surpresa na rádio! E o móbil radiofónico foi a apresentação de um novo trabalho de Sérgio Godinho, "ao vivo" (gravado no Maria Matos). Não sou grande fã de álbuns ao vivo, mas já me disseram que este vale a pena... Sai lá mais para o fim do mês. Venha ele!

É tão bom uma amizade assim
Ai, faz tão bem saber com quem contar
Eu quero ir ver quem me quer assim
É bom para mim e é bom para quem tão me quer

Sérgio Godinho/musicado por Jorge Constante Pereira,
"É tão bom" (1988, in "Os Amigos do Gaspar")

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sexta-feira, novembro 09, 2007

hoje, no Porto...

Saber "o que é feito do antigo colega de carteira", sentir os anos que passaram pela sala de aula que se conheceu de cor, voltar a entrar no café "Piolho" e noutros espaços habituais da vida académica, são alguns dos objectivos deste 1º Encontro/Festa de Antigos Alunos. [UP, newsletter]

Não sei bem há quanto tempo não vão ao edifício da Praça Gomes Teixeira (Porto), vulgo, Leões. O edifício albergou a antiga Academia Politécnica que deu origem às Faculdades de Ciências (tendo sido o seu edifício central durante muitos anos) e de Engenharia. Mas, se lá vão procurar as salas de aula de outrora, desenganem-se... Tudo (ou muito) foi fortemente remodelado de forma a receber os serviços da Reitoria. Anfiteatros destruídos, deram lugar salas de reunião e escritórios, tudo muito cheio de cabos de rede que agora passeiam assumidamente os tectos dos corredores. Isso não tem de ser mau... Mas eu fui acompanhando algumas das obras e, ver as cadeiras da LW (sala Louis Woodhouse) amontoadas, estilo lixeira, ou os seus seis quadros encostados a um canto, trouxe-me uma nostalgiazinha... A minha primeira aula!...

Quanto ao "Piolho" (de seu nome Café Âncora d'Ouro) foi durante muitos anos lugar de tertúlias de outros tempos e o ponto de encontro quase obrigatório dos estudantes. Sem dúvida, um símbolo da tradição académica portuense. Mas "O Piolho" também mudou... Mais arejado, mais luminoso, com casas de banho novas!!! Cresceu o número de placas de homenagem e comemoração de cursos passados. Mas continuam as pequenas mesas e cadeiras alinhadas sem espaço de circulação :)

E, no meio de tanta divagação, acho que me perdi... Ora bem, hoje, no Porto, na Praça Gomes Teixeira, das 18h às 24h:



cartaz

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sábado, outubro 20, 2007

queeero ficar sempre estudaaante...

... Não coleccionei amores levados pelo vento, nem alimentei corações caprichosos, mas os anos de Faculdade deixam, sem dúvida, saudades... Confesso que me faz um bocado de confusão quem, passando por aqueles cinco anos, só tenha memórias insignificantes e se sinta profundamente aliviado por já não ter de pôr os pés naqueles corredores. Eu até aulas e exames guardo num cantinho especial! Mas, para além disso, há os bancos, o bar - o bar! as natas do bar! - as cantinas, os intervalos, as suecas, as esperas, os estudos, as fotocópias, as partilhas, as ansiedades, as alegrias, as tristezas, os comboios, os autocarros, os atrasos, as boleias... Sei lá! E estou a passar por cima de muita coisa... As praxes, as queimas, o traje, os grupos académicos,... Coisas boas e coisas más, mas com um balanço claramente positivo! Custa-me perceber quem não tenha nem um bocadinho de saudades... Quem não queira ficar sempre estudante... Quem sequer sorria com a ideia de eternizar a ilusão de um instante...

E agora deu-me para isto, porque nesta noite fui ver o FITU - Festival Internacional de Tunas Universitárias "Cidade do Porto"... E houve qualquer coisa que me fez levantar durante o "Amores de Estudante" final, em postura de hino, de respeito e de... partilha... - ainda que uma partilha muito egocêntrica, de mim para comigo, de memórias carinhosamente guardadas...

O Festival continua hoje (sábado), depois das 20h30, no Coliseu do Porto.

imagem

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terça-feira, outubro 09, 2007

cartas daquelas...

Ontem tive de ir aos correios e, enquanto esperava que chegasse a minha vez, li num cartaz que 9 de Outubro é o Dia Mundial dos Correios. Fiquei a pensar... Há quanto tempo não escrevo uma carta?... Daquelas em folhas de papel, com uma caneta e uma letra bonita... Daquelas que se dobravam cuidadosamente para dentro de um envelope... Daquelas em que se colavam selos e se levavam aos marcos vermelhos antes do último levantamento... Daquelas que nos deixavam dias ou meses à espera de uma resposta... Daquelas que dava gosto receber e que nos faziam pousar o resto do correio para ir ler para o sofá... Daqui a uns tempos ninguém sabe o que isso é!... Agora, enviar e receber uma mensagem para o vizinho ou para o outro lado do mundo demora apenas um instante. A comunicação intensificou-se, generalizou-se... vulgarizou-se. Não se escreve um mail como se escrevia uma carta... Ou escreve?...

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terça-feira, setembro 11, 2007

Estou a ouvir a Tuna Académica da Faculdade de Economia do Porto

E o meu coração estudantil salta que nem um adoidado, empanturrado de vivacidade e energia.

Tenho pena de não ter pertencido a uma Tuna Académica, a música sempre fez questão de agasalhar a minha vida.

Algumas pessoas, que também foram estudantes, ofendem-se com o comportamento actual dos seus discípulos, descompondo as suas expressões levemente sérias, um ramalhete gestualmente agradável.

São, normalmente, empregados bancários, funcionários públicos ou trabalhadores aficionados de empresas privadas, umas em "Ascenção" outras em declínio.

Na terça-feira da Queima, murmuram, em pleno desfile, com o tal ar um nadinha sério:

- É uma pouca-vergonha, chegam à baixa todos bêbados, sujos e nada refinados.

- É uma tristeza, e vão ser estas almas o futuro deste país.

- No nosso tempo é que era, nós tínhamos ideologias, lutávamos por um mundo melhor.

- Ó pá, dá aí uma cerveja! (O "pá" faz-lhe um manguito) Já viram a falta de educação deste filho da mãe?

- É pá olha p'rós mamilos daquela rapariga!

Sinceramente, no tempo em que eu era estudante os espectadores mimavam-nos com expressões bastante mais desumanas.

Mas anuem os meus colegas de carteira:

Ah, mas os estudantes comportavam-se de forma muito mais eucarística.

Sim, é verdade, também íamos à missa e pelos mesmos motivos.

Qualquer Tuna me ofende ao ponto de inesperadas lágrimas de jacaré soltarem o seu pesar.

Jamais a vida será tão esfuziante, tresloucada e repleta de ocasiões! - exclamam, mas ligeiramente embezerradas.

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