quarta-feira, julho 30, 2008

Mariza no Portugal Profundo

Já há algum tempo que não assistia a um concerto (olá Cristina!).

A música sempre fez parte da minha vida, sempre senti curiosidade (na adolescência mais que agora, o tempo é outro) em saber quem anda a fazer o quê, postura essencial para nos mantermos actualizados seja em que domínio for.

Há dias surgiu um convite irresistível para assistir a um concerto de Mariza, no âmbito da tournée Terra, patrocinada pela Caixa Geral de Depósitos, e lá fui eu.

Notas sobre o concerto:

- se os números da organização forem verdadeiros encontravam-se no recinto 60.000 pessoas;

- a Mariza que eu vi era uma formiga bem acompanhada e arranjada;

- as pessoas que me rodeavam? Lisboetas que estavam de férias na província, entre outros, e uma adolescente algo irritante que levou grande parte do concerto a tecer considerações altamente “qualificadas” acerca da actividade fadista.

- o alinhamento musical da tourné privilegiou essencialmente músicas mais antigas.

- destacaram-se os temas: “Nem às paredes confesso” (com o público a acompanhar); “Ó Gente na Minha Terra” (a cantar no meio do público); “Rosa Branca” (acompanhamento do público); “Barco Negro” (extraordinária), “Diga lá ó Senhor Vinho”, “Feira de Castro” (ambas um exercício de alegria e vivacidade).

- nota negativa: o exagero do timbre no “Fado Primavera”. Os ahhhhs intermináveis pretendem revelar perícia vocal, mas tornam-se maçadores.

- Mariza aprendeu com Amália que um artista para ser verdadeiramente popular precisa de cantar para o povo profundo, daí que o folclore deva fazer parte do alinhamento (Feira de Castro e Diga lá ó senhor vinho – lá estavam). Talvez a razão de ser da sua popularidade também resida nesta postura, mas também porque é das poucas fadistas da nova geração cuja digressão contempla as feiras comerciais/industriais do país.

Já há muito tempo que não estava cerca de uma hora e meia a ouvir alguém cantar, no meio de tanta gente e com tanto gosto.

Pelo facto de me teres seduzido a sair do casulo: Bem-hajas Mariza!

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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Parabéns Carlos

Carlos do Carmo recebeu ontem à noite o Prémio Goya para Melhor Canção Original. Quem disse que os espanhóis não gostam da língua portuguesa?

Foto daqui

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segunda-feira, janeiro 28, 2008

Reconhecimentos

Para os que me acusam de andar sempre a dizer que só estou bem a gozar com o mundo e arredores aqui deixo a resposta: Têm toda a razão!
Mas... há sempre um raio de um mas... Não podia deixar de colocar uma farda mais séria para escrever sobre isto.
Carlos do Carmo é um dos candidatos nomeados aos prémios Goya, na categoria de melhor canção original. O «Fado da Saudade», que consta da banda-sonora do filme «Fados», realizado por Carlos Saura foi o escolhido. A cerimónia vai decorrer em Madrid, no próximo dia 3 de Fevereiro.
Razões pelas quais Carlos do Carmo deve receber este prémio? Todas: uma carreira ímpar, uma voz como já há poucas e uma modernidade impressionante. A película do cineasta espanhol contou ainda com participações sublimes de artistas menos próximos da área do fado como o caso de Caetano Veloso e Chico Buarque, bem como as interpretações pungentes de Camané e Mariza.
Num ano excepcional, mais um, na carreira de Carlos do Carmo, o álbum de originais «À Noite», é pura e simplesmente delicioso. O fado é grande parte da nossa cultura e ver Carlos do Carmo reconhecido em Espanha é uma boa forma de começar a semana.

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