domingo, agosto 31, 2008

e dança!...

Ontem à noite (em dia de clássico!) a marginal de Matosinhos encheu-se de gente para ver Joaquín Cortés ao vivo gratuitamente. Nunca tinha estado num espectáculo do senhor. Já tinha ouvido dizer muito bem, já tinha ouvido dizer muito mal... Portanto, gratuito aqui ao lado é um bom pretexto para um tira teimas. O "muito mal" prendia-se essencialmente com o facto de o senhor passar um espectáculo inteiro quase sem dançar, enfatizando as apresentações musicais do grupo. Logo, fui já psicologicamente preparada para a eventualidade de não ver dança. Mas não! Os músicos tocaram e cantaram, as apresentações de palco e o jogo de luzes estavam cuidadosamente escolhidas e o senhor esteve presente, bem presente e dançou! Foi muito bom! Já em casa, depois de andar à procura de imagens, tenho pena de não termos tido direito à primeira parte do espectáculo, mais introspectiva e com linguagem mais contemporânea... - achei-a hoje no youtube: [mi soledad 1] [mi soledad 2]. Além disso, teria sido melhor num auditório, apreciado com uma serenidade não permitida no "ao vivo na rua no meio da multidão", mas valeu a pena, sem dúvida.
Abre-se o pano vermelho. Uma concertina divertida a solo, a lembrar-me Danças Ocultas. Ilumina-se mais um pouco o palco e soam as cordas, com um cheirinho a qualquer coisa que não sei bem o quê. Juntam-se as vozes já no registo cigano e também as palmas, as guitarras e as precursões. E, passados alguns minutos entra Cortés... Movimentos lentos e cativantes ou rápidos e enérgicos, mas sempre fortes na presença de quem sente aquilo que dança.

Estávamos longe, apenas com uns vislumbres de umas cabeças e uns braços lá no fundo. Optámos, então, por seguir o caminho de muitos que viravam costas ao palco rumando ainda mais para trás. O ecran gigante colocado a meio da praça permitia ver caras, expressões e trabalho de pés. Cortés ao vivo sem lhe ver o "sapateado" não era um espectáculo completo. Ali ficamos, portanto, com os grande planos do ecran e a visão distante de um todo no palco. O editor de imagem divertiu-se bastante com as mudanças de planos dos pés ao ritmo da música, criando-me até uma espécie de tonturas com tanta movimentação. Os pés do senhor são importantes, mas o resto também! Flamenco não é só sapateado, é postura, controlo de braços, presença forte! E, apesar de nem sempre o editor se aperceber, tudo isso esteve em palco ontem à noite.
Ah, e as caras lindas e corpinhos bem feitos não fazem só cinema e desporto... também dançam!


imagens (1) (2) (3)

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WALL-E

A informação maciça num determinado sentido é lida por uma escola da economia (Escola Austríaca, Hayek,...), como uma oportunidade de negócio, não sendo de todo descartável pelo empresário criativo, o qual deve estar atento aos fenómenos sociais (big bang social).
Até aqui nada em contrário.
Tal teoria económica poderá tornar-se um problema político-social-económico quando, os empresários criativos, assumindo esta perspectiva como matriz convertem esta ideia numa deslealdade concorrencial (quando são donos de impérios da comunicação com ligações a outros ramos de negócios, por exemplo).
O que podemos aprender com os economistas liberais/neoliberais?
Na sociedade não se movimentam seres humanos, homens e mulheres de carne e osso, afinal movimentam-se potenciais clientes de futuros produtos.
Contudo, a sociedade actual não deixa de ser uma caixinha de surpresas para qualquer forma de determinismo/dogmatismo.
É que, por vezes, o homem abstracto (consumidor) é um ser dado a humores, interesses e emoções(*), o que é uma redundante chatice. E, por vezes, a produção maciça de informação desencadeia o inverso do que se pretende. O ser humano não é, graças a Deus, assim tão imprevisível.
Contudo, a nossa responsabilidade pelo futuro das próximas gerações exigem-nos uma vigilância constante, principalmente e relativamente a quem pretende transformar o homem comum num homem abstracto.
É por tudo isto e por nada disto que WALL-E é imperdível.

(*) - o discurso apologético da Inteligência Emocional deverá ser, por isto, questionado, problematizado, criticado. A sua utilização poderá ser desencadear uma leitura totalitária/autoritária: cada um, no seu cantinho, não chateando muito, tudo numa onda: afinal até somos muito democráticos. Ao contrário do que nós pensamos a democracia não é, de todo, um dado adquirido.


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sábado, agosto 30, 2008

Privacidade

Para quem não está nada de acordo com SIEV, Sistema Electrónico de Identificação de Veículos, isto é, pela implementação de chips nas viaturas, pode sempre passar por aqui e assinar a petição. Pode ser que, tal como sucedeu com a TLEBS, venha dos cidadãos o golpe de misericórdia a esta medida completamente invasiva da privacidade.

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sexta-feira, agosto 29, 2008

Fotos geniais [6]

Andy Warhol at 303, NYC, 1965-1967, Stephen Shore

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quinta-feira, agosto 28, 2008

Mass media e políticas públicas

É interessante um certo olhar sobre a influência dos media na adopção de determinadas políticas públicas e o papel que, cada vez mais, desempenham os blogues nesta questão.
No final dos anos oitenta inícios de 90, lembro-me de alguns verões escaldantes e da preponderância de notícias sobre incêndios. Com alguma ironia alguns jornalistas segredavam-me: é pá nós andamos à procura dos incêndios como pão para a boca.
Como todos sabemos no Verão não acontece nada de relevante, os portugueses estão de férias ora com um orçamento limitado a 1.000 eur (já não falando dos que se limitam aos 500) e outros a 5.000 por dia.
Entre uns e outros a única diferença é que ambos são representantes de um ser que alguém dominou um dia humano.
O ser humano de férias observa as letras garrafais dos jornais neoliberais, conservadores, sociais democratas (há jornais socialistas em Portugal? para além dos inevitáveis?), indigna-se o tempo suficiente para um debate aceso com os amigos com quem resolveu partilhar as férias, despeja o fel suficiente para se sentir em paz com a consciência, corre alegremente até à onda tal e rapidamente se estende na areia a ler o record, a bola ou o correio da manhã.
Entretanto as notícias alarmantes sobre os crimes, violência urbana e assaltos estilo James Bond, ficam para a sociedade como case study e com multiplas direcções, entre as quais:
- a quem interessa a difusão maciça de crimes e de violência?
- que tipo de ideologias se encontram por detrás dos grandes impérios de comunicação social?
- de que forma irão influenciar a rentrée política?

Provavelmente depois de termos desgastado as pestanas em anos de estudo chegaremos à conclusão de que tudo não passou de uma certa ideia (des)concertada e de uma grande dose de contingência, as que harmonizam as seguintes variáveis: a luta pela medalha de ouro no podium, que é como quem diz os zeros na caixa registadora, e a rentrée política.

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quarta-feira, agosto 27, 2008

Questão do dia

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sexta-feira, agosto 22, 2008

Um de Abril em pleno Agosto

Quando inquiridos sobre as profissões que merecem mais confiança, os portugueses afirmaram confiar nos professores do 1º Ciclo do Ensino Básico e nos do Secundário, logo a seguir aos bombeiros e carteiros. Quem havia de dizer.

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Do mal o menos

Do mal o menos. Sempre. É um das máximas da minha vida, uma das que me leva a não prolongar tudo o que é doloroso e a tentar acabar o mais depressa possível com a mágoa e o desgosto, deus sabe quanto a dor perdura sem que contra ela nada possamos fazer. Assim sendo, não consigo entender de forma alguma as razões encontradas pelo Presidente da República para vetar a lei do divórcio. Diz ele que “é no mínimo singular que um cônjuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei – por exemplo, uma situação de violência doméstica - possa de forma unilateral e sem mais obter o divórcio”. Se eu levasse na cara do meu cônjuge até agradecia que ele pedisse o divórcio, caso não o tivesse feito eu mesma, duvidoso, improvável e inacreditável, e que tudo chegasse ao fim da forma mais rápida e indolor possível, sem assumpção de culpas, a Igreja Católica já imputa culpas suficientes aos seus crentes. E como hoje estou em dia de expressões idiomáticas ou provérbios, diria ainda que "It takes two to tango”, logo se um não quer dançar é razão mais do que suficiente, quiçá a mais importante, para a porta se abrir e se terminar ali mesmo o tango efabulado, unilateralmente, pois claro. O desamor da separação afectiva e o desmoronar de uma vida a dois são suficientemente dolorosos, dispensam-se leis que o tornem ainda mais sacrificial, penoso, constrangedor. Do mal o menos, obviamente.

imagem: Edward Monkton

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quinta-feira, agosto 21, 2008

O nosso Campeão

Parabéns Nelson!

imagem daqui

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¿Por que no te callas?

Mário Lino, o profeta do Jamé, afirmou hoje acerca do acidente aéreo em Barajas que Um acidente como este que ocorreu em Madrid apenas chama a atenção para uma coisa que já se sabia: a localização de um aeroporto dentro de uma cidade, de uma zona urbana, tem riscos que não deviam ser corridos. Gente solidária é o que se quer. As mais de cento e cinquenta vítimas que pereceram no acidente quando partiam para férias não contam, naturalmente, aeroportos em zonas urbanas são um problema. E se fossem fazer política para outro lado?

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O Português Voador

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Portugal me encanta!


Especialmente o Continente. Não o rectângulo propriamente dito. Refiro-me mesmo ao hiper-mercado.
A minha parte favorita das férias é aquela em que mando a praia às urtigas e arranco sozinha para o Continente mais próximo para matar saudades dos bons-velhos tempos, em que tinha bons hiper-mercados à mão. Em Bruxelas não há nada parecido.
Gosto dos corredores largos e iluminados, do ar limpo e novo das prateleiras, como se tivessem sido acabadinhas de estrear e gosto, acima de tudo, da variedade da oferta. Gosto de ficar vinte minutos a decidir que gel de banho hei-de comprar, outros dez a escolher a escova de dentes mais gira, mais quinze a cheirar champôs, outros tantos até escolher a cor das tampas das caixas de plástico para levar a fruta para a praia e pelo menos dois a admirar a montra da pastelaria.
O Continente é encantador. Devia fazer parte dos guias turísticos portugueses.

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quarta-feira, agosto 20, 2008

Dislates

A participação portuguesa nos jogos olímpicos revestiu-se, até agora, de alguns episódios pitorescos.
Ressalvo as declarações do responsável da delegação portuguesa, revelando, infelizmente, incapacidade para ocupar um cargo de chefia. Chefiar pessoas exige capacidade técnica e capacidade humana. Pressupor que uma equipa adivinha as regras de um dirigente é campo aberto para largos malentendidos, obscurantismo e declarações autoritárias escusadas.
Um chefe não se impõe por declarações mas sim por actos, este é, aliás, um dos grandes problemas da gestão de pessoas.

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a lonely number like root three...

Fui ao cinema: Harold and Kumar 2 - uma comédia... (eu ia dizer "parva", mas não sei se deva). A dupla de amigos (de ascendência coreana e indiana) percorre ao longo do filme as mais variadas discriminações minoritárias, acompanhadas das idiotices do (?típico?) agente americano. Não é um filme sobre o qual eu viria aqui escrever, não fora o poema recitado por uma das personagens...

I fear that I will always be
A lonely number like root three

A three is all that's good and right,
Why must my three keep out of sight
Beneath a vicious square root sign,

I wish instead I were a nine
For nine could thwart this evil trick,
with just some quick arithmetic

I know I'll never see the sun, as 1.7321
Such is my reality, a sad irrationality

When hark! What is this I see,
Another square root of a three
Has quietly come waltzing by,

Together now we multiply
To form a number we prefer,
Rejoicing as an integer

We break free from our mortal bonds
And with a wave of magic wands

Our square root signs become unglued
And love for me has been renewed.

[David Feinberg, The Square Root of Three]


Não sei se apreciaram, mas eu achei delicioso!

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terça-feira, agosto 19, 2008

Portugal me mata!


Não há margem para enganos. Sei que cá estou quando num mero sms de uma informal relação contratual privada se dão ao lustro de me tratar por doutora. Oh, terra do formalismo, da fachada e da vénia da treta!
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segunda-feira, agosto 18, 2008

Sugestões de Leitura

"Desporto Olímpico", de Francisco José Viegas, no A Origem das Espécies;
"Nós e a Europa", de CAA, no Blasfémias;
"Nós é que agradecemos", de Daniel Oliveira, no Arrastão;
"Dignidade", de Francisco Almeida Leite, no Corta-Fitas;
"O Anti-Clímax", de Eduardo Pitta, no Da Literatura;
"Crestomatia de frases características da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos (cont.)", de Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada;
"A ficcionalização da morte em directo", de Miguel Poiares Maduro, no Geração de 60.

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domingo, agosto 17, 2008

O que é que o baiano tinha



Dorival Caymmi
1914 - 2008
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De como tudo é relativo

Em Lisboa, alguém fabrica algo a que chama o melhor bolo de chocolate do mundo.
É um bolo redondo e baixinho que exibe em cima, ao centro, uma moedinha de chocolate branco com letras castanhas a dizer o melhor bolo de chocolate do mundo.
Após prová-lo, ficou para mim evidente que quem decidiu chamar-lhe este nome acha que o mundo vai da rua onde mora até à rua da fábrica dos bolos. Em curta linha recta.
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sábado, agosto 16, 2008

Actualização automática de periocidade anual

Agosto
Há coisas que já são típicas do mês de Agosto português. Por mais que os governos mudem, que o tempo pregue partidas ou que a conjuntura seja adversa, o país será sempre invadido por turistas e emigrantes, os jornais publicarão os seus questionários e as fotos dos políticos a banhos em calção - o que era bem dispensável -, as cidades apresentam-se desertas e as praias cheias, as televisões transmitem os seus programas à beira-mar com artistas de gosto duvidoso, a blogosfera publica meio post por dia, os cronistas dizem mal da silly season porque esta não lhes dá temas fracturantes para opinar, há sempre uma banda de um país estranho que lança o hit de Verão e que nunca mais se ouve falar dela, as livrarias começam a preparar o regresso às aulas e, mais certo do que eu me chamar Carlos, em Agosto o Sporting ganha a Supertaça. Há coisas que nunca mudam.

Publicado originalmente a 12/08/2007

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quinta-feira, agosto 14, 2008

Neoliberalismo e educação

Quando o neoliberalismo assentou arraiais na UE (a partir dos anos 80) e em alguns organismos transnacionais de referência (OCDE, UNESCO) o panorama educacional na Europa era qualquer coisa como:

- Norte da Europa com a esmagadora maioria da população alfabetizada e educada, sem taxa de analfabetismo, salvo erro desde o início do século XX.
- Portugal, com a esmagadora maioria da população com défices de educação e com analfabetismo, a taxa actual de analfabetos em Portugal é de cerca de 8% (como os analfabetos já possuem uma determinada idade, quando morrerem acaba-se o analfabetismo, é uma solução a longo prazo, mas eficaz, passe o cinismo).

O discurso neoliberal na área da educação é simples:
- aprendizagem ao longo da vida porque precisamos de ter competências para competir, adaptarmo-nos ao mercado, enfim, às necessidades da economia.
- discursos educativos em prole do empreendedorismo, flexibilidade, adaptabilidade, eficiência, eficácia, tendo em vista uma Europa desenvolvida, uma sociedade da informação, do conhecimento,...

Tudo isto perante o panorama aflitivo da escola de massas, desautorização dos profissionais da educação, pressões políticas sobre a quantidade em detrimento da qualidade (aliás o discurso da ministra sobre o preço dos retidos, vai nesse sentido), falta de preparação de profissionais da educação, sistema burocratizado, heterogeneidade dos educandos, entre outras, transformam a educação num campo de batalha propício a discursos superficiais e fazedores de opiniões que contribuem para o desgaste da escola pública e do aparecimento de soluções milagrosas (a apologia do privado, a apologia de métodos de ensino ultrapassados, etc.).

As normas políticas transnacionais, discorrem em prole da eficiência, eficácia, adaptabilidade, adaptam-se (e mal) a um contexto de Norte da Europa, onde a sociedade civil está suficientemente informada e combativa para fazer face a normativos que impelem os seus filhos a transformarem-se nos novos servos: os lacaios da economia.

Um sistema educativo não fornece mão de obra fabricada às necessidades da economia.

Um sistema educativo deveria fornecer seres humanos educados, críticos, combativos, donos do seu destino e orgulhosos da sua cultura e do seu país.

Não lacaios, servos, seres humanos adaptados às necessidades de qualquer discurso político-económico-social de circunstância, em prole de interesses organizados e cíclicos, sejam elas quais forem.

Um país com 8% de analfabetos, não sei quantos por cento de analfabetos funcionais, com uma taxa de iliteracia elevada adapta-se, compete, é eficiente com que almofada crítica? Anda à mercê de que interesses? Como se defende dos interesses culturais dos outros? Como se defende dos discursos a favor de uma determinada cidadania, estilo de vida, norma cultural?

Daí que quando um político começa a importar ideias que já estão a ser postas em causa na Europa e no mundo em geral, vejam-se os trabalhos de Anthony Giddens, Zygmunt Bauman, Richard Sennett, entre outros, me ocorra amiúde a velha máxima de Cícero: "A verdadeira liberalidade consiste em dar com acerto".

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se perguntarem por mim...

[site]

... eu hei-de voltar...
É só deixarem passar este festim de festivais e eu volto a assentar arraiais.


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Reflexões a meio dos Jogos (II)

Na modalidade «menos 58kgs», a campeã olímpica de halterofilismo levanta mais quilos do que o campeão português da categoria «menos 110kgs» Metade do peso, o dobro da eficácia.

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Reflexões a meio dos Jogos (I)

O Togo, essa potência desportiva, tem mais medalhas do que Portugal: uma.

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quarta-feira, agosto 13, 2008

andanças 2008 [I]


Tenho umas coisas para dizer, mas isso vai ficar para depois [pois outros festivais se me atravessam no caminho!]. Para já, ficam com um pequeno vídeo do Tiago Pereira que, acompanhando B Fachada na sua música, dá um pequeno passeio visual pelos cantinhos andanças com uma incursão sonora descontraida/reflexiva pela importância da tradição/variação.

nestes dias tive tempo para pensar
se a tradição estará mesmo para acabar
e cheguei à conclusão fundamental
que nesta história da canção tradicional
é bonito ouvi-la vir de alheia mão
mas mais bonito é vir do próprio coração
se depois tem de resultar num bem comum
isso não nos pode pôr problema algum
que o colectivo que há em cada um de nós
não tem, porra, apenas uma voz

e ouvir o bem comum de outra gente

que deixa o antropólogo louco de contente

que por nascer das veias da comunidade

para nós é música e para eles identidade

e porque vejo que saber gostar de ouvir

é diferente de lembrar e produzir
perguntei ao sangue pela minha tradição
o sangue respondeu-me esta canção...
[B Fachada, 2008]

espaços andanças: bar farturas / relvado / espaço paralelas / tenda6 / bar / pauliteiros / tenda2 / bar / instrumentos / entrada campo / mural / tenda7 / relvado / palco alto / cantina / igreja / cantina entrada / wc / bombeiros / camping / horta / estufa / wc

foto: minha

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Coisas para se discutirem lá mais para Setembro

As políticas têm de se adaptar ao país que pretendem servir. Não são os países que têm de se moldar às políticas. Não duvido que Pedro Passos Coelho será um dia um bom dirigente do PSD, mas por enquanto ainda tem de gizar o seu programa liberal por forma a que ele encaixe num país com dois milhões de pobres, sendo esta população essencialmente constituída por idosos que já não poderão beneficiar de um programa com essa ideologia. Confesso que as ideias bem arrumadas, a comunicação ágil e a boa estrutura do programa me surpreenderam. Mas falta algo.
Os políticos têm de se adaptar às sociedades. Não são as sociedades que se têm de moldar aos políticos. Manuela Ferreira Leite tem de ter o seu tempo. E tem toda a razão em dizer que quem deve apresentar soluções é o Governo em exercício. Mas era bom que em Setembro, no limite, dissesse o que pretende fazer de diferente. E, uma vez mais o mesmo problema, era bom que percebesse que por vezes o balancete é menos importante que a sociedade que pretende governar. Ou seja, que tome rapidamente a consciência que lidera um partido social-democrata no tal país dos dois milhões de pobres e do meio milhão de desempregados. Tem atrás de si, ao contrário do querem fazer crer, obra feita nas Finanças e, a nível profissional, um currículo de fazer inveja. Mas falta algo.
Cavaco Silva foi o mais liberal na economia e, nas contas, o mais rigoroso PM que tivemos desde o 25 de Abril. Porém, isso não lhe impediu de tomar uma medida anti-liberal e nada de acordo com as restrições financeiras que o OE lhe impunha: introduziu o subsídio de Férias e de Natal para os pensionistas. Quando em Julho receberam a dobrar, poucos terão sido aqueles que se lembraram que esta foi uma medida que actual PR implementou. Mas que é representativa daquilo que falta a Pedro Passos Coelho e a Manuela Ferreira Leite: a noção de País e de Sociedade que Cavaco tinha e tem de Portugal.

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terça-feira, agosto 12, 2008

É a vida

Nalguns países, os cidadãos abrem o jornal e conferem o quadro de medalhas; noutros o quadro de desistências - o tipo de colheita é sempre ditado por aquilo que [não] se investiu no desporto.

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segunda-feira, agosto 11, 2008

Habemos Punk

Só o nome é um tratado: Dapunksportif. Dois amigos de Peniche, no sentido real e não figurado, são os elementos que criaram e constituem esta banda de rock, com o segundo álbum de inéditos já cá fora e com um sentido de identidade fora de comum. E isso é o melhor dos Dapunksportif. Podem ouvir-se cinquenta bandas que reconhecemos o som deles. Já abriram para os Xutos e já fizeram um Superbock Superock. Sabem trabalhar as guitarras, sujar-lhe o som. A parte lírica do projecto é sempre bem tratada: se o nome é uma invenção magnífica, o título do segundo álbum não lhe fica atrás: Electro Tube Riot. É muito bom ouvir uma banda recém chegada com esta maturidade, este conceito, este som. Nota-se ali Queens of the Stone Age, nota-se um punk mais elaborado, pode ouvir-se um pouco de Muse, pode até notar-se um pouco de Dave Mustaine, dos Megadeth, nos vocais da canção que fica aí em baixo de amostra, mas todo o conjunto sabe que caminha para um único som - o dos Dapunksportif.

FRIENDS (COME AND GO)


Página da banda

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domingo, agosto 10, 2008

Fotos geniais [5]

René Magritte, Bruxelas, 1967, Lothar Wolleh

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sábado, agosto 09, 2008

Balada para uma tarde de Verão

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Fotos Geniais

Ao André, pela série "fotos geniais"

«Mas só me lembro do silêncio, o silêncio do horror total. Para ser mais exacto, o silêncio da fotografia, porque era essa a minha profissão e como é natural foi a ela que eu recorri logo que começou o tremor de terra. Todos os meus pensamentos foram para os quadradrinhos de película que iam passando através das minhas velhas máquinas, Voigtländer-Leica-Pentax, para as formas e cores que elas iam registando devido às variações de movimentos e acontecimentos e, claro está, ao talento ou falta dele com que eu conseguia apontar a lente na direcção boa ou má e no momento certo ou errado. Ali se fixava o silêncio eterno de caras, corpos, animais e da própria natureza, apanhados pela minha máquina, sim, mas também pelo pavor do imprevisível e pela angústia da morte. (...) Uma fotografia é uma decisão moral tomada num oitavo de segundo, ou dezasseis avos, ou num centésimo vigésimo oitavo. É mais rápido do que um estalar de dedos. A meio caminho entre a testemunha e voyeur, entre o artista e canalha, é aí que eu vivo, incessantemente fazendo escolhas, de um momento para o outro
Salman Rushdie, O chão que ela pisa

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sexta-feira, agosto 08, 2008

Gosto cada vez mais desta mulher

Sei pelo Pedro Correia que perante o convite para comparecer na cerimónia de abertura dos Jogos Olimpicios, Angela Merkl mandou dizer que estava de férias. Peço desculpa pelo entusiasmo, mas isto é a melhor mensagem que um político livre pode mandar a ditadores e lambe-botas dos ditos: eu vou onde quiser, quando quiser e agradecia que enquanto estiver de férias, um direito que deviam dar aos vossos escravos, perdão, cidadãos, não me chateassem muito com assuntos do trabalho. Ah, e não me preocupa perder uns contratos económicos. Existissem mais homens assim...

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quinta-feira, agosto 07, 2008

Cobrar imposto ao Estado

Segundo esta notícia, a Galp não lucrou com o aumento do petróleo. Para além do óbvio embaraço em que ficam os criadores de emails em cadeia a pedir o boicote à petrolífera nacional e os promotores da iniciativa de não abastecimento das viaturas na Galp durante três dias, existe ainda uma outra entidade que não sai nada bem vista neste processo.

Vejamos, todo o preço de um produto tem incorporado várias rubricas: o custo da matéria-prima, o custo da produção/distribuição, lucro e imposto. Como sabemos, o petróleo aumentou 50% no primeiro semestre do ano, fruto das aventuras especulativas dos pitbulls (nome carinhoso como são tratados os operadores do NYSE) - aqui por estas bandas não acreditamos em aumento da procura com os EUA em recessão. Como o custo da produção/distribuição se manteve, havia duas hipóteses: ou os combustíveis aumentavam 50%, o que não aconteceu, ou o lucro da empresa ia pelo cano abaixo - o que aconteceu em 76%. Resta-nos uma rúbrica: o imposto.

Há um mês o Governo, cheio de moralidade, anunciou a criação da Taxa Robin. Como se vê, ela não vai servir para nada - as margens de comercialização baixaram e portanto não há mais-valias «especiais» para ninguém. Porém, o outro imposto, aquele que realmente dói a cidadãos e a empresas, o ISP, está a ser a salvação deste ano fiscal. Ou seja, num semestre em que a Galp vê os lucros reduzidos em três quartos por ter suportado com o lucro parte do aumento da matéria-prima e em que os cidadãos e empresas produziram autênticos milagres para continuar a pôr as suas viaturas a andar , o Estado aumenta a sua receita fiscal com a escalada do preço do petróleo. Moralmente falando, estamos conversados. Apetece pois sugerir a criação de um imposto para a sociedade cobrar ao Estado. Deixo uma sugestão para nomeá-lo - Taxa Robin dos Bosques.

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quarta-feira, agosto 06, 2008

Fotos geniais [4]

“Pearblossom Highway”, Abril 1986, David Hockney

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Efemérides Nucleares


Na recordação dos 63 anos sobre o lançamento da bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima convém lembrar que não é só com bombas que se ceifam vidas.
Energia Nuclear? Não Obrigado.

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terça-feira, agosto 05, 2008

I Love Energia Nuclear


Se ainda há dúvidas, talvez não seja má ideia ler esta entrevista de mais um céptico convertido.

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Os Novos Justiceiros

Os jornais revisitam amiúde um ideal de perfeição, como qualquer ser humano que se preze, afinal ainda precisam de gente lá dentro, o que, por vezes, é uma valente chatice.
O arquivamento do processo Maddie, num determinado contexto: época de férias e escassez de notícias, faz adivinhar um Verão quente para as tablóides ingleses.

Quanto ao que se passou em Lagos?
Há velhas e gastas teorias da conspiração para dissecar e com ingredientes algo explosivos:
- diversidade cultural;
- polícias desadaptados à nova criminalidade;
- meios policiais desadequados;
- imprensa justiceira;
- e revisitação de velhos patriotismos.

Aguardam-se os novos capítulos, é que "há que mamar na teta da vaca enquanto ela dá leite".

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segunda-feira, agosto 04, 2008

Em princípio e no fim

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Nuclear? Em princípio não, obrigada!

O semanário SOL, e o debate sobre a Energia Nuclear:
- começou por publicar um artigo de José António Saraiva, contra a Energia Nuclear;
- depois o semanário invocou argumentos caros ao jornalismo (liberdade de expressão) para fomentar o debate;
- e destacou personalidades públicas e as suas posições acerca do tema.

No artigo publicado no fim de semana surgem várias fotos de algumas personalidades marcantes da vida pública e as suas respectivas posições:
- algumas contra a energia nuclear;
- algumas a favor da energia nuclear;
- algumas a favor de um debate esclarecedor acerca da energia nuclear.

Contudo, há uma forma algo "inquinada" de tratar qualquer tipo de debate fracturante, menosprezar a contribuição dos especialistas*.

Eu como sou da geração do "Nuclear? Não, Obrigado!" à partida estou contra, mas estou aberta ao debate. O único motivo que me anima, confesso, é ficar mais esclarecida e debater a questão de uma forma mais esclarecida, o esclarecida provavelmente não abdicará de um preconceito, para alguns, questão de princípio, para outros:

- a natureza é uma aliado inestimável do ser humano e à partida sou contra investimentos económicos demasiado agressivos à sua\nossa saúde.

O que disse anteriormente está consciente do seguinte:
se esta posição fosse fundamentalista e se o meu comportamento fosse coerente, provavelmente viveria numa palhota e cantaria, bastante mal infelizmente, ao som do folclore aqui da zona. É que os "investimentos económicos" e as construções, sejam elas quais forem, são à partida, quase todas, uma agressão ao ambiente.

Assim, a minha posição anterior pretende estabelecer o compromisso possível entre os ganhos e as perdas da actuação do homem.

No debate quero, acima de tudo, compreender o que é que ganhamos, em termos energéticos, e o que é que perdemos, em termos ambientais.

À partida não me interessam argumentos pouco esclarecedores, como:
- o de levarmos com o lixo nuclear dos espanhóis e não usufruirmos dos benefícios energéticos do nuclear - este argumento é apenas ruído e não acrescenta nada ao debate.

Gostaria de ver esclarecido argumentos, como:
- a favor - combate à dependência do petróleo, energia nuclear versus petróleo? esta relação parece-me complicada; combate à nossa dependência energética: nuclear versus investimentos recentes na energia eólica e nas barragens;
- contra - ordenamento do território - argumento do arquitecto monárquico; ambiente - agressividade ambiental;
entre outras.

É claro que no meio deste debate há uma triagem necessária:
Os argumentos "trapaceiros", os que jogam ao faz de conta, mas cujo pano de fundo é simples: há um interesse económico de investimento. Este interesse envolve uma actuação concertada e de tentativa de manipulação jornalística, por exemplo: artigos que veiculam catástrofe da dependência económica (cá está de forma velada: o velho argumento do interesse patriótico) o fantasma da crise (nas últimas semanas repararam quantas vezes surgiu no semanário Expresso a palavra "crise" associada a vários conteúdos) e a assumpção do velho valor determinista: se não fizermos isto só nos poderá acontecer aquilo.

A economia como motor absoluto e hegemónico de uma sociedade, seja ela qual for, parece-me um tanto "agressiva" para a natureza, local onde, por ora, habita o ser humano.


* Vimos isso num debate recente: OTA versus Alcochete, o encaminhamento do debate pretendeu esclarecer-nos uma manipulação agora evidente: o interesse económico (OTA) versus interesse patriótico (Alcochete).
Parece-me algo digno de desconfiança que uma poderosa Associação "encaminhe" alguns subsídios, de alguns "patriotas" para uma causa fundamentalmente patriótica, aliás Joe Berardo encarna muito bem essa figura. Devemos, aliás, tentar compreender como um programa televisivo como o "Prós e Contras" poderá ser, facilmente, objecto de manipulação.

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domingo, agosto 03, 2008

e o andanças está de volta!

Bem-vindos todos ao salão de festas
faz bem andar metido nestas ANDANÇAS
se agora danças
logo pensas
e mais
fazes diferentes
dias que eram iguais
ora puxa o corpo pra cá
quero o eco aqui que é de lá
faz por mexer, mexe
e faz com que (oxalá!)
amanhã seja o que não há

Sérgio Godinho, "Salão de Festas" (1984)


No ano passado foi assim: Impressões de uma estreante
[os espaços] [o espírito] [os bailes] [as oficinas] [as portuguesas] [últimos agradecimentos]

Agora, com vossa licença,
vou novamente ali bailar e já volto.

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sábado, agosto 02, 2008

Inteligência e Intuição

Agustina "Pessoal e Transmissível" refere qualquer coisa que eu interpretei como: inteligência é uma palavra que se adequa aos homens, intuição às mulheres.
Como Agustina não desvendou a sua definição de inteligência e de intuição fiquei, e ainda me encontro, em suspenso.
Avanço algumas hipóteses:
- Agustina considera inteligência/falta de ... como o bom/mau uso da razão;
- Agustina considera intuição/falta de ... como o bom/mau uso da emoção.

Se considerasse como Universo de teste os homens/mulheres com quem já me cruzei, retiraria as seguintes confirmações:

- quando um homem está perante a tal (há sempre, para o género masculino um certo universo de tal) perde a razão mas, em contrapartida, ganha em emoção;
- quando uma mulher está perante o tal perde emoção, mas, em contrapartida, ganha razão.

É só, por isso, que certos homens e certas mulheres resolvem a crise independência/intimidade, fazem as concepções possíveis...

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sexta-feira, agosto 01, 2008

Rehab now

Logo vindo de ti, ó John, é que, se há característica que a música dos Sex Pistols tinha, a envolvência era uma delas, envolvência e melodia. Esses ares do Nuorte não te estão a fazer nada bem, rapaz.

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