Os tempos são outros, as circunstâncias alteraram-se, e as nossas opiniões, crenças, e convicções pessoais, podem ser reformuladas face às novas experiências e conhecimentos entretanto adquiridos. Nos últimos tempos, até fervorosos ambientalistas como
Patrick Moore, um dos fundadores da Greenpeace, passaram a defender a energia nuclear como única solução para evitar uma "catastrófica mudança climática" decorrente das emissões de CO2. Inclusivamente, um dos maiores Gurus dos activistas ambientais, o biólogo britânico James Lovelock, também já se deixou seduzir pelos “encantos” desta má-afamada energia. E, ao contrário do que os ambientalistas procuram fazer crer, o nuclear não está a morrer – bem pelo contrário. Há realmente centrais que estão a ser encerradas, mas, somente, porque a sua vida útil expirou. Em 2006 existiam 443 reactores nucleares em pleno funcionamento, 27 novas centrais em construção, e 139 em fase de projecto. Mesmo em países como a Suécia, que em 1980 optou em referendo pela não construção de novos reactores e pelo encerramento dos existentes até 2010, passados 28 anos, continua a manter activas a maioria das suas centrais, e viram-se forçados a aumentar a produção nos reactores activos para poderem continuar a fornecer 45 a 50% da electricidade consumida a nível interno. A sua vizinha, a Finlândia, construiu a sua 5ª central. Na Europa Central e Oriental, as velhinhas centrais estão a ser renovadas, 4 novas centrais estão a ser construídas de raiz, e em fase de projecto existem mais 48. Na Ásia para além dos actuais 106 reactores em pleno funcionamento, e 17 em construção, está prevista a construção de 66 novos reactores nucleares.
O Japão, a única nação do mundo que sentiu na pele os efeitos devastadores das bombas atómicas, constrói centrais nucleares desde 1957. Actualmente, mantém em actividade 52 reactores, e inaugurou em 2006, de forma experimental, a primeira fábrica de tratamento de resíduos nucleares.
Os EUA, recordistas mundiais de centrais nucleares (122), têm previsto o arranque da construção de 19 novos reactores até 2010.
Nós por cá, com a nossa já famosa esperteza saloia, vamos continuar a pensar infinitamente no assunto. É que nós, como bem sabemos, somos muito mais espertos que todos os outros povos, e é por isso que somos uma das nações mais desenvolvidas e ricas do Planeta Terra [e arredores]. Como é notório, nós por cá, temos muito mais sol, muito mais vento, e muito mais mar, que todos os outros países que continuam a construir centrais nucleares. Aliás, segundo consta por aí, Deus, quando criou a terra, colocou o sol precisamente sobre o nosso sacrossanto país, já com o intuito de abençoar os portugueses com a construção de uma mega central solar em Serpa.
Apesar do tema “Nuclear” já ter sido abordado diversas vezes aqui no GR, face às evidentes dificuldades energéticas planetárias, convém relembrar a tese de Patrick Moore, que defende o nuclear como a única energia financeiramente eficiente e que pode acompanhar a crescente procura de energia no mercado mundial.