sexta-feira, agosto 22, 2008

Do mal o menos

Do mal o menos. Sempre. É um das máximas da minha vida, uma das que me leva a não prolongar tudo o que é doloroso e a tentar acabar o mais depressa possível com a mágoa e o desgosto, deus sabe quanto a dor perdura sem que contra ela nada possamos fazer. Assim sendo, não consigo entender de forma alguma as razões encontradas pelo Presidente da República para vetar a lei do divórcio. Diz ele que “é no mínimo singular que um cônjuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei – por exemplo, uma situação de violência doméstica - possa de forma unilateral e sem mais obter o divórcio”. Se eu levasse na cara do meu cônjuge até agradecia que ele pedisse o divórcio, caso não o tivesse feito eu mesma, duvidoso, improvável e inacreditável, e que tudo chegasse ao fim da forma mais rápida e indolor possível, sem assumpção de culpas, a Igreja Católica já imputa culpas suficientes aos seus crentes. E como hoje estou em dia de expressões idiomáticas ou provérbios, diria ainda que "It takes two to tango”, logo se um não quer dançar é razão mais do que suficiente, quiçá a mais importante, para a porta se abrir e se terminar ali mesmo o tango efabulado, unilateralmente, pois claro. O desamor da separação afectiva e o desmoronar de uma vida a dois são suficientemente dolorosos, dispensam-se leis que o tornem ainda mais sacrificial, penoso, constrangedor. Do mal o menos, obviamente.

imagem: Edward Monkton

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