segunda-feira, julho 06, 2009

wok

[Lisboa, Maio/2009]
A sala principal do Teatro da Trindade (Lisboa), longe de estar cheia, recebeu WOK - um espectáculo de percussão sob a chancela dos Tocá Rufar. Seis elementos em palco dão conta de uma série de bombos, bombinhos e bombões. Coordenação fantástica de som e movimento nas baquetas, nas mãos, nos braços, nas pernas, no corpo, na cabeça,... Uma coisa me impediu de apreciar o espectáculo como devia: os fatos! Era suposto representaram tribos do futuro, portanto, uma mistura de negros e coloridos, de licras e cabedais, de cabelos florescetes e máscaras escuras. Não gostei dos fatos! Ou melhor, não gostei do enquadramento: não consegui uma ligação pacífica entre o "futurismo" das roupas e a tradição dos instrumentos. Acho que só ultrapassei a estranheza no "convívio" final. O "chefe" da tribo, sem nunca falar língua de gente, convida ao palco alguns elementos da plateia ensaiando meia dúzia de ritmos - momento bem acolhido pelos artistas de ocasião, gerando situações bem divertidas para toda a casa. A colaboração final com "palmas de repetição" de todo o público foi muito bem conseguida e as palmas de encore soaram ainsa bem ritmadas em jeito de lição bem estudada.

Ainda em digressão: Guarda, Mafra, Moita, Trofa, Vagos, Açores, Grândola, Alcochete.

foto

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quarta-feira, setembro 17, 2008

a criança que me habita...

O dilema entre ser crescido e procurar compreender e ser criança e como que acreditar.... Tenho esta sensação estranha habitualmente em espectáculos de magia, a ilusão é tão mais fantástica quanto mais acreditamos nela. O deslindar de alguns truques fazem desvanecer o encanto. No entanto, o nosso posto de gente crescida por vezes não nos permite a admiração sincera.

Hoje vi um espectáculo de marionetas; apenas um boneco e um homem. O manipulador assumia as pernas do boneco e uma das suas mãos, enquanto que com a outra orientava a cabeça - tudo perfeitamente assumido, atenuado apenas pelo preto da roupa. Em alguns momentos do espectáculo, dei por mim com o tal dilema entre adulto e a criança, entre o observar as manipulações e o apreciar apenas as movimentações do boneco de per si... E acabei por me render à criança que me habita - é muito mais divertido!

O espectáculo estava integrado no FIMP - Festival Internacional de Marionetas do Porto - que decorre ainda até sábado com apresentações diárias gratuitas na Praça D.João I (Porto).


imagens cortadas do vídeo do youtube

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domingo, agosto 31, 2008

e dança!...

Ontem à noite (em dia de clássico!) a marginal de Matosinhos encheu-se de gente para ver Joaquín Cortés ao vivo gratuitamente. Nunca tinha estado num espectáculo do senhor. Já tinha ouvido dizer muito bem, já tinha ouvido dizer muito mal... Portanto, gratuito aqui ao lado é um bom pretexto para um tira teimas. O "muito mal" prendia-se essencialmente com o facto de o senhor passar um espectáculo inteiro quase sem dançar, enfatizando as apresentações musicais do grupo. Logo, fui já psicologicamente preparada para a eventualidade de não ver dança. Mas não! Os músicos tocaram e cantaram, as apresentações de palco e o jogo de luzes estavam cuidadosamente escolhidas e o senhor esteve presente, bem presente e dançou! Foi muito bom! Já em casa, depois de andar à procura de imagens, tenho pena de não termos tido direito à primeira parte do espectáculo, mais introspectiva e com linguagem mais contemporânea... - achei-a hoje no youtube: [mi soledad 1] [mi soledad 2]. Além disso, teria sido melhor num auditório, apreciado com uma serenidade não permitida no "ao vivo na rua no meio da multidão", mas valeu a pena, sem dúvida.
Abre-se o pano vermelho. Uma concertina divertida a solo, a lembrar-me Danças Ocultas. Ilumina-se mais um pouco o palco e soam as cordas, com um cheirinho a qualquer coisa que não sei bem o quê. Juntam-se as vozes já no registo cigano e também as palmas, as guitarras e as precursões. E, passados alguns minutos entra Cortés... Movimentos lentos e cativantes ou rápidos e enérgicos, mas sempre fortes na presença de quem sente aquilo que dança.

Estávamos longe, apenas com uns vislumbres de umas cabeças e uns braços lá no fundo. Optámos, então, por seguir o caminho de muitos que viravam costas ao palco rumando ainda mais para trás. O ecran gigante colocado a meio da praça permitia ver caras, expressões e trabalho de pés. Cortés ao vivo sem lhe ver o "sapateado" não era um espectáculo completo. Ali ficamos, portanto, com os grande planos do ecran e a visão distante de um todo no palco. O editor de imagem divertiu-se bastante com as mudanças de planos dos pés ao ritmo da música, criando-me até uma espécie de tonturas com tanta movimentação. Os pés do senhor são importantes, mas o resto também! Flamenco não é só sapateado, é postura, controlo de braços, presença forte! E, apesar de nem sempre o editor se aperceber, tudo isso esteve em palco ontem à noite.
Ah, e as caras lindas e corpinhos bem feitos não fazem só cinema e desporto... também dançam!


imagens (1) (2) (3)

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terça-feira, maio 01, 2007

Lumière: Chegada de um Comboio

A estreia do cinematógrafo teve lugar a 28 de Dezembro de 1895 na cave do Grand Café de Paris, no boulevard des Capucines. Nesse memorável dia, os irmãos Lumière oficializaram a nova arte com a primeira projecção pública e paga de cinema – 1 franco por bilhete. Não era a primeira vez que se viam imagens em movimento projectadas num ecrã, mas até então nunca a noção de filme, completo, estruturado, contando por vezes uma história, se tinha imposto com tanta evidência.

Apesar da simplicidade dos processos cinematográficos da época, reza a estória que a primeira grande emoção perante um ecrã foi suscitada por L'Arrivée d'un train à la Ciotat, projectada em Janeiro de 1896. O efeito sobre o público foi surpreendente: os espectadores, convencidos que o comboio os iria esmagar, entraram em pânico e atiraram-se para debaixo dos seus assentos.

Oito décadas mais tarde, tive mais ou menos a mesma reacção ao assistir na primeira fila ao filme Orca, de Dino de Laurentis.

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