sábado, janeiro 30, 2010

Agenda: António Ferra - livro de reclamações
















da contracapa::

Tanto verso, às vezes curto, a euro e meio
tanta sílaba dividida pelos cêntimos!
Vendem os poetas versos livres
ou as métricas saídas do paleio
onde se finge a dor que não se sente

(a poesia é caríssima)



António Ferra vai lançar no próximo dia 6 de Fevereiro pelas 17h30 o seu novo livro de poesia: «livro de reclamações». Depois do surpreendente «a palavra passe», este é um daqueles eventos que não posso perder.

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quarta-feira, junho 03, 2009

dia da criança...

Foi Dia da Criança e eu não fui à Feira do Livro...

Desde que me lembro que o meu Dia da Criança era sinónimo de dia de Feira do Livro. Lá ia a família em passeio à Boavista ou ao Palácio, de stand em stand, parando junto dos suspeitos do costume a procurar as novidades nas colecções habituais ou a espreitar surpresas desconhecidas. Era dia de passeio, de lanche fora de casa e ainda tínhamos direito a escolher um livro, o nosso livro que era a nossa prenda do nosso dia.

Os anos passaram e o Dia da Criança foi-se prepetuando como dia de Feira. Nos últimos tempos o ritual foi-se diluindo, em conflitos de horários conjuntos, mas eu continuei a passar na Feira no dia 1, mesmo que apenas de fugida.

Este ano não fui à Feira do Livro...

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quarta-feira, abril 23, 2008

leituras atrasadas...

Hoje, Dia Mundial do Livro, pareceu-me um dia apropriado para cumprir algumas tarefas em atraso...

Reza assim a quinta frase completa da página 161 do livro que mora na minha cabeceira (há demasiado tempo...):
Aos dezanove anos tinha feito dois retratos num estúdio fotográfico de Genebra, um deles vestida como um jovem árabe, outro de marinheiro, com uma boina que ostentava, como nome do hipotético barco, a palvra «Vingança».
O livro chama-se «Histórias de Mulheres» e é uma compilação de biografias de mulheres [Agatha Christie, Simonde de Beauvoir, Alma Mahler, George Sand, Isabelle Eberhardt, Frida Kahlo,...] que Rosa Montero apresenta de foma muito pessoal.

A frase acima refere-se a Isabelle Eberhardt - que eu desconhecia completamente... - uma escritora suíça de vinte e sete anos [idade da morte em 1904] que se fazia passar por um rapaz muçulmano. O sub-título que lhe cabe no livro é «Fome de Martírio». E em todo o parágrafo onde está integrada a frase esta é a única que não explicita tudo isso... Deixo, então, aqui também as frases contíguas:
A infelicidade fazia parte essencial da sua personalidade, era uma definição (talvez a única) do seu ser ela.
...
Por essa altura escreveu no seu diário: «Quero ser alguém, e dessa forma cumprir o fim sagrado da minha vida: a vingança».

Agora vou fechar isto e ler um bocadinho... até porque continuo a ter na prateleira, em fila de espera, alguns destes...


É suposto eu passar a alguém isto da quinta frase completa da página 161 do livro que está mais à mão... Ora fica, mais uma vez, se lhe quiserem pegar, para as meninas do FarpasXXI.

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quinta-feira, novembro 01, 2007

Leitura aleatória

Respondendo ao desafio lançado aqui pela Leonor, cá vai a quinta frase da centésima sexagésima primeira página do livro que tenho mais perto de mim, fruto do inspirado arrumo bibliotecário que hoje assolou a minha improdutividade:
«de girassol girar, oculto adorna»
Está num livrinho de setecentas e trinta páginas, nomeado «Retábulo das Matérias», colectânea da poesia de Pedro Tamen. O poema em questão, intitulado «29», foi retirado do livro «Primeiro Livro de Lapinova», e reza assim:
«Eu digo exacto e dito a forma
e a coluna; amor, não há, se deixo,
tempo que não converta
as sombras alongadas num só eixo
de girassol girar; oculto adorna
a santa aberta.
Lúpulo cresce então, e faz-se folha
dum íntimo teor;
de ti a mim é o vento que nos olha
num ímpeto maior.»
Recomendo.
Passo o desafio ao André Carvalho, à Cristina Silva, à Carlota.

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quinta-feira, julho 19, 2007

na prateleira...

Dizia eu que tenho uns quantos livros na prateleira à espera de serem lidos... Assim, fazendo uma pré-selecção, se tudo correr bem, as minhas leituras deste ano vão passar por estes cinco títulos:

Daqui houve nome Portugal (Antologia de verso e prosa sobre o Porto), organizada por Eugénio de Andrade
5 séculos de literatura, 69 autores, 5 reproduções de pintura, 8 fotografias e 8 gravuras; o mais completo e belo retrato das pedras e das gentes do Porto.

Cartas a uma jovem matemática, Ian Stewart
o que gostava de ter sabido quando era estudante [...:] o que é a matemática, [...] o papel da beleza no pensamento matemático, o futuro da matemática [...] tudo isso num estilo que combina subtileza, humor e um talento para ir direito ao assunto.

A morte melancólica do rapaz ostra & outras histórias, Tim Burton
histórias de humor sinistro [...] em que as personagens, heróis com corpos deformados e hábitos invulgares, projectam os nossos próprios sentimentos de alienação, fazendo-nos rir de uma infância que julgamos ter deixado para trás.

Agostinho da Silva – a última conversa, entrevista de Luís Machado
ao longo de cinco horas, Agostinho da Silva passa em revista o percurso de uma vida [...]; sem reservas e visivelmente bem disposto, aceita o desafio do entrevistador, respondendo a todas as questões e satisfazendo quase todas as curiosidades.

Histórias de mulheres, Rosa Montero
biografias de mulheres [Agatha Christie, Simonde de Beauvoir, Alma Mahler, George Sand, Isabelle Eberhardt, Frida Kahlo,...] frutos de uma visão muito pessoal e de um grande esforço de documentação, revelam sobretudo do campo da paixão, face a percursos extraordinários em que todavia cada um de nós se pode reconhecer.


Há mais ao lado destes e muitos outros ainda à espera nas livrarias a serem namorados há algum tempo... Tempo... O tempo... Sempre o tempo...

O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós
[...]
Jorge Palma, "Eternamente Tu" (1989)

Eu tenho de ser mais tempo para ler!

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quarta-feira, julho 18, 2007

leituras passadas

A Leonor, cheia de boa-vontade, passou-me um testemunho sobre leituras... Não sabia ela no que se estava a meter!... As minhas leituras são menos que poucas... É triste – eu sei! – mas é verdade... E, como a agenda cultural, os livrinhos dos CD's e os rótulos dos iogurtes não são admitidos, tenho de alargar, um bom bocado, o intervalo temporal para conseguir cinco títulos... De qualquer forma, aqui ficam as minhas cinco últimas leituras, ou melhor, as minhas cinco leituras mais recentes – se bem que de recentes têm muito pouco!...

- Queimada Viva, Souad – um relato aterrador e um testemunho actual!!! na primeira pessoa de uma mulher vítima... disso mesmo!...

- Sou Português... e agora?, Luís Filipe Borges – uma colecção de piadas e caricaturas levezinhas, umas melhores que outras, sobre... a tugolândia.

- O Zahir, Paulo Coelho – é... Paulo Coelho... cansei-me!... foi o primeiro livro que não levei até ao fim em toda a minha vida... desisti no fim do primeiro capítulo!

- Retrovisor – uma biografia musical de Sérgio Godinho, Nuno Galopim – preciso de dizer mais alguma coisa?... ;)

- As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, Lewis Carroll – os divertidos e absurdamente lógicos diálogos da Alice, do coelho e do chapeleiro, do Humpty Dumpty e da Raínha.


Resta-me deixar a promessa de que vou tentar melhorar este pequenina falha... Até porque eu gosto de ler e já tenho uns quantos candidatos na prateleira do quarto, cansados de estar à espera...

Passo o testemunho às meninas do Farpas XXI: Maria Ortigão e Manuela Queirós, para que nos contem as suas cinco leituras mais recentes.

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quinta-feira, julho 12, 2007

Cinco Livros para Férias

Na sexta-feira passada andei à procura do último(?) de Felícia Cabrita e não o encontrei, mas também entre ovos e fiambre, óculos, pratos (porque raio se partem tantos pratos cá em casa?) e o Sempre da Lena d'Água, foi uma correria contra o tempo.

Ficaram os Amores de Salazar, chegaram a casa "Criadores" de Paul Johnson, ainda não li o best seller "Intelectuais", mas fiquei curiosa depois de, no primeiro capítulo, o autor escrever o seguinte:

"Em 1988, publiquei um livro chamado "Intelectuais". Analisava o género e apresentava ensaios sobre uma dúzia de exemplos. Era um livro crítico cujo tema unificador se baseava na discrepância ente os ideais professados pelos intelectuais e o seu verdadeiro comportamento na vida pública e privada. Defini como intelectual alguém que acredita que as ideias são mais importantes do que as pessoas. O livro foi bem recebido e traduzido numa variedade de idiomas. Alguns críticos, porém, consideraram-no mal-intencionado, concentrando-se no lado mais sombrio de indivíduos inteligentes e talentosos. Por que é que eu não focava mais os aspectos criativos e heróicos da elite? Aí reside a génese desta obra, Criadores, que trata de homens e mulheres de notável originalidade. Se não morrer entretanto, espero completar a trilogia com Heróis, um livro sobre as pessoas que enriqueceram a história com carreiras ou actos de evidente coragem e liderança."

O que me leva a comprar um livro?

Uma crítica, a admiração por um determinado escritor, um título.

"Criadores", por exemplo, foi pelo título. Estudos e análises sobre criatividade são um tema simpático.

Mas sou uma compradora compulsiva de livros e cd's e para isso gostaria de retirar 5% do que ganho mensalmente, mas como a minha profissão é deveras oscilante, no que diz respeito a verbas mensais, não poderei fazer esse tipo de raciocínio matemático, tão atraente, mas incompatível com alguns meses verdadeiramente sóbrios.

Entusiasmo-me deveras com o cheiro a novo das folhas, não suporto o cheiro dos livros antigos; e pratico o zapping (?) na audição de cd's (FNAC) e no examinar compulsivo de palavras, através de livros (na Bertrand, a do Dolce Vita).

Cinco livros para férias:

- Criadores de Paul Johnson
- A Guerra do Mundo de Niall Ferguson
- Como Tornar-se Doente Mental de J.L. Pio de Abreu
- As Pessoas Felizes de Agustina Bessa-Luís
- Um Escritor Confessa-se de Aquilino Ribeiro

Digamos que é uma lista heróica, principalmente porque tem pelo meio Ferguson, um calhamaço com umas respeitáveis 670 páginas e com letra bem pequenina, mas eu sou uma rapariga megalómana.

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quarta-feira, julho 11, 2007

Cinco leituras de um inicio de Verão ainda pouco convincente

Como presumo que na tal lista que a Leonor refere não é permitida qualquer referência às minhas mais recentes e entusiastas incursões pela área da puericultura, e por exclusão, deixo aqui uma breve referência aos outros últimos cinco livros que li: O Fogueiro de Franz Kafka; Horto de Incêndio de Al Berto; Diário de um Génio de Salvador Dali; Repercussão de Gastão Cruz; e Viagem na Irrealidade Quotidiana de Umberto Eco. Neste momento estou a ler, Almas mortas de Nicolau Gogol, e Canto onde de Luís Quintais. Deste último autor, e a propósito do tema, aproveito a ocasião para deixar de seguida um pequeno poema:

Leio um livro.
Alguém lê
um livro
no livro que leio.

Dirijo-me para sul.
Alguém se dirige para sul também.
Eu sou quem me lê.
Tu és quem te lê.

Ambos seremos
destruídos
assim o azul, o crepúsculo,
nos escureça.


Luís Quintais; "Assim o azul”, in Canto Onde, Livros Cotovia, Lisboa, 2006, p. 92

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terça-feira, julho 10, 2007

Livros

A Leonor teve a amabilidade de me convidar a fazer uma lista dos últimos cinco livros que li. Excluindo os técnicos, aqui fica a colheita:

1 - Poetas Russos - Colectânea - Tradução e Prólogo de Manuel de Seabra. Foi uma pechincha comprada na Feira do Livro do Porto e que me deu a conhecer outros poetas de quem nem sequer conhecia o nome. Serviu para mostrar que há algo mais na Literatura Russa para além do Romance e do Conto. E que esse «mais» é igualmente excelente.
2 - O Retrato do Sr. W.H. - Oscar Wilde; Vénia: a ironia no estado último da depuração.
3 - Insânia - Hélia Correira; Um crítico de literatura escreveu sobre ela há cerca de dois anos e interessou-me. Desde então, estive a adiar o confronto. Foi um empate: ganhou ela um leitor e eu uma autora.
4 - Peregrinação de Barnabé das Índias - Mário Cláudio; Romance histórico pejado de inteligência e escrito por um homem que se nota muito saber sobre os livros.
5 - Em Busca do Tempo Perdido - 6. A Fugitiva - Marcel Proust. Chama-se em «Busca do Tempo Perdido». Penso que não é necessário dizer mais nada acerca da sua importância.

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terça-feira, maio 29, 2007

Perfumes

- Seu filho está doido – disse ela, de noite na varanda, sem saber que eu estava escutando.
- Ele não larga os livros. Hoje ele estava os livros daquela estante que vai cair para cheirar.
- Que é que tem isso? É normal, eu também cheiro muito os livros daquela estante. São livros velhos, alguns têm um cheiro óptimo.

João Ubaldo Ribeiro, Um Brasileiro em Berlim, Editora Nova Fronteira


É normal, claro, que é normal. Apanho-me sozinha, numa livraria ou em casa e o cheirinho dos livros é como perfume para alma. Pelo cheiro se identificam: se são novos, ou mais vetustos, se acabaram de sair da gráfica ou estão encafuados num local recôndito, se foram à praia, assim cheirarão também, se estiveram ao sol, assim libertarão o odor das páginas secas. Os livros não são apenas letras, os livros são também cheiros e os cheiros são a memória de quem somos.

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segunda-feira, maio 07, 2007

Bloco de Notas

1 - Ontem, antes de adormecer, o meu último pensamento foi: o raptor (se é que há raptor) da criança de Lagos é inglês, é alguém que conhece os hábitos da família, por isso as autoridades deveriam fazer uma busca às bases de dados dos aeroportos portugueses, para perceber se entrou alguém em Portugal, nos últimos tempos, daquela zona geográfica.
E hoje deparo-me com isto.
Esta hipótese poderá vir a ser refutada, mas não sei porquê tal pensamento surgiu-me com tal clareza que fiquei impressionada comigo mesma.
Contudo a realidade tem, afinal, muitas maneiras de ser lida.

2 - Este fim de semana estive num casamento. Ainda bem que cada vez menos amigos e familiares se casam. Nos últimos casamentos emociono-me de uma maneira incontrolável. Na igreja. E não há bocejo previdente que me acuda. As lágrimas correm independentes e livres pela minha face, outrora alva. Conhecem alguma maquilhagem que resista? Valha-me Deus!

3 - Um dia destes fui à FNAC e comprei um livrinho das publicações europa-américa, editora que eu adoro!, "A morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi. Já por aí alguém leu esta obra prima? São 84 páginas de literatura canónica: impressionante o retrato humano, imperdoável o desconhecimento. Custa só 5,39 eur.

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sábado, abril 21, 2007

momento pessoal...



Razões pelas quais eu não posso passar mais de dois minutos na FNAC...

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quarta-feira, abril 04, 2007

não consigo gostar desta mulher...

Não consigo gostar desta mulher... Li o «Não há coincidências» e sobrevivi. Uma leitura levezinha para descansar a mente. Desde que tomado com moderação, para não cair no entorpecimento, não me pareceu muito mau... Até lhe achei uma certa piada. Ouvi-lhe duas ou três entrevistas e... desvaneceu-se o encanto de imediato. Não consigo gostar desta mulher. Fala com uma arrogância e sobranceria que me incomodam. Tendo em conta que nem tinha desgostado do tal livro, fui-lhe dando algumas oportunidades. Mas não! Definitivamente, não consigo gostar desta mulher.

Hoje no «Sociedade Civil» da RTP2 o tema era «porque é que nos apaixonamos pelas pessoas erradas?». Apanhei a coisa já a meio e falava, na altura, com alguma autoridade, uma psicóloga. Deixei ficar. Qual não é o meu espanto quando fala de seguida Margarida Rebelo Pinto... Perdi logo toda a vontade de ver o programa. Mas como ainda estava a almoçar, e as alternativas não eram do meu agrado, tentei - eu juro que sim! - dar-lhe mais uma hipótese... Mas não! Continua com manias de altivez e ares de senhora da razão. Simplesmente, não consigo gostar desta mulher!

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

o meu telemóvel novo...

Tenho um telemóvel novo há quase um mês mas ainda não me dei ao trabalho – não tive tempo! - de passar os olhos pelo manual... Perdi uma/duas horas a memorizar contactos, a definir toques, a experimentar as mensagens e a explorar a agenda – as restantes 4996 funções decidi ignorar... Há, no entanto, uma outra função que me é bastante útil, pois é ela que me acorda – ou devia acordar! – de manhã, que é o despertador. Mas aqui o meu telemóvel tem certamente vontade própria, pois só desperta quando lhe apetece! Ou então, num processo avançado de osmose, assume a vontade nula da dona de se levantar... Ou isso, ou haverá algures no manual – que ainda não li – uma nota dizendo que entre as 6h30 e as 7h00 a função despertador é completamente aleatória... Alguma coisa há-de ser! - estou a precisar urgentemente de ler o tal livrinho...

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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

(Dincas, África)
No tempo em que deus criou todas as coisas,
criou o sol,
e o sol nasce, e morre, e volta a nascer;
criou a lua,
e a lua nasce, e morre, e volta a nascer;
criou as estrelas,
e as estrelas nascem, e morrem, e voltam a nascer;
criou o homem,
e o homem nasce, e morre, e não volta a nascer.
(Magias – versões de Herberto Helder)

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quarta-feira, janeiro 31, 2007

Notas nas margens dos livros

Por mais político que seja o tema do ensaio, um livro de Eduardo Lourenço é, antes de mais, uma singular obra de arte. A forma como ele pega nos assuntos e vai por ali fora, quase divagando, fazendo-nos crer, a determinada altura, que já nada do que nos é proposto tem realmente qualquer tipo de ligação com o objecto do ensaio; as voltas que dá, levando-nos a pensar que está a centrar-se no acessório e a fugir do fulcral; a demonstração que nos faz que também o lateral e o acessório devem ser apreendidos quando se pretende analisar um universo, e a suprema mestria de fazer tudo confluir para a ideia que nos quer transmitir, são particularidades que só estão ao alcance de raras penas.
*[adaptadas]

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

Pensamento da Noite

Fazer crítica literária à poesia assemelha-se a pedir análises clínicas à alma.

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segunda-feira, janeiro 15, 2007

O texto e a sua construção

O processo de construção do texto é tão ou mais cativante do que o próprio texto. Reformulo: a construção de qualquer obra é tão ou mais empolgante do que a obra. Tomando à priori um exemplo de um texto genial, é sempre com assombro que se desvenda, por exemplo, numa versão fac-similada, os processos com que este foi conseguido. Assombro, não pela genialidade do texto; antes pela fragilidade/humanidade com que, exemplifiquemos, um exímio poema foi construído. Aquela sensação de que estamos muito distantes do génio, desaparece no exacto momento em que os processos que foram utilizados para o criar são os mesmíssimos que utilizamos quotidianamente para escrever uma carta de reclamação ao servidor de net: escrever, rasurar, complementar, organizar as ideias, etc.

Ou seja, passa a existir um acontecimento de identificação. E esta identificação entre uma carta profissional e um poema, não tem um efeito banalizador sobre a tal obra de arte, afastando-a por efeito de menosprezo da sua qualidade. Promove uma aproximação entre o leitor e o poeta na medida exacta em que o último deixa de ser uma semi-divindade para o primeiro e passa a ser um homem comum. E, convenhamos, os homens preferem conviver com homens do que com deuses.

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sexta-feira, janeiro 12, 2007

As Sete Maravilhas de Portugal

Mais um concurso. Como é impossível votar nestas maravilhas, aqui ficam as minhas sugestões:






  1. Os Lusíadas: porque ainda hoje é o melhor auto-retrato de Portugal e dos portugueses;
  2. Livro do Desassossego: porque é o melhor blogue que alguma vez foi criado;
  3. Os Maias: porque vale por trinta anos de leituras de crónicas de jornal;
  4. Violino - Amadeo de Souza Cardoso: porque ainda se considera prematura uma obra com quase cem anos;
  5. Auto da Barca do Inferno: porque Woody Allen é um Gil Vicente do séc. XX/XXI;
  6. Verdes Anos - Carlos Paredes: porque o hino português deveria ser o instrumental que dá nome ao EP;
  7. Painéis de S. Vicente de Fora: porque antes de seis excelentes frescos, de seis excelentes representações ou de seis excelentes técnicas, é uma excelente ideia.

E estas maravilhas e não as outras, porque o melhor de Portugal não está no seu património arquitectónico mas no artístico.

[imagens: capas dos livros retiradas da loja online fnac.pt; capa do EP de Carlos Paredes, obtida por scanning; pintura "Violino", scanning meu do livro : Pintores Portugueses (Edições INAPA); Painéis S. Vicente de Fora, via sapo.pt.]

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terça-feira, dezembro 26, 2006

Se

«Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,

Quando os outros os perdem, e te acusam disso,

Se és capaz de confiar em ti, quando te ti duvidam

E, no entanto, perdoares que duvidem,


Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança

E não caluniares os que te caluniam,
Se és capaz de sonhar, sem que o sonho te domine,

E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,
Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,

Sem fazer distinção entre estes dois impostores,
Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,

Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira

E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,

Se és capaz de arriscar todos os teus haveres

Num lance corajoso, alheio ao resultado,

E perder e começar de novo o teu caminho,

Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,


Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos

E fazê-los servir se já quase não servem,

Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,

A não ser a vontade que diz: Enfrenta!
Se és capaz de falar ao povo e ficar digno

Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,
Se não pode abalar-te amigo ou inimigo

E não sofrem decepção os que contam contigo,
Se podes preencher todo minuto que passa

Com sessenta segundos de tarefa acertada,
Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,

Será teu tudo que nela existe
E não receies que te o tomem,
Mas (ainda melhor que tudo isto)

Se assim fores, serás um HOMEM.»
Rudyard Kipling

R. Kipling enganou-se: onde está HOMEM, deverá ler-se 'deus'.

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