quinta-feira, julho 12, 2007

Terrorista

Um bom agente dos serviços de inteligência de Sua Majestade, ao fim de muitos anos de apurado estudo e treino, sabe distinguir imediatamente um terrorista. Como? Um terrorista tem barba comprida.

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segunda-feira, maio 14, 2007

Resultado viciado

Ou perde o PS e Sócrates como resultado da sua governação ou perde o PSD e Mendes pelo desempenho nos últimos anos como detentores do cargo. Nas eleições para a Câmara de Lisboa, só haverá vencedores se Helena Roseta ganhar. Ou seja, se perderem ambos.

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terça-feira, maio 01, 2007

Intimidades

A leitura é um acto íntimo. Pode ler-se um jornal ou um livro num comboio ou num avião, pode ler-se uma mensagem para quatrocentos participantes de um congresso e pode ler-se uma passagem inteira de um livro numa aula que a leitura, a verdadeira leitura, aquela que fazemos para nos sintonizar com o texto, descodificá-lo é sempre um acto íntimo. E solitário, acrescento. Apenas conseguimos ler «em conjunto» quando, e desculpem-me a expressão muy Nicholas Sparks, dois são um.

Convém frisar, no entanto, que existem formas de representar o texto (teatro, música, declamação, …) que tiram à leitura o cunho predominantemente privado. Por mais paradoxal que possa parecer, isto acontece porque reconhecemos a quem o interpreta a capacidade de o tornar privado. Um actor prepara um texto, representa-o para dezenas de pessoas, mas consegue, pelo menos para grande parte, tocar em cada um dos assistentes. De forma diferente e pessoal.

Posto isto, passemos ao âmago da questão. Tenho lido entrevistas de escritores que afirmam solenemente que gostam mais de ler do que de escrever. Para além disso, os conselhos que costumam dar aos novos escritores é para que leiam muito. De preferência livros deles. Confio que todos eles têm milhares de páginas lidas, analisadas, comentadas. Contudo, desconfio que nenhum deles, perdão, que alguns deles ainda não explicaram a quem promove o lançamento dos seus trabalhos que a leitura de um texto é um acto íntimo, com as excepções aclaradas no parágrafo dois deste arrazoado. As leituras nos lançamentos dos livros. É isso que me traz aqui hoje.

Há cerca de dois meses, fui novamente a um lançamento de um romance. Primeiro, o convidado para a apresentação da novela diz as impressões que a leitura do livro lhe proporcionou. Nestas, estão geralmente incluídas as palavras “ruptura”, “excelência” ou “matiz”. Depois a assistência, por regra meia dúzia de gatos-pingados, no lote dos quais com muito gosto me incluo, faz umas perguntinhas ao autor. O autor cumpre: balbucia umas coisas, tenta responder a perguntas sobre o compadrio na edição e na crítica literárias em Portugal (em lançamento que se preze, são questões sagradas) ou imagina uma forma de disfarçar o olhar atónito quando lhe perguntam se a matriarca do livro, uma senhora de oitenta anos, não é um alter-ego ou, quiçá, um heterónimo dele. Ele, um rapaz de trinta e sete (esta foi verdadeira).

E no final, acontece aquilo que nunca deveria acontecer: o autor lê uma parte do livro. Então, toda a curiosidade que possa ter sido despertada até aqui, é docemente adormecida quando o autor ainda vai a meio do capítulo que se propôs a ler. Em minha opinião, aquilo é – não poupemos nas palavras – uma enorme maçada e um infinito tédio para todos: autor, convidados, assistência. Mas será que ninguém entende, no meio editorial, o enfado que esta parte de um lançamento representa? Além do mais, se um escritor não conseguir ler de uma forma entusiasmante para cada uma das sensibilidades presentes na assistência, o que é uma tarefa hercúlea, sublinhe-se, pode ocultar a qualidade que o texto possa ter.
A sério, não é assim tão difícil: um escritor escreve livros, os leitores lêem livros. E tanto a escrita como a leitura são actos íntimos. Consequentemente, agradece-se que libertem os lançamentos das sessões de leitura.

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quarta-feira, abril 18, 2007

Escândalos

Ora aqui está uma daquelas tipologias de escândalos em que José Sócrates nunca correrá o risco de se ver envolvido.

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terça-feira, abril 10, 2007

TREZE MANEIRAS DE OLHAR UM MELRO

Wallace Stevens, 1879-1955, é considerado, por diversos críticos de literatura, um dos maiores poetas americanos do século XX. Foi prémio Pulitzer em 1954. Segundo António Simões, tradutor da antologia anglo-americana, a poesia de Stevens é fortemente elegante e filosófica, muitas vezes preocupado em "criar a ordem a partir do caos".
Dos poemas que conheço de outras antologias este é o mais extraordinário e tem duas qualidades essenciais:
originalidade e imaginação.
A poesia é essencialmente um olhar diferente e aqui Stevens suplanta-se em invenção.
Hoje ao ler variadíssimos textos sobre um determinado diploma, pensei novamente na profunda originalidade das "TREZE MANEIRAS DE OLHAR UM MELRO" e imaginei um certo melro "transformado" em diploma.
Um dia ainda hei-de pagar por isto.

1
No meio de vinte montanhas nevadas
A única coisa que se mexia
Era o olho do melro.

2
Eu via as coisas de três maneiras diferentes,
Como uma árvore
Onde há três melros.

3
O melro rodopiava ao sabor dos ventos de Outono.
Era uma pequena parte da pantomima.

4
Um homem e uma mulher
São um.
Um homem e uma mulher e um melro
São um.

5
Não sei qual prefiro,
A beleza das modulações de som
Ou a beleza das insinuações,
O melro a assobiar
Ou logo após.

6
Gotículas geladas cobriam a grande janela
De vidros toscos.
A sombra do melro
Cruzava-a, dum lado para o outro.
O estado de espírito
Desenhava na sombra
Uma causa indecifrável.

7
Ó homens esguios de Haddam
Por que pensais em pássaros dourados?
Não vedes como o melro
Caminha à volta dos pés
Das mulheres perto de vós?

8
Sei de sotaques notáveis
E ritmos lúcidos e inevitáveis;
Mas também sei
Que o melro está presente
Em tudo o que eu sei.

9
Quando o melro voou para fora do alcance da vista
Assinalou a orla
De um de muitos círculos.

10
Perante a visão de melros
Voando envolvidos numa luz verde,
Até os proxenetas da eufonia
Haviam de gritar com vivacidade.

11
Ele foi até Connecticut
Num coche de vidro.
Uma vez, foi tomado de pânico
Quando confundiu
A sombra da carruagem
Com melros.

12
O rio corre.
O melro deve andar a voar.

13
Anoitecia em cada instante da tarde.
Nevava
E ia continuar a nevar.
E o melro empoleirado
Nos ramos dos cedros.

SIMÕES, António, Antologia de Poesia Anglo-Americana, de Chaucer a Dylan Thomas, Porto, Campo das Letras, 2002, p.409-413

Numa das minhas viagens o melro da foto veio ter comigo.
A sua originalidade advém apenas da rapidez com que empunhei a minha fraquinha máquina digital.
Confesso, assim que o vi lembrei-me logo de W.Stevens.

Registo Audio:
by Wallace Stevens
The Idea of Order at Key West

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Percursos académicos “de certa maneira exemplares”

Terminar uma licenciatura com mais de 40 anos de idade, a um domingo, numa universidade privada que vai ser encerrada, após um dúbio processo de equivalências, e depois de uma desgastante vida profissional (partidária) em que nunca teve tempo para acabar a licenciatura. Pobrezinho! Tenho mesmo muita pena dele. Muita!

Tirar uma pós-graduação em engenharia sanitária numa universidade pública (Escola de Saúde Pública – UNL) ainda sem ter concluído uma licenciatura; e frequentar um Mestrado em Gestão no ISCTE e dizer que se tem MBA. Realmente… não é mesmo para qualquer um! É só para gente muito "especial".

O senhor ministro do ensino superior é capaz de ter alguma razão: o percurso académico do primeiro-ministro «é um caso de certa maneira exemplar» e «devia encher de orgulho e regozijo» o país. Bem… talvez “regozijo” não seja a expressão mais adequada. “Risota” é capaz de ser uma asserção mais ajustada.

PS. Aproveito para deixar aqui os meus sinceros parabéns ao António Balbino Caldeira, pela sua persistência, e pelo excelente trabalho de pesquisa que vem realizando.

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sexta-feira, abril 06, 2007

Os Idos de Abril

Acabado o almoço expresso, vagueei pelas notícias do Público de três de Abril próximo passado. Não obstante ser minha expressa vontade adquirir o jornal do dia em que publico este arrazoado, e resultante de uma deferência não rara, o ardina fez o obséquio de me regalar com uma antiguidade. Um fragmento de história pelo custo do folhetim do dia – um achado.

A página primeira do pretérito periódico, anunciava que doutos cientistas tinham publicado um estudo mais sobre uma tal Ota, que o hemiciclo tinha antecipado votações por premunir falta de assiduidade dos laicos procuradores da plebe na religiosa quadra pascal e, a toda a altura da página, era publicada uma singular peça sobre um desporto muito em voga nesses imemoriais tempos: o futebol. Três assuntos que nos remetem directamente para a etimologia da palavra «notícia»: novidade.

Firmada a leitura das parangonas dos idos de Abril, embrenhei-me no interior do periódico para descobrir outras estimulantes matérias passíveis de enobrecer a minha erudição. Contudo, e antes de proceder a esta insigne tarefa, deparei-me com a necessidade de apartar uma miríade opúsculos secundários. Consumado este imprescindível mister, não mais que uma vintena de páginas remanesceram. Estas, segundo a terminologia do meio, designam-se por «Caderno Principal».

Munido de uma ávida querença de saber, passeei então o meu analítico olhar por dezenas de artigos do jornal. As novas estavam soberanamente acondicionadas em estanques secções, coadjuvadas por ilustrações que colaboravam para um melhor entendimento das matérias.

Na impossibilidade de me pronunciar sobre a totalidade das notícias, trago-vos à colação uma única. Abordava-se a sempre pertinente e deveras empolgante questão dos eleitores fantasma. Um estudo (os «estudos» eram muito apreciados nos idos de Abril) revelava que existiam cerca de oitocentos mil eleitores fantasma. E que esse número poderia deturpar os resultados alcançados nos actos eleitorais do sistema representativo da democracia parlamentar portuguesa. Confrontado com este, o director geral do STAPE, o superior responsável pela manutenção e actualização dos supracitados cadernos, mostrou estar à altura dos acontecimentos e respondeu racional, educada e irritadamente que «eles que o provem». Passada a educada fúria racional, alertou então para o facto de «ser altamente improvável existirem em Portugal dez mil eleitores com mais de cem anos».

Tenho para mim que, mais do que altamente improvável, é consumadamente impossível evitar uma sonora gargalhada por saber que existe uma pessoa em Portugal que julga que há uma dezena de milhar de eleitores centenários.

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quarta-feira, março 28, 2007

Optimismo, Prudência e Pessimismo

Como aqui muito bem se refere, é de um optimismo ingénuo realizar os concertos que visavam celebrar o 50º aniversário do Tratado de Roma ao ar livre na diluviana Bruxelas. Já os dirigentes europeus, preferiram não embandeirar em arco e fazer discursos mais prudentes quanto ao futuro da UE. Agora só não entendo as escolhas das bandas que actuaram nos referidos concertos: decretar os Scorpions e as Las Ketchup como embaixadores da música alemã e espanhola é, no mínimo, de um atroz e paralisante pessimismo.

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segunda-feira, março 26, 2007

Lá vamos cantando e rindo...

Na primeira fase do concurso votei em Manuel Fernandes Tomás. De resto, nem sequer tive paciência para ver mais de 10 ou 15 minutos de alguns dos episódios da interminável saga. Porém, e por mero acaso, acabei por assistir a alguns dos documentários do programa: Salazar, Fernando Pessoa, Infante D.Henrique, e [pasme-se] até consegui aguentar a primeira parte do documentário de D.João II com Paulo Portas.

Apesar de não ter qualquer dúvida que o Infante D.Henrique é o maior português de todos os tempos, tenho de confessar que se tivesse votado na fase final do programa provavelmente a minha escolha também recairia em Salazar. E não o faria por nutrir qualquer tipo de admiração ou simpatia pelo carismático ditador português, mas somente com o intuito de evitar que Álvaro Cunhal acabasse por vencer o concurso com o voto militante dos comunistas que, ainda assim, o conseguiram arrastar até à fase final do programa e coloca-lo num imerecido segundo lugar na classificação geral.

Pelos mais diversos motivos que não importa aqui referir, compreendo perfeitamente que alguns de vós se sintam frustrados e revoltados com a vitória final de Salazar. Eu sentiria precisamente o mesmo se porventura Cunhal vencesse o concurso [cruzes canhoto!].

No entanto, não fui capaz de deixar escapar uma gargalhada contida [para não ferir susceptibilidades] quando hoje de manhã me disseram que Salazar tinha vencido com 41% dos votos… 33 anos depois da Revolução de Abril.

Apetecia-me agora divagar um bocadinho sobre aquela célebre frase do “volta, estás perdoado”, mas não quero abusar mais da vossa paciência.

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

o meu telemóvel novo...

Tenho um telemóvel novo há quase um mês mas ainda não me dei ao trabalho – não tive tempo! - de passar os olhos pelo manual... Perdi uma/duas horas a memorizar contactos, a definir toques, a experimentar as mensagens e a explorar a agenda – as restantes 4996 funções decidi ignorar... Há, no entanto, uma outra função que me é bastante útil, pois é ela que me acorda – ou devia acordar! – de manhã, que é o despertador. Mas aqui o meu telemóvel tem certamente vontade própria, pois só desperta quando lhe apetece! Ou então, num processo avançado de osmose, assume a vontade nula da dona de se levantar... Ou isso, ou haverá algures no manual – que ainda não li – uma nota dizendo que entre as 6h30 e as 7h00 a função despertador é completamente aleatória... Alguma coisa há-de ser! - estou a precisar urgentemente de ler o tal livrinho...

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terça-feira, fevereiro 20, 2007

Estórias da K.A.P.I.T.A.L.

«Por muito que custe, o histórico recente do PSD na CML é o seguinte: Pedro Santana Lopes ganhou a Câmara e criou as condições para que o PSD a mantivesse. Carmona, sob o alto patrocínio de Marques Mendes, desbaratou esse capital e entrega, de mão beijada, Lisboa à coligação PS/PCP. Brilhante».

Pedro Marques Lopes


1. Se bem me lembro, o PSL venceu as eleições autárquicas em Lisboa porque foi subestimado por João Soares, que tinha acabado de fazer um péssimo mandato à frente da autarquia. Porém, a curtíssima passagem de PSL pela liderança do governo foi mais do que suficiente para desbaratar todo o capital que até então tinha angariado – que nem sequer era um capital por aí além.

2. Marques Mendes jogou uma cartada de mestre quando decidiu apoiar Carmona para a CML. Se não o tivesse feito o PSD dificilmente teria conseguido manter Lisboa.

3. Apesar de Carmona não ser [ainda] arguido em nenhum processo, ao contrário de outros Presidentes de Câmara que por esse país fora continuam a exercer as suas funções como se nada fosse, é impossível disfarçar que a CML está mergulhada num lamaçal de suspeitas e de mal-entendidos.

4. Depois dos últimos acontecimentos, quem desbaratou todo o seu [já escasso] capital político foi o próprio Marques Mendes. E o mais provável é que o PSD venha a pagar bastante caro por este erro infantil do seu líder.

5. Carmona Rodrigues nunca chegou a ter capital político que pudesse ser desbaratado.

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domingo, fevereiro 18, 2007

Prognósticos só no fim do jogo

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Complicadex

Foto: Oskari Hellman

Durante a campanha ambas as partes andaram a bradar aos sete ventos que a questão do aborto não era política. Apesar de não partilhar desta visão apolítica, a verdade é que se observaram diversos personagens da direita a fazer campanha pelo Sim, e de esquerda pelo Não. Aliás, nesta matéria, ainda estão por traduzir as representações de alguns silêncios particularmente misteriosos.

Porém, apesar da axiomática vantagem do Sim, o referendo, como esperado, acabou por não ser juridicamente vinculativo.

Face à pergunta que foi colocada, e às dúvidas semânticas que, extraordinariamente, só agora parecem começar a fazer sentido para os defensores do Sim, um referendo não vinculativo seria uma oportunidade única para se preparar uma lei apoiada nas orientações mais moderadas da facção "vencedora". O discurso de “vitória” de José Sócrates parecia apontar nesse sentido, mas bastaram algumas horas para que alguns dos Sins mostrassem as suas verdadeiras pretensões: o aborto livre.

Como com o passar do tempo as clivagens entre os diferentes Sins vão ter tendência para se acentuar, e como o melhor do Carnaval ainda está para vir, vou-me entretendo a observar as evidentes dificuldades em que os defensores dos diferentes Sins se encontram por se terem apressado a anunciar uma estrondosa “vitória” que, como se nota, não passa de uma intricada vantagem política.

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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Pré-flexisegurança

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