segunda-feira, abril 09, 2007

Bloco de Notas

1 - Saio e regresso e a nova saga da "Guerra das Estrelas" continua, pena a mudança abrupta de realizador. Lucas era mais talentoso.
2 - Criança de quatro anos - Nancy, o que quer dizer reputação?
3 - O cartaz que figura no presente post encontrava-se num daqueles postes publicitários que existem espalhados por algumas cidades da Europa. Não resisti, empunhei a minha fraquinha máquina fotográfica digital, e aqui está. Não sei se vos acontece o mesmo mas a minha vida é recheada de coincidências deste tipo. Eu gosto particularmente deste mobiliário, bastante preferível aos cartazes que inundam as cidades de lixo urbano. Gostaria que encontrassem uma solução semelhante para as gatafunhadas que alguns chamam graffitis.
4 - Tenho alguma dificuldade em gostar de poesia hermética. Aquela poesia banhada por palavras encontradas ao acaso no dicionário. A mim é o que me parece. A poesia para me dizer alguma coisa tem de reunir uma das seguintes condições: musicalidade, estranheza, imaginação, originalidade e lirismo.
5 - Um exemplo do que disse anteriormente é um poema de Walter de La Mare, 1873-1956, poeta e romancista inglês, chamado "À Escuta". Apetece ler em voz alta pela sua extraordinária musicalidade e estranheza:

"Está aí alguém?", disse o Viajante,
Batendo na porta banhada de luar;
No silêncio da floresta cheia de fetos
Só se ouvia o cavalo a mastigar.
E um pássaro voou de um torreão
Por cima de a cabeça do Viajante:
Ele bateu na porta uma segunda vez;
"Está aí alguém?", disse, expectante.
Mas com o Viajante ninguém veio ter;
E ao peitoril debruado de folhedo,
Ninguém veio mirar os seus olhos cinzentos,
Ali onde ele estava imóvel e surpreso.
Mas unicamente os inúmeros fantasmas,
Que então naquela casa viviam sós,
Escutavam na quietude do luar
Vinda do mundo dos homens, aquela voz.
Sob o ténue luar, sobre o átrio vazio,
Apinhavam-se ali na sombria escada,
Atentos, enquanto o ar era agitado
Pla pergunta do Viajante solitário.
Sentiu no seu coração essa estranheza,
O silêncio deles respondendo ao seu grito,
Enquanto o cavalo comia a erva escura,
Sob a cúpula estrelada do infinito.
Depois, de repente, ele bateu na porta
Com mais força ainda, a cabeça levantada: -
"Digam-lhe que eu vim e ninguém respondeu,
E que eu estou aqui pra cumprir minha palavra."
Os que estavam escutando não se mexeram,
Embora cada palavra que proferiu
Ecoasse entre as sombras e o silêncio da casa,
Vinda de o único ser ainda vivo:
Ah, eles sentiram-lhe o pé no estribo,
E o som das ferraduras no empedrado,
E como o silêncio voltou suavemente,
Quando o cavalo se afastou apressado.

SIMÕES, António, trad., Antologia de Poesia Anglo-Americana, De Chaucer a Dylan Thomas, Porto, Campo das Letras, 2002, p.386-387

6- Afinal que promessa viria o Viajante cumprir?

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segunda-feira, março 05, 2007

António Barreto e o país real (III)

Um leitor comenta mais abaixo:
onde estava António Barreto quando alguém chamou a uma geração inteira: geração rasca?
Caríssimo arrebenta,
continua a dar-se demasiada importância ao que dizem os cronistas desta praça, muitas das vezes esquecemos que eles são pessoas comuns cuja originalidade, genialidade, sofre alguns desequilíbrios;
o problema do exercício de qualquer profissão, seja ela qual for, é precisamente o de tentar encontrar esse ponto, alguns conseguem ser equilibradamente geniais, outros esporadicamente e finalmente outros mediocremente;
existe uma certa dificuldade em perceber qual é o objectivo de uma profissão:
que género de profissional pretendo ser?;
dessa nuance, visionária, pedacem a maior parte dos homens e mulheres, daí que assumam papéis nefastamente conhecidos: vítimas, paranoicos, intriguistas, caluniadores, mal educados, fala baratos, etc;
o certo é que tendencialmente humanos, enfim é a nossa cruz, também deveríamos ser tendencialmente profissionais;
para bem de todos.
Mas para não dizer que fugi à questão devolvo-lha em forma interrogativa: e a Geração Rasca por onde andará?

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

o meu telemóvel novo...

Tenho um telemóvel novo há quase um mês mas ainda não me dei ao trabalho – não tive tempo! - de passar os olhos pelo manual... Perdi uma/duas horas a memorizar contactos, a definir toques, a experimentar as mensagens e a explorar a agenda – as restantes 4996 funções decidi ignorar... Há, no entanto, uma outra função que me é bastante útil, pois é ela que me acorda – ou devia acordar! – de manhã, que é o despertador. Mas aqui o meu telemóvel tem certamente vontade própria, pois só desperta quando lhe apetece! Ou então, num processo avançado de osmose, assume a vontade nula da dona de se levantar... Ou isso, ou haverá algures no manual – que ainda não li – uma nota dizendo que entre as 6h30 e as 7h00 a função despertador é completamente aleatória... Alguma coisa há-de ser! - estou a precisar urgentemente de ler o tal livrinho...

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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Aqui há gato!


Com tanta substância, não consigo entender a manifesta falta de inspiração que tomou conta dos Gatos Fedorentos nas últimas semanas.

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