domingo, julho 08, 2007

as sete questões da noite

- não havia ninguém com boa pronúncia inglesa para dizer o texto das antigas maravilhas?!...

- terei sido só eu a ter uma primeira reacção de espanto inconsciente perante o envelhecimento do Homem, aquando da entrada de Neil Amstrong?...

- qual foi a ideia do Joaquín Cortés ir para lá tocar cajón???!!!

- «amigos»?! mas quem é que deu ao Freitas aquela intimidade?!

- o nosso Ronaldo parou cinco segundos para pensar como se lia aquilo, pois foi?...

- a senhora que cantou no fim não sabia a letra, houve problemas com o som ou aquilo era mesmo assim?

- será que se esqueceram de explicar ao animador do estádio que aquilo não era um jogo de futebol?...

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sábado, julho 07, 2007

My wonder

foto: minha

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sexta-feira, julho 06, 2007

Wonder

Nisto do viajar as pessoas distinguem-se como na vida: há os mais entusiastas e excitados, logo no check-in da Portela, há os rabujentos, também evidentes logo no check-in da Portela, e que prolongam as reclamações, reparos e remoques entre o ir e o vir até à recolha de bagagem também na Portela, há os mais recatados e discretos, poucos é certo, os contemplativos, os que querem apenas acrescentar um visto à sua lista de locais a visitar antes da partida definitiva, os que tratam os monumentos e cidades por tu e também aqueles para os quais o local de visita presente é sempre pior do que quase todos os anteriores que visitaram.
Não sei exactamente onde me coloco mas sei que ao visitar um local que me agrada gosto de tirar uma fotografia no dito. Quando se viaja a dois, falta sempre um que tire a fotografia aos dois, portanto há que recorrer à simpatia dos estranhos. Na era das máquinas digitais, a coisa corre bem. Os fotógrafos mais tímidos pedem para ver se a fotografia ficou bem aos fotografados, os mais precavidos avisam apenas Vou tirar outra. A vida facilitou-se imenso com o ocaso das máquinas analógicas e, caso tivesse uma máquina digital daquela vez em que fizemos a travessia de ferry para a Estátua da Liberdade, nada daquilo teria acontecido e hoje podia contemplar a perspectiva perfeita a três, tal como a tinha idealizado.
À medida que deixamos Manhattan e lentamente nos aproximamos de Liberty Island, a Estátua vai adquirindo outra beleza pela proximidade, pela rotação. Acima de tudo, porém, pela imponência que surge de repente ali tão perto, e se vista de terra a estátua é um ponto de exclamação verde contra o azul do rio, estrategicamente colocada tão perto de Ellis Island, a porta de entrada de milhões de imigrantes também em procura da liberdade, a aproximação deixa bem clara a expressão, as vestes e o movimento do corpo, a tão famosa coroa e o facho flamejante. Nesse dia o barco estava carregado como sempre, com particular incidência num gurpo de mulheres asiáticas que ao ritmo do deslizar mais veloz sobre o rio, se movimentavam como formiguinhas excitadas acorrendo ora de um lado ora de outro, aproveitando vorazmente a fugacidade com que Miss Liberty se oferecia, comportamento absolutamente compreensível por parte das asiáticas, de resto: não é todos os dias que nos encontramos frente a frente com um dos mais famosos ícones do mundo carregado de símbolos, a coroa com sete pontas e vinte e cinco janelas, a luz e a tábua com a data da Independência dos Estados Unidos, a imagem feminina iluminando os recém-chegados, libertados das amarras da velha Europa, pelo trilho da liberdade em sintonia com as palavras que não vemos mas sabemos existir no interior do pedestal. Abeirei-me de uma das turistas asiáticas e pedi-lhe que nos tirasse a fotografia, a tal a que me faz falta ali na estante da sala. A rapariga foi lesta, agarrou na máquina, Smile, Cheese, e outra vez, Smile mais cheese e duas fotos tiradas, agradeci, ela rumou para outro lado do barco e cada uma foi à sua vida. A minha, por exemplo, inclui duas fotografias com dois cromos sorridentes, ela num cantinho com meio rosto mal medido dentro do rectângulo, ele em grande plano e a Estátua da Liberdade a espreitar-lhe sobre o ombro. Mais artístico é impossível.

foto: minha

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quinta-feira, julho 05, 2007

Sagrada Família

Muito a custo [bastante forçado diga-se em abono da verdade], lá acedi hoje pela primeira vez ao site onde se efectuam as votações para as proclamadas novas 7 Maravilhas do Mundo, e não pude deixar de ficar perplexo com algumas das “maravilhas” que vão a votos. Para não “ferir susceptibilidades” não as vou distinguir, mas acho inacreditável que no meio de tantos mamarrachos não tenham arranjado um cantinho para a imponente Catedral da Sagrada Família.

Foto minha

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terça-feira, julho 03, 2007

As minhas sete maravilhas

Se votasse, seriam estas a minhas escolhas:

Estátua da Liberdade, EUA, a evocar a Liberdade e a Generosidade;

Taj Mahal, Índia, em representação da Memória e do Amor;

Castelo Neuschwanstein, Alemanha, perpetuando o Sonho e a Imaginação;

Ópera de Sydney, Austrália, um memorial do Futuro e da Música;

Acrópole de Atenas, Grécia, em tributo à Democracia e ao Saber;

Pirâmides de Gizé, Egipto, um símbolo da Fé/Esperança e de Engenho, e

Grande Muralha, China, uma prova de que só pelo Esforço se pode chegar à Grandiosidade.

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sábado, maio 19, 2007

Abraçar o Palácio


Como foi, digam-no outros que mais saibam.
Seiscentos homens agarrados desesperadamente aos doze calabres que tinham sido fixados na traseira da plataforma, seiscentos homens que sentiam, com o tempo e o esforço, ir-se-lhes aos poucos a tesura dos músculos, seiscentos homens que eram seiscentos medos de ser, agora sim, ontem aquilo foi uma brincadeira de rapazes, (…) e tudo por causa de uma pedra que não precisaria ser tão grande, com três ou dez mais pequenas se faria do mesmo modo a varanda, apenas não teríamos o orgulho de poder dizer a sua majestade, É só uma pedra, e aos visitantes, antes de passarem à outra sala, É uma pedra só, por via destes e outros tolos orgulhos é que se vai disseminando o ludíbrio geral, com suas formas nacionais e particulares, como esta de afirmar nos compêndios e histórias. Deve-se a construção do convento de Mafra ao rei D. João V, por um voto que fez se lhe nascesse um filho, vão aqui seiscentos homens que não fizeram filho nenhum à rainha e eles é que pagam o voto, que se lixam, com perdão da anacrónica voz.

José Saramago (1982), Memorial do Convento, Caminho
foto: minha

O Palácio Nacional de Mafra está agorinha a ser abraçado por um cordão humano.
Aqui fica o meu xi-coração.

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sexta-feira, janeiro 12, 2007

As Sete Maravilhas de Portugal

Mais um concurso. Como é impossível votar nestas maravilhas, aqui ficam as minhas sugestões:






  1. Os Lusíadas: porque ainda hoje é o melhor auto-retrato de Portugal e dos portugueses;
  2. Livro do Desassossego: porque é o melhor blogue que alguma vez foi criado;
  3. Os Maias: porque vale por trinta anos de leituras de crónicas de jornal;
  4. Violino - Amadeo de Souza Cardoso: porque ainda se considera prematura uma obra com quase cem anos;
  5. Auto da Barca do Inferno: porque Woody Allen é um Gil Vicente do séc. XX/XXI;
  6. Verdes Anos - Carlos Paredes: porque o hino português deveria ser o instrumental que dá nome ao EP;
  7. Painéis de S. Vicente de Fora: porque antes de seis excelentes frescos, de seis excelentes representações ou de seis excelentes técnicas, é uma excelente ideia.

E estas maravilhas e não as outras, porque o melhor de Portugal não está no seu património arquitectónico mas no artístico.

[imagens: capas dos livros retiradas da loja online fnac.pt; capa do EP de Carlos Paredes, obtida por scanning; pintura "Violino", scanning meu do livro : Pintores Portugueses (Edições INAPA); Painéis S. Vicente de Fora, via sapo.pt.]

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