sábado, abril 25, 2009

Um balanço possível?

Após 35 anos do 25 de Abril a ideia de democracia é paradoxal, pois se por um lado existe um culto de prática democrática mais assente em direitos do que em deveres, por outro persiste uma prática democrática de imposição de deveres não negociados.
Trinta e cinco anos após o 25 de Abril a democracia possível é a articulação de um paradoxo altamente desgastante, construído entre a autoridade dos deveres e dos direitos que se pretendem impor com fortes tiques de autoritarismo entre uns e outros.
É como se todos tivéssemos contribuído para a negação de todos, através de complexos autoritários e de dificuldades de negociação colectiva.
É como se vivêssemos num mundo repleto de comunicação, mas cujos habitantes têm deficiências auditivas.

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quinta-feira, abril 24, 2008

uma casa portuguesa: ao vivo no coliseu...

Zeca! Em vésperas da revolução (do seu aniversário, entenda-se), achei o pretexto - como se dele precisasse - para trazer Zeca à casa mais uma vez. Recordando os anos oitenta em Abril, a morte de Zeca é uma referência importante. Mas a morte de Zeca é um marco não pelo momento em si, mas sim pela sua vida anterior, pela sua obra... A minha consciência musical é bastante tardia e, portanto, Zeca sempre me foi (apenas?) obra, a obra para lá do músico...

Dando um pouco a volta à motivação inicial, venho recordar o seu último grande concerto: 29 de Janeiro de 1983 no Coliseu dos Recreios. Zeca já em dificuldades partilhou o palco com uma dúzia de amigos num Coliseu repleto de outros tantos e muitos mais. Memorável diz que se lembra - que não é o meu caso... A minha referência a este concerto é o LP duplo que mora cá em casa lançado na altura e, ocasionalmente, os vídeos posteriores que passam na televisão.


Uma reunião de canções variadas, com diferentes contextos, abordagens, melodias e poemas. O Zeca da Grândola, da luta e da mensagem, mas também o Zeca de Coimbra, o Zeca do povo, o Zeca dos simples, o Zeca da tradição. E atrás de uma voz já cansada está todo um precurso que a sustenta.

Deixo-vos com "Era um redondo vocábulo" - canção que aprecio bastante -, acompanhado à guitarra por Fausto. A música não faz parte da primeira edição (ainda em LP), mas esteve lá no Coliseu e consta de edições posteriores editadas já em CD. Só depois de ter escolhido a música é que fui ver o vídeo disponibilizado... Apreciei também os "discursos" de apresentação e de fecho: os amigos, o PREC, as partilhas musicais, a criatividade... - a criatividade é, sem dúvida, um bom alibi!... para muitas (demasiadas?) coisas...




mais informação: http://www.aja.pt/
várias músicas para ouvir: http://delta02.blog.simplesnet.pt/

imagem: capa do LP

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sábado, novembro 03, 2007

a ouvir zeca...

Já não é a primeira vez que, perante uma notícia de morte, me dá para ouvir Zeca... Não sei bem o que é, mas há alguma coisa de reflexivo e apaziguador...

Morreu ToPê Borlido, um dos professores responsáveis por tantos dos sorrisos do fim-de-semana... As alpinas e as bourrées são danças animadas, passíveis de interacção de grupo em grandes rodas familiares e de olhares fortes em paragens e cruzamentos de pares. Nos workshops de ToPê reinou, sem dúvida, a boa disposição...

...

Ainda no domingo dançávamos todos...

Um velho voltou
E disse-lhe adeus
Cantando e dançando
Debaixo do céu
"Que é pena que é mágoa
que uma ave de penas
não possa voar"

Zeca Afonso, «Fura Fura» (1979)


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sexta-feira, maio 04, 2007

ZecaJazz

Balanço d'a minha agenda...

De volta à Casa da Música e ao Ciclo dedicado a Zeca Afonso, desta vez na sala1 (Sala Suggia). ZecaJazz com duas partes...

Na primeira, o trio Zé Eduardo Unit. Saxofone, bateria e contrabaixo, com um Zé Eduardo bem disposto nas apresentações. Reavivaram o “A Jazzar no Zeca” – projecto gravado já em 2004. Versões e inspirações adulteradas (bastante!) de algumas das músicas de Zeca. Foi jazz! Talvez, demasiado jazz para aquela sala... Pareceu-me mais adequado para um espaço diferente, mais pequeno e de preferência num bar. Ambiências!

Na segunda parte, Maria João e Mário Laginha. Lindo! Reinterpretações de Zeca – pois claro! – que lhes encaixavam perfeitamente. Laginha ao piano e João na voz... aquela voz que é um instrumento, aquela voz que não se limita a interpretar letras... que interpreta música! Um momento de maior emoção aquando do “Menino d’Oiro”... João justifica-se com beleza da letra e as lembranças que ela traz. O público acede ao apelo e acompanha, cantando em uníssono. Como numa conversa de amigos, João confidencia que, na altura em que entrou para a música, já o Zeca era grande e ela não o acompanhava pois andava maravilhada com o jazz, com as liberdades que ele trazia – «... lá está, a liberdade!...» [sorrisos] João identifica-se com o staccato musical que Zeca defendia, com a força das letras e admira a beleza das descrições... «Deve ser de Moçambique...» – dizia... O concerto terminou, já no encore, com “Traz Outro Amigo Também”, de novo com o público a juntar-se à festa.

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quarta-feira, maio 02, 2007

Drumming + J.P. Simões

Balanço d'a minha agenda...


Sala 2 da Casa da Música esgotada com duas semanas de antecedência; foi um bilhete que me custou a conseguir. Eu nunca tinha assistido a um espectáculo dos Drumming – Grupo de Precursão. Desta vez apresentaram-se como Steel Drumming e tocavam uma espécie de bidões metálicos de diferentes tons de onde saía música numa harmonia que me custou a habituar. Em espectáculos ao vivo, dá-me uma comichãozinha não perceber de onde vem cada som e isso aconteceu-me frequentemente – mas isso é defeito meu! J.P. Simões pareceu-me bem enquadrado na música e na mensagem. (Tem, talvez, de "aprender" que não se ouve quando desvia a cara do micro.) Foram versões das músicas de Zeca e alguns originais a ele dedicados. Gostei dos arranjos, gostei do conjunto.

Só uma última nota: Era dia 25 de Abril e, já no final, dos bastidores, começou a ouvir-se timidamente Grândola. O público, que já estava de saída, parou e entoou juntamente com os músicos que ganharam confiança e regressaram. Em palco, gente nova, uns mais do que outros, mas ninguém com idade suficiente para "cobrar direitos"... JP Simões, de olhos fechados (como habitualmente), foi tomando as rédeas e todos acompanharam, mas... foi estranho... Faltava alguma "autoridade" nesse momento e (os mais jovens músicos das precursões, que me desculpem)... Grândola não é para ser cantada de papel à frente à procura da letra! – estarei a dar razão aos "cobradores"?...

Podem espreitar um bocadinho do espectáculo na reportagem do Jornal da Tarde nos vídeos da RTP (a partir dos 12min40s da segunda parte do dia 27). [Informação daqui.]

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terça-feira, abril 24, 2007

a minha agenda, a minha agenda, ta-ra-ra-ra-ra


Próximas noites no Porto...

25 Abril (4a feira) – Casa da Música S2: 21h
Drumming + J.P. Simões

27 / 28 Abril (6a e sábado) – Cinema Batalha: 21h30
Festival Intercéltico:
- Lumen (Portugal) + Téada (Irlanda)
- Mú (Portugal) + PepeVaamonde Grupo (Galiza)

29 Abril (domingo) – Casa da Música SS: 22h
ZECAJAZZ: Zé Eduardo Unit + Maria João e Mário Laginha

30 Abril (2a feira) – Casa da Música SS: 22h
José Mário Branco «Mudar de Vida»


imagem cortada daqui

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terça-feira, fevereiro 27, 2007

O meu Zeca é melhor que o teu!

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