terça-feira, abril 28, 2009

15 anos, 15 bandas - os vencedores

E, com o meu singelo contributo para o primeiro lugar, os vencedores da votação Antena3 são:

1. Ornatos Violeta - "O Monstro Precisa de Amigos"
2. Silence 4 - "Silence Becomes it"
3. Slimmy - "Beatsound Loverboy"
4. Mão Morta - "Nus"
5. Xutos & Pontapés - "Ao Vivo na Antena 3"
6. The Gift - "Vinyl"
7. Blasted Mechanism - “Namasté
8. Da Weasel - “Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder
9. David Fonseca - “Dreams in Colour
10. Deolinda - “Canção ao Lado
11. Humanos - “Humanos
12. Pedro Abrunhosa & Bandemónio - "Viagens"
13. Moonspell - “Memorial
14. Sam the Kid - "Pratica(Mente)"
15. Clã - “Lustro

imagens: Antena3

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sexta-feira, abril 10, 2009

uma casa portuguesa: 15 anos, 15 álbuns

A Antena3 completa 15 anos daqui a duas semanas. E, integrada nos festejos, decorre uma votação para eleição dos melhores álbuns portugueses editados no período de vida da estação - "os 15 álbuns mais representativos do que se tem feito de há 15 anos a esta parte, pelas várias gerações da música nacional". Estão propostos 100 álbuns, podendo cada ouvinte interessado escolher apenas um. Um???!!!... Haverá alguém que em consciência consiga escolher um de cem?!
Dos 100 seleccionados eu tenho apenas 10 e mais dia menos mês (assim os preços o permitam) juntar-se-ão mais 4 ou 5. Ainda assim, com o leque reduzido a apenas 15 não é fácil...

Álbuns de continuidade - quero dizer, originais de músicos em carreira - são, para mim, mais difíceis de destacar pela representatividade [basicamente porque sim, porque tenho de começar por algum lado]: "Lustro", "Voo Nocturno" ou "Alma Mater" não são, por isso, primeiras opções - sem desmerecer qualquer um deles. "O irmão do meio" é, para mim um excelente álbum, muito bem conseguido no conjunto e na individualidade, mas, ainda que não seja de originais, é relegado com a mesma desculpa. [E o "Afinidades" não está na lista porquê?...] Há ainda "Vinyl" - para mim (ao contrário de toda a gente) o melhor album dos Gift, mas, a ter de escolher só um, não há-de ser este. Por fim, "Apontamento" - um álbum de que já aqui falei - foi a minha mais difícil rejeição, perdendo apenas no ponto de vista da representatividade pretendida. E assim a minha escolha impossível é...


Alguém se atreve a fazer uma escolha?
[ver lista e votar]


imagens: Antena3 / CDGO

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quarta-feira, dezembro 31, 2008

eu fui a miranda ver os pauliteiros...

Buonas nuites mos dê dius...

No último fim-de-semana do ano, tivemos direito ao primeiro festival de Inverno em Terras de Miranda: Geada 2008. Dizia assim a organização:
A 1ª edição do GEADA terá como objectivos principais: festejar e divulgar a cultura, a língua e as tradições de Inverno das Terras de Miranda [...] Pretende-se [...] que todos os visitantes e participantes levem algo mais que uma recordação, mas antes uma experiência, que sintam a motivação de fazerem parte integrante de uma cultura tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante, tentando percebê-la por dentro e não só a estudando.
E assim foi!...

Chegada a Miranda com gelo (não derretido!) na estrada - caminho difícil, hora tardia, muito tempo no carro e muita vontade de dançar...

«Estamos todos no Cartolinha, mesmo ao lado da Sé e da fogueira. É só seguir o som das gaitas.»

A porta do bar abre-se a muito custo, tal é a enchente de gente no pequeno espaço. No piso de baixo tocam as gaitas e os bombos. De volta dos músicos, todos cantam, todos aplaudem, todos criam o seu espaço próprio de movimentação. No piso de cima, recebem-se os participantes, conversa-se ao redor dos copos na mesa, salta-se e baila-se o que permite o espaço e o soalho... que ameaça ceder sobre quem baila em baixo. Os músicos vão-se revezando, vão trocando de instrumento e a alegria e a animação duram noite dentro.

A "polémica" matança é motivo de reunião dos participantes - apesar da cidade, das paisagens e do enquadramento histórico - natural serem também aliciantes alternativos. As alheiras e os chouriços abrem as grandes refeições conjuntas que restabelecem energias.
Os workshops de pauliteiros, de gaita e de percussões, aliados à palestra sobre o mirandês completam o leque de tradições mirandesas ao dispor do participante.

Os concertos da noite, em espaço amplo, perdem alguma cumplicidade e espontaneidade da véspera, mas ganham dimensão e possibilidade de resposta mais enérgica do público. O pingacho, a saia da carolina e o passeado [danças tradicionais mirandesas], também munheiras, rumbas e passodoble, a par dos saltos, da agitação e da alegria que simplesmente se solta ao som da música sem dança predefinida.

Uma deslocação às aldeias vizinhas possibilita o enquadramento "natural" de mais algumas tradições. A Velha e o Carocho de Constantim não estavam no programa, mas foram uma alteração de última hora muito bem-vinda.

E a festa termina em beleza, de volta dos enchidos e do caldo quente... derretendo o gelo... sempre com uma gaita a tocar!


... Que dius mos dê buonas nuites!

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quarta-feira, julho 30, 2008

Mariza no Portugal Profundo

Já há algum tempo que não assistia a um concerto (olá Cristina!).

A música sempre fez parte da minha vida, sempre senti curiosidade (na adolescência mais que agora, o tempo é outro) em saber quem anda a fazer o quê, postura essencial para nos mantermos actualizados seja em que domínio for.

Há dias surgiu um convite irresistível para assistir a um concerto de Mariza, no âmbito da tournée Terra, patrocinada pela Caixa Geral de Depósitos, e lá fui eu.

Notas sobre o concerto:

- se os números da organização forem verdadeiros encontravam-se no recinto 60.000 pessoas;

- a Mariza que eu vi era uma formiga bem acompanhada e arranjada;

- as pessoas que me rodeavam? Lisboetas que estavam de férias na província, entre outros, e uma adolescente algo irritante que levou grande parte do concerto a tecer considerações altamente “qualificadas” acerca da actividade fadista.

- o alinhamento musical da tourné privilegiou essencialmente músicas mais antigas.

- destacaram-se os temas: “Nem às paredes confesso” (com o público a acompanhar); “Ó Gente na Minha Terra” (a cantar no meio do público); “Rosa Branca” (acompanhamento do público); “Barco Negro” (extraordinária), “Diga lá ó Senhor Vinho”, “Feira de Castro” (ambas um exercício de alegria e vivacidade).

- nota negativa: o exagero do timbre no “Fado Primavera”. Os ahhhhs intermináveis pretendem revelar perícia vocal, mas tornam-se maçadores.

- Mariza aprendeu com Amália que um artista para ser verdadeiramente popular precisa de cantar para o povo profundo, daí que o folclore deva fazer parte do alinhamento (Feira de Castro e Diga lá ó senhor vinho – lá estavam). Talvez a razão de ser da sua popularidade também resida nesta postura, mas também porque é das poucas fadistas da nova geração cuja digressão contempla as feiras comerciais/industriais do país.

Já há muito tempo que não estava cerca de uma hora e meia a ouvir alguém cantar, no meio de tanta gente e com tanto gosto.

Pelo facto de me teres seduzido a sair do casulo: Bem-hajas Mariza!

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domingo, julho 22, 2007

frio?!... qual frio?!...

E lá fui eu, novamente, à Praça. Mas, desta vez, bem prevenida: três camisolas, duas meias-calça, calças até aos pés, cachecol, kispo com carapuço, e ainda na carteira luvas e gorro. Assim, sim! Enrolado o cachecol de volta da garganta, fechado o fecho e as molas do kispo até ao pescoço, protegidas as orelhas com o lenço da cabeça e posto o carapuço quase até aos olhos... assim, sim! Não houve frio que me incomodasse. E só para confirmar: estou a falar a sério!!! Eu devia ser a pessoa mais agasalhada de toda a cidade! :)

E, completamente enchouriçada, na Praça vi:

- Grupo de Bombos de Lavacolhos: meia dúzia de bombos grandes e pequenos, uma flauta e vozes deram uma volta em frente à Casa e entraram na Praça, gritando a abertura do palco. Contive uns pequenos saltos, pois ninguém parecia ainda com disposição para danças...

- Chuchurumel + Tiago Pereira: os instrumentos e as vozes, o computador e as imagens, a tradição e a tecnologia: uma combinação excelente! Pessoalmente, achei alguns momentos demasiado electrónicos, mas o conjunto foi muito, muito bom. Deu até para uma desgarrada de acordeão, entre as raízes do vídeo e a actualidade no palco. As recolhas, as vozes, os cantos, a terra, os animais, os instrumentos, os sons,... tudo isso era ponto de partida e de chegada dos dois músicos em palco – tudo fazia sentido!

- Brigada Victor Jara: animados e animadores, mostraram compreensão pelas caras enregeladas, brincaram com as bandas da moda made in Portugal, criticaram o fecho das urgências, lembraram Zeca,... Foi bom! Tiveram direito a encore, de novo Zeca com Janita acompanhado pelas vozes do público e um corridinho (ou outra coisa portuguesa bem rápida...) dançado e aplaudido de forma ordeiramente controlada do palco. Deu para aquecer! Não é que eu tivesse frio, mas foi bom para os desgraçados que (como eu, ontem) resistiram até ao fim no vale da Sibéria da Praça da Casa da Música... Vejam bem, que eu até tirei o carapuço! :)

Amanhã, relembro, a Casa Portuguesa da Casa da Música fecha, de forma gratuita, com o Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo. É ao meio-dia e é dentro da Casa... acho que arrisco deixar o chouriço em casa... :)

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sábado, julho 21, 2007

frio... muito frio!

Diz assim a Casa da Música a propósito dos concertos na Praça:
Em caso de condições climatéricas adversas, os primeiros bilhetes emitidos para os concertos na Praça terão lugar assegurado no interior da Casa até ao limite da lotação da sala.
Ontem fez frio... muito frio!... Mas não choveu... Portanto, a Casa Portuguesa da Casa da Música manteve-se na Praça. Um ciclo com grupos que partem da tradição musical portuguesa, recolhem, preservam e inovam os sons (esquecidos!) das nossas gentes. E tão portuguesa, tão portuguesa era a Casa que o frio de Trás-os-Montes se quis juntar a nós! Não sei se estão a perceber bem: estava frio, frio, frio... muito frio!

E, no friozinho da Praça, ontem, tivemos:

- Marenostrum: grupo de Tavira, acordeão, voz, baixo, guitarra e bateria, acompanhados pelo Quarteto de Saxofones Dythirambus. Muito, muito bom! Durante todo o espectáculo, uma projecção de imagens do Algarve "deles": o Algarve do mar e dos barcos e não o Algarve dos postais das camones na praia. Podiam era ter trazido também um bocadinho do calor de lá de baixo! :)

- Ronda dos Quatro Caminhos: muita gente, muitos instrumentos, muitos sons... demasiada mistura – digo eu! No entanto, acho que as questões técnicas do som não devem ter estado no seu melhor. A bateria abafava completamente os adufes, os violinos e as vozes principais sobrepunham-se às vozes dos coros das adufeiras e do coro alentejano... Foi pena... Mas confesso que o frio... muito frio, frio, frio que estava não deve ter ajudado neste meu juízo.

Hoje, de gorro, luvas, cachecol e casaco de Inverno, isto porque levar a manta e o cobertor é capaz de parecer um bocado mal, estarei de volta!
- 21h30, no exterior da Casa, gratuito: Grupo de Bombos de Lavacolhos
- 22h, no palco da Praça, 5€:
--- Chuchurumel, com projecção de imagens de Tiago Pereira
--- Brigada Victor Jara, com Janita Salomé, Gaiteiros de Milidh

A fechar o ciclo, temos amanhã ao meio-dia na Sala Suggia (sala 1), Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo. Gratuito. Então ao meio-dia, quando há sol e calor é que vamos para dentro da Casa?!... :)

Frio... esteve tanto frio, ontem... frio... frio... muito frio...

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quarta-feira, julho 11, 2007

Buena Vista

Sim, eu sei, não estava lá o Compay Segundo, O Rubén González idem e Ibrahim Ferrer imagino-o na eternidade cantando os boleros do seu Sueño, já o Compay Segundo estará talvez junto da avó para lhe acender os puros. Da composição original da banda só estavam três elementos, sim. Também sei que Fidel Castro é um porcino comunista, conservado por Mateus Rosé, que se desloca a grande velocidade pelas ruas de Havana em Mercedes, mas a verdade é que o espectáculo de ontem dos Buena Vista Social Club no Jardim do Cerco, em Mafra, foi soberbo e que quando cantaram Dos Gardenias em homenagem ao grande Ibrahim Ferrer, conseguia ouvir-se, além da voz, apenas a brisa suave que Éolo nos reservou para uma noite de encantamento.

foto: minha

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