domingo, janeiro 24, 2010

para a próxima trago um livro...

Aos domingos, com alguma regularidade, a Casa da Música (Porto) recebe concertos ao meio-dia. Horário estranho, mas de sobremaneira especial. O meio-dia permite concertos em espaço fechado, com luz natural, assumindo a janela gigante da Sala Suggia todo o protagonismo.

Na semana passada tivemos um concerto do ciclo de solos de órgão. Gratuito. No palco, movimentos de mãos e pés solitários. No ar, as melodias e acordes enchem o espaço. Sentada na minha cadeira, vou lendo a agenda de programação da Casa para 2010 e penso:

Tenho de cá vir mais vezes ao meio-dia...
E para a próxima trago um livro!

Sem qualquer despeito pelos músicos que estiverem em questão, parcerá muito mal dizer que vou ler para a Casa da Música?...

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sábado, janeiro 23, 2010

Meu Deus, o que é isto?...

Voltei ao teatro! «Solos» no Carlos Alberto (Porto) é um ciclo de monólogos em diferentes áreas que sobem a palco por quatro dias, cada um na sua semana até início de Fevereiro. Esta semana temos «Amor» - poema brasileiro, chorrilho de palavras ditas, gritadas, sorridas, choradas... «Meu Deus, o que é isto?» - é a expressão do autor (André Sant'Anna) mais vezes citada no caderninho do teatro. Só o li depois, já em casa, mas é isso mesmo: Meu Deus, o que é isto?...

o sangue das criancinhas, as palavras explicadas na televisão,
a dor do povo, o povo fazendo sexo, o golo do Pelé,
a canção de Roberto Carlos, a mulher cascavel, a guitarra de Hendrix, ...


Comecei concentrada, demasiado! As sequências infindáveis de ligações de palavras tornaram difícil construir uma base... Muita palavra... demasiada(?)... Uma «estrutura interminável de repetição de um tema em infindáveis variações, numa progressão não resolvida em clímax e que poderia durar infinitamente.» [pdf: revista electrónica do instituto de humanidades] - tal e qual!



Estava eu quase a desistir de acompanhar, quando, já perto do final, o sotaque brasileiro se foi, e as palavras, que mudaram de sonoridade, voltaram a captar a minha atenção. Os três porquinhos abriram uma espécie de resumo da noite. Deu para pôr alguma ordem nas ideias e percebi que não queríamos chegar a lugar algum, que era apenas isso:

o sangue das criancinhas, as palavras explicadas na televisão,
a dor do povo, o povo fazendo sexo, o golo do Pelé,
a canção de Roberto Carlos, a mulher cascavel, a guitarra de Hendrix, ...


A violência das imagens criadas, que se ligam e se repelem, numa crítica social e humana.

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segunda-feira, agosto 31, 2009

noites ritual 2009

Início da noite marcado para as 21h30 com final previsto às 2h da manhã. Pelo meio, seis bandas actuaram entre o palco principal montado na entrada e a concha acústica dos jardins do Palácio de Cristal (Porto). Horários cumpridos criteriosamente, com direito a encore apenas para o último grupo. Com as actuações alternadas dos palcos, o tempo de espera das montagens é completamente eliminado, de modo a que, findado um concerto num palco, ainda a "romaria" se movimenta e já o som do concerto seguinte ecoa nos jardins.

Cartaz 100% português com grandes grupos e pequenos projectos. Entrada livre. Só fui na primeira noite e o (louvável!) cumprimento escrupuloso do horário impediu-me de assistir ao primeiro grupo.

Foge Foge Bandido subia ao palco principal quando entrei no Palácio. Ainda não tinha assistido a nenhum concerto e foi... estranho... Manel Cruz no centro do palco, mas sentado atrás de uma mesa... estranho. Arranjos e variações electrónicas... estranhas. Ainda não tenho o álbum, apenas conheço alguns temas do site. O álbum continua em lista de espera, mas com um sobre-aviso: ouvir com cuidado!

Noiserv, no Palco Ritual foi a banda sonora do descanso calmamente sentado na relva. Não conhecia. Um homem, vários instrumentos e a magia do loop electrónico. Por trás uma tela branca com desenhos a "lápis" mostra também alguma dinâmica. Ambiência agradável.

De volta ao palco principal, Dead Combo. Já os tinha visto uma vez e reforço a minha opinião inicial: gosto do som, mas deve resultar melhor em pequenos ambientes intimistas em estilo de café-concerto. Em contexto de festival, perde-se na falta de comunicação com o público e na aparente repetição sonora.

Em hora de fecho do Palco Ritual, o som não me agradou e fui passear um bocadinho.

A fechar o festival, sobe ao palco a Deolinda. Grande sucesso já massificado com excelente recepção do público que durante todo o festival foi compondo um mar de gente em frente ao palco. Concerto animado, com apresentações em jeito de histórias, com palmas e refrões cantados pelo público. Ana Bacalhau animada e animadora fez-me, no entanto, lembrar Miranda (dos OqueStrada) em palco. Gosto dos dois projectos, mas incomodou-me um bocadinho a sensação de déjà vu...

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domingo, julho 12, 2009

uma casa portuguesa 2009

A Casa Portuguesa da Casa da Música (Porto) está de volta, este ano em formato alargado (de 8 Jullho a 2 Agosto) miscigenado com o Verão na Praça. O tema da temporada 2009 é o Brasil, que assim se junta a esta portugalidade.

Faz dois anos que Casa Portuguesa saiu à rua e montou arraiais na Praça. Frio... muito frio fez na altura. No ano passado, voltou para dentro de portas. Este ano está de novo na Praça, mas com um pequeno mimo: distribuição gratuita de mantas da Super Bock! Fiquei maravilhada - é que ali à noite faz mesmo frio! Um agradecimento sincero à organização e ao patrocinador. Resultado final: uma plateia toda coberta pelo vermelho das mantas. «Uma gracinha!» - dizia um dos convidados da noite. «Assim nem é preciso perder tempo a escolher a roupa para vir ao concerto» - dizia a senhora tia ao meu lado.

Entrando pela Casa propriamente dita, na 5a feira assisti a:

- Pauliteiros de Miranda: a tradição portuguesa que teima em não desaparecer. Lhaços tocados por duas gaitas (surpreendentemente, abrindo com uma mulher a tocar!), uma caixa e um bombo, dançados pelos oito bailadores (homens), acrescidos de uma dança mista com uma quadrilha de pares a bailar o Repasseado. Apresentações com algumas explicações dos nomes, temas e parte das letras mirandesas, pena não ter sido integralmente em mirandês - lembranças dos Galandum (que estão a tocar esta noite na Praça)...


- Hamilton de Holanda (quinteto) : um jazz chorado, um choro jazzado, com muita sonoridade à mistura. Não conhecia, fui no escuro, mas foi uma boa aposta. Visual descontraído, conversa apaixonada de brasileiro irmão. Em palco o bandolim (de 10 cordas) de Hamilton, uma harmónica, uma guitarra, um baixo e uma guitarra. Na espectativa dos primeiros momentos, sou surpreendida pela sonoridade do jazz - sinceramente não estava à espera. O bandolim e a harmónica não faziam parte do meu universo jazzístico - como eu sou ignorante... Gostei! Uma vez que a Casa é Portuguesa, aos convidados estrangeiros é pedida uma interpretação de um tema português: Hamilton tocou a solo no seu bandolim Serenata de Carlos Paredes e, em colaboração com a percussão de Naná Vasconcelos, Canção do Mar celebrizada por Dulce Pontes.
Hamilton de Holanda volta a Portugal no fim do ano (4/Dez) para tocar em Lisboa com Richard Galliano - uma combinação que promete!

Quanto à Casa, continua a dar música até ao fim do mês, com o meu (pessoal, claro!) destaque para Galandum Galundaina (hoje à noite) e Laginha e Sassetti (dia 25). Os bilhetes variam entre os 10€ e 15€, havendo um passe de 30€ para quatro concertos à escolha.

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sábado, maio 30, 2009

a norte neste fim-de-semana...

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segunda-feira, maio 25, 2009

Grândolas - Laginha e Sassetti...

Recuando até ao mês passado, venho falar do meu concerto da noite de 24 de Abril - sim, porque, se há alturas do ano em que há (bons) concertos é em Abril! Fui, então, a Matosinhos ouvir o projecto "Grândolas" de Mário Laginha e Bernardo Sassetti.

Antes de qualquer apreciação artística, impõe-se uma imagem visual: dois pianos bem ajustados, de um lado Sassetti mergulhado nas teclas, corcovado sobre o piano com a cara tapada pelo cabelo, do outro Laginha alheado do teclado de olhos fechados e cabeça bem no ar. Tenho de confessar que me custou um bocado desligar o quadro que tinha à frente da imagem de dois autistas sentados ao piano...

Tocaram Zeca Afonso, trabalhando, com arranjos pessoais e divagações temáticas, sobre melodias conhecidas: "Os vampiros", "Venham mais cinco", "Um redondo vocábulo" - como eu gosto desta música! -, "Grândola". Apresentaram também originais seus. Alguns olhares de passagem e um sorriso numa improvisação inesperada (suponho!) foram a pouca transparência de uma cumplicidade introvertida. A palavra descontraída ao público revelou o prazer do trabalho conjunto, mas faltou(-me!) a imagem visual dessa tarefa conjunta que se perdia nas teclas de cada um...

Foi uma noite de Abril de íntimos diálogos sonoros...

[Grândolas toma vida novamente em Julho no Castelo de S. Jorge (Lisboa), dia 10 às 22h.]

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segunda-feira, maio 18, 2009

Wonderland

A produção mais recente do Teatro de Marionetas do Porto chama-se Wonderland e tem por base as histórias da Alice no País das Maravilhas. As marionetas têm algo de fascinante: se, por um lado, há momentos em que me consigo concentrar apenas na "vida" do boneco, por outro, dou por mim a observar as manipulações dos artistas por si só. E Wonderland combina muito bem estas duas facetas: os cenários, os adereços, as luzes, as disposições e movimentações levam-nos ora ao boneco, ora ao artista sem que nessas passagens haja qualquer tipo de estranheza - é a naturalidade anti-natural do non-sense do espírito de Alice.

Apenas quatro pessoas em palco fazem a festa toda, desfilando à nossa frente Alice, o Coelho Branco, o Chapeleiro e a Lebre, o Gato, a Lagarta, Tweedledee e Tweedledum, a Raínha e até os flamingos do criquet. Pouco texto (falado em inglês, com excepção das falas de Alice), alguns momentos musicais e, acima de tudo, a riqueza criativa dos quadros vivos e dos movimentos impossíveis. Foi uma hora bem preenchida que deixou o desejo de mais...

A peça (M/12) está em exibição no Cine-Teatro Constantino Nery (Matosinhos) até dia 24/Maio (5€) e depois vai à Guarda e Montemor-o-Novo.

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segunda-feira, junho 23, 2008

há senhoras na sala...

No Puorto, para além do sutuaque, da pronúncia e afins, há um outro ponto bastante característico que é a dibersificaçom dos sinais de pontuaçom. As bírgulas e os pontos ganhom som e discorrem de forma natural no discurso falado por meio de tudo o que é palabrom. Num é insulto, nem má criaçom, é apenas um bernáculo particular.

E isto bem a propósito da dibulgaçom do DBD da peça Bai no Batalha!, do Teatro de Marionetas do Puorto, que, apresentado em 1993, passaba em rebista a realidade social, cultural e política do Puorto e do país. E porque bem isto a propósito?... Espreitem no YouTube a cena do Fredo Brilhantinas [1a parte] [2a parte] que queria obter na “cambra municipal do puerto a licença de arrumbador de biaturas ligeiras” e já bom perceber...

Os senhores do TMP adbertem: a crítica a este espectáculo, publicada no jornal Público, da autoria de Manuel Juom Gomes, intitulaba-se “Os bonecos mais malcriados do mundo” e dizia entre outras coisas: “Bai no Batalha!” é, acima de tudo, a linguagem forte, cum mais obscenidades por minuto do que todas as rebistas do Parque Mayer tiberom nos últimos anos. Por isso, se é susceptíbel, aconselhamos que num beija.


Bom Som Juom para tuodos !carago!


O DBD (duplo) está à benda no Teatro de Marionetas do Puorto - na sede, por telefone ou e-mail -; custa 15€ e a sua benda num tem intuitos comerciais, destinando-se apenas a dibulgar a actividade do TMP.

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sábado, junho 21, 2008

festa na rua...

Do Santo António ao São Pedro, passando, obviamente, pelo São João, a Rua Cândido dos Reis (no Porto) fecha-se ao trânsito e recebe um programa diversificado de actividades todos os dias depois das 20h e aos fins-de-semana durante todo o dia.

Na baixa portuense, mesmo ao lado dos Clérigos, a festa sai à rua, mais uma vez!

Hoje, às 22h, temos Pé Na Terra, um projecto da inbicta na área da música tradicional.

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sexta-feira, junho 06, 2008

há fins-de-semana e fins-de-semana...

... e este vai ter 40 horas "úteis"! Portanto, deixem lá a pastelice das tartarugas do Hélder para outro dia... =)

Este é o maior festival de expressão artística contemporânea em Portugal, com uma duração de 40 horas consecutivas e com actividades para todas as idades, para todas as famílias e para a família toda.

Das 8h da manhã de sábado, 7 de Junho, até às 24h de Domingo, 8 de Junho, o Parque, o Museu, o Auditório e a Casa de Serralves recebem mais de 80 actividades e mais de 300 artistas, em mais de 200 momentos de apresentação.

Estão representadas as áreas da música, ópera, dança, performance, teatro, novo circo, leitura, cinema, vídeo, fotografia, oficinas, visitas orientadas e exposições.

[site oficial]

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sexta-feira, maio 23, 2008

a casa portuguesa da casa da música

Na semana passada as portas da Casa da Música abriram-se às sonoridades tradicionais e por ela passaram nomes nacionais («Uma Casa Portuguesa») e nomes nórdicos («Focus Nórdico»).

Vamos, então, às impressões gerais:


Na 5a, a Casa estava um bocado despida e com o avançar das horas foi ficando cada vez mais desfalcada - foi pena. Os Realejo animaram a plateia e Rão Kyao e o seu amigo nórdico (KARL SEGLEM) foram mais contemplativos, ainda que com alguns momentos também animados.

Na 6a, os senhores nórdicos (LARS-ÀNTE KUHMUNEN) trouxeram sonoridades diferentes numa língua que nos estranha, cantando as montanhas e... as renas.

Aos Gaiteiros faltou-lhes criar uma ligação com o público. Pecaram na falta de apresentações, de comentários ou descrições entre as músicas, deixando no ar sempre uma distância desconfortável. Fora isso, a música esteve ao seu nível... Não foi o concerto do ano passado, mas foi bom.

No sábado, não pude ir, mas quem lá esteve fala da singularidade da voz nórdica (ANNA-KAISA LIEDES E TIMO VÄÄNÄNEN) e da animação dos Toques do Caramulo.

No domingo, gostei dos senhores nórdicos (HAUGAARD AND HOIRUP). Violino e guitarra. Boa comunicação. Serenos mas divertidos. Deu para dançar e tudo! =)

Júlio Pereira, nunca tinha visto ao vivo... Uma figura forte! Animado e expressivo. Ele, o moço da guitarra e a voz da menina aliavam-se lindamente. Mas aqueles teclados/sitetizadores fizeram-me comichão... Não estou habituada a ferrinhos sintetizados... Mas voltando ao senhor e à sua música: grande concerto!

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quinta-feira, maio 15, 2008

uma casa portuguesa: uma casa portuguesa

Hoje a casa portuguesa do GR traz-vos a casa portuguesa da Casa da Música! É um festival de música de raíz tradicional, que nos mostra grupos portugueses consagrados e divulga novos projectos. Este ano, aos nomes nacionais juntam-se nomes nórdicos, numa fusão da Casa Portuguesa com o Focus Nórdico - tema da temporada 2008 da Casa. Mas vamos aos convidados:




- dia15 (5a), 22h, sala1: RÃO KYAO e KARL SEGLEM: 'Skrey Project' + REALEJO

Rão Kyao é mais um dos nomes que tocavam nas cassetes do meu pai na minha infância. Conheço-lhe a figura, a flauta e a sonoridade de há 20anos. Nunca o vi ao vivo nem ouvi trabalhos recentes. E o senhor até esteve no Porto no ano passado... mas não deu par ir... Estou bastante curiosa.
Os Realejo são de Coimbra e, dizem, «combinam sonoridades da música tradicional portuguesa e europeia com música de câmara» dos primeiros. Não conheço...


- dia16 (6a), 22h, sala1: GAITEIROS DE LISBOA + finlandeses (LARS-ÀNTE KUHMUNEN)

De Gaiteiros de Lisboa já aqui falei... «A força da percussão, a harmonia dos sopros, a envolvência das vozes, unidos por um espírito de raíz tradicional e salpicados pela exploração de novos sons saídos de instrumentos únicos feitos por medida» - disse eu a propósito do primeiro concerto que vi, também na Casa da Música. Que venha outro igual!


- dia17 (sáb), 19h, sala2: TOQUES DO CARAMULO + escandinavos (ANNA-KAISA LIEDES E TIMO VÄÄNÄNEN) [às 21h, no restaurante Kool (no último piso da Casa), há JANTAR DE COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA E NÓRDICA e "JAM SESSION" (aberta a todos os músicos do festival)]

Os Toques do Caramulo são de Águeda. Não os conheço o suficiente para vir cá falar, mas fica a apresentação do «Puro folk serrano».


- dia18 (dom), 22h, sala2: JÚLIO PEREIRA + dinamarqueses (HAUGAARD AND HOIRUP)

Júlio Pereira era-me um ilustre desconhecido até há bem pouco tempo. O lançamento do "Geografias" já em tempo útil do meu maior interesse na música tradicional fez com eu ouvisse falar no senhor - mais vale tarde que nunca! Cavaquinho, braguesa, bandolim, guitarra,... Temos o senhor das cordas a fechar o que abriu o senhor das flautas. Ansiosa...


Os bilhetes diários custam 10€ e o bilhete completo 30€.
Parece que ainda há muitos...
Para sábado, o conjunto concerto+jantar fica por 25€.


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sábado, janeiro 26, 2008

kusturica and the no smoking orchestra

Coliseu esgotado. Em palco 11 músicos: teclas, bateria, precursões, tuba, acordeão, saxofone, violino, guitarra baixo, duas guitarras e voz. Ao segundo ou terceiro tema, Kusturica anuncia: «Isto foi apenas para verem que nós também sabemos tocar música.» Daí para a frente seria apenas pop-rock, energia, diversão, animação esfusiante. Pulos, saltos e palmas... impossível ficar parado.

O vocalista desce do palco e (literalmente!) trepa à tribuna; um passeio em equilíbrio pelo parapeito; um passinho de dança com a senhora embasbacada da primeira fila; um salto de novo para a plateia; novo passinho de dança, mais umas deambulações e o regresso ao palco. No palco há cumplicidades, companheirismo e diversão contagiante. Um violino tocado em mil e uma posições. Uma guitarra luminosa girando no escuro. Mini coreografias encenadas. Uma Juliet escolhida do público sobe ao palco para ser rodeada pelos não-Romeo's. Um despique entre um violino e uma guitarra eléctrica sob um arco gigante segurado por duas meninas do público.

- Preparados?...
- Siiiim!!!
- Preparados?
- Siiiim!!!
- Preparados para uma revolução?
- Siiiiiiiiiiiiiiiiiiim!!!
- Então eu volto cá para a semana e tratamos disso, agora vamos ao rock!

E foi Emir Kusturica and The No Smoking Orchestra... de calças de ganga, t-shirts, fatos de treino, fato-macaco e... um saxofonista sexy... - a sua trupe de ciganos-fake armados em rockers e fazer uma festa... maior... - ontem à noite, no Coliseu do Porto.

[E por falar em No Smoking... com ou sem a perseguição da ASAE, é pedir muito que se cumpra isso na plateia de uma sala de espectáculo fechada?!...]

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sexta-feira, dezembro 14, 2007

Clã na Casa da Música

Estive na Casa da Música para ver Clã mais uma... de muitas vezes! Lindo! Foi engraçada a transformação do "Cintura" de bolso da FNAC para a mega "Cintura" da Casa da Música. Em palco a Casa apresentava um cenário de obras, de construção, com o devido espaço para toda a gente, acompanhado de uns quantos aviões de papel gigantes a pairar sobre tudo isso.

- A Manuela pôde soltar-se, contagiando o público com a energia da menina-mulher e simpatia que a caracterizam.

- O Miguel e o Pedro Biscaia formam um par muito especial: os dois da vida airada! :) Juntos como estiveram na FNAC pareciam os meninos de coro que, a todo o momento, se preparam para fazer alguma... Na Casa, estavam separados, com espaço e palanque próprio para as matreirices pessoais. O Miguel pôde extravasar energia não deixando, do alto do seu palanqe, de tudo observar e todos olhar de forma tão cúmplice. O Biscaia mantém mais a postura do menino bem comportado... sem a vigia dos pais!

- O Hélder com o seu "low profile" chama ao palco, seja ele qual for, o sentido da responsabilidade e, muito na sua onda, vai-se mantendo sereno enquanto ao seu lado tudo explode.

- O Pedro Rito e o Fernando que me desculpem, mas, apesar de este ter sido o n-ésimo concerto a que assisti, ainda não lhes consegui captar a essência... Mais uns quantos concertos e eu chego lá ;)

Foram duas horas de concerto com a apresentação das canções do novo álbum e novas roupagens de êxitos mais ou menos antigos. Como seria de esperar os momentos altos foram conseguidos precisamente com as músicas mais emblemáticas...

- O primeiro grande aplauso - realmente longo! - surgiu no fim da "Loja de Porcelanas". O "Dançar na Corda Bamba" fez saltar (literalmente) grande parte da Sala. O "Problema de Expressão" (já em encore) deu voz à Sala - como não podia deixar de ser - que terminou a aplaudir em pé. Do novo CD destaco, pela encenação, o "Narciso sobre rodas" que (também em encore) nos apresentou uma Manuela inicialmente bailando com sombras e depois cantando envolta num longo casaco de veludo vermelho.

- Mas, para mim, o melhor momento da noite foi uma versão em dueto d' "O Sopro do Coração". Apenas a guitarra acústica do Hélder e a voz da Manuela que terminou abaixada junto da beira do palco a receber de forma agradecida o coro uníssono do público. Esta versão teve direito a uma sentida ovação de pé a meio do espectáculo.

- Para além de tudo isto e, obviamente, do novo CD, ouviu-se ainda "A Grande Pirâmide", "GTI", "O Meu Estilo", "H2Omem", "Amigos de Quem", "Eu Ninguém", "Topo de Gama", "Carrossel dos Esquisitos"... (A menos que me esteja agora a escapar alguma, o primeiro CD ficou esquecido...) Só uma coisa a apontar: depois de terem todo o público a cantar "O Problema de Expressão", os encores fecharam com uma das canções novas... Foi estranho... Não há uma regra escrita em algum lado que diz que os concertos não podem fechar com músicas novas?!... :)

São já 15 anos... Estão mais crescidos, mais maduros, mais conscientes... sem perderem a energia e diversão de palco. Para além de serem dos meus grupos preferidos, são, sem dúvida, das melhores bandas ao vivo! Que duas horas bem passadas!


imagem adaptada

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segunda-feira, dezembro 03, 2007

eu imPORTO-me


Amanhã há festa no centro histórico do Porto. Amanhã passam 11anos do reconhecimento pela UNESCO do Porto Património da Humanidade. Amanhã chamam-se as pessoas às praças, na tentativa de revitalizar e de não esquecer. Amanhã tocam os sinos, cantam os músicos e falam os arautos.

Programação:

18:30h Concentrações/Pontos de encontro [com animações organizadas por escolas, associações e artistas da cidade] - Praça Parada Leitão (aos Leões), Terreiro da Sé, Miragaia (Praça da Ribeira), Praça Sandeman (Cais de Gaia)

20:00h Praça do Infante - Festa com a participação de Pedro Abrunhosa, Rui Reininho, Vozes da Rádio, Rui Veloso, Ana Deus, Bando dos Gambozinos, Conjunto António Mafra, entre outros.

22:00h Palácio da Bolsa - Intervenções musicais por Maria João Matos, João Lima e Pedro Burmester / Conferência por Alvaro Gómez-Ferrer Bayo [Arquitecto, consultor da UNESCO que avaliou a candidatura do Porto e propôs a inclusão do Centro Histórico na Lista do Património Mundial]

E ainda celebrações imPORTO-me, organizadas por entidades que se associaram à festa

18:00 Inauguração de Exposição de Fotografia, na Galeria da ESAP
18:30 Leitura de poemas Porto em Verso, pelos alunos do Curso de Teatro da ESAP, na Galeria da ESAP
19:30 Tuna dos Alunos, na Cantina da ESAP
20:00 (e depois) Petiscos a Um Euro e momentos musicais em bares e restaurantes do centro histórico


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sexta-feira, novembro 30, 2007

jorge palma no coliseu (do porto)

O Coliseu do Porto esgotou para ouvir Jorge Palma. Os ecos das noites de Lisboa não eram os mais animadores e o rescaldo de um concerto supostamente bem alinhado para gravação de um DVD em Lisboa fazia temer em palco uma possível descompressão... em demasia... Mas o músico cumpriu, o público respondeu e a boa disposição do palco e da sala misturaram-se de tal forma que não se distinguia o começo.

Tivemos 2h30 de concerto, sob o pretexto de apresentação do novo CD, mas onde não faltou - e ainda bem! - uma viagem pela restante obra musical. O público acompanhou e aplaudiu e o músico descontraído parecia desfrutar o momento.

Pelo palco passaram alguns convidados, dos quais destaco o acordeão de Gabriel Gomes (um dos fundadores dos Madredeus e forte impulsionador dos Danças Ocultas), que eu não sabia que colaborava neste novo CD - sim, (ainda!) não tenho o dito cujo... Então, dizia eu que o acordeão deu uma nova sonoridade à "Gaivota dos Alteirinhos" - que eu tinha apenas ouvido (e gostado!) no concerto de há uns tempos (só com piano e guitarra) e apresentou-me a "Casa do Capitão" - um instrumental que me hipnotizou de imediato.

Continuo nas notas soltas pessoais e refiro apenas alguns mais alguns momentos. Agradeço profundamente o "Disse Fêmea" - apesar da confusão da letra ;) Agradou-me a serenidade da "Estrela do Mar" ao piano que me absorveu completamente. E tenho de confessar que também me diverti com aquela aceleração do refrão da "Canção de Lisboa" - um dia aquilo havia de ser tocado tão depressa, tão depressa que nem daríamos por ele, ficava só o resto da música (que merecia outro refrão...).

Jorge Palma é um músico transversal, no mais pleno sentido da palavra. E basta um olhar em volta na sala para o confirmar: homens, mulheres, novos, menos novos, aprumados, descontraídos,... A intemporalidade das canções e o acompanhamento dos tempos, sem nunca perder o espírito de jovem rebelde... E, no Porto, tivemos um Jorge Palma de voz esforçada mas pleno de espírito... aconchegado por um público reconhecido.

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sábado, novembro 17, 2007

é natal, é natal, la la la la laaaa...


E o Natal no Porto começa hoje, oficialmente, às 20h.
[Toda a gente sabe que o Natal começa a 17 de Novembro!!!]

Não achava piada à ideia em Lisboa e, muito menos, acho no Porto... Ostentação desmesurada e sem necessidade... Em Lisboa, na altura, cheguei a passar pelo Marquês pela Praça do Comércio e deu para ver o bicho... e, tenho de confessar, que nem o achei bonito... Quando, no mês passado, soube que «a maior árvore de Natal da Europa está a crescer no Porto» estarreci, por momentos. Para que querem eles aquela aberração?! Só porque é grande?!!!...

Mas o que é facto é que a criatura já cresceu - mede tanto como a Torre dos Clérigos (76m) - e está pronta para se mostrar... Se tivermos o vendaval que tivemos há uns anos - que interrompeu a montagem das iluminações natalícias dos Aliados - estou para ver como se vai segurar em pé...

Contudo, mal dizências, reclamações e receios à parte, tanto metro de luz há-de trazer nova côr à Avenida, o que é positivo. E, para além disso... ainda acalento a esperança de que seja mais bonita que a outra... ;)

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sexta-feira, novembro 09, 2007

hoje, no Porto...

Saber "o que é feito do antigo colega de carteira", sentir os anos que passaram pela sala de aula que se conheceu de cor, voltar a entrar no café "Piolho" e noutros espaços habituais da vida académica, são alguns dos objectivos deste 1º Encontro/Festa de Antigos Alunos. [UP, newsletter]

Não sei bem há quanto tempo não vão ao edifício da Praça Gomes Teixeira (Porto), vulgo, Leões. O edifício albergou a antiga Academia Politécnica que deu origem às Faculdades de Ciências (tendo sido o seu edifício central durante muitos anos) e de Engenharia. Mas, se lá vão procurar as salas de aula de outrora, desenganem-se... Tudo (ou muito) foi fortemente remodelado de forma a receber os serviços da Reitoria. Anfiteatros destruídos, deram lugar salas de reunião e escritórios, tudo muito cheio de cabos de rede que agora passeiam assumidamente os tectos dos corredores. Isso não tem de ser mau... Mas eu fui acompanhando algumas das obras e, ver as cadeiras da LW (sala Louis Woodhouse) amontoadas, estilo lixeira, ou os seus seis quadros encostados a um canto, trouxe-me uma nostalgiazinha... A minha primeira aula!...

Quanto ao "Piolho" (de seu nome Café Âncora d'Ouro) foi durante muitos anos lugar de tertúlias de outros tempos e o ponto de encontro quase obrigatório dos estudantes. Sem dúvida, um símbolo da tradição académica portuense. Mas "O Piolho" também mudou... Mais arejado, mais luminoso, com casas de banho novas!!! Cresceu o número de placas de homenagem e comemoração de cursos passados. Mas continuam as pequenas mesas e cadeiras alinhadas sem espaço de circulação :)

E, no meio de tanta divagação, acho que me perdi... Ora bem, hoje, no Porto, na Praça Gomes Teixeira, das 18h às 24h:



cartaz

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sábado, outubro 20, 2007

queeero ficar sempre estudaaante...

... Não coleccionei amores levados pelo vento, nem alimentei corações caprichosos, mas os anos de Faculdade deixam, sem dúvida, saudades... Confesso que me faz um bocado de confusão quem, passando por aqueles cinco anos, só tenha memórias insignificantes e se sinta profundamente aliviado por já não ter de pôr os pés naqueles corredores. Eu até aulas e exames guardo num cantinho especial! Mas, para além disso, há os bancos, o bar - o bar! as natas do bar! - as cantinas, os intervalos, as suecas, as esperas, os estudos, as fotocópias, as partilhas, as ansiedades, as alegrias, as tristezas, os comboios, os autocarros, os atrasos, as boleias... Sei lá! E estou a passar por cima de muita coisa... As praxes, as queimas, o traje, os grupos académicos,... Coisas boas e coisas más, mas com um balanço claramente positivo! Custa-me perceber quem não tenha nem um bocadinho de saudades... Quem não queira ficar sempre estudante... Quem sequer sorria com a ideia de eternizar a ilusão de um instante...

E agora deu-me para isto, porque nesta noite fui ver o FITU - Festival Internacional de Tunas Universitárias "Cidade do Porto"... E houve qualquer coisa que me fez levantar durante o "Amores de Estudante" final, em postura de hino, de respeito e de... partilha... - ainda que uma partilha muito egocêntrica, de mim para comigo, de memórias carinhosamente guardadas...

O Festival continua hoje (sábado), depois das 20h30, no Coliseu do Porto.

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terça-feira, outubro 16, 2007

ir ou não ir?...

Tenho, há largos meses, uma dúvida que me atormenta:

ir ou não ir ao Rivoli?...

Eu acredito que o espectáculo seja bom - ai dele, que não seja!!!... - não é isso que está em causa... Mas, então, e os meus princípios?!... Não me apetece apoiar o senhor que monopolizou um dos principais espaços de excelência cultural da cidade... Não me apetece, pronto!

E não percebo como tem mesmo havido público para tanta exibição?!!! Afinal quem é que tem ido ver aquilo?!... Ainda por cima no meio de tanta polémica... Onde está a cidade que se indignou com a saída dos funcionários e se solidarizou com os manifestantes?!...

Passou ontem um ano sobre o início da Rivolição...
Lembram-se?...

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