domingo, novembro 01, 2009

uma noite gigante...

Três grandes nomes da nossa música juntos em palco para um espectáculo construido em conjunto... A ideia é genial e o resultado ou é muito bom ou é uma grande desilusão... O colectivo não pode ser apenas a soma das partes. Os três senhores têm de justificar - para além do óbvio - este encontro tão desejado. A responsabilidade é imensa! De bilhete na mão já há dois meses, fui deixando que se apoderasse de mim a expectativa de uma grande noite!... Dos concertos de Lisboa nada soube. Estranhei a ausência de comentários imediatos, mas também nada fiz para os procurar... a surpresa faz parte da grandeza do conceito.

...

Letras partilhadas, divididas e conjuntadas - lindo! Os três juntos exploraram cumplicidades sem nunca perder a sua individualidade. Incrível como, no meio de tanta convergência, se distinguem perfeitamente os traços individuais... A palavra solene de José Mário, a palavra multifacetada de Sérgio Godinho, a palavra bailada de Fausto... A palavra, sempre a palavra, rainha mãe na obra destes senhores e convidada de honra neste espectáculo.

Também a presença... a afirmação de José Mário, o gesto de Godinho, a discrição de Fausto. Mas, acima de tudo, um prazer imenso que transbordava na sinceridade do primeiro, na dinâmica do segundo e na intimidade do terceiro.

Uma noite gigante!...

Voltem sempre!


A minha selecção de momentos:

"Guerra e Paz" - integra o meu lote de preferências de Godinho e não me lembro de alguma vez a ter ouvido em concerto; foi uma excelente abertura, com bons augúrios para o resto da noite.

"Como um sonho acordado" - "a" minha canção de Fausto; integrou o lote das canções de abertura; foi uma boa partilha, mas o final não teve a força que devia - faltou a energia dos sopros que ficaram abafados no meio da multidão sonora.

"Primeiro Dia", "Rosalinda" e "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" - foram as canções de cada um dos senhores mais acompanhadas pelo público na cantoria colectiva.

"O canto dos Torna-viagem" - foi cantada pelos três sozinhos em palco; a ideia é muito boa, mas não resultou muito bem; as três vozes da música, originalmente cantadas com coros de apoio, foram repartidas apenas pelos três; faltou um temperamento do volume sonoro que permitisse equilibrar a harmonia e distinguir a nova voz das anteriores continuamente repetidas.

"Quatro quadras soltas" - foi um momento naturalmente adequado.

"Ser solidário" - foi uma boa memória...

"Que força é essa" - apresentada com os arranjos de José Mário para o "Irmão do Meio"; é, para mim, uma referência pessoal obrigatória que esteve à altura do acontecimento.

"Maré Alta" - já em encore; era a minha aposta inicial para música de fecho do concerto; não falhei por muito; ainda com o balanço da agitação de um final próximo, foi a música em que os meus parceiros do lado mais se podem ter queixado de perturbação sonora: há palavras que são para serem cantadas bem alto!

"Inquietação" - também em encore, foi um agradável presente; tem lugar indiscutível na minha selecção de José Mário; pena a atrapalhação de Fausto, mas a canção é mais forte que isso.

"Na ponta do Cabo" - fechou o concerto; o alinhamento na frente do palco de todos os músicos acompanhados de pequenas percussões deixou-me antever a canção que aí vinha e fiquei com pena pela escolha; a dinâmica criada com o público nos dois temas anteriores seria cortada, pela "impossibilidade" de um acompanhamento de tamanho emaranhado de letra; no entanto a força das vozes e das percussões a par da alegria conjunta que transbordava do palco acabaram por conseguir um bom ponto final.

imagem

Etiquetas: , ,

Partilhar

quarta-feira, janeiro 07, 2009

uma música...

A minha primeira descoberta do ano... Já tem uns anos, mas esta versão só passou por mim esta semana. Sur le fil no violino de Yann Tiersen. A força da música é qualquer coisa... E o novo ano quer-se assim... apaixonadamente forte e destemido... A minha partinha de ano novo... Enjoy it!


Etiquetas:

Partilhar

domingo, dezembro 02, 2007

o cavaquinho - o instrumento!

Lembram-se destas oficinas de instrumentos em Coimbra?... Pois eu estive lá e fiz a oficina de cavaquinho. Desde então que ando para escrever um post sobre o instrumento - o post do André, até com referência a Júlio Pereira, foi a deixa perfeita! Não é que eu perceba do assunto, mas achei que não devia deixar passar em branco. Cá vai então, um bocadinho do que eu aprendi...

O cavaquinho é um instrumento de quatro cordas... que se assemelha visualmente, digamos, a uma guitarra pequenina. Grupos de folclore e tunas parecem ser, actualmente, os principais clientes do cavaquinho, que é habitualmente utilizado como instrumento de acompanhamento. Mas também diversos grupos musicais têm no cavaquinho um dos seus principais aliados da nossa sonoridade.

Como instrumento de acompanhamento, todas as cordas são tocadas, fazendo soar acordes. Pode ser tocado com palheta ou sem ela, possibilitando neste último caso a utilização de mais dedos, fazendo soar um rasgado mais ligado. O rasgado é a forma de tocar os acordes que faz com que o tocador ande que nem tolo com a mão para baixo e para cima, de dedos abertos tocando em tudo o que é corda. A outra mão (a esquerda, habitualmente) firma os acordes no braço do instrumento, podendo também, simultaneamente, definir alguma melodia. Neste último caso, ao mesmo tempo que os dedos maiores prendem as cordas graves definindo os acordes que criam a harmonia, os dedos menores vão passeando as cordas mais agudas acrescentando melodia.

Isto tudo junto, quando tocado por quem sabe, é bonito de se ver! Para quem não sabe, a deixa é praticar, praticar, praticar!

Para além do toque rasgado de acordes, pode também ser tocado pontiado, mantendo-se a marcação da mão esquerda, mas tocando (com a direita) apenas uma (ou duas) cordas de cada vez - sai uma espécie de harpejo.

Por fim, como solista não é, claramente, o instrumento com mais potencialidades, mas pode também ter o seu lugar de destaque, tocado de forma dedilhada, um pouco ao estilo do bandolim ou da guitarra portuguesa.

Também aprendi umas coisas sobre a afinação das cordas, que para acompanhamento em acordes de folclore ou tunas é habitualmente sol-sol-si-ré pois facilita a composição de acordes, mas que é pouco prática quando se quer introduzir melodia, sendo aconselhável mi-lá-si-ré (ou alguma coisa lá perto).


E pronto! Foi o que retive de 1h30 há três semanas atrás... Mas podem ler o que nos diz Júlio Pereira, que ele tem mais umas horinhas disto que eu!

imagem

Etiquetas:

Partilhar

sábado, dezembro 01, 2007

O Cavaquinho

Imagem via: juliopereira.pt

A opção do Presidente de República em enviar para o Tribunal Constitucional a lei dos vínculos, carreiras e remunerações pode [e deve] ser objecto das mais diversas análises políticas, mas confesso que o que mais me espantou nesta estória toda foi ter ouvido, pela primeira vez, comunistas, sindicalistas e outros “istas” aparentados, referirem-se ao actual Presidente da República com reverências do tipo: «O Senhor Presidente», «O Senhor Presidente da República», ou ainda [e mais espantoso], «O Senhor Presidente Cavaco Silva». O que é feito daquelas carinhosas enunciações que tanto gostavam de empregar cada vez que se referiam [aparentemente] à mesma criatura como, «o Cavaco», ou [em ocasiões mais solenes] «o presidente Cavaco»?

Etiquetas: , , ,

Partilhar