sábado, janeiro 23, 2010

Meu Deus, o que é isto?...

Voltei ao teatro! «Solos» no Carlos Alberto (Porto) é um ciclo de monólogos em diferentes áreas que sobem a palco por quatro dias, cada um na sua semana até início de Fevereiro. Esta semana temos «Amor» - poema brasileiro, chorrilho de palavras ditas, gritadas, sorridas, choradas... «Meu Deus, o que é isto?» - é a expressão do autor (André Sant'Anna) mais vezes citada no caderninho do teatro. Só o li depois, já em casa, mas é isso mesmo: Meu Deus, o que é isto?...

o sangue das criancinhas, as palavras explicadas na televisão,
a dor do povo, o povo fazendo sexo, o golo do Pelé,
a canção de Roberto Carlos, a mulher cascavel, a guitarra de Hendrix, ...


Comecei concentrada, demasiado! As sequências infindáveis de ligações de palavras tornaram difícil construir uma base... Muita palavra... demasiada(?)... Uma «estrutura interminável de repetição de um tema em infindáveis variações, numa progressão não resolvida em clímax e que poderia durar infinitamente.» [pdf: revista electrónica do instituto de humanidades] - tal e qual!



Estava eu quase a desistir de acompanhar, quando, já perto do final, o sotaque brasileiro se foi, e as palavras, que mudaram de sonoridade, voltaram a captar a minha atenção. Os três porquinhos abriram uma espécie de resumo da noite. Deu para pôr alguma ordem nas ideias e percebi que não queríamos chegar a lugar algum, que era apenas isso:

o sangue das criancinhas, as palavras explicadas na televisão,
a dor do povo, o povo fazendo sexo, o golo do Pelé,
a canção de Roberto Carlos, a mulher cascavel, a guitarra de Hendrix, ...


A violência das imagens criadas, que se ligam e se repelem, numa crítica social e humana.

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