sábado, outubro 20, 2007

queeero ficar sempre estudaaante...

... Não coleccionei amores levados pelo vento, nem alimentei corações caprichosos, mas os anos de Faculdade deixam, sem dúvida, saudades... Confesso que me faz um bocado de confusão quem, passando por aqueles cinco anos, só tenha memórias insignificantes e se sinta profundamente aliviado por já não ter de pôr os pés naqueles corredores. Eu até aulas e exames guardo num cantinho especial! Mas, para além disso, há os bancos, o bar - o bar! as natas do bar! - as cantinas, os intervalos, as suecas, as esperas, os estudos, as fotocópias, as partilhas, as ansiedades, as alegrias, as tristezas, os comboios, os autocarros, os atrasos, as boleias... Sei lá! E estou a passar por cima de muita coisa... As praxes, as queimas, o traje, os grupos académicos,... Coisas boas e coisas más, mas com um balanço claramente positivo! Custa-me perceber quem não tenha nem um bocadinho de saudades... Quem não queira ficar sempre estudante... Quem sequer sorria com a ideia de eternizar a ilusão de um instante...

E agora deu-me para isto, porque nesta noite fui ver o FITU - Festival Internacional de Tunas Universitárias "Cidade do Porto"... E houve qualquer coisa que me fez levantar durante o "Amores de Estudante" final, em postura de hino, de respeito e de... partilha... - ainda que uma partilha muito egocêntrica, de mim para comigo, de memórias carinhosamente guardadas...

O Festival continua hoje (sábado), depois das 20h30, no Coliseu do Porto.

imagem

Etiquetas: , , ,

Partilhar

terça-feira, setembro 11, 2007

Estou a ouvir a Tuna Académica da Faculdade de Economia do Porto

E o meu coração estudantil salta que nem um adoidado, empanturrado de vivacidade e energia.

Tenho pena de não ter pertencido a uma Tuna Académica, a música sempre fez questão de agasalhar a minha vida.

Algumas pessoas, que também foram estudantes, ofendem-se com o comportamento actual dos seus discípulos, descompondo as suas expressões levemente sérias, um ramalhete gestualmente agradável.

São, normalmente, empregados bancários, funcionários públicos ou trabalhadores aficionados de empresas privadas, umas em "Ascenção" outras em declínio.

Na terça-feira da Queima, murmuram, em pleno desfile, com o tal ar um nadinha sério:

- É uma pouca-vergonha, chegam à baixa todos bêbados, sujos e nada refinados.

- É uma tristeza, e vão ser estas almas o futuro deste país.

- No nosso tempo é que era, nós tínhamos ideologias, lutávamos por um mundo melhor.

- Ó pá, dá aí uma cerveja! (O "pá" faz-lhe um manguito) Já viram a falta de educação deste filho da mãe?

- É pá olha p'rós mamilos daquela rapariga!

Sinceramente, no tempo em que eu era estudante os espectadores mimavam-nos com expressões bastante mais desumanas.

Mas anuem os meus colegas de carteira:

Ah, mas os estudantes comportavam-se de forma muito mais eucarística.

Sim, é verdade, também íamos à missa e pelos mesmos motivos.

Qualquer Tuna me ofende ao ponto de inesperadas lágrimas de jacaré soltarem o seu pesar.

Jamais a vida será tão esfuziante, tresloucada e repleta de ocasiões! - exclamam, mas ligeiramente embezerradas.

Etiquetas: ,

Partilhar