sexta-feira, maio 07, 2010

O fim das maiorias?

Há pouco tempo fiz o seguinte raciocínio:
. bem, perante o actual estado do país e do mundo e das ambiguidades crescentes entre ideologias do centro (social democracia, direita liberal e socialismo), partidarização e gestão danosa dos bens do Estado e a crescente delapidação dos recursos naturais dos países por monopólios, oligopólios e forças com discursos sedutores (competitividade, coesão social e cidadania participativa) e cujos fins são tendencialmente de capacitação das economias mundiais de se tornarem simultaneamente competitivas entre si e passíveis de especulação financeira, talvez seja de considerar votar num partido minoritário. Objectivo? Fiscalização dos bens e recursos naturais do país.
Ao que parece alguns Ingleses fizeram um raciocínio semelhante.

Perigos:
. se uma grande maioria de cidadãos realizarem um raciocínio semelhante poderemos vir a cair nos braços de maiorias perigosas para todos nós, não sendo de descartar totalitarismos e autoritarismos, tanto de direita como de esquerda.

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segunda-feira, março 29, 2010

As calças da globalização

Quando uma gata resolve estar com o cio a vida de uma família pode tornar-se num lugar sedutor.
Quando uma gata está com o cio deixa de saber andar e começa a rebolar.
Quando uma gata começa a rebolar há uma espécie de tapete mágico que embala algumas das nossas actividades mais corriqueiras, como o lambe-lava-varre o chão, por exemplo.
Quando uma gata é um por exemplo ficamos sem absoluto e os partidos políticos passam a ser compreendidos como manifestações de afecto.
Quando as manifestações de afecto se destacam o no nosso dia a dia "desosmoseia-se".
Quando uma gata está c'o cio um furacão irrompe na nossa vida e é por estas e por outras que deixamos de reflectir nas catástrofes ambientais e noutras calças da globalização.

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quinta-feira, março 18, 2010

Hoje acordei revolucionária, amanhã não sei

Recentemente a Unesco lançou o livro "O pequeno grande livro das grandes emoções", disponível aqui para download.
Como se pode ler no site "uma coletânea de textos literários de diversos estilos escolhidos especialmente para os leitores jovens e adultos em processo de formação."
O grande Carlos Drummond de Andrade esclarece-nos, num texto simples e claro, como começou a ler, destaco o fim do seu texto:

"Então começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado (pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado) eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica."

Como acredito que as crises são oportunidades, talvez o futuro seja mais livre de burocracia, racionalidade empacotada e educação para a cidadania interpretada como padronização universal de comportamentos. Talvez nessa altura uma postura crítica possa ser crítica e não tenha de ser "amada" ou "odiada" por estar conotada com um partido, religião, cultura, classe social, forma de comportamento, comunicação, etc.

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sexta-feira, março 05, 2010

Produtos tóxicos naturais

Dona Melancia - Benzinho, 'cê 'viu a ideia desgenial de político alemão?
Dom Melão ainda meio adormecido por apoteose de seu clube - :&
Dona Melancia - Meu bem, desproposeram à Grécia venda de uma ou outra ilhota p'ra desequilibrar contas públicas.
Dom Melão efectivamente auto-convencido da grandiosidade de jogador A e B - Como é possível tal magnopotência e genialosidade?
Dona Melancia - Benzinho, no nosso descaso 'tou pensando nas desoportunidades oferecidas por região do barlavento ou até numa das ilhas. 'Cê acha qui sua cotação nos mercados seria desinteressante?
Dom Melão - Não há dinheiro qui remunere tal talento.
Dona Melancia - Meu bem, 'cê desconsidera então virtualidades de nossos produto tóxico?
Dom Melão - Benzinho, eu só sei qui aqueles cara são de uma maravilhosa naturalidade.
Dona Melancia - Produto tóxico natural? Como 'cê é desgenial...

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terça-feira, março 02, 2010

Ler os clássicos

Sempre que alguns #digníssimos# actores sociais falam dos ignorantes (leia-se a arraia miúda)#arregaçam# os beiços, #abotoam# as mangas de alpaca e #botam# contas ao vernáculo, amiúde surpreendem com a inventividade do argumentário: os excelentíssimos invejosos, os digníssimos medíocres e os louvadíssimos representantes da #cambada#, aqueles que ousam matar a mãe por um miserável pedaço de terra.

Sempre que alguns #digníssimos# actores sociais trocam galhardetes e faustosamente #exibem# a sua verdadeira essência, malgrado o adjectivo metafórico ou a metáfora adjectivada, demonstram o que Shakespeare escreveu há muito: natureza humana é natureza humana, sangue azul, poder económico, cultura, elite, género, etc. são #vernizes# caros, mas a tinta acaba por vergar-se às #intempéries#.

É lamentável não se (re)lerem os clássicos.

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sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Ficção & Realidade, Lda

1 - Todos os jornais portugueses, sem excepção, foram, até ao presente, constituídos sob a égide da liberdade de expressão, o seu único e exclusivo intuito foi o de triar a realidade e os jornalistas, profissionais íntegros, exercendo a sua actividade sem o mínimo de interesses (ocultos);
2 - Todos os políticos portugueses, sem excepção, foram, até ao presente, personalidades idóneas, íntegras, afastados das lutas fratricidas entre o poder económico e o usufruto indevido dos bens do Estado;
3 - Todos os responsáveis da justiça, sem excepção, foram, até ao presente, homens e mulheres comprometidos com a celeridade da justiça e a defesa de qualquer ataque a qualquer tipo de cidadão;
4 - Todos os profissionais, sem excepção, que não pertencem a qualquer tipo de corporação e denunciam más práticas de uma determinada corporação são "bufos", pois lutam contra o sistema, porque o sistema não lhes deu aquilo porque tanto lutaram (o tacho);
5 - Todos os profissionais "engajados", e as suas malfadadas corporações, que utilizam a luta política encapotada de liberdade de expressão, julgam-nos adeptos/praticantes de arte naïf.

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segunda-feira, dezembro 14, 2009

Liberais e Marxistas

Os modelos teóricos quando são implementados sofrem as adaptações (ou perversões) necessárias. Os bons e os maus sempre estiveram do lado contrário aos das duas grandes utopias da modernidade: marxista e liberal. Os maus dos liberais são os marxistas, os dos marxistas os liberais. Sendo assim, não há diálogo possível entre duas constelações societais tão absolutamente distintas. Sinceramente penso que tanto uma utopia quanto outra possui virtualidades. A liberal quando defende um sujeito privado e particularista bom, contra um sujeito público e colectivo mau, tudo isto sem violar nenhum princípio ético. A marxista quando defende um sujeito público e colectivo bom, contra um sujeito privado e particularista mau, igualmente sem subversões éticas. A história Ocidental está repleta de casos que desmentem as duas utopias. Os distintos liberalismos conseguiram articular, sabiamente e ao longo dos tempos, multinacionalização de recursos, elites dos partidos e Estado, naturalizando socialmente a ideia de que as sociedades que construíram foram/são/serão as melhores para nós. Os distintos marxismos conseguiram articular, sabiamente e ao longo dos tempos, nacionalização de recursos, elites do partido e Estado, naturalizando socialmente a ideia de que as sociedades que construíram foram/são/serão as melhores para nós. Numa óptica de pura competição por um lugar no poder penso ser muito mais fácil fazê-lo numa sociedade marxista, basta para isso investir e vigiar fortemente a carreira partidária, o partido e os amigos do partido e esperar pela compensação futura. No lado dos liberais a maçada é muito maior, é preciso investir e vigiar a carreira, os amigos da carreira, o partido, os amigos do partido, a árvore genealógica, os amigos da árvore genealógica, a bolsa e os amigos da bolsa e quando deixamos de investir morremos (ou fisicamente, ou socialmente). É por estas (e por outras) que as sociedades marxistas não compactuam nem com a liberdade de expressão, nem com a revista Forbes.

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sexta-feira, novembro 20, 2009

Se ao menos ainda fosse possível acreditar na ciência...

Na sua crónica de hoje do jornal SOL José António Saraiva tece longas considerações sobre provincianismos e urbanidades, em desfavor dos primeiros e em pura exaltação étnica dos segundos.
Segundo o director do SOL, no PS venceu o provincianismo e a megalomania; e a sedução pela metrópole fez-se sentir através de certas práticas indesejáveis (imputadas ao provincianismo): inveja, compadrio, amiguismo e assalto a todas as estruturas do poder e do Estado.
Será que o Estado alguma vez foi uma entidade acima de qualquer suspeita? Não terá a sua construção formal sido sujeita a um objectivo visível e a um oculto? Sendo o visível a regulação dos interesses entre os indivíduos e o oculto nem todos terem a possibilidade de defender os seus interesses?
O Estado liberal não deixa de ser uma invenção genial, uma espécie de "Vaticano" nacional e nos seus meandros sempre se construíram legitimidades e imperativos nacionais. Não podemos, no entanto, deixar de ser generosos, alguns interesses foram sendo construídos tensionalmente a favor das classes com menos acesso ao poder.
Contudo, quanto à verdadeira função do Estado, aguardemos pela história para que se faça justiça à verdade, ou para percebermos de como os embustes foram, ao longo dos tempos, apresentados com a aparência política de defesa dos interesses de todos. Não é preciso tecer aqui grandes considerações acerca deste assunto, basta estudarmos um pouco da história ocidental do século XIX e XX.
O que estamos a assistir na comunicação social portuguesa é a uma velha luta entre facções que sempre estiveram mais ou menos presentes, as elites (urbana e a provinciana) sempre pretenderam defender a sua gente, com as mesmas armas, mas com aparências ligeiramente diferentes; tal como qualquer grupo se pretende defender dos seus mais directos concorrentes.
Os alinhamentos concertados e estratégicos sempre se construíram através de uma teia entre interesses políticos, económicos, provincianos, aristocracia, amigos dos provincianos, nos quais o deslumbramento pelo poder é muito mais do que um fenómeno exclusivo de uma facção política. Afirmar isto seria, provavelmente, sofrer de esquizofrenia da parcialidade e pretender reescrever a história recente de Portugal, aliás a "face oculta" dos mega processos da justiça são as lutas intestinas pelo poder. A sobrevivência nos meandros do poder requer uma grande capacidade de movimentação entre o visível e o oculto, simultaneamente, a aparente "má moeda" vai sendo substituída pela “boa moeda”. A justiça sempre compactuou com este estado das coisas e não é agora que o irá deixar de fazer, as histórias surreais que rodeiam os processos judiciais são máscaras hediondas de injustiça.
Parece-me que o problema oculto da actualidade não é o enriquecimento à custa dos contribuintes, algo de bastante respeitável, o problema reside não só no facto de os “provincianos” não serem hábeis na arte de fazer de conta que não são ricos, mas também no esquecimento de que a usurpação, a morte e a devastação sempre conviveram artisticamente com a árvore genealógica de qualquer família aristocrata.
Se JAS nos pretende explicar, seguindo aliás de uma forma bastante eficaz o modelo científico, que a sua teoria assenta em factos e os mesmos permitem construir uma teoria verdadeira, vamos fazer de conta que não conhecemos a famosa história do cientista que apresentou um artigo-embuste numa qualquer revista de ciência. Não é que o cientista em questão ficou indignado com a tal revista, pois o corpo editorial da mesma tinha sido incapaz de detectar a fraude? Depois desta história como é que poderemos acreditar que na ampla variedade da actividade humana não existem elites travestidas de provincianos e provincianos travestidos de elites? Sim, o grande problema da humanidade já não é não poder confiar nem nas elites, nem nos provincianos, o grande problema da humanidade é já não poder confiar na ciência...

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sábado, novembro 14, 2009

Carnavalização da política

"Carnavalização da política" é um conceito de Boaventura Sousa Santos, segundo o qual existe um atitude de farsa entre padrões de actuação do Estado, os agentes políticos e a interiorização de práticas políticas coerentes.
Exemplos: a) a legislação e o seu não cumprimento, práticas retrógadas e leis avançadas. Por um lado o Estado compromete-se, por outro descompromete-se; b) a "carnavalização" e "descanonização" dos processos ideológicos na integração do partido "Os Verdes" na coligação eleitoral CDU, aparentemente ambos os partidos defendem modelos de desenvolvimento (sócio-económicos) bastante distintos.

Assim "perante o espectáculo de carnavalização da política, não admira que o 'o Português' se tenha afeiçoado a 'convicções negativistas, nomeadamente ao nível político e educativo que o conduzem ao auto-envenenamento mental' (Quadros, 1986: 84)."

SANTOS, B.S. (2002). Pela Mão de Alice. O Social e o Político na Pós-Modernidade. Porto: Edições Afrontamento, p. 63.

Não sei se será ou não correcto, mas as constantes notícias referentes a "fontes" sobre processos em segredo de justiça, não contribuirá também para a consolidação de uma "carnavalização" muito especial:

- investigações;
- arrastamento interminável pelos tribunais;
- papel das "pretensas" fontes jornalísticas.

isto é a contribuição irresponsável de todos para a consolidação de uma ideia:
há uma justiça para quem tem posses para pagar a advogados hábeis na arte de lidar tecnicamente com as leis e a justiça para todos os outros.

Não sei não, mas acho que era bom trocarmos umas ideias sobre este assunto.

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segunda-feira, novembro 09, 2009

O escoicinhar de circunstância

Ontem, ao final da tarde, Mário Crespo, Medina Carreira, um economista da Sic e Nuno Crato transformaram-se, em alguns minutos, em profundos conhecedores dos diversos modelos e tendências económicas.
Mário Crespo soube escolher bem os pares.
Nuno Crato defendeu o modelo económico que sustenta o neoliberalismo.
Medina Carreira a teoria económica que alicerça o neoliberalismo e lhe acrescenta uma pitada de neoconservadorismo.
E o economista da Sic representou o modelo económico neoliberal.
Se a um jornalista não se lhe pode pedir especialização em todas as matérias sociais, económicas e políticas, a um matemático também não e aos homens das finanças ou da economia muito menos.
O objectivo de abordagens antagónicas é à partida uma vantagem, ao contrário do que defendem muitos dos seus detractores.
À partida Mário Crespo ou é um bom profissional, ou um mau jornalista, ou um entertainer politicamente incorrecto, contudo ambas as tendências são paradoxais.
Um bom profissional reconhece o seu conflito de interesses e tem na mira a imparcialidade (ou objectividade ou neutralidade), mas relaciona-se com a senhora de forma tensional, ora como uma espécie de rapariga entradota que recorre com frequência ao cirurgião plástico, ora como uma espécie de rapariga madura que assume as rugas com uma certa aura (ou griffe).
Um mau jornalista não reconhece o seu conflito de interesses, considera-se imparcial e exibe a sua neutralidade de forma tão óbvia e caricata, com uma pitada de escoicinhar* de circunstância.
O entertainer politicamente incorrecto é sempre do contra, não possui desformatação ideológica e ora se consegue rodear de gente insuspeita, ora possui um passado fidedigno, ora é um bom apostador de palavras.
A amplitude e parafernália de classificações poderão recorrer a este modelo e acrescentar ou retirar alguma coisa, os chamados modelos híbridos e quiçá ambivalentes.

Esforcei-me por traçar um paradigma justo e imparcial, de forma a analisar criteriosamente a tendência económica de Mário Crespo, mas não é que estou até agora em plena crise teórico-existencial?

* - argumentos que escoicinham a inteligência alheia.

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segunda-feira, novembro 02, 2009

Entre o oculto e o acessível

Há profissionais das mais variadas áreas de actividade, destacando-se alguns por variadíssimos motivos. Como? Ora através dos meios de comunicação social (jornais, revistas, televisão, etc.), ora através de outras causas, como, por exemplo, o enriquecimento singular.

Se fossemos olhar para a sociedade em geral e tendo em conta dezenas de personalidades públicas (políticos, empresários, juristas, médicos, etc.) como se explica que pessoas sem fortuna pessoal e no prazo de alguns anos tenham conseguido construir uma fortuna desmesurada?

Bem, ponhamos a coisa em termos de ganhar a sorte grande. Até hoje, e que se saiba, ninguém a ganhou com desmérito. Porquê? Bem, a roleta, o computador, ou outro que tal, é sabiamente administrado e à prova da subversão humana, o que não invalida um certo glamour (as virtualidades - ou não - de tal sistema).

No mundo dos negócios, da política e das mais diversas actividades profissionais enquanto uns, afortunadamente, conseguem acertar na sorte grande, outros nem por isso, o que é uma grande maçada. Acertar na sorte grande em qualquer actividade profissional (independentemente do mérito ou desmérito) equivale a dizer ou que se acede a uma informação privilegiada ou que se está no momento certo à hora certa (isto sem ponta de ironia).

Será que a maior parte das pessoas está consciente de que se tem possibilidade de inverter uma determinada situação a seu favor está no campo elucidativo daquilo a que se chama corrupção? Claro, obviamente, sim! E se colocarmos a coisa nestes termos: imagina que tens um amigo que trabalha na banca e que te telefona e diz: é pá, compra acções de Y e não digas nada a ninguém. Compravas? Não compravas?

Actualmente, os políticos, empresários, médicos, advogados, etc. são uma espécie de purgação do mal-estar geral, sendo eles os principais transgressores, corruptos e malfeitores e todos os outros o grande conjunto das suas vítimas.

Será que tais vítimas mudariam, se lhes fosse possível, de lugar? Importar-se-iam de ocupar o cargo dos novos transgressores, corruptos e malfeitores revitalizando assim as diversas classes profissionais e dando origem a novos políticos, empresários, médicos, advogados, etc. e à criação de mitologias cujo discurso moralista esconde autoritarismo social e formas perversas de sociedade, enfim para a tornar mais íntegra?

Os diversos meios de comunicação, individuais, corporativos, privados e sociais estão repletos de cónegos de circunstância, que fazem de conta que esquecem o básico: o interesse individual é, bastas vezes, incompatível com o interesse colectivo.

Assim, enquanto uns acertam na sorte grande e vão viver à grande e à francesa, outros constroem a sua sorte grande através de conspirações e sobrevivem com contraconspirações político, económicas e financeiras, outros enriquecem com uma pitada de intrigas, delitos e pequenas subversões político, económicas e financeiras, algures o sistema rejuvenesce transformando uns em bodes expiatórios e tendo em vista revitalizar a política, a economia e a finança, na melhor das hipóteses para ocuparem os lugares entretanto vagos.

Enquanto isso há ingénuos, cépticos, optimistas e pessimistas profissionais, alguns deles ocupam lugares chave na comunicação social e são pessoas intelectualmente sérias e ideologicamente imparciais. A jusante ou a montante há os que acreditam em determinadas verdades, os que manipulam e são manipulados, os trucidados, os que têm desequilíbrios orçamentais e outros no desemprego.

Entretanto alguns (políticos, analistas, académicos, opinião pública em geral) constroem mitologias próprias, argumentários hipotéticos e modelos de sociedade irrepreensíveis, entre uma palavra luminosa daqui, uma pitada de génio dali e uns quantos truques mágicos dacoli.

Concluindo, vivemos num mundo oscilante, entre a abstracção e a realidade e onde alguns percebem que linhas divisórias não devem transpor e outros actuam, detêm as rédeas do poder e ditam as regras do jogo.

As regras são justas (ou injustas)? Depende da postura ética de quem detém o poder e de quem pretende beneficiar (ou prejudicar).

Nenhuma discussão acerca do poder (seja ele qual for) é intelectualmente séria se não for colocada nestes termos: de que forma se articulam, naquele indivíduo, os interesses (privado e o público)? De que forma os seus interesses individuais se sobrepõem aos colectivos e vice-versa?

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segunda-feira, outubro 19, 2009

Ministeriáveis ou Não, eis a questão

Em todo o espectro mediático há sugestões acerca do novo governo. No contraditório da Antena 1 Luís Delgado gostaria de ter um governo forte e pequeno (o Correio da Manhã ao que parece também). Carlos Magno desiludido com os meios de comunicação social vaticina que os patrões já terão o seu lobby bem armado em determinadas pastas. Um dos presentes ainda ousou uma expressão lírica, qualquer coisa como: já não sei se a má moeda não estará em Belém.

Um pouco espalhada em todos os jornais jogam-se expectativas e sugestões e ainda indicações (ou não) a seguir. Ao que parece estarão de saída os ministros mais contestados pelas corporações:
Jaime Silva
Maria de Lurdes Rodrigues
Alberto Costa
Mário Lino (este por vontade própria)

As opiniões (sugestões) transformam alguns nomes em incógnitas:
Mariano Gago
José António Pinto Ribeiro
Francisco Nunes Correia
Rui Pereira Nuno
Severiano Teixeira

Outras apostam em certezas absolutas:
Pedro Silva Pereira
Augusto Santos Silva (noutro cargo, onde não se "malhe na oposição, agora não convém")
José Vieira da Silva
Ana Jorge
Luís Amado Teixeira dos Santos

Depois há ainda quem defenda que irá ser criado um novo ministério para gerir os fundos comunitários; outros que Sócrates irá apostar mais na cultura; outros que irá reduzir o número de ministros; outros que etc e tal. A legislatura ocorrerá entre temas fracturantes tão caros ao Bloco de Esquerda; a definição do um PSD (à beira da canibalização ?) no qual alguns militantes exigem clarificação tanto do papel de Pacheco Pereira (ou líder da bancada ou outra coisa qualquer, defendido ontem no Eixo do Mal), como do de Marcelo Rebelo de Sousa (líder ou futuro candidato a PR?); o protagonismo do CDS aquecerá em temas como a Segurança, por exemplo; e o combate ao desemprego através das obras públicas, arrefecerá os neoliberais do CDS e do PSD e aquecerá o PCP e o Bloco.

Os que vaticinam o colapso do PSD devido às suas lutas fratricidas deverão estar com problemas de amnésia histórica ou gripe A adaptada ao comentário político, como se não soubéssemos que as conspirações políticas (à esquerda e à direita) sempre existiram, apenas mudando (de quando em vez) os seus protagonistas, enfim parece que querem convencer-nos que o fenómeno é novo e ainda por cima grave.

Posto isto eu cá por mim gostaria que permanecessem no governo Augusto Santos Silva, gosto de homens sem papas na língua e politicamente incorrectos, Pedro Silva Pereira, porque o homem tem um raciocínio lógico-dedutivo invejável, José Vieira da Silva, provou por A+B que certo 'peixe' era podre (falência da Segurança Social tão heuristicamente defendida pelos neoliberais),

Luís Amado e Teixeira dos Santos, são homens intelectualmente sérios, desarmam, com frequência, o terrorismo e os lobbys instalados nos meios de comunicação social, e são portugueses com muita pinta em qualquer lugar do mundo: sabem falar, expor ideias e tratam os adversários políticos com a dignidade que eles merecem.

José Sócrates reaparece recém-convertido, mas nós não esquecemos a sabedoria canónica "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", nada de novo no reino da Dinamarca.

Nos próximos tempos os media tornar-se-ão cada vez mais relevantes, tenderão a chamar a si a governação do país e, curiosamente, essa será mais uma farpa para a sua desvalorização e redignificação.

Nota final: sobre o papel dos media, as ligações perigosas entre a política e as grandes corporações vejam o último filme de Russel Crowe Ligações Perigosas (State of Play), é fácil perceber porque parece que a América está aqui tão perto...

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sexta-feira, outubro 16, 2009

Engenharias sociais

Aparentemente parece que o responsável máximo da France Telecom é um cientista social.
Ao que parece a solução utópica de um mercado que regula neutralmente o Estado e a comunidade está à beira de um lay-off muito curioso: as vidas humanas.
Do curioso ranking da France Telecom emerge toda uma filosofia de gestão.
E ainda há por aí quem nos pretenda vender isto como o modelo ideal de contratualização.

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segunda-feira, outubro 12, 2009

Abstenção e democracia

A subida da abstenção é algo que deveria preocupar-nos. As razões são diversas:
- descredibilização irresponsável dos políticos por meios de comunicação social que respondem acriticamente às agendas ocultas das agências de comunicação e dos seus múltiplos clientes;
- naturalização do debate de ideias à escala privada e afastamento da maior parte da população do debate público, devido tanto a agendas ocultas dos diversos partidos, como a caciquismos locais ou outros fenómenos;
- interesses de esquizofrenia social de grupos diversos (políticos, económicos, culturais) nacionais e supranacionais;
- necessidade de educação e escolarização ainda não interiorizadas pela população que continua encostada a mensagens mistificadoras da superioridade da ignorância e do trabalho manual face ao trabalho intelectual, bem como incompreensão de que o trabalho intelectual é um tipo de trabalho como outro qualquer;
- sistema de ensino repleto de saber abstracto, teórico e que penaliza fortemente a camada da população mais ligada ao concreto. O mesmo não quer dizer que se aplique um conhecimento distinto para as diversas camadas das populações. Regresso de alguns velhos do Restelo travestidos de novas roupagens pretendendo instalar um determinado senso comum: as novas práticas pedagógicas significam menorização do saber e do conhecimento. Uma estratégia bem construída mas cujos resultados serão tão irresponsáveis como as das práticas pedagógicas que contestam;
- desvalorização da cultura popular e entronização de uma cultura de elite, cujo acesso pertence a estratos sociais específicos, articulação com tentativas de impedir o acesso das camadas populares à educação como património da humanidade. Criação de uma outra articulação já devidamente desocultada por pensadores do século XIX, mas cujos motivos ainda continuam fortemente enraizados nas elites e nos corredores dos diversos tipos de poder;
- discursos bafientos e pretensamente doutos, menorização de outros tipos de saber como desnecessários e incultos. Criação de regras homogéneas de saber, estar e ser potenciadoras de exclusão das camadas da população que não tiveram acesso a essas regras, e pedagogias inculcadas num saber que foi naturalizado e sem necessidades de desocultação crítica.
- apologia da passividade e conformismo.

Enfim, deveríamos estar cada vez mais conscientes que a liberdade individual, a igualdade de direitos perante a lei e a democracia andam de mãos dadas. Mas para certas camadas da população educadas pela e na passividade, fortemente penalizadas por diversas circunstâncias históricas, as camisolas continuam a ser costuradas com tecidos velhos. Ironicamente são as camadas populares, preocupadas exclusivamente com a sua sobrevivência e a dos seus filhos, os alvos principais de discursos políticos irresponsáveis (CDS e extrema direita em geral) que pretendem criar um ambiente de legitimação de formas de governo "providenciais" e que contribuem para que a palavra discriminação se revista de contornos anti-democráticos. Enfim, manter na ignorância vastas camadas da população é, afinal, uma velha-nova estratégia e todos deveríamos preocupar-nos com os seus enviesamentos indesejáveis para a democracia.

Um dia destes um comentador assustou-me (Nuno Rogeiro). Afinal, parecia-lhe absolutamente normal um governo legitimado pelas eleições não poder governar, ao que parece havia dúvidas quanto à possibilidade do programa do governo poder ser chumbado pela oposição, daí ser até bastante legítimo (para NG) Cavaco Silva ver-se na contingência de nomear um governo da sua própria iniciativa.
O quê?
Como é que um comentador poderá ser irresponsável a este ponto?
O que significa para esta gente a expressão "eleições democráticas"?
Parece-me que uma postura ética e a decência intelectual são absolutamente necessárias nos tempos que correm.

"Só se obtém o maior efeito fortalecedor da liberdade sobre o carácter quando o indivíduo sobre o qual se actua ou é ou procura ser cidadão tão inteiramente privilegiado como qualquer outro. O que é ainda mais importante do que esta questão de sentimento é a disciplina prática que o carácter adquire pela solicitação acidental aos cidadãos para exercerem qualquer função social, por algum tempo e por sua vez. Não se considera suficientemente quão pouco existe na vida ordinária da maior parte dos homens capaz de lhes proporcionar qualquer largueza, seja de concepção seja de sentimentos. O trabalho deles é rotineiro, não trabalho de amor, mas de interesse próprio numa forma elementar, para satisfação das necessidades quotidianas; nem o que se faz nem o processo para fazê-lo leva o espírito a pensamentos ou a sentimentos que se estendam além de indivíduos; se lhes estão ao alcance livros instrutivos, não há estímulos para lê-los; em muitos casos o indivíduo não tem acesso a qualquer pessoa de cultura muito superior à que possui. Dar-lhe algo para fazer a favor do público supre, até certo ponto, todas essas deficiências. Se as circunstâncias permitirem que seja considerável o volume de obrigações públicas que lhe são confiadas, tornar-se-á educado."

MILL, S. (1967). O Governo Representativo. Lisboa: Arcádia, pp. 84-85.

Stuart Mill é o digno representante da democracia representativa. Apesar de alguns dos seus contestatários considerarem o seu discurso teórico algo ambíguo, nomeadamente no que diz respeito à capacidade económica do seu representante e ao poder legitimado por essa capacidade para participar na vida pública, verificamos nas linhas anteriores uma desocultação das razões que levam alguns representantes pretenderem manter os seus representados na ignorância. Obviamente que a leitura de Marx, o digno representante da democracia participativa, será algo diferente.

"Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é, pelo contrário, o seu ser social que determina a sua consciência."
MARX, K. e ENGELS, F. (1975). Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã e outros textos filosóficos. Lisboa: Editorial Estampa, p. 62.
A adaptação do discurso de Marx na ex-URSS (e não só) foi drástico para a qualidade da democracia e para a vida das populações, ao que parece o bem-estar social tornou-se incompatível com o bem-estar político, económico e cultural (há quem lhe chame outros nomes).
A "ditadura" de um partido, seja ele qual for, torna-se um problema para a qualidade da democracia, talvez todos tenhamos a ganhar com um maior equilíbrio entre as diversas forças partidárias, apesar das inevitáveis debilidades, problemas e maior conflito de interesses. Em Portugal as duas maiorias (PSD e PS) potenciaram (ambas) climas autoritários e restrições à democracia substantiva, apesar de ambas as forças ideológicas pretenderem, em momentos distintos, reescrever a história.

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quarta-feira, setembro 30, 2009

O espectro de Hamlet



1 - Reflexão inicial
O espectro de Hamlet continuará a surgir de quando em vez e a tentar explicar-nos o seguinte: a emoção é a alavanca da razão, apela para a criatividade humana através da dúvida e regenera a razão. Sofrer de falta de dúvida é o pior que pode acontecer ao ser humano civilizado (Freire), mas como a emoção é tendencialmente potenciadora de dúvidas torna-se, simultaneamente, a principal inimiga da Razão sempre desejosa de certezas e verdades imutáveis. A razão é o grande legado da modernidade, ao homem civilizado solicita-se a racionalização das suas dúvidas emocionais.
Shakespeare é um grande adepto do argumento: o que faz mover o homem é a emoção e não a razão, algo que todos os pensadores da modernidade tentaram refutar, alguns edificando sistemas criativos, mas que o dramaturgo inglês consideraria um nadinha esotéricos (Descartes, Kant, Hegel, Rousseau, Stuart Mill, Marx).

2 - Os fantasmas de Cavaco
As achas para a fogueira continuam. Ontem o PR deu um exemplo formidável de como uma emoção racionalizada (deslealdade) poderá provocar danos colaterais nas instituições de referência do Estado.
Cavaco nunca perdoará a Sócrates a aprovação do estatuto dos Açores o que para ele é racionalizado como deslealdade institucional.
Cavaco nunca perdoará a Sócrates outras deslealdades institucionais (Antunes, por exemplo, contraditório das suas afirmações).
Cavaco interpreta tais deslealdades como afrontas à sua autoridade, algo de intolerável.

3 - A autoridade da razão e os seus fantasmas
A razão autoritária tende a auto-flagelar-se, pois, por vezes, poderá aprisionar-se em pormenores mesquinhos em demanda da sua razoabilidade lógica, logo da sua autoridade.
Ontem Cavaco Silva tentou aprisionar-nos nos seus pormenores mesquinhos (confrontação da sua autoridade) e contribuiu para um desassossego geral muito particular.
Será que Cavaco Silva não estará devidamente preparado para gerir as conflitualidades e tensões inerentes à democracia?
Será que as suas irascibilidades farão parte de uma estratégia? Que estratégia?
Será que o PR pretende dizer-nos para vigiarmos o governo e as suas alianças futuras?
Ou será que o PR pretendeu tranquilizar-nos dizendo: estejam descansados meus filhos, vocês ainda não estão suficientemente preparados para perceberem o mundo, mas eu estarei cá para vos salvar.

Sinceramente tenho dúvidas (emocionais), mas considero que algures por aqui estarão os motivos (racionalizados) para as próximas lutas intestinas pelo poder. As próximas semanas serão particularmente emocionais, criativas e um nadinha racionais.
Afinal o velho bardo conhecia-nos de trás para a frente, da frente para trás e também para os lados.

Nota: Fiquei com uma certeza um nadinha mesquinha: afinal grande parte das notícias “fabulásticas” dos jornais são factos, mas cuidadosamente construídos.

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segunda-feira, setembro 28, 2009

Acerca das causas dos incêndios

Sinceramente, concordo com um antigo Professor, um grande Mestre, uma referência para a vida. Há uma frase do Professor que eu nunca esquecerei:

"Há quem olhe para o mundo em geral e só veja harmonia e consenso, eu olho e só vejo incêndio atrás de incêndio."

Há muito tempo que eu concordo com o Professor, mas essa velha metáfora tornou-se particularmente estimulante desde ontem.
O incêndio começou hoje não sei muito bem a que horas, mas o presidente da CIP parece que ficou muito preocupado com o endividamento público, com a internacionalização das empresas, com a fuga dos empresários e com o espectro do velho pai de Hamlet, desculpem, com outro espectro. O presidente da CIP parece que é uma personalidade de referência na economia portuguesa e na competitividade das empresas. O presidente da CIP parece que quando fala está a dizer ao governo o que os patrões pensam. Fiquei afinal bastante descansada, afinal hoje fiquei a saber que a (im)produtividade das empresas nacionais depende única e exclusivamente de um determinado fantasma.

Nota: espanta-me como é que a TSF apresenta esta notícia sem o mínimo de contraditório por parte de outras forças, representando outros interesses. Será que a "velha" liberdade de expressão é só para alguns?

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sexta-feira, setembro 25, 2009

Acerca de fenómenos extra-sensoriais


Na agência A

Chefe - Ó Ermingarda atão já enviaste para as redacções o documento X?
Ermingarda com os óculos de sol na cabeça, os graduados nos olhos, um papel confidencial na mão esquerda, um confidencialíssimo na direita, outro super confidencial no pé esquerdo e outro super super confidencial no pé direito, ainda um confidencial-confidencialíssimo-super confidencial-super super confidencial no colo - Ó Paulinho tenha calma, o dia está devidamente programado. Os documentos que aqui vê estão devidamente alinhados. Um serve o cliente A e é contra o PS; outro serve o cliente B e é contra o cliente A e contra o PSD; outro serve o desinteresse do cliente C é contra o BE, PCP e contra os clientes A e B; e olhe assim sucessivamente, isto 'tá tudo devidamente programado no gestor de projectos da Microsoft.
Chefe - Não se esqueça de enviar aquele email super escaldante para o órgão de comunicação X, o cliente H tem interesses no comércio a retalho e portanto, etc e tal.
Ermingarda - claro chefe, fique descansado pois tá tudo "projectado".
Na manhã seguinte não é que a comunicação social deu grande relevância ao estado de saúde do presidente X de um país africano? Dizem as más línguas que há interesses ocultos de outras agências de comunicação globais.

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quinta-feira, setembro 24, 2009

Acerca da incivilidade dos gatos e das gatas

As gatas e os gatos são animais detestáveis, pois fazem questão de ignorar certos pormenores civilizacionais.
As gatas e os gatos possuem uma estreiteza de vistas incompreensível, talvez ignorância, acerca de outras formas de exploração das funcionalidades dos seus órgãos de reprodução, vai daí desatam a procriar sempre que a natureza assim o exige.
Ter de conviver com esta incontinência fisiológica, esta completa ausência de desfaçatez moral é algo de absolutamente insuportável.

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segunda-feira, setembro 21, 2009

Kids



Filho - Sabes o que uma camisola diz p'rá outra?

Mãe - Este corpo é super desconfortável?

Filho - Nã - abanando a cabeça - toda a gente sabe qu'as camisolas não falam.

Mãe - E pensam?

Filho - Nã - voltando a abanar a cabeça - não tem cérebro.

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sexta-feira, setembro 18, 2009

A aldeia global, o processo RVCC e qwerty2001

Por detrás desta guerra estarão certamente outras guerrilhas.
A destruição do carácter é, afinal, uma estratégia social de longos séculos.
Um dos motivos que levaram ao afastamento das pessoas dos locais mais pequenos é, também, a asfixia social e privada do indivíduo perante os excessos sociais do colectivo. Sartre concentrou esse mal-estar (e outros) numa frase bastante feliz "O inferno são os outros".
O linguarejar (in)consequente sobre a opção de vida de cada um atinge, nesses locais, proporções surrealistas e bastante esotéricas. Sobreviver ao inferno daria, nalguns casos, histórias de vida propícias a um reconhecimento válido e certificado de competências de sobrevivência, com júri e tudo.
O linguarejar da aldeia global é um tanto ou nada semelhante à aldeia bucólica de Alberto Caeiro, só que em vez do primado do saber de experiências feito e de uma propensa harmonia entre homem e natureza, impera o primado do saber de experiências (re)criadas e uma conivência algo (ir)regular.

Na aldeia global as profissões e empresas reconhecidas, validadas e certificadas são as agências de comunicação, os seus assessores, os seus clientes; os grupos detentores dos órgãos de comunicação social, os seus jornalistas e os seus clientes; o Estado, os políticos e os seus clientes; a Universidade, os académicos e os seus clientes; e tudo o resto, algum desse resto somos nós, o motivo pelo qual se dá tudo isto.
Parece que aquele pessoal anda todo a "fazer a caminha uns aos outros" para terem acesso aos consumidores dos seus produtos, NÓS. Sinceramente acho tudo isto muito pouco proveitoso, deveríamos exigir algo em troca.

Algo do género, sim, senhor, eu compro a sua guerrilha, mas em troca quero que diga aí no seu jornal qu'a Fernanda da Burra anda a "cagar" as ruas de qwerty2001 com bosta de macho.
Na aldeia bucólica toda a gente sabe qu'isto é mentira, a Fernanda da Burra tem um daqueles carros chamados papa reformas e provoca alguns acidentes, mas a primeira história é muito mais campestre.

Numa aldeia global o kit de sobrevivência deverá possuir ferramentas idênticas ao da aldeia de Alberto Caeiro.
As histórias de vida serão mais ou menos recreativas, sociais, políticas e/ou económicas, mas o processo de validação será um tanto ou nada semelhante.

"Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado."

Alberto Caeiro,
Fonte

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