segunda-feira, novembro 09, 2009

O escoicinhar de circunstância

Ontem, ao final da tarde, Mário Crespo, Medina Carreira, um economista da Sic e Nuno Crato transformaram-se, em alguns minutos, em profundos conhecedores dos diversos modelos e tendências económicas.
Mário Crespo soube escolher bem os pares.
Nuno Crato defendeu o modelo económico que sustenta o neoliberalismo.
Medina Carreira a teoria económica que alicerça o neoliberalismo e lhe acrescenta uma pitada de neoconservadorismo.
E o economista da Sic representou o modelo económico neoliberal.
Se a um jornalista não se lhe pode pedir especialização em todas as matérias sociais, económicas e políticas, a um matemático também não e aos homens das finanças ou da economia muito menos.
O objectivo de abordagens antagónicas é à partida uma vantagem, ao contrário do que defendem muitos dos seus detractores.
À partida Mário Crespo ou é um bom profissional, ou um mau jornalista, ou um entertainer politicamente incorrecto, contudo ambas as tendências são paradoxais.
Um bom profissional reconhece o seu conflito de interesses e tem na mira a imparcialidade (ou objectividade ou neutralidade), mas relaciona-se com a senhora de forma tensional, ora como uma espécie de rapariga entradota que recorre com frequência ao cirurgião plástico, ora como uma espécie de rapariga madura que assume as rugas com uma certa aura (ou griffe).
Um mau jornalista não reconhece o seu conflito de interesses, considera-se imparcial e exibe a sua neutralidade de forma tão óbvia e caricata, com uma pitada de escoicinhar* de circunstância.
O entertainer politicamente incorrecto é sempre do contra, não possui desformatação ideológica e ora se consegue rodear de gente insuspeita, ora possui um passado fidedigno, ora é um bom apostador de palavras.
A amplitude e parafernália de classificações poderão recorrer a este modelo e acrescentar ou retirar alguma coisa, os chamados modelos híbridos e quiçá ambivalentes.

Esforcei-me por traçar um paradigma justo e imparcial, de forma a analisar criteriosamente a tendência económica de Mário Crespo, mas não é que estou até agora em plena crise teórico-existencial?

* - argumentos que escoicinham a inteligência alheia.

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2 Comments:

Blogger Luis said...

Olha outra que não gosta das missas do Mário Crespo!

segunda-feira, novembro 09, 2009 6:29:00 da tarde  
Blogger Freire de Andrade said...

Um "economista da SIC"? Trata-se do Prof. Doutor João Duque, presidente do ISEG e, apesar de ser convidado com frequência a comentar na SIC assuntos económicos, não é da SIC. Quanto a mim é um óptimo comunicador que analisa muito bem os problemas económicos e em geral concordo com as suas opiniões. No programa Plano Inclinado também apresentou o problema do endividamento do país de modo correcto e compreensível pelos não economistas, como eu. Ainda ontem tive oportunidade de assistir presencialmente à sua intervenção no Fórum da Poupança.

domingo, novembro 15, 2009 12:12:00 da manhã  

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