terça-feira, abril 24, 2007

Kids


Segunda-feira
Criança de 8 anos - Nancy, o que é um Imperador?
Nancy - Um Imperador é o chefe de vários países, imagina que a Europa era governada por um Imperador, governaria todos os países: Portugal, Espanha, França, etc. Bla, bla, bla, bla, bla, bla.
Criança de 8 anos - Então um Imperador é um homem muito poderoso.
Nancy - Parece que sim.


Terça-feira
Criança de oito anos - Nancy, o que é uma Imperatriz?
Nancy - Pode ser a mulher do Imperador ou então é o feminino da palavra Imperador. Tem, por isso, as mesmas funções. Tu sabes o que é um Imperador, pois ainda ontem te expliquei.
Criança de oito anos - Claro que sei o que é um Imperador, estava só a testar os teus conhecimentos.
Nancy - Ok, já agora podes ajudar-me nisto?
Criança de oito anos - Não me importo nada, mas nada de abusos eu também tenho vida pessoal.

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terça-feira, abril 10, 2007

TREZE MANEIRAS DE OLHAR UM MELRO

Wallace Stevens, 1879-1955, é considerado, por diversos críticos de literatura, um dos maiores poetas americanos do século XX. Foi prémio Pulitzer em 1954. Segundo António Simões, tradutor da antologia anglo-americana, a poesia de Stevens é fortemente elegante e filosófica, muitas vezes preocupado em "criar a ordem a partir do caos".
Dos poemas que conheço de outras antologias este é o mais extraordinário e tem duas qualidades essenciais:
originalidade e imaginação.
A poesia é essencialmente um olhar diferente e aqui Stevens suplanta-se em invenção.
Hoje ao ler variadíssimos textos sobre um determinado diploma, pensei novamente na profunda originalidade das "TREZE MANEIRAS DE OLHAR UM MELRO" e imaginei um certo melro "transformado" em diploma.
Um dia ainda hei-de pagar por isto.

1
No meio de vinte montanhas nevadas
A única coisa que se mexia
Era o olho do melro.

2
Eu via as coisas de três maneiras diferentes,
Como uma árvore
Onde há três melros.

3
O melro rodopiava ao sabor dos ventos de Outono.
Era uma pequena parte da pantomima.

4
Um homem e uma mulher
São um.
Um homem e uma mulher e um melro
São um.

5
Não sei qual prefiro,
A beleza das modulações de som
Ou a beleza das insinuações,
O melro a assobiar
Ou logo após.

6
Gotículas geladas cobriam a grande janela
De vidros toscos.
A sombra do melro
Cruzava-a, dum lado para o outro.
O estado de espírito
Desenhava na sombra
Uma causa indecifrável.

7
Ó homens esguios de Haddam
Por que pensais em pássaros dourados?
Não vedes como o melro
Caminha à volta dos pés
Das mulheres perto de vós?

8
Sei de sotaques notáveis
E ritmos lúcidos e inevitáveis;
Mas também sei
Que o melro está presente
Em tudo o que eu sei.

9
Quando o melro voou para fora do alcance da vista
Assinalou a orla
De um de muitos círculos.

10
Perante a visão de melros
Voando envolvidos numa luz verde,
Até os proxenetas da eufonia
Haviam de gritar com vivacidade.

11
Ele foi até Connecticut
Num coche de vidro.
Uma vez, foi tomado de pânico
Quando confundiu
A sombra da carruagem
Com melros.

12
O rio corre.
O melro deve andar a voar.

13
Anoitecia em cada instante da tarde.
Nevava
E ia continuar a nevar.
E o melro empoleirado
Nos ramos dos cedros.

SIMÕES, António, Antologia de Poesia Anglo-Americana, de Chaucer a Dylan Thomas, Porto, Campo das Letras, 2002, p.409-413

Numa das minhas viagens o melro da foto veio ter comigo.
A sua originalidade advém apenas da rapidez com que empunhei a minha fraquinha máquina digital.
Confesso, assim que o vi lembrei-me logo de W.Stevens.

Registo Audio:
by Wallace Stevens
The Idea of Order at Key West

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