terça-feira, março 25, 2008

Women & Children First

Fotografia: Joel Peter Witkin, The Raft of G.W. Bush

«Uma das coisas que mais me impressionou no filme da James Cameron sobre o naufrágio do Titanic foi o facto de o embate fatal com um iceberg não ter impedido a orquestra de ter continuado a tocar e os passageiros a dançar no luxuoso salão de baile da primeira classe. Nesta Primavera de 2008, o nosso país assemelha-se perigosamente ao Titanic. No painel de bordo, só se vêem luzinhas vermelhas a piscar. Nos últimos seis meses, 13 mil PME fecharam as portas, estranguladas pelo aumento do preço do dinheiro – entre 2005 e 2007, a taxa de juro bancária, para os empréstimos superiores a um milhão de euros, subiu 44,8%. E a Associação Nacional das PME prevê que até Dezembro mais de 60 mil empresas vão cessar a actividade. (...)»

Jorge Fiel, Jornal OJE, 25/03/2008, pág. 3

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quarta-feira, abril 11, 2007

uma estátua com dois pontos de interrogação na cabeça

Era uma estátua
que tinha dois pontos de interrogação na cabeça:

- primeiros-ministros engrinaldados de adjuntos
de secretários com circunstância
de "urubus-caçadores"
e mais secretários sem estado
e subsecretários de aparatos variados
e de espectadores oleados
quiçá doutores
acaso engenheiros
e no meio de bando tão autorizado
não haverá um profeta
capaz de tomar o pequeno almoço vestido?

- as maiorias absolutas são uma especiaria
travestida de passadeira vermelha
e os governantes
muito amiúde
mas mesmo muito amiúde
esparramam-se a meio do percurso
será que o enigma
habite apenas
na graxa dos sapatos?

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terça-feira, março 06, 2007

Irreconhecível!

“Se o clube me despedir fico milionário e passados meses treino outro clube"

Evidentemente que este foi um daqueles raros momentos em que o “nosso” special one vacilou. Ninguém está habituado a tanta modéstia por parte do José. O Mourinho que todos conhecemos diria antes: “Se o clube me despedir fico multimilionário e passados alguns segundos estou a treinar outro clube”.

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segunda-feira, março 05, 2007

Pedro, o Docente

Se Pedro Santana Lopes assegura que não foi convidado para dar aulas na Universidade Independente, eu acredito. Se mais não fosse, porque Santana Lopes seria absolutamente incapaz de recusar qualquer convite.

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domingo, março 04, 2007

António Barreto e o país real (II)

Na entrevista do Expresso, desta semana, AB respondendo à pergunta: que opinião tem dos médicos?, diz:
"A acumulação da medicina pública com a privada é nefasta para o país. Se eu mandasse, separava-as. (...) É promíscuo e é perverso Há muitos médicos que têm interesse em que os serviços públicos funcionem mal porque isso aumenta a possibilidade de actividade no serviço privado. (...) Não trabalham o número de horas suficiente no público, talvez metade ou um terço do que deveriam trabalhar. Operam pouco no público, para operarem à tarde no privado(...)"
O mais estranho, caríssimo leitor, é que todos nós sabemos isto e continuamos impavidamente a assistir à comédia.
O principal, e mais sério, problema a combater no nosso país é, sem dúvida, o corporativismo de classes profissionais pertencentes ao serviço público.
Obviamente que falo no corporativismo negativo o que trata de defender:
a vidinha, o importante é tratarmos da vidinha!
As organizações que as norteiam: ordens, sindicatos, etc., assobiam, desafinadamente, para o ar e contribuem, gritantemente, para um aperfeiçoamento das más práticas no campo dos deveres.
Provavelmente uma ideologia, algures, levou-os a assimilar, massivamente, a palavra direitos e a esquecer, amnesicamente, a palavra deveres.
Mas, estes actores, possuem um "virtuosismo" comum:
a tal vidinha
e esquecem, rotineiramente, a razão da sua existência: o serviço público.
A irresponsabilidade cresceu em proporção semelhante à falta de qualidade alinhavando, uns melhores que outros, um discurso mais ou menos semelhante: o da vítima.
Gostaria de lhe dizer o seguinte, caríssimo leitor, eu até aprecio o valor e a necessidade deste tipo de personagens. Existirão vítimas mais extraordinárias que Cordélia ou Ofélia?
Mas, não concorda que, por vezes, se torna premente a necessidade, de qualquer bom actor, vestir a pele de outras personagens?
Até porque, dessa forma, até poderão demonstrar a sua versatilidade.

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sábado, março 03, 2007

Triunfo dos Porcos

Há accionistas da PT que são mais iguais que outros

Pode ser pouco liberal mas, usando a expressão de Henrique Granadeiro, de parvos estes accionistas não têm nada. Nem o BES e a Ongoing, fiéis a um projecto próprio; nem Joe Berardo, fiel ao dinheiro que lhe pagarem; nem a Telefónica, fiel às contrapartidas da Sonaecom no Brasil; nem Carlos Slim, fiel em combater o poderio da Telefónica; nem o Governo, fiel ainda não se sabe bem a quê; nem a Caixa Geral de Depósitos, fiel ao álibi perfeito dado ao Estado para que decida contra o politicamente correcto, se for caso disso.

E nem a Sonaecom é parva. Os dois últimos lances desta partida de xadrez (o aumento da remuneração dos accionistas, primeiro pela PT, depois pela Sonaecom) foram ambos boas jogadas. E é um exercício difícil comparar os 5,7 mil milhões propostos pela PT com os 5,7 mil milhões propostos pela Sonaecom. Até porque a conversa é inquinada, omissa e desviante.

Quanto vale uma acção da PT? Depende também de quem a tem. Mas já vimos que vale mais do que a palavra de alguns dos seus accionistas.

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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Investidores à beira de um ataque de nervos

Hoje acompanhei com particular interesse as movimentações no PSI20. A forte subida da Sonaecom e da Sonae SGPS logo no início da sessão indiciava que o mercado tinha aceite bastante bem a última proposta da Sonaecom. Más notícias para os senhores da PT. Mas a reacção não tardou: a meio da manhã, a maioria dos órgãos de informação financeira começaram a dar voz e a soltar comunicados dos Granadeiros, Salgados, Berardos, Vasconcellos, e Bavas. Apesar de tudo, e em contra ciclo com o PSI20, a Sonaecom acabou o dia em alta (+5.32%). O próprio Henrique Granadeiro não conseguiu disfarçar o seu nervosismo na entrevista que concedeu esta noite no Telejornal.

No final da sessão, a Sonaecom, pela voz do seu administrador executivo, Luís Reis, declarou à Lusa que «a Sonaecom está absolutamente tranquila», e que não consegue «conceber que qualquer agente de mercado responsável e que se reja por princípios éticos e de transparência possa opor-se a uma desblindagem de estatutos».

Estou completamente de acordo. Também me parece que a desblindagem dos estutos da PT são do interesse do mercado. Depois… o mercado que decida. Embora desconfie que se a OPA da Sonae não for para a frente, o PSI20 vai ressentir-se o resto do ano. Os pequenos investidores é que ficam a perder.

Apesar de já passar das 22:00h, a PT e a Sonaecom continuam a largar comunicados com uma cadência impressionante. Esta noite há muito boa gente que não vai pregar olho.

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domingo, fevereiro 25, 2007

Os melhores efeitos borboleta


Na Madeira, Alberto João Jardim recandidata-se; no continente, Daniel Oliveira embrulha-se com Ferreira Fernandes.

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terça-feira, fevereiro 20, 2007

Textos recomendados: «Na cabeça de Sócrates»

«(…) um homem egocêntrico, que se gosta de ouvir mas que gosta pouco de ouvir os outros; um homem calculista, estratego sofisticado, que utiliza armas perigosas para se evidenciar e silenciar a oposição; um político autoritário, que não admite contestação, ardiloso na relação com a imprensa. Mas este seria um perfil demasiado simplista. Mesmo alguns dos seus detractores admitem que o seu pulso firme, a sua intransigência, o modo aguerrido e arrogante como defende as suas posições - os seus defeitos - decorrem também de uma obsessão executiva, em benefício do país. Os seus indefectíveis, por sua vez, vão ainda mais longe: nessa sua cruzada, José Sócrates soma ganhos políticos, mas queima a sua imagem pessoal, como cidadão.(…) Competência e lealdade, duas condições essenciais para valer a confiança de José Sócrates. Mas que só são uma mais-valia, se estiverem associadas. O primeiro-ministro dificilmente nomeia alguém apenas por ser qualificado: se a pessoa der sinais de que fala de mais, ou que pode contrariar a disciplina e a hierarquia impostas pelo Governo ou pelo partido, é um candidato proscrito. E, simultaneamente, também não basta ser fiel para lhe conquistar uma fatia do poder. Por uma razão simples: a fidelidade não implica, por si, bons resultados; e, como já se disse, José Sócrates é um homem de resultados, que construiu a sua imagem nesta ideia, um pouco por oposição a António Guterres.(…)»

Ricardo Dias Felner, Na cabeça de Sócrates, Público

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domingo, fevereiro 18, 2007

Avanços civilizacionais

«A transposição da linha que separava a vida e a morte foi um passo tremendo. Porque legitimou todas as intervenções: a vida no útero pode ser interrompida, os vivos poderão ser mortos antes de morrerem, o suicídio é tolerado, a pena de morte poderá voltar a ser discutida, quem sabe?»

JAS, A Caixa de Pandora

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Sobressaltos jornalísticos

«O Instituto Nacional de Estatística (INE) surpreendeu ontem o País ao anunciar um forte crescimento do desemprego no último trimestre de 2006. De 7,4% no terceiro trimestre, a taxa de desemprego passou para 8,2%, e acima da que se verificara um ano antes - 8%. »

Manuel Esteves, DN

Sempre atento a estes prodígios do jornalismo nacional, Paulo Gorjão detectou mais um simpático “brilharete” no DN. Já nesta notícia que dá conta que o “desemprego dispara para o nível mais alto dos últimos 20 anos”, é interessante constatar que o jornalista considera que o INE “surpreendeu” o País.

O que me parece é que no DN já há jornalistas demais a serem surpreendidos...

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quinta-feira, fevereiro 08, 2007

“E cá o Valentim, vai votar SIM!”

Num infantário em Gondomar, perante uma plateia de crianças de 3, 4 e 5 anos de idade, Valentim Loureiro revelou, no seu estilo peculiar [aos berros], que vai votar SIM. Vale mesmo a pena ouvir aqui as doces palavras do Valentim que vota SIM. [as crianças, a esta hora, ainda devem estar em estado de choque]

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segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Simplex

Foto: Jomppe Vaarakallio

«é mais fácil para qualquer Governo, sabendo que o aborto é um problema muito complexo, resolver o assunto dizendo: façam à vontade, sem problemas, sem penalizações, à sua discrição»

Manuela Ferreira Leite, Portugal Diário

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domingo, fevereiro 04, 2007

Aborto e civilização

Quando se diz que o feto é “parte” do corpo da mãe, é falso, porque não é parte: está “alojado” nela, melhor, implantado nela (nela e não meramente no seu corpo). Uma mulher dirá: “estou grávida”, nunca “o meu corpo está grávido”. Uma mulher diz: “vou ter um filho”; não diz: “tenho um tumor”. (...) O mais estranho é que para os progressistas o aborto é visto como sinal de progresso, enquanto a pena de morte é de atraso. Dantes denunciavam a “mulher objecto”, agora querem legitimar a criança-objecto, a criança-tumor, que se pode extirpar, em nome do “direito de dispor do próprio corpo”. (...) Não devemos estranhar que os mesmos que sempre se equivocaram sobre tudo, desde a natureza do regime soviético a Cuba, passando pelo fim do trabalho e as nacionalizações, se encontrem agora, de novo, unidos no “sim” ao aborto (e no “não” ao sofrimento dos animais).

José Manuel Moreira, Diário Económico

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