domingo, março 04, 2007

António Barreto e o país real (II)

Na entrevista do Expresso, desta semana, AB respondendo à pergunta: que opinião tem dos médicos?, diz:
"A acumulação da medicina pública com a privada é nefasta para o país. Se eu mandasse, separava-as. (...) É promíscuo e é perverso Há muitos médicos que têm interesse em que os serviços públicos funcionem mal porque isso aumenta a possibilidade de actividade no serviço privado. (...) Não trabalham o número de horas suficiente no público, talvez metade ou um terço do que deveriam trabalhar. Operam pouco no público, para operarem à tarde no privado(...)"
O mais estranho, caríssimo leitor, é que todos nós sabemos isto e continuamos impavidamente a assistir à comédia.
O principal, e mais sério, problema a combater no nosso país é, sem dúvida, o corporativismo de classes profissionais pertencentes ao serviço público.
Obviamente que falo no corporativismo negativo o que trata de defender:
a vidinha, o importante é tratarmos da vidinha!
As organizações que as norteiam: ordens, sindicatos, etc., assobiam, desafinadamente, para o ar e contribuem, gritantemente, para um aperfeiçoamento das más práticas no campo dos deveres.
Provavelmente uma ideologia, algures, levou-os a assimilar, massivamente, a palavra direitos e a esquecer, amnesicamente, a palavra deveres.
Mas, estes actores, possuem um "virtuosismo" comum:
a tal vidinha
e esquecem, rotineiramente, a razão da sua existência: o serviço público.
A irresponsabilidade cresceu em proporção semelhante à falta de qualidade alinhavando, uns melhores que outros, um discurso mais ou menos semelhante: o da vítima.
Gostaria de lhe dizer o seguinte, caríssimo leitor, eu até aprecio o valor e a necessidade deste tipo de personagens. Existirão vítimas mais extraordinárias que Cordélia ou Ofélia?
Mas, não concorda que, por vezes, se torna premente a necessidade, de qualquer bom actor, vestir a pele de outras personagens?
Até porque, dessa forma, até poderão demonstrar a sua versatilidade.

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António Barreto e o país real (I)

António Barreto é, de todos os cronistas, o que eu mais admiro.
Apesar de lhe reconhecer uma ideologia, reconheço-lhe, igualmente, um esforço de pensamento para além de..., daí o meu apreço pelas suas palavras.
Sempre apreciei quem pensa para além de espartilhos.
Estou, por isso, ansiosa pela estreia do programa da RTP "Portugal, um retrato social", até porque me parece, também, que Barreto não teme os diversos actores da peça de teatro "Como se tornar um corporativista".
A corrupção de maneira geral é um problema grave para qualquer país, e só quem ainda não viveu no estrangeiro é que não percebeu que obter algo por vias ilícitas é um problema humano e tanto mais problemático se o mesmo se instala, saborosamente, como prática corriqueira.
Se, por exemplo, A, do partido X, fez? porque não eu, do partido Y, também não?
Ao contrário do que alguns partidos de esquerda pretendem fazer crer, a corrupção não é um problema da direita ou do centro, a corrupção é um problema de qualquer político, tanto mais problemático se o mesmo se mantiver demasiado tempo no exercício das suas funções. Cheguem, por exemplo, a Felgueiras e perguntem aos opositores da autarca arguida como era a sua postura no primeiro mandato. Parece-me, por isso, óbvio que qualquer autarca deveria estar impedido de se recandidatar pela quarta vez. Para bem dele e de todos nós.
Apesar de todos nós sabermos que existem autarcas e autarcas.
Foto: google images

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terça-feira, fevereiro 13, 2007

E...

Foto: Benjamin Kanarek

... bastaram dois dias para que Alberto Martins já afirme que não vai existir qualquer aconselhamento obrigatório na lei para as mulheres que queiram abortar até às dez semanas. Talvez convenha recordar que há três semanas Maria de Belém Roseira defendia um «período de aconselhamento obrigatório», tal como o que está consagrado na lei alemã. Esta ideia foi também defendida pelo obstreta do hospital de Santa Maria Miguel Oliveira da Silva, defensor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, que chegou a afirmar que não faria «abortos apenas porque as mulheres pedem».

Pois…

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