quinta-feira, abril 03, 2008

Fear of a Black Swan

É o título de uma notícia da CNN que podem ler aqui e que explica o porquê de nos últimos dias vários analistas americanos terem vindo a terreiro dizer que o risco de recessão nos EUA é cada vez mais real. Basicamente, lá como cá, os economistas andavam a viver num mundo de ilusão.

Se tiverem paciência podem ler também isto, e como as constipações económicas se pegam facilmente, isto também tem ligação directa ao assunto.

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segunda-feira, janeiro 21, 2008

Um remédio é um veneno: na dose certa cura; excessivamente mata

Eu até nem me importo de, tal como o leitor e os restantes portugueses, pagar um absurdo em impostos. Já me habituei. Mas gostava que eles servissem para alguma coisa. Servissem por exemplo, para deixar as urgências abertas, em vez de serem utilizados para aparições vaidosas do PM a anunciar que o défice ficou em 2,5%. Se o objectivo era abaixo dos três, 2,9% chegava, ficávamos bem vistos na Europa, quando o PIB crescesse encarregava-se de descer o resto e não era preciso andar com o argumento hipócrita do «vale tudo» para justicar os cortes cegos que por aí se têm feito em áreas como a Saúde. O melhor exemplo é a cidade de Chaves: onde Sócrates diz que não há população para manter o hospital, um grupo privado da Saúde vai abrir um. Não me parece que seja para perder dinheiro.
"Há mais vida para além do défice."

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sexta-feira, janeiro 04, 2008

Deixem-me lá dar o meu bitaite

acerca disto:
Que o Financial Times é um órgão de referência ninguém tem dúvidas. Mas que também tem de escrever muita «palha», artigos encomendados por Governos e empresas para encher páginas, também ninguém duvida disso, se falarmos obviamente daqueles que o lêem.
Acontece que estava eu a ler a tal notícia e a tentar perceber: qual a diferença entre um bom Ministro das Finanças e um outro com boas aptidões políticas? Ainda não consegui entender tal desiderato, porque um Ministro das Finanças é, antes e acima de tudo, um político.
Mas o que me causou maior estranheza foi elegerem o Ministro das Finanças espanhol como o 3.º melhor da Zona Euro. Durante este ano, infelizmente, porque terá repercussões em Portugal, terão oportunidade de verificar esta minha estranheza, mas deixo já aqui como aperitivo as seguintes dicas: a construção, o motor do «milagre» económico espanhol - não é só em Portugal -, baixou, no 3.º trimestre, 40% em relação a igual período do ano passado, as acções da segunda maior promotora imobiliária deram um tombo de 50% na última semana e estiveram suspensas para não caírem mais, o desemprego e a inflação estão a subir. Este ministro espanhol sabia desta bolha especulativa imobiliária e pouco fez para a travar: limitou-se a tapar os ouvidos para não ouvir o estrondo do embate. É certo que a economia espanhola ainda está a crescer e em superavit, mas houve medidas que não foram tomadas para amenizar o impacto (ex: subir o IVA) e que serão mais dolorosas de serem aplicadas quando a economia refrear. (não vos faz lembrar Guterres & Pina Moura?...)
Do outro lado, temos o Ministro português que lá com as suas vicissitudes, sempre pôs a economia a crescer (pouco, é certo, mas não ainda há dois ou três anos estávamos em recessão, é sempre bom lembrar o ponto de partida quando se quer analisar as coisas, e para este ano espera-se, dados do Eurostat, que cresçamos mais que a média da UE) e colocou o déficit abaixo dos três por cento (com receitas extraordinárias e desorçamentação, claro, mas todos os governos antes dele e todos por essa Europa fora recorrem a truques contabilísticos para europeu ver - Espanha incluída, logicamente.). Ou seja, teve sucesso em duas das três grandes medidas metas que lhe pediram: crescimento e déficit. Faltou a baixa do desemprego, mas esse virá como consequência do crescimento.
Basicamente, aquilo que pretendo dizer é que nem o ministro espanhol é o 3.º melhor da Europa, mal de nós se essa for a medida de sucesso de um governante, nem Teixeira dos Santos é o 2.º pior - há por aí muito país europeu com personagens que metem medo só de se pensar nas medidas que tomam. Se bem que, como já acima disse, eu não percebi muito bem o critério de avaliação do Financial Times. Talvez seja por isso que discordo da classificação. Ou talvez ache que aquilo é apenas palha para encher o jornal por altura do Natal, quando economicamente pouco se passa de interessante para noticiar.

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domingo, setembro 23, 2007

Dez textos sobre Economia(s) (I)

O lema deste blogue é «estórias do quotidiano político, social e cultural». No entanto, tanto a política, como a sociedade ou a cultura são interdependentes da Economia.

Na política é bastante óbvio o que afirmo: as promessas mais marcantes de qualquer campanha estão sempre situados no âmbito económico. A diminuição dos impostos, o aumento do poder de compra, a travagem da inflação e do desemprego, entre outras, são promessas de todos os candidatos a primeiro ministro e estão devidamente inscritas nos respectivos programas de Governo. Além disso, um político que consiga ter uma boa performance nestas matérias tem, excluindo casos pontuais como o de Aznar, uma reeleição garantida ou uma promoção assegurada.

A sociedade move-se hoje pela economia e a economia é movida pela sociedade: as Empresas, as Famílias, o Estado todos eles são agentes económicos e uma boa coordenação entre eles tem efeitos positivos recíprocos: uma sociedade bem organizada, sem burocracias em excesso ou com infra-estruturas decentes permite uma Economia mais saudável que consequentemente retribuirá dando melhor nível de vida às famílias, mais lucros às empresas e uma maior receita fiscal ao Estado. No entanto, a premissa atrás aduzida também funciona em sentido contrário. E penso que é o que se passa actualmente no país.

Finalmente, a Cultura. Há em Portugal uma certa ideia de que a cultura é independente da economia. Mais, não é raro os senhores da cultura olharem com altivez para os senhores "maníacos do números" da economia, assim como com altivez olham os senhores da Economia para os "improdutivos" senhores da cultura. Um exemplo pessoal: um escritor português de renome tinha acabado de ganhar um prémio de vida literária. Entrou no meu escritório, dedicado às contas e, no fim da conversa, eu pedi-lhe para autografar uns livros que tinha dele. Pergunta dele: «o senhor também lê?»
Embora se queira estabelecer uma separação entre Cultura e Economia, elas estão intimamente relacionadas: que explicação pode existir para se visitar um museu em Munique com quadros de Turner, Van Gogh e outros mestres por um euro e ter pago dois euros em Viana do Castelo para ver esboços (nem desenhos chegavam a ser) de Júlio Pomar? E no centro dessa mesmo Munique ter encontrado um livro, com excelente acabamento, numa das melhores livrarias da cidade, de Lobo Antunes por seis euros e meio?
A Economia deveria olhar com mais respeito para a Cultura e esta deveria fazer o mesmo pelas "contas". Porque tanto a Economia, no campo material, como Cultura, a nível espiritual, procuram o mesmo: tirar um pouco da angústia à Condição Humana.

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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Investidores à beira de um ataque de nervos

Hoje acompanhei com particular interesse as movimentações no PSI20. A forte subida da Sonaecom e da Sonae SGPS logo no início da sessão indiciava que o mercado tinha aceite bastante bem a última proposta da Sonaecom. Más notícias para os senhores da PT. Mas a reacção não tardou: a meio da manhã, a maioria dos órgãos de informação financeira começaram a dar voz e a soltar comunicados dos Granadeiros, Salgados, Berardos, Vasconcellos, e Bavas. Apesar de tudo, e em contra ciclo com o PSI20, a Sonaecom acabou o dia em alta (+5.32%). O próprio Henrique Granadeiro não conseguiu disfarçar o seu nervosismo na entrevista que concedeu esta noite no Telejornal.

No final da sessão, a Sonaecom, pela voz do seu administrador executivo, Luís Reis, declarou à Lusa que «a Sonaecom está absolutamente tranquila», e que não consegue «conceber que qualquer agente de mercado responsável e que se reja por princípios éticos e de transparência possa opor-se a uma desblindagem de estatutos».

Estou completamente de acordo. Também me parece que a desblindagem dos estutos da PT são do interesse do mercado. Depois… o mercado que decida. Embora desconfie que se a OPA da Sonae não for para a frente, o PSI20 vai ressentir-se o resto do ano. Os pequenos investidores é que ficam a perder.

Apesar de já passar das 22:00h, a PT e a Sonaecom continuam a largar comunicados com uma cadência impressionante. Esta noite há muito boa gente que não vai pregar olho.

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domingo, fevereiro 18, 2007

Sobressaltos jornalísticos

«O Instituto Nacional de Estatística (INE) surpreendeu ontem o País ao anunciar um forte crescimento do desemprego no último trimestre de 2006. De 7,4% no terceiro trimestre, a taxa de desemprego passou para 8,2%, e acima da que se verificara um ano antes - 8%. »

Manuel Esteves, DN

Sempre atento a estes prodígios do jornalismo nacional, Paulo Gorjão detectou mais um simpático “brilharete” no DN. Já nesta notícia que dá conta que o “desemprego dispara para o nível mais alto dos últimos 20 anos”, é interessante constatar que o jornalista considera que o INE “surpreendeu” o País.

O que me parece é que no DN já há jornalistas demais a serem surpreendidos...

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Dicionário de sinónimos

Foto: Quentin Lënw

O ministro da economia continua a dar uns excelentes shows de stand-up comedy, e o engenheiro sanitário mais bem pago de Portugal vai traduzindo.

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segunda-feira, janeiro 15, 2007

Caminhos & Atalhos

Foto: Jamey Stillings

Enquanto o governo continua a assegurar que estamos no bom caminho, o indicador da OCDE para Portugal recuou 0,1 pontos em Novembro; e o Eurostat divulgou os números relativos ao PIB na União Europeia no terceiro trimestre do ano, confirmando que Portugal teve o mais baixo crescimento homólogo da EU: 1,5% [muito abaixo da média europeia: 3,0%]. Ainda assim, a taxa de crescimento anual de 1,5% representa o melhor resultado da economia portuguesa nos últimos quatro trimestres.

Já hoje, o Instituto Nacional de Estatística revelou que a inflação média anual registada em Portugal em 2006 ficou nos 3,1 por cento [uma subida de 0,8 pontos percentuais face ao ano anterior] – o governo apontava para um aumento dos preços de 2,9 por cento. Como se já não bastasse tanto ímpeto reformista, agora é este que anda com a conversa da flexisegurança, que é como quem diz: a flexibilidade dos outros e a segurança deles.

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