quarta-feira, abril 11, 2007

uma estátua com dois pontos de interrogação na cabeça

Era uma estátua
que tinha dois pontos de interrogação na cabeça:

- primeiros-ministros engrinaldados de adjuntos
de secretários com circunstância
de "urubus-caçadores"
e mais secretários sem estado
e subsecretários de aparatos variados
e de espectadores oleados
quiçá doutores
acaso engenheiros
e no meio de bando tão autorizado
não haverá um profeta
capaz de tomar o pequeno almoço vestido?

- as maiorias absolutas são uma especiaria
travestida de passadeira vermelha
e os governantes
muito amiúde
mas mesmo muito amiúde
esparramam-se a meio do percurso
será que o enigma
habite apenas
na graxa dos sapatos?

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domingo, março 25, 2007

Embraceable You

Abraça-me
apesar de eu não ser
abraçável
Sabes
quando olho pra ti
os meus pensamentos
deambulam sem Norte
e tu és uma bússola
uma espécie de guia

Tens de perceber querido
há um certo embaraço
nesses abraços entrelaçados
e hoje
hoje não estou suficientemente
abraçável

Tirando isso
gosto especialmente
da desocupação espiritual
dos teus braços
Sim, gosto especialmente
do desnorte
dos teus braços
mas hoje,
só hoje
não estou suficientemente
abraçável.

Mas
la la la la la la
gosto dos teus abraços
embaraçosos
la la la la la la
embaraçosos

Sarah Vaughan
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segunda-feira, janeiro 29, 2007

Nancy meets Lennon & MacCartney


IV
Marta, minha querida, para onde vais?
de cestinha aconchegada
no teu ventre proeminente
saltaricando feliz
de poça em poça
olha os borlotos das meias, rapariga,
olha os borlotos,
os rapazes vão reparar nos borlotos, rapariga,
és mesmo tontinha,
és uma querida tontinha,
tu e os teus borlotos.

Ó que pena da rapariguinha
que não sabe para onde ir.
Ó que pena da rapariguinha
que não sabe para onde ir.

Toda a tua vida
foste um passarinho
de asa partida,
cantando no bosque
toda a tua vida
tentando ser
o que não és
e cantando no bosque
vá lá passarinho
voa!
vá lá passarinho
voa!

Ó que pena da rapariguinha
que não sabe para onde ir.
Ó que pena da rapariguinha
que não sabe para onde ir.

Por acaso viste a rapariguinha
de flor estilhaçada no cabelo?
Viste como o seu ar prometia?
Viste o seu ventre proeminente?
Uma barriguinha
numa rapariguinha
com meias de borlotos?
uma rapariguinha tonta
cantando sozinha no bosque
com seus borlotos.

Ó que pena da rapariguinha
que não sabe para onde ir.
Ó que pena da rapariguinha
que não sabe para onde ir.

hum hum hum hum hum
hum hum hum hum hum
hum hum hum hum hum
hum hum hum hum hum
hum hum hum hum hum

NancyB, 17 canções para Lennon & MacCartney
Foto

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quinta-feira, janeiro 25, 2007

Nancy meets Dylan


Deus está do lado
das pessoas simples
e marcha disfarçado de pó e de vento.
Mas o desespero despedaçou-lhes o coração
E a angústia e o desânimo,
e vão embora sem encontrar
o seu caminho.
sim, o seu fim deslindarão um dia
mas a última coisa que fariam
era encontrar nessa estrada um novo trilho

Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza não espera por nada
Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza é uma cilada

Quando a estrada se desviar
e eu chegar
ao teu encontro
espreita pela janela
e vai!
não penses duas vezes

E rapariga não sabes o que fazer à vida?
Também não te posso ajudar
não, não te posso amparar
prefiro o lado escuro do dia
o lado escuro
conheces o lado escuro, rapariga?
Tenta, esforça-te e lambuza o teu passado
com melancolia
serve-te, para isso, da inveja dos vizinhos,
eles, por vezes, gostam de se besuntar
com a desfaçatez do alheio.

Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza não espera por nada
Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza é uma cilada

E olha não precisas estar aí
não, não precisas estar aí!
e não tentes ler os meus pensamentos
gosto pouco de falar
sim, é que eu gosto pouco de sussurrar!
Vai! e não penses duas vezes,
Não, não vás e não penses

Não te ouço!
percorro este meu caminho
apesar de outrora a estrada ser descontínua,
é que alcatroaram a velha avenida
e o espectro de Long John permanece por ali
sim, o espectro de Lonh John reaparece por aí
Desaparece se não queres encontrar sarilhos.

Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza não espera por nada
Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza é uma cilada

Deixa-me!
tenho apenas 16 e não quero saturar ninguém
é que eu tenho apenas 16 e não pretendo aturar ninguém.
Continua à janela rapariga
pensa duas vezes e não permaneças,
é que não vale a pena persistires rapariga.

Caminho pela estrada
o pó bloqueia-me a alma
e Long John jaz ali
morto
mas esta é a sua terra
sim, esta é a sua terra
e apesar de não parecer
esta é a sua terra.

Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza não espera por nada
Não precisas de estar aí rapariga
a tua beleza é uma cilada.

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