sábado, abril 23, 2011

Filhos da época

Somos filhos da época
e a época é política.

Todos os teus, nossos, vossos
problemas diurnos e nocturnos
são problemas políticos.

Quer queiras quer não,
os teus genes têm passado político,
a pele um tom político,
os olhos um aspecto político.

O que dizes tem ressonância,
o que calas tem expressão,
seja como for, política.

Mesmo passeando pelo campo,
dás passos políticos
em solo político.

Poemas apolíticos são também políticos
e lá em cima brilha a lua,
unidade que deixou de ser lunar.
Ser ou não ser, eis a questão.
Que questão, diz, querido.
A questão política.

Nem é preciso ser humano
para ganhar importância política.
Chega de seres petróleo,
ração composta ou matéria reciclavel.

Ou a mesa de debate,
cuja forma foi discutida meses a fio:
em que mesa se negoceiam a vida e a morte?
Redonda ou quadrada?

Entretanto pereciam os homens,
morriam animais,
ardiam casas,
tornavam-se os campos bravios
como nos tempos antigos
e menos políticos.

Wislawa Szymborska

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sábado, abril 25, 2009

O Pior do 25 de Abril

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Um balanço possível?

Após 35 anos do 25 de Abril a ideia de democracia é paradoxal, pois se por um lado existe um culto de prática democrática mais assente em direitos do que em deveres, por outro persiste uma prática democrática de imposição de deveres não negociados.
Trinta e cinco anos após o 25 de Abril a democracia possível é a articulação de um paradoxo altamente desgastante, construído entre a autoridade dos deveres e dos direitos que se pretendem impor com fortes tiques de autoritarismo entre uns e outros.
É como se todos tivéssemos contribuído para a negação de todos, através de complexos autoritários e de dificuldades de negociação colectiva.
É como se vivêssemos num mundo repleto de comunicação, mas cujos habitantes têm deficiências auditivas.

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sexta-feira, abril 24, 2009

Capitães

Ainda estou em estado de choque. Pretender promover Otelo a Coronel é praticamente o mesmo de querer promover o Capitão Iglo. É um rude golpe no meu imaginário infantil.

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sábado, abril 26, 2008

o meu abril...

Este ano, pela primeira vez, andei de cravo na mão!

Podem dizer o que o verdadeiro espírito se perdeu, que o 25 de Abril é apenas mais um feriado festivo, que já não se sabe dar valor ao que se conquistou, que comemorar Abril nos dias de hoje não faz sentido... Podem dizer muita coisa... Mas eu não tenho de ter vivido 74 para poder apreciar Abril. Não tenho de ter sido perseguida pela PIDE nem ter tido família na guerra para saber dar valor a Abril. Não tenho de ser comunista para poder cantar Abril de cravo na mão. Acredito que, para todos esses, Abril tenha um gosto diferente, mas Abril já ultrapassou, ou vai ultrapassando aos poucos, os limites da revolução - e isso não tem de ser mau! É isso que me permite também ter Abril... o "meu" Abril...

Muita coisa se perdeu... muita coisa ainda falta conquistar, mas - e peço que não me levem a mal - com isso posso preocupar-me durante o resto do ano... - é bem melhor do que preocupar-me apenas um dia... E este ano, pela primeira vez, andei de cravo na mão!... - gosto da oportunidade que Abril me dá de o fazer uma vez por ano e... sentir-me feliz!...


NOTA: Numa alusão àquilo que Abril já perdeu ou não chegou a conquistar, trincaram e cuspiram um cravo há pouco na televisão... Custa-me... Eu percebo o simbolismo, mas custa-me que simbolicamente se desdenhe o que se conquistou só porque alegadamente não é suficiente... Se não chega, regue-se, cuide-se do cravo para que medre (novamente?) viçoso...

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sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril de 2008

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quarta-feira, maio 02, 2007

Drumming + J.P. Simões

Balanço d'a minha agenda...


Sala 2 da Casa da Música esgotada com duas semanas de antecedência; foi um bilhete que me custou a conseguir. Eu nunca tinha assistido a um espectáculo dos Drumming – Grupo de Precursão. Desta vez apresentaram-se como Steel Drumming e tocavam uma espécie de bidões metálicos de diferentes tons de onde saía música numa harmonia que me custou a habituar. Em espectáculos ao vivo, dá-me uma comichãozinha não perceber de onde vem cada som e isso aconteceu-me frequentemente – mas isso é defeito meu! J.P. Simões pareceu-me bem enquadrado na música e na mensagem. (Tem, talvez, de "aprender" que não se ouve quando desvia a cara do micro.) Foram versões das músicas de Zeca e alguns originais a ele dedicados. Gostei dos arranjos, gostei do conjunto.

Só uma última nota: Era dia 25 de Abril e, já no final, dos bastidores, começou a ouvir-se timidamente Grândola. O público, que já estava de saída, parou e entoou juntamente com os músicos que ganharam confiança e regressaram. Em palco, gente nova, uns mais do que outros, mas ninguém com idade suficiente para "cobrar direitos"... JP Simões, de olhos fechados (como habitualmente), foi tomando as rédeas e todos acompanharam, mas... foi estranho... Faltava alguma "autoridade" nesse momento e (os mais jovens músicos das precursões, que me desculpem)... Grândola não é para ser cantada de papel à frente à procura da letra! – estarei a dar razão aos "cobradores"?...

Podem espreitar um bocadinho do espectáculo na reportagem do Jornal da Tarde nos vídeos da RTP (a partir dos 12min40s da segunda parte do dia 27). [Informação daqui.]

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quinta-feira, abril 26, 2007

«Ameaças e nebulosas»

É difícil saber se, como afirmou Paulo Rangel, «nunca como hoje se sentiu uma tão grande apetência do poder executivo para conhecer, seduzir e influenciar a agenda mediática», mas não haverá muitas dúvidas de que as tentativas de condicionamento da liberdade de expressão e de informação são uma realidade no nosso país. O facto de um “partido da liberdade” como é o PS, estar na origem de algumas dessas ameaças à liberdade de expressão coloca mesmo a questão: será que o poder, para além de corromper, também provoca amnésias selectivas? [...] Estas inequívocas ameaças e condicionamentos à liberdade de expressão e de informação não são, contudo, uma criação exclusiva do governo e do Partido Socialista; antes contam com uma participação activa e criativa do principal partido da oposição, o que, ainda mais, justifica a preocupação agora manifestada. Tem, assim, toda a razão o deputado Paulo Rangel ao celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, chamando a atenção para as «ameaças e nebulosas» que nos espreitam, tanto ao nível da liberdade de expressão como, eventualmente, quanto à concentração de poderes, mas fica-nos uma enorme dúvida: a quem se dirigia?

Francisco Teixeira da Mota, Ameaças à Liberdade, Público, 26/04/2007; Via:
Da Literatura

Naturalmente, o discurso de Paulo Rangel foi recebido com “algum” desconforto pelo governo, pela bancada do PS e por todo o aparelho socialista. Também não é de estranhar que face ao avolumar de questões e ao mais que comprometedor silêncio do primeiro-ministro, a amnésia selectiva dê sempre um certo jeito. Porém, pode ser que algumas das enormes dúvidas que ainda acometem determinados espíritos “livres” se dissipem após a leitura deste texto do António Balbino Caldeira.

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filhos de Abril

É um título bonito que me orgulho de envergar. Mas, dos "pais" e "irmãos" da revolução, este epíteto, apesar de muitas vezes transbordar de sentimento e de orgulho, tem, frequentemente, uma carga pejorativa, no sentido da ingratidão. Ah, e tal, e porque os jovens não dão valor àquilo que têm, e porque os jovens não conhecem a História da Revolução... Pois não, mas há muitas mais coisas que os jovens não conhecem da nossa História!!! O "problema" é que Abril é (ainda) História viva e, de cada vez que dele se faz uso (e abuso...) sem referência, os seus obreiros sentem uma espécie de violação de direitos de autor, que fazem questão que cobrar! Eu não tenho culpa que Abril me tenha sido dado – muito agradecida! – e que eu não tenha tido de lutar por ele!!! Está dado, está dado... Recorde-se, festeje-se e ensine-se – sempre! –, mas como quem recebe e não como quem dá, e muito menos como quem vende! De qualquer forma, um sincero e incontornável: muito obrigada!

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quarta-feira, abril 25, 2007

O meu dia 25 de Abril

Assisti:
- às provas de atletismo infantis;
[beber um café a correr]
- à entrega de medalhas e taças respectivas;
[não percebo porque há-de haver um primeiro lugar masculino e um feminino quando as provas são mistas]
- inauguração da ludoceca itinerante;
[Portugal está um país tão diferente, graças a Deus!]
[espaço para almoçar e actividades caseiras variadas]
- ida até à Piscina Municipal onde comemorámos em grande o dia 25 de Abril: 2 horas de água, com diversas actividades aquáticas;
[estou tão cansada que até me pesam as ideias].

Viva Portugal!
Viva o 25 de Abril!
Graças a Deus que somos um país livre!
[trelec, teclado em roda livre, a Nancy acabou de cair para o lado!]

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«Claustrofobia democrática»



«Como garantir e realizar essa democracia de valores, essa república da tolerância e do pluralismo, se nunca como hoje se sentiu uma tão grande apetência do poder executivo para conhecer, seduzir e influenciar a agenda mediática? (...) Como aperfeiçoar um sistema democrático, se ao fim de trinta anos de experiência e maturação, esse sistema declina, desliza e derrapa para um modelo simplista e concentracionário do Grande Intendente, que tudo supervisiona, tudo tutela, tudo vigia?»

Excelente discurso de Paulo Rangel hoje na Assembleia da República a propósito das comemorações do 33.º aniversário do 25 de Abril.

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Canções de Abril: Somos Livres!

Das canções de Abril, esta [somoslivres.mp3] era a minha preferida:

Somos livres! (uma gaivota voava voava)

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
“quando for grande
não vou combater”.
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Letra e música: Ermelinda Duarte

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25 de Abril: 1974

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25 de Abril: 2007

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