sexta-feira, setembro 19, 2008

Banca de Jornais

Os títulos de primeira página dos jornais desta sexta-feira são bastante apelativos.

Entre o discurso histérico da violência e o consequente suicídio das forças de segurança?, Correio da Manhã e 24 horas;

Um PS centro-esquerda, eleições à vista, e o nin ao casamento dos homossexuais?, no Diário de Notícias e Público;

A falta de livros escolares, e o descalabro da educação já chega à falta de manuais?, Jornal de Notícias;

Lisboa tem mais transportes à noite, afinal a violência já não é o que era?, Metro;

E a mensagem directa e sem subterfúgios de Mário Machado, enfim só agora nos foi dado a descobrir a origem do seu mau-estar racial, Crime.

O cataclismo financeiro seguirá dentro de alguns momentos?

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segunda-feira, maio 28, 2007

O Estranho Mundo de Jack

"O Estranho Mundo de Jack" ou, originalmente, "The Nightmare Before Christmas" – alguém me explica quem adapta os títulos dos filmes?! – é uma animação de Tim Burton dos Estúdios Disney! Não vi no cinema; não conhecia; vi há dois ou três anos em DVD em casa de uns amigos. Muito bom!

«Apesar de ser uma animação da Disney, é um filme de Tim Burton!» – dizem-me como que alertando para uma potencial incongruência. E, numa animação manual em stop-motion, monstros, vermes e esqueletos ganham vida em cenários simultaneamente dantescos e divertidos. É uma espécie de humor negro... para crianças.

Jack, o tal do "Estranho Mundo", é o protagonista desta história que gira em torno de dois mundos paralelos que Jack acaba por cruzar: o Natal e o Halloween. A Cidade do Halloween é o reino de Jack, que vive cada ano em contagem decrescente para os festejos do seu dia. Acidentalmente (?), o esquelético Jack fica a conhecer a Cidade do Natal, comandada por aquele gorducho das barbas brancas, que vive também cada ano como preparação do seu dia festivo. Ora, Jack, desconhecedor de qualquer das tradições natalícias, observa tudo aquilo, tentando compreender tão estranhos comportamentos e acaba por mobilizar a sua cidade naquele ano a adaptar os seus festejos. "The Nightmare Before Christmas" relata, então, as comemorações do Natal pelos habitantes da Cidade do Halloween. Não digam que não ficaram curiosos!...

É um musical e, mais uma vez (como em todos os filmes que trouxe a esta festa), a música tem uma importância incontestável e um enquadramento enriquecedor. As músicas simultaneamente reflectem e criam o ambiente das cenas, sintetizam e fazem avançar a história – o que mais se pode querer de uma banda sonora [ouvir excertos (daqui)]?... Danny Elfman – mais um dos meus ilustres (e indesculpavelmente!) desconhecidos – tem aqui – explicam-me! – uma das suas mais frutíferas colaborações com Tim Burton.

Um filme de Natal... hilariantemente alternativo!
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segunda-feira, maio 21, 2007

Alice

Vi Alice no cinema. Filme português entre os finalistas em Cannes. Foi muito falado na altura. Ouvi a crítica – que, apesar de nem sempre ser uma boa referência, desta vez acertou! –, vi imagens e reportagens... "Apesar" de português, parecia um filme diferente... E é! O público foi correspondendo e eu também, sendo um dos poucos filmes portugueses que vi no cinema.

A história passa-se em Lisboa, numa grande cidade de multidões incógnitas, numa cidade de rotinas diárias de pessoas que se cruzam indiferentes. E é nesta cidade que um pai busca incessantemente pistas sobre a sua filha desaparecida – qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência! Alice, a criança, está, então, desaparecida e o filme retrata a aflição dos pais, referindo o desespero da mãe e acompanhando de perto a angústia combativa e obsessiva do pai. A figura central é o pai, que, com o passar do tempo, não se liberta das rotinas, que continua a procurar, muito depois de todos acharem (de forma mais ou menos evidente) que é um caso perdido... As pessoas que passam, tantas e tão sós, são a imagem constante do filme... que vive delas mais do que do enredo...

«"Alice" é sobretudo um filme sobre a ausência. Uma história de amor de um pai por uma filha»



«Nunca Lisboa foi vista de forma tão fria como no filme "Alice" de Marco Martins; a cidade branca, como sempre a conhecemos, assim como a imensidão dos seus habitantes, ganham aqui uma nova dimensão, trágica e sombria – figuras humanas caminham, obstinadas, em aparentes gestos de rotina, indiferentes a tudo o que os rodeia. Assim é Lisboa neste filme, cenário por onde Mário se movimenta à procura de Alice, a sua filha misteriosamente desaparecida. Ninguém acredita que é possível mas ele não desiste. Também a solidão é assim retratada: numa grande cidade, aqueles que nos estão mais próximos são, por vezes os últimos a acreditar.»
[Bernardo Sassetti, no CD da banda sonora]

E Bernardo Sassetti é o compositor da banda sonora – que mora na minha estante ao lado de Amélie. Piano, clarinete e contrabaixo em temas «minimalistas e obsessivos». A «representação do vazio e da angústia máxima» tendo sempre como elo de ligação «o sentimento de esperança, essencial para a compreensão da rotina que acompanha os passos, quase em suspenso de Mário pela cidade». Um reflexo perfeito do filme.

Alice é um filme de observações, de imagens, de ruídos e sons... mais do que um filme de histórias, é um filme de sensações e sentimentos.
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segunda-feira, maio 14, 2007

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Vi Amélie no cinema... Filme estranho... Bom, mas estranho... «É europeu!» - diziam-me, como se isso fosse uma justificação evidente para a "estranheza"...

O filme vive da imaginação fértil de Amélie Poulain, do seu apreço pelos pequenos prazeres, da sua capacidade de observação do que a rodeia e da vontade de intervir (incógnita) na vida dos outros. O motor da história é uma cabine de fotografias automática numa estação de comboios... As fotos rejeitadas pelos donos que se acumulam junto da máquina e um álbum que as vai reunindo.



É um filme de pormenores e de momentos insólitos, que nos aproxima, sem esforço, da visão e imaginação da personagem.

Passado uns anos, encontrei o CD da banda sonora. Comprei-o de imediato num impulso um bocado inexplicável... Foi a minha primeira banda sonora. Na altura, já nem me lembrava da história do filme (do filme estranho de que eu tinha gostado), mas tinha a ideia clara de que tinha gostado das músicas, ainda que também não me lembrasse delas... Yann Tiersen – para mim, um ilustre desconhecido; ignorância grave, já me explicaram :)

Vi o filme mais algumas vezes na televisão e, acima de tudo, ouvi e voltei a ouvir o CD, vezes e vezes sem conta. Portanto, no contexto d'«a rapariga matemática que, acima de tudo, gosta de música», pareceu-me apropriado falar neste filme ;)

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segunda-feira, maio 07, 2007

Dancer in the Dark

Vi o filme duas vezes, nenhuma delas numa sala de cinema! A primeira foi na televisão. E depois, há dois ou três anos, numa das sessões do "Cinema Fora de Sítio", à noite, numa tela montada num jardim do Parque da Pasteleira. A primeira foi pela curiosidade, gosto de dança, conhecia de fama (nada mais!) a "excentricidade" de Bjork... A segunda, para além da experiência do novo espaço, foi pela oportunidade de rever conhecendo-lhe já o enredo.

É um musical... alternativo... E para além de ser um musical triste (ao contrário de todos os outros), ali a música faz sentido! A música é a alegria de viver da protagonista (Selma – Bjork), a música é o seu mundo: um mundo de filmes musicais! E no mundo de Selma há música em todo o lado!

«... I just start dreaming and it all becomes music...» [Selma]




Selma trabalha para arranjar dinheiro para uma operação do seu filho, que descobre sofrer do mesmo mal que a leva à cegueira. A necessidade do trabalho e a sua (resignada) subvalorização da visão relativamente à audição levam-na a disfarçar a progressiva cegueira... O momento musical aqui acima marca a descoberta desse facto pelo seu eterno admirador. «I've seen it all» – diz Selma, evitando a compaixão e conformada (positivamente!) com a sua condição... até porque o som, a música continua lá! Nem todos os momentos musicais são tão sublimes como este. Há também umas coisas estranhas pelo meio – a banda sonora é de Bjork!... – , mas fazem sentido no mundo da personagem.

Um filme diferente. Uma diferença que eu gostei!

Isto de escrever sobre filmes sem lhes revelar o enredo, é, de facto, complicado!... Vejam o filme!
imagem daqui

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segunda-feira, março 19, 2007

One from the heart


Já não me lembro do ano, o local era o Apolo 70, apenas porque era o cinema mais próximo do meu autocarro.
Vi por lá alguns excelentes filmes, One from the heart foi um deles.
Diz a lenda que Coppola ficou arruinado à conta desta obra construída com instrumentos cirúrgicos.
O cenário todo recriado em estúdio tem uma tonalidade artificial mas quente, emocionalmente forte, muito forte.
Estas são as minhas memórias de "Do fundo do coração" de Coppola.
Não as ouso desmentir.
Tenho tanto respeito por elas que raramente me atrevo a rever um filme.
A banda sonora ficou a cargo de um "clássico" americano.
Directamente dos Zoetrop Studios Mr. Tom, Tom Waits aqui ainda com uma voz audível.

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