quinta-feira, maio 31, 2007

Cinemax

Não queria deixar acabar o mês sem referir um programa sobre cinema que – pelo ajuste da hora – tenho ouvido com alguma frequência: “Cinemax” da Antena1. Como eles dizem: «O maior ecrã da Rádio portuguesa. As estreia... as rodagens... um outro olhar sobre os filmes.» Resumos, comentários, entrevistas, curiosidades, ante-visões e retrospectivas em 40 minutos semanais (mais coisa menos coisa)...

Para quem não conhece actores, não percebe nada de estilos de realização, não viu os grandes clássicos, não sabe avaliar a qualidade dos efeitos,... há programas interessantes que são muito úteis! E para os que sabem tudo isso... também! Pertencendo eu, claramente, ao primeiro grupo, gostei de, há umas semanas (2007-05-11), aquando de uma retrospectiva sobre Cannes, ter ouvido a referência a “Dancer in the Dark”... «Olha!... eu falei disto há uns dias lá no blog!» – pensei, sentindo-me logo toda importante, achando que tinha feito uma boa escolha! E, de mãos no volante e olhos na estrada, fixei atentamente os ouvidos na telefonia... «Deixa cá ver se eu disse muita asneira...» ... Parece que não! Dentro do pouco que eu conhecia, que não englobava, obviamente, informações sobre a carreira e estilo do realizador, até acho que não foi uma má descrição. E sabem que mais?... Até a música eles passaram! inteirinha! «Eh pá, até parece que eu percebo disto!!!» E, chegada a casa, ainda com a música na cabeça, quase que não passava na porta... tal era o tamanho do meu ego!... Mas, descansem, que isso passou-me rápido! :)


Na Antena1, na madrugada de 5a para 6a depois das notícias da meia-noite, com repetição ao Sábado às 5h e às 13h.

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Entre o crepúsculo e a alvorada

Diz Wolfgang Becker que Good Bye Lenin! não é um filme sobre a Ostalgie - mais uma das palavras difíceis de traduzir e em que nenhuma outra língua me soa tão bem como em alemão - a nostalgia dos tempos da Ex-RDA e que surge do casamento entre as palavras Ost e Nostalgie.
Sobre o que é então Good Bye Lenin!? Sobre o amor, o desmoronar de um sistema, uma cidade em mudança, sobre o fim do comunismo, sobre o assalto impiedoso do capitalismo? Certamente sobre tudo isto. Good bye Lenin! é também um filme sobre a mudança que se opera na esfera pública e privada e sobre a mudança que se repercutiu na Europa e no mundo desde 1989.
Da sinopse sabe-se que a Christiane Kerner, mãe de Alex, entra em coma depois de ter sofrido um ataque cardíaco quando se preparava para participar no 40º aniversário da RDA. Oito meses depois regressa da ausência a que a obrigou o estado de vacuidade temporário. Durante esses oito meses, a RDA deixou de existir, um golpe duro para quem vestia com convicção a camisola do seu país. Alex, filho extremoso, tenta a todo o custo manter viva a RDA dentro dos 79m² a que estava confinada a mãe, com o intuito de lhe prolongar a vida e evitar o desgosto, demasiado penoso para o seu coração debilitado, de ver o seu país adquirir todas as cores da paleta capitalista com cadeias de fast food a crescer como cogumelos, a água suja do capitalismo a correr como um rio e as marcas ocidentais repentinamente omnipresentes em Berlim, provavelmente a mais emblemática cidade do século XX.
Os episódios oscilam entre a comicidade e a tragédia da angústia de um filho para salvar a sua mãe, pervertendo e invertendo o fluxo da mudança nos simbólicos 79m² do seu apartamento de Berlim – tanto haveria a dizer sobre Édipo entretanto – e mesmo Wolfgang Becker refutando que este não é um filme sobre a Ostalgie, a verdade é que todos os objectos característicos da RDA e que se transformariam em culto e negócio anos após a sua dissolução estão presentes: os pepinos de conserva do Spreewald, o café Mocca Fix, o Sandmännchen, os Trabant, por exemplo.
Salientar o desempenho de apenas um actor seria injusto. No filme tudo parece perfeito e cada uma das personagens, desempenhando não só o seu papel mas também contendo a carga simbólica intimamente ligada ao tempo histórico, deambula com excelência num percurso volátil e volúvel na senda do seu lugar num mundo tão excitante quanto incerto ao som da música de Yann Tiersen, enquanto Lenine sobrevoa o céu de Berlim para desaparecer no crepúsculo que se anuncia na cidade, na vida de Christiane e na própria RDA.

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quarta-feira, maio 30, 2007

Reputação arruinada

O episódio remonta já ao ano lectivo anterior. Depois de em conjunto ter visto com os meus alunos Supersize Me a propósito dos hábitos alimentares e no âmbito do programa, foi-lhes solicitado, entre várias outras coisas, que seleccionassem uma cena que tivessem gostado e outra que não tivessem gostado e, claro, a devida justificação para promover o debate. A selecção não foi muito variada, quase todos referiram como a pior cena aquela em que Morgan Spurlock regurgita o menu Big Mac, depois de uma sucessão de MacSons pouco edificantes, acredito que o próprio Morgan saberia disso, se não ter-nos-ia poupado à visualização do regurgitanço propriamente dito. Duas alunas em situações diferentes elegeram uma outra cena. Não estavam propriamente pacificadas com o que ouviram e viram e afirmaram convictamente que a cena que menos tinham gostado tinha sido aquela em que Alex, a namorada de Morgan Spurlock, refere que na sequência da MacDieta o seu desempenho sexual tinha sofrido um decréscimo qualitativo. Coitado do rapaz, afirmou uma, dizer uma coisa daquelas em frente de toda a gente… e por mais que se tentasse esclarecer que o objectivo de Alex seria mais o de alertar para os efeitos secundários de uma dieta desequilibrada e perigosa do que desvelar a sua vida sexual com o coitadito do Morgan, àquela hora completamente desprovido do seu orgulho viril, nada as fez demover. Remataram Ela não tinha nada que contar aquilo, coitado! Há coisas que não se devem dizer, muito menos em frente de toda a gente.

imagem daqui

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A lei do desejo, Pedro Almodóvar

"A Lei do Desejo" de Pedro Almodóvar é um dos filmes que eu já revi algumas vezes. Há meia dúzia com os quais acontece isso. "A Lei do Desejo" é um desses.
A primeira vez que vi este filme fiquei chocada, um choque eléctrico.
A homossexualidade, até ali, era espelho de sentimento passageiro, frivolidade, relações pouco duradouras, vivências adolescentes. Funcionavam um pouco como um circo, cheias de cor e alegria, espalhando jovialidade à sua volta, mas, no máximo, durando a estadia da tenda na cidade.
Quando vi a referida obra de Almodóvar foi como se deixasse de ver apenas as sombras na caverna.
Afinal, as relações homossexuais, são como as heterossexuais: fartas de ansiedade, dor, infelicidade, felicidade, jovialidade, tristeza, alegria, depressão, vida, morte.
Afinal, as pessoas que amam pessoas do mesmo sexo vivem os mesmos sentimentos que as outras.
Afinal, o ser humano, sejam quais forem as suas opções sexuais, sente o mesmo perante o amor, vestido de paixão.
Afinal, não há nenhuma diferença emocional, entre os seres humanos, sejam eles homossexuais ou heterossexuais.
Afinal, uma rapariga da província também precisa, de vez em quando, de ser abanada nas suas crenças.
Almodóvar escancarou-me as portas para esta realidade e contribuiu definitivamente para a certeza desta ideia:
afinal, um homossexual é um heterossexual com mais sentido de humor.


Piensa en Mi, é uma melodia Almodovariana de excelência, pertence à banda sonora de "Tacanos Lejanos".

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terça-feira, maio 29, 2007

«Leaving Las Vegas»

É um retrato dostoievskiano de Las Vegas e de duas vidas. O contraste entre a ofuscante miríade de neons que saturam as ruas e o desejo de duas almas perdidas, mas dispostas a atingir os seus objectivos. Uma ambiciona beber até morrer. Outra viver a vida de prostituta. Quando se cruzam, prometem não julgar nem interferir com as escolhas de cada uma. Gozam um pouco da vida para desforrar o que pensam que a vida gozou com elas. No final, ambas conseguem alcançar os seus objectivos.
Um filme sombrio, melancólico e nocturno na incandescente, faustosa e nocturna Las Vegas, de Mike Figgis, com excelentes interpretações de Nicholas Cage e de Elisabeth Shue.

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Uma Verdade Inconveniente

A AeP (Agência de Energia do Porto) associou-se à nossa festa e montou nos Aliados umas cadeiras e um ecrã gigante para exibição de um filme. O contemplado é "Uma Verdade Inconveniente" e está, então, em exibição contínua hoje das 9h às 24h na Avenida dos Aliados (Porto). Admitindo a remota hipótese de o pretexto não ser uma mera demonstração de apoio à festa aqui da casa! resta dizer que esta iniciativa surge no âmbito das comemorações do Dia Nacional da Energia, que se assinala hoje.

Quanto ao filme, vi no cinema. É um documentário que nos mostra sobretudo o conteúdo das conferências de Al Gore um pouco por todo o mundo. O aquecimento global... Uma inconveniência – sem dúvida! Quanto à verdade... pessoalmente, acredito que está lá. Dir-me-ão alguns que mostra uma visão exageradamente catastrófica, que veicula uma reacção marcadamente política, que "a" verdade não está lá toda, que há aspectos "esquecidos"... convenientemente... Não digo que não, mas a importância do que lá está suplanta o que lá falta!

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segunda-feira, maio 28, 2007

Let freedom ring

Cannes viu também o mais recente documentário de Michael Moore, Sicko, sobre o sistema de saúde americano e que foi recebido entusiasticamente. Entretanto Michael Moore está a ser investigado pelo Departamento do Tesouro Americano por alegadamente ter viajado para Cuba e violado o embargo. Nada que não tivesse acontecido antes a Ry Cooder e Oliver Stone. Michael Moore pôs o documentário a salvo na Europa, não fosse algo suceder. Quase todos os países são livres mas uns são mais livres do que outros.

Imagem daqui

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E a Palma de Ouro

...do Festival de Cannes foi para o filme romeno 4 meses, 3 semanas e 2 dias.

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O Estranho Mundo de Jack

"O Estranho Mundo de Jack" ou, originalmente, "The Nightmare Before Christmas" – alguém me explica quem adapta os títulos dos filmes?! – é uma animação de Tim Burton dos Estúdios Disney! Não vi no cinema; não conhecia; vi há dois ou três anos em DVD em casa de uns amigos. Muito bom!

«Apesar de ser uma animação da Disney, é um filme de Tim Burton!» – dizem-me como que alertando para uma potencial incongruência. E, numa animação manual em stop-motion, monstros, vermes e esqueletos ganham vida em cenários simultaneamente dantescos e divertidos. É uma espécie de humor negro... para crianças.

Jack, o tal do "Estranho Mundo", é o protagonista desta história que gira em torno de dois mundos paralelos que Jack acaba por cruzar: o Natal e o Halloween. A Cidade do Halloween é o reino de Jack, que vive cada ano em contagem decrescente para os festejos do seu dia. Acidentalmente (?), o esquelético Jack fica a conhecer a Cidade do Natal, comandada por aquele gorducho das barbas brancas, que vive também cada ano como preparação do seu dia festivo. Ora, Jack, desconhecedor de qualquer das tradições natalícias, observa tudo aquilo, tentando compreender tão estranhos comportamentos e acaba por mobilizar a sua cidade naquele ano a adaptar os seus festejos. "The Nightmare Before Christmas" relata, então, as comemorações do Natal pelos habitantes da Cidade do Halloween. Não digam que não ficaram curiosos!...

É um musical e, mais uma vez (como em todos os filmes que trouxe a esta festa), a música tem uma importância incontestável e um enquadramento enriquecedor. As músicas simultaneamente reflectem e criam o ambiente das cenas, sintetizam e fazem avançar a história – o que mais se pode querer de uma banda sonora [ouvir excertos (daqui)]?... Danny Elfman – mais um dos meus ilustres (e indesculpavelmente!) desconhecidos – tem aqui – explicam-me! – uma das suas mais frutíferas colaborações com Tim Burton.

Um filme de Natal... hilariantemente alternativo!
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sábado, maio 26, 2007

o trio maravilha

Eu tenho uma dificuldade tremenda em reconhecer pessoas e nomes e no cinema isso nota-se por demais!... Quem me conhece sabe desta minha... dislexia, e, assim como eles já se habituaram à minha ignorância, também eu já me habituei ao gozo que me dão. No entanto, nos últimos tempos, tenho iniciado uma espécie de terapia e vou-me esforçando por fixar algumas caras famosas, associando a alguns filmes essenciais. Actores, claro está, porque realizadores e afins é um nível muito mais avançado! E maioritariamente homens, porque estava a afectar a minha feminilidade social! Entre essas caras está... o trio maravilha!

Três meninos bonitos do cinema, louros e de olhos azuis – como deve querer toda a rapariga que se preze... Pois bem, só há pouquíssimo tempo me senti capaz de os distinguir. Primeiro, Matt Damon – o Bom Rebelde que vi (e gostei muito!) na televisão. Depois, DiCaprio – a carinha laroca do "Titanic", que só vi passado uns anos na televisão! E por último – a minha maior falha como fêmea nesta sociedade! – Brad Pitt. Não sei se estão bem a perceber o gozo que eu levava por não saber quem era Brad Pitt! Mas aí tentavam explicar-me... "Seven" – não vi! "Sete Anos no Tibete" – (está a dar agora na RTP1) não vi! "Doze Macacos" – não vi! "Thelma e Louise" – não vi! Apenas "A Entrevista com o Vampiro" – filme que até guardo na memória, mas já não me lembro da cara dos actores... Não vi, não vi, não vi, não lembro! Como querem que eu saiba quem ele é?!!! Tudo se começou a resolver há dois anos com os "Ocean's" – também na televisão... Então, para mim, Brad Pitt é o louro de olhos azuis dos "Ocean's" que não é o Matt Damon! Está a chegar aí outro "Ocean's"... Vamos a ver se eu ainda não esqueci...

imagens adaptadas (1) (2) (3)

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As verdades do marketing

N, director de marketing, tem conhecimento que a revista X, está prestes a publicar um dos seus importantíssimos artigos anuais:
as 20 melhores empresas para se trabalhar em Portugal.
N, um homem que defende a máxima: o que é verdade hoje, não é verdade amanhã, resolve fazer uma busca na Internet e chega à conclusão que é aconselhável um perfil um nadinha idêntico à empresa Y, top 20, do ramo, na Conchichina. Nada de copy/paste da tal empresa Y, da Conchichina, afinal o perfil da sua empresa é um perfil revolucionário.
Para já, a sua empresa, de lucros nada exorbitantes - diria até mesmo, pouquíssimos perante a escala mundial do ramo - tem a virtude de não explorar os seus colaboradores - trabalhadores ou funcionários são termos fora de moda - pois dá-lhes a possibilidade de gozarem, por ano, 28 dias de férias - bem, quando falamos em 28 dias de férias, são 28 dias úteis, não seja cínico, Caríssimo Leitor - e para além dos 28 dias de férias - úteis, não esqueça - possibilita-lhes uma vida de família normal, bem como a possibilidade do fortificante "imersão de trabalho em família", ou ainda o extravagante subsídio de incentivo à Natalidade de indivíduos nada individualizados, ou até a obrigação de desinibições individuais no ambiente de trabalho: 5 minutos de "esbofeteamento", ou a inevitável obrigação - esta arrumará com os concorrentes - de todos os colaboradores praticarem Ioga.
Depois das ideias individualizadas passou a pasta ao embeiçador da coisa, o individualista mor: E, webdesigner, e toca de enviar a Newsletter para a revista X.
O título era deveras eclesiástico: X, a empresa que abre as portas ao descanso.
N sentiu-se um homem feliz, e pelas 21h30, partiu, de consciência limpa, para mais um fim-de-semana em indivíduo.
Terça-feira de manhã, acordou bem-disposto, disse a si mesmo: hoje, apesar de tudo, vou ser feliz! e, depois dos individualismos resolvidos, sai de casa com a sensação que o mundo é um lugar compensador.
E, em cima da mesa de escritório, lá está ela, a revista X, e um título tão inesperado: as 20 melhores empresas para se trabalhar em Portugal.
Sim, a sua empresa, era uma das individualizadas e o engenho era todo seu.
TOC, TOC, TOC
- Entre - disse um tanto enfadado.
B entrou, sentou-se e exclamou:
- Escuta lá, onde é que estavas com a cabeça? Tu sabes quantos emails já recebi hoje?
A directora de Recursos Humanos, hoje, particularmente, parecia-lhe uma indivídua ligeiramente individualizada.
- Que queres dizer com isso?
- Para a próxima, quando nos colocares em rankings, avisa, p'ra eu tirar férias. Sabes quantos indivíduos perguntaram se já tinha aprendido a última posição de Ioga? E quantos perguntaram se podiam tirar férias o resto do ano? E imaginas quantas se tinham direito ao subsídio da Natalidade em caso de trigémeos?
Mas, naquele dia, nada o faria perder as estribeiras, naquele dia o mundo era um indivíduo perfeito.
- querida, fecha o email e diz à Margarida que durante esta semana vais estar em formação, vais ver que toda a gente se acalma. E agora desculpa, mas tenho uma reunião importante com o Lucas, parece qu'o homem precisa de um produtor para uma nova trilogia: o Indivíduo das Estrelas.

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sexta-feira, maio 25, 2007

Mil e tal razões para se gostar de Cinema

A primeira impressão é importante. A maioria das vezes é mesmo determinante. Se não gostamos de alguém no primeiro contacto que estabelecemos, dificilmente alteramos a nossa opinião. Mas como em [quase] tudo: não há regra sem excepção.

Até ter protagonizado o Titanic em 1977 – filme que detestei –, já o tinha visto em algumas “películas”, mas nada que me convencesse. Depois de Titanic comecei a evitar visionar todo e qualquer filme em que ele participasse. Em 2002, após muita insistência de um amigo, acabei por ir ver o Gangs of New York – e comecei a achar que afinal também não era assim tão mau como eu o pintava. O The Aviator e o The Departed provaram que o rapaz até tem algum jeito para a coisa. Em Blood Diamond… convenceu-me completamente: o filme é extraordinário e a interpretação de Leonardo Wilhelm DiCaprio, soberba.

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quinta-feira, maio 24, 2007

The bright side of life

Look, you've got it all wrong! You don't NEED to follow ME, You don't NEED to follow ANYBODY! You've got to think for your selves! You're ALL individuals!

Brian in The Life of Brian

E, todos os anos, a época anunciava-se. No tempo dos dois canais de televisão, Internet inexistente, não havia como fugir do peso que se nos instalava na alma sempre que, findo há um tempo o Carnaval, a Páscoa se anunciava deprimente. Música soturna e filmes que se repetiam até à exaustão: a vida de Cristo, a vida e a paixão de Cristo, a vida, a paixão e a ressurreição de Cristo. O Estado é laico, já o era então, mas os canais de televisão não se reconheciam como tal talvez e, caso o fizessem, impunha-se a contenção da época, eventualmente o gosto e fervor dos espectadores por estas coisas da fé. Muito embora se apregoe que quando não se gosta de algo, pode sempre fechar-se os olhos, desligar a televisão, o rádio, ou virar-se as costas, tal nunca surgiu como opção nesses tempos remotos dos dois canais e de uma idade de pouca autonomia e diversidade à escolha.
O meu filme da Páscoa chegou uns anos mais tarde, não sei exactamente quando, nem interessa para a história, sei que veio para ficar e Páscoa que se quer Páscoa por estes lados é certamente celebrada com A Vida de Brian. Lado a lado com o pão-de-ló e o queijo da serra – há hábitos que não se perdem nunca – ouve-se always look on the bright side of life. Pode até ser blasfemo, censurado pelos mais fervorosos cristãos com ou sem sentido de humor, porém poucos filmes me divertem tanto como a Vida do pobre Brian, na Páscoa ou fora dela. Tomado pelo Messias desde o dia em que nasceu, o mesmo do Messias e no estábulo imediatamente ao lado, Brian vai experimentando as agruras de viver com a aura do Salvador numa sátira hilariante do implacável e corrosivo humor inglês à boa maneira Monthy Python. Estar no sítio errado à hora errada nunca foi tão verdade, pobre Brian, contudo, há sempre que olhar para o lado mais sorridente da vida e, com este filme, não há como não fazê-lo.


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quarta-feira, maio 23, 2007

Das 1002, escolha 1001 razões para se gostar de cinema

Katherine Heigl
Juliette Binoche
Custo de oportunidade: sacrifício que fazemos ao realizar uma escolha como consequência da escassez de bens.
Fotos: aqui e aqui

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Alguns filmes de raparigas, outros assim assim e outros nem por isso

As raparigas que eu conheço gostam de filmes que as façam reinventar os contos de fadas. Os rapazes que eu conheço são mais onda de reinvenção dos de cowboys, apesar de hoje em dia se lembrarem de reinventá-los de outra forma.

Depois da tal lagrimazita a rapariga vai para casa e senta-se no sofá a reinvestir na história do filme. O rapaz a seu lado murmura romanticamente:

Ele - Querida, vamos jantar à luz das velas?

Ela - Jantar à luz das velas? És mesmo um insensível, não percebes o quanto o filme me tocou? Não vês que a rapariga do filme viveu momentos tão angustiantes? Não percebes nada de cinema.

Ele - ?

Ela -Vou telefonar à Amélie, só ela me entende. Os homens, os homens, só gostam de filmes de pancadaria. Não têm cérebro é o que é. E ainda dizem que mandam no mundo! Bah.

Ele sai descontraidamente, faz um cavalinho com o Peugeot 106, sente-se o rapaz com mais ego do mundo, chega a casa, senta-se ao sofá, e busca um filme de pancadaria. Apesar de ele não ser esse tipo de rapaz que só gosta de filmes de pancadaria. Ele gosta de filmes em geral. Aliás até se considera um cinéfilo.

Alguma filmografia básica das raparigas que eu conheço:
Julia Roberts:
Pretty Woman (1990); My Best Friend's Wedding (1997); Notting Hill (1999); Runaway Bride (1999)

Tom Hanks:
Sleepless in Seattle (1993)

Susan Sarandon:
Thelma & Louise (1991); Dead Man Walking (1995)

Meg Ryan:
When Harry Met Sally (1989); When a Man Loves a Woman (1994); French Kiss (1995); City of Angels (1998); You've Got Mail (1998); Proof of Life (2000)

Tom Cruise:
Top Gun (1986); Eyes Wide Shut (1999); The Last Samurai (2003)

Francis Ford Coppola:
One from the Heart (1982)

Ang Lee:
Sense and Sensibility (1995)

Martin Scorsese:
The Age of Innocence (1993);

Paul Newman:
Nobody's Fool (1994); Cat on a Hot Tin Roof (1958)

Elizabeth Taylor:
Lassie Come Home (1943); Giant (1956); The Flintstones (1994)

James Dean:
Rebel Without a Cause (1955)

Natalie Wood:
Splendor in the Grass (1961)

Alguma filmografia básica de raparigas que eu conheço partilhada com rapazes:

Tom Hanks:
Forrest Gump (1994); Saving Private Ryan (1998); Cast Away (2000); The Terminal (2004)

Tom Cruise:
Rain Man (1988); Jerry Maguire (1996); War of the Worlds (2005)

Russel Crowe
L.A. Confidential (1997); Gladiator (2000); A Beautiful Mind (2001); Cinderella Man (2005)

Francis Ford Coppola
The Godfather (1972); The Godfather: Part II (1974); Apocalypse Now (1979); Rumble Fish (1983); The Godfather: Part III (1990); Bram Stoker's Dracula' (1992)

Martin Scorsese:
Taxi Driver (1976); The Last Waltz (1978); Goodfellas (1990); Gangs of New York (2002); The Avia
tor (2004)

Paul Verhoven:
Basic Instinct (1992)

Alguma filmografia básica dos heterossexuais tolerantes que eu conheço*

Philadelphia (1993), Tom Hanks; Brokeback Mountain (2005), Ang Lee

* Num clube de vídeo da província convém manter as aparências, daí que o aluguer do dvd acompanhe um enfadado: vamos lá ver isto, não é? Ganhou uns óscares.

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terça-feira, maio 22, 2007

Clint Eastwood

Hoje, se há realizador capaz de fazer brilhantes filmes em série, ele chama-se Clint Eastwood. Há algo no seu mister que transforma tudo aquilo que realiza em monumentos ao cinema. A fórmula parece simples: tem predilecção por cenas simbólicas, épicas, jogos de sombra/luz, os protagonistas não são heróis que salvam meio mundo, mas apenas pessoas, com algumas forças e imensas fragilidades. Embora não representando o estereótipo de herói, existem quase sempre três qualidades nos actores principais: a dignidade de jogar limpo, a honra de saber perder e a fleuma de saber ganhar.

Um dos aspectos que tem vindo a ganhar importância na indústria do cinema é o argumento do filme. Para se ter uma ideia do que afirmo, basta constatar que há algumas décadas o Óscar para Melhor Argumento era entregue ainda a cerimónia ia a meio, no meio dos chamados Óscares técnicos: sonoplastia, efeitos especiais, guarda-roupa, etc. Actualmente, é o antepenúltimo a ser entregue, imediatamente antes da estatueta para Melhor Filme e Melhor Realizador. Além disso, os bons argumentistas são tão disputados como as grandes estrelas ou os bons realizadores.
Clint Eastwood ancora sempre os seus filmes a memoráveis estórias. Argumentos bem engendrados, simples, com aquela moral de que a vida dói sempre, mesmo aos mais audazes. Filma permanentemente com uma aura de melancolia, de pessoas que já viveram os seus quinze minutos de fama, não da fama vã, mas daquele momento único que acontece quando realizamos um sonho. E é isso que Clint Eastwood essencialmente é: um realizador de sonhos.

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segunda-feira, maio 21, 2007

Alice

Vi Alice no cinema. Filme português entre os finalistas em Cannes. Foi muito falado na altura. Ouvi a crítica – que, apesar de nem sempre ser uma boa referência, desta vez acertou! –, vi imagens e reportagens... "Apesar" de português, parecia um filme diferente... E é! O público foi correspondendo e eu também, sendo um dos poucos filmes portugueses que vi no cinema.

A história passa-se em Lisboa, numa grande cidade de multidões incógnitas, numa cidade de rotinas diárias de pessoas que se cruzam indiferentes. E é nesta cidade que um pai busca incessantemente pistas sobre a sua filha desaparecida – qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência! Alice, a criança, está, então, desaparecida e o filme retrata a aflição dos pais, referindo o desespero da mãe e acompanhando de perto a angústia combativa e obsessiva do pai. A figura central é o pai, que, com o passar do tempo, não se liberta das rotinas, que continua a procurar, muito depois de todos acharem (de forma mais ou menos evidente) que é um caso perdido... As pessoas que passam, tantas e tão sós, são a imagem constante do filme... que vive delas mais do que do enredo...

«"Alice" é sobretudo um filme sobre a ausência. Uma história de amor de um pai por uma filha»



«Nunca Lisboa foi vista de forma tão fria como no filme "Alice" de Marco Martins; a cidade branca, como sempre a conhecemos, assim como a imensidão dos seus habitantes, ganham aqui uma nova dimensão, trágica e sombria – figuras humanas caminham, obstinadas, em aparentes gestos de rotina, indiferentes a tudo o que os rodeia. Assim é Lisboa neste filme, cenário por onde Mário se movimenta à procura de Alice, a sua filha misteriosamente desaparecida. Ninguém acredita que é possível mas ele não desiste. Também a solidão é assim retratada: numa grande cidade, aqueles que nos estão mais próximos são, por vezes os últimos a acreditar.»
[Bernardo Sassetti, no CD da banda sonora]

E Bernardo Sassetti é o compositor da banda sonora – que mora na minha estante ao lado de Amélie. Piano, clarinete e contrabaixo em temas «minimalistas e obsessivos». A «representação do vazio e da angústia máxima» tendo sempre como elo de ligação «o sentimento de esperança, essencial para a compreensão da rotina que acompanha os passos, quase em suspenso de Mário pela cidade». Um reflexo perfeito do filme.

Alice é um filme de observações, de imagens, de ruídos e sons... mais do que um filme de histórias, é um filme de sensações e sentimentos.
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1002 razões para se gostar de Cinema



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sábado, maio 19, 2007

perturbação da reflexão...

Neste momento, na RTP1, está a dar «O Leão da Estrela»... (supostamente!!!) numa homenagem a Milú...

Nada contra a senhora, mas... já estamos a menos de 48h!... Então e o período de reflexão?!...

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Bloco de Notas

1 - Ontem vi um filme mesmo idiota, tão idiota, tão idiota, que já nem me lembro do nome. Às vezes, mas muito raramente, pergunto-me, cadê a tua resistência a filmes que não respondem aos seguintes requisitos:
- actores desconhecidos;
- realizador desconhecido;
- sinopse: thriller empolgante.
2 - Cá em casa vamos começar a praticar inglês da seguinte maneira: ver os filmes com legendas em inglês. Se, por acaso, um dia destes, perceber um filme todo ao contrário, não se admirem.
3 - Já que estamos numa de proibições, há por aí algum deputado disponível para encabeçar uma causa? Qual? Os telemóveis e os faladores compulsivos nas livrarias inteligentes.
4 - Ontem, na minha livraria inteligente preferida, de Coimbra, <> encontrei uma raridade, Manuel Bandeira: poesia e prosa completa, reedição de 1990 (?), uma edição de uma editora brasileira. A paginação do livro é miserável: as letras tamanho 8, ou 7? Os poemas a pedirem licença uns aos outros, a prosa, espaço entrelinhas: 1, mas, neste caso preciso: mais vale ser que parecer.
5 - Noite cinéfila cá em casa. Ainda não sei se Happy Feet, estamos ansiosos para ver, se, novamente, Por Água Abaixo, no meio da prateleira persiste um entusiástico e irreverente: GoodBye Lenine, não sei é se tenho estaleca para tal. Sou, assumidamente, uma matinal de excelência.
6 - Decididamente não aprecio "Você e Eu" de Teresa Salgueiro. Para um novo trabalho resultar é necessário um pouco mais de alma e menos técnica. O cantar de Teresa Salgueiro nunca me soou tão a falso.

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