sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril de 2008

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segunda-feira, março 31, 2008

Nunca digas nunca

Ora bem, parece que o homem vem mesmo a Portugal e a Espanha no Verão, pelo que, parece, ainda são só suposições, tenho a maior frustação musical da minha vida a poucos meses de ser resolvida - assistir a um concerto de Leonard Cohen. Agora, enquanto se deliciam com o video aí em baixo, eu gostava de deixar esta pergunta no ar: quem teve a infeliz ideia de promover um concerto do senhor Cohen ao ar livre?


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sexta-feira, março 28, 2008

Use the force, Luke


Christopher Reeve (Superman):

I'm here to fight for truth, justice, and the american way.



É uma das mais famosas frases do filme Superman, lançado em 1978. Trinta anos depois percebe-se claramente que o actual presidente americano (George W. Bush) é um fã do género, embora desempenhe com particular sucesso uma variação maligna adaptada, proveniente da mistura entre o American Way do Superman e o Kiss The World Goodbye de Lex Luthor.

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Os setenta em notas musicais

Canções que ainda hoje ficam sempre bem em qualquer ipod:

The Beatles – Get Back – 1970
Santana – Black Magic Woman – 1970

Led Zeppelin – Stairway To Heaven – 1971
Black Sabbath – Paranoid – 1971

Deep Purple – Smoke On The Water – 1972
David Bowie – Starman – 1972

The Beach Boys – California – 1973

Rolling Stones – Angie - 1974

Aerosmith – Walk This Way – 1975
Bruce Springsteen – Born To Run - 1975

AC/DC – Ride On – 1976
Jethro Tull – Too Old To Rock And Roll, Too Young To Die – 1976

Eric Clapton – Wonderful Tonight – 1977
Ted Nugent – Cat Scratch Fever - 1977

The Who – Who Are You – 1978
Cheap Trick – Surrender - 1978

Supertramp – The Logical Song – 1979
The Clash – London Calling – 1979

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Disto já ninguém faz... infelizmente

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Memórias alinhavadas dos setentas

Em 1975 e 1976 a escola tinha mudado ligeiramente.

A escola preparatória de Qwerty2001 era um local relativamente seguro.

De um lado confortáveis bairros da lata, do outro um cheiro ligeiramente esquisito.

Os miúdos ainda não tinham telemóveis, mas eram famosos os jogos da pedrada, por exemplo.

Os miúdos resolviam amiúde ter um comportamento de risco. Coisa de pouca monta, desde à destruição de um carro ou outro de um professor, até ao comportamento exemplar nas salas de aula.

Provavelmente a origem da violência residia nos filmes vistos no piolho, o Multiplex da altura, e cujo terror era projectado na escola.

Tubarão, 1975, um tubarão espalhando o terror pelas salas de cinema de todo o mundo. O primeiro grande êxito comercial de Spielberg. Durante a década de 70, o cineasta americano ainda realizaria uma outra obra de culto da sua filmografia: Encontros Imediatos do Terceiro Grau, 1977.

Carrie, 1976, baseado no romance de Stephen King, realizado por Brian de Palma, com Sissy Spacek como Carrie White. CARRIE é uma rapariga com telecinesia (poder de mover objectos com a mente), cujo poder se converte em arma de terror num sábado, dia de baile...

Taxi Driver, 1976, um jovem cineasta americano, Martin Scorsese, uma obra-prima, dois anos mais tarde um filme sobre o fim de uma banda de blues, The Band, que acompanhara em tempos Bob Dylan, The Last Waltz (1978), reúne estrelas maiores da música country e blues americana, Bob Dylan, The Band, Emylou Harris, etc.

Robert de Niro e Jodie Foster, duas estrelas maiores do cinema americano, cujo universo é recheado de estranheza, violência, solidão e agressividade.

Temas recorrentes na obra de Scorsese, a sua filmografia é, para mim, um misto de razão, maldade, calculismo e estranheza.

Rocky Balboa, 1976 – O pugilista mais famoso da sétima arte, encarnado por Sylvester Stalone. Do Rocky chegou-me uma dança estilo Las Vegas, protagonizada por um senhor baixinho, íamos no Rocky IV, Living in America um hit e o rei do soul, quem lhe resiste?

Esta foi alguma da filmografia dos anos setenta recuperada através de alguns alinhavos da memória. De todos o meu preferido é, sem dúvida, "Apocalipse Now", mas Coppola é o cineasta dos cineastas.

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quinta-feira, março 27, 2008

Memórias alinhavadas dos setentas

Algures nos setentas vigorava ainda uma determinada escola, professor o digno representante de uma ideia de educação, traduzida mais ou menos nestes termos: isto é tudo uma cambada de imbecis, lerdos e avessos ao trabalho intelectual, daí que o melhor é mesmo espancá-los até à medula, até à humilhação mais comezinha, pois gente desta deveria mesmo é estar a trabalhar nos campos ou na indústria ou no comércio.
Isto é gente sem eira na beira, nem pensamento.
Pelo menos era esta a pedagogia libertária da professora primária da escola tal, localizada em qwerty2001, uma digna representante do Salazar de que nos fala Jaime Nogueira Pinto, uma visão céptica do homem, do género bem eclesiástico e monárquico, esta gente não se governa, já viram a quantidade de povos que por cá andaram? isto só com repressão e mantendo o respeitinho. De outra maneira não vão lá.
Esta visão caridosa e benemérita divide ainda algum Portugal.
De um lado as famílias que se consideram dignas representantes do poder, daí que muito do seu discurso ande à volta da inveja, do não sabem falar, da ralé, da canalha, dos corruptos, etc, e o Portugal, massificado, alienado, pouco aberto à educação, ao civismo, às regras de vida em sociedade.
A tão apregoada cidadania dos socialistas e sociais democratas.
Ora meus caros, nem as elites, nem o povinho são santinhos de trazer por casa.
Se alguns dos uns se consideram dignos sucessores de determinados lugares, alguns dos outros arrogam-se o beneplácito prazer de sobreviver à custa da manha e da falta de escrúpulos.
Quando alguma elite se preocupa mais com a partilha entre si de regalias várias (o que se passa no actual PSD é disso exemplo), do que com os elementos da sociedade que ajudou a construir, do que é que está à espera? ah, pois, de milagres...
Entretanto alguma digníssima classe média apanha por tabela, tanto com uns como com outros. Alguma classe média, ora do PS, ora do PSD, e cujo grande sonho é ascender à classe média alta.

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quarta-feira, março 26, 2008

Memórias alinhavadas dos setentas

Em 1974, Portugal a braços com a revolução dos cravos, a economia na sua primeira grande crise petrolífera, afinal a prosperidade do pós-guerra parecia ter um final e infeliz, a inflação a 10%, o poder de compra, essa espada de dois gumes em cima da cabeça das economias mundiais, a baixar drasticamente e, ao que parece, o principal responsável pela crise económica, a OPEP, com um problema grave de obesidade, em 1973 engordara 15 mil milhões de dólares, enquanto em 1974 não havia balança mundial que aguentasse os seus 85 mil milhões dólares.
Como o mundo mudou entretanto...

Chinatown, 1974, Jack Nicholson (J.J. 'Jake'), Faye Dunaway (Evelyn), Polanski num dos seus melhores filmes, um detective em busca de um adultério tropeça com um crime, um jogo de gato e rato entre ‘Jake’ e Evelyn. Lembro-me que o argumento de Chinatown foi citado como exemplo em obras de construção de guiões cinematográficos. David Field escreveu assim sobre ChinaTown:
“Até onde posso afirmar, Chinatown é o melhor roteiro americano escrito durante os anos 70. Não que seja melhor que Godfather I ou Apocalipse Now (…), mas como experiência de leitura, a história, a dinâmica visual, o cenário, os antecedentes, o subtexto de ‘Chinatown’ são tramados de forma a criar uma sólida unidade dramática de uma história contada em imagens.
(…)
O que o faz [roteiro] tão bom é que ele funciona em todos os níveis – história, estrutura, caracterização, visual – e que tudo o que precisamos saber é apresentado nas dez primeiras páginas.
(…)
Chinatown um detetive particular que é contratado pela esposa de um homem proeminente para descobrir com quem ele está tendo um caso amoroso, e no processo envolve-se em vários assassinatos e descobre um escândalo de grandes proporções no suprimento de água.” p.61

Fontes:
economia
FIELD, Syd, Manual do Roteiro (1995). Rio de Janeiro: Objectiva.

Chinatown até deu azo a paródias e com graça...


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terça-feira, março 25, 2008

Filmografia Revisitada

Ainda sem idade para perceber mais do que o facto, indesmentível, de que a telescola tinha sido uma invenção conjunta de comunistas e fascistas para me estragarem as tardes do tempo em que ainda não tinha escola, em 1977 é lançado nos Estados Unidos a «Guerra das Estrelas», de George Lucas. Chamaram-lhe o primeiro blockbuster, muito por culpa da introdução do conceito de sequela e, mais tarde, de prequela. Além disso, a música introdutória, acompanhada pelas legendas que desaparecem no pano negro a enquadrarem o filme, o «Universo» e a «Filosofia» que foram montados ficaram na História do Cinema. Também nas estórias do cinema ficam, sem dúvida, as irritações que George Lucas tem com os maluquinhos que debatem, em congressos e com o ar mais sério e compenetrado possível, os Mundos, a Filosofia e as Lendas da Guerra das Estrelas dizendo-lhes para ganharem juízo, para que tomem consciência que aquilo não passa de um argumento e para que, de uma vez por todas, saibam que os "planetas" distantes ali filmados não passam de reproduções do deserto da Tunísia. Há malucos para tudo.

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Flashback medicinal

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Memórias alinhavadas dos setentas

O Exorcista, 1973, não me atreveria a ir vê-lo ao cinema, terror aliado ao espiritismo são géneros interditos, contudo, em plenos anos oitenta, não é que se lembram de reavivar o morto vivo na tv? Como qualquer comum mortal curioso, assisti em casa ao evento cinéfilo da época. Sobrenatural, padres exorcistas, crianças possuídas, tudo embrulhado num vómito verde. Durante algumas semanas invadi agressivamente a privacidade dos meus pais. Depois deste só Carrie e poucos mais.

Um padre exorcista é algo absolutamente necessário ao nosso primeiro.

Há dentro dele um demónio que ele não consegue aplacar.

Esse demónio aparece-lhe em sonhos e para o acalmar resolve invadir a privacidade alheia.

Começou pela gastronomia, depois o conceito inovador do espaço social comum (...) e agora os casamentos?

O nosso primeiro precisa de um padre exorcista e com alguma urgência...

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segunda-feira, março 24, 2008

Memórias alinhavadas dos setentas

Em 1972 Godfather de Francis Ford Coppola deliciava o mundo cinéfilo.
Durante esta década emerge de Hollywood uma nova geração de cineastas (Scorsese, Coppola, Spielberg, etc).
Marlon Brando e a sua voz inconfundível num padrinho ícone, o famoso beija mão, um cavalo de raça, delinquentes com inovadores códigos de honra, vinganças à porta fechada e o suspense inerente a cada reunião do clã. Na minha cabeça não deixava de pairar a pergunta: quem é que vendeu a alma ao diabo e vai desta para melhor?
Godfather é uma obra-prima do cinema com sangue, suor e lágrimas e espantosamente não é que alguns maus são bons pais e bons filhos?

The Godfather: Part II (1974), continuação da saga, o filho pródigo encarnando um papel que não era para si. Será mesmo que não era? Pacino é, para mim, dos vilões mais intrigantes. Não consegui compreender como é que um bom rapaz daqueles se transforma num padrinho tão frio, racional e implacável. Como é possível alguém mandar matar o seu próprio irmão? Era mais fã de Pacino do que do irmão, enervava-me a violência gratuita e o descontro emocional do rapazinho, mas não era preciso tanto.

Decorria o final da década de 70 e Apocalipse Now (1979) era o filme sensação da juventude. Baldo-me às aulas, escolho um cinema pertinho do autocarro de regresso a casa e instalo-me confortavelmente na fila central do Apolo 70. The End, dos Doors, helicópteros, praia, morte, tragédia contaminada de poesia.

Jamais assisti a obra cinematográfica tão genial e foi a primeira de muitas vezes que ouvi a longuíssima canção dos Doors. Depois disto o terror jamais foi tão poético.


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domingo, março 23, 2008

Memórias alinhavadas dos setentas

Segundo Aristóteles a tragédia é a "imitação de acção e de vida" e é assim que, no início dos anos setenta, determinados heróis musicais resolvem encerrar um ciclo.
Se Alex de Laranja Mecânica é o mal em si, Janis Joplin (4/10/1970), Jim Morrison (3/07/1971) e Jimmy Hendrix (18/09/1970), são três estrelas maiores do universo dos sessenta que resolvem por termo à vida no início da década seguinte.
Os três com o mesmo método revolucionário (overdose) e com a mesma idade (27 anos).
Dos três apenas Hendrix (?) não deu azo a um genial registo biográfico.
Val Kilmer é Jim Morrison em The Doors de Oliver Stone (1991) e Bette Midler é Janis Joplin em The Rose (1979) de Mark Rydell.
As biografias são obra cinematográfica indelicada.
Assisti a The Rose no início dos anos oitenta, no inovador cinema Londres.
A adolescente assumida e trágica que eu era então idolatrava o trio maravilha, os génio incompreendidos do rock, os ídolos devorados pelo sistema.
Há em mim uma esquerdista em potência que eu ouso, de quando em vez, ouvir.
Não sem algum elemento trágico à mistura, e não esquecendo as lições bem memorizadas do "lobo mau capitalista", dos "devoradores da consciência dos pobres", dos "sempre os mesmos com a mesma fatia", do celebérrimo "combate ao capital" ou do inolvidável "o povo unido jamais será vencido", recentemente foi reencarnado um velho mito com "assalto do mercado/economia". Tais siglas foram algo potenciadas pelos graffitis do PCTP/MRPP, pelas idas pacíficas dos camaradas do MFA ao bairro onde vivia à época e last but not least (realizei um sonho antigo, utilizar convenientemente esta velha pérola) as investidas parlamentares do camarada parlamentar do partido, PCTP/MRPP, um orador emblemático e algo trágico, tal como convinha a qualquer revolucionário da época.
Mas The Rose contribuiu para uma certa veia incrédula e céptica e é com tragédia e lenda que me alinho no início dos anos setenta.
Apenas uns anos mais tarde me apercebi de tal...


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sábado, março 22, 2008

Alguns filmes dos setentas vistos nos oitentas, noventas e por aí fora…

Memórias alinhavadas dos setentas

Aos quinze anos a primeira televisão. Diversões antes Tv: jogo do prego, macaca, elástico, mamã dá licença, brincadeiras de rapazes e raparigas, entre um rachar de cabeça inocente, uns mergulhos fortuitos no Mondego, calças da moda, música, clube de fãs - muito restrito - do Art Sullivan, felicidade e um profundo desconhecimento da lógica de funcionamento do mundo dos adultos.
Como as minhas idas ao cinema, na época, foram nulas, a filmografia básica desta época foi devorada uns anos mais tarde. Exemplos:

Laranja Mecânica, 1971, de Stanley Kubrik, Malcolm McDowell interpreta o tétrico Alex, o actor britânico teria sido tão perfeito n’O Inadaptado de Flannery O’Connor?

“’Jesus foi o único que alguma vez ressuscitou os mortos’, continuou O Inadaptado, ‘e não devia tê-lo feito. Desequilibrou tudo. Se Ele fez o que dizem que fez, então não nos restaria mais nada senão largarmos tudo para O seguirmos, e se não fez, então não há nada que possamos fazer senão apreciar os momentos que nos restam da melhor maneira possível – matando uma pessoa ou incendiando-lhe a casa ou fazendo qualquer outra coisa má. Sem prazer mas com maldade’, disse ele, e a sua voz tornou-se quase um rosnido.

(…)

‘Era uma grande faladora, não era?’, perguntou Bobby Lee escorregando ao longo da barreira com um grito de cowboy.

‘Teria sido uma boa mulher’, disse O Inadaptado, ‘se estivesse estado lá alguém para a matar em cada minuto da vida dela’.

‘Grande programa!’, disse Bobby Lee.

‘Cala-te, Bobby Lee’, disse O Inadaptado. ‘Não há verdadeiros prazeres na vida.’”, p. 25-26.

O’CONNOR, Flannery, Um Bom Homem é Difícil de Encontrar (2006). Lisboa: Cavalo de Ferro

Alguns anos mais tarde a equipa maravilha de um mundial era apelidada de «Laranja Mecânica». Alguém se lembra do país que representava tal selecção?

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sexta-feira, março 21, 2008

Homem

Daumier, Poeta clássico compondo uma écloga sobre a calma vida campestre


INSOFRIDO TEMÍVEL ADAMADO PURO SAGAZ INTELIGENTÍSSIMO MODES­TO RARO CORDIAL EFICIENTE CRITERIOSO EQUILIBRADO RUDE VIRTUOSO MESQUINHO CORAJOSO VELHO RONCEIRO ALTIVO ROTUNDO VIL INCAPAZ TRABALHADOR IRRECUPERÁVEL CATITA POPULAR ELOQUENTE MASCARADO FARROUPILHA GORDO HILARIANTE PREGUIÇOSO HIERO­MÂNTICO MALÉVOLO INFANTIL SINISTRO INOCENTE RIDÍCULO ATRASA­DO SOERGUIDO DELEITÁ VEL ROMÂNTICO MARRÃO HOSTIL INCRÍVEL SERENO HIANTE ONANIST A ABOMINÁVEL RESSENTIDO PLANIFICADO AMARGURADO EGOCÊNTRICO CAP ACÍSSIMO MORDAZ PALERMA MAL­CRIADO PONDEROSO VOLÚVEL INDECENTE ATARANTADO BILTRE EMBIR­RENTO FUGITIVO SORRIDENTE COBARDE MINUCIOSO ATENTO JÚLIO PANCRÁCIO CLANDESTINO GUEDELHUDO ALBINO MARICAS OPORTUNIS­TA GENTIL OBSCURO FALAClOSO MÁRTIR MASOQUISTA DESTRAVADO AGITADOR ROÍDO PODEROSÍSSIMO CULTÍSSIMO ATRAPALHADO PONTO MIRABOLANTE BONITO LINDO IRRESISTÍVEL PESADO ARROGANTE DEMA­GÓGICO ESBODEGADO ÁSPERO VIRIL PROLIXO AFÁVEL TREPIDANTE RECHONCHUDO GASP AR MAVIOSO MACACÃO ESFOMEADO ESPANCADO BRUTO RASCA PALAVROSO ZEZINHO IMPOLUTO MAGNÂNIMO INCERTO INSEGURÍSSIMO BONDOSO GOSMA IMPOTENTE COISA BANANA VIDRI­NHO CONFIDENTE PELUDO BESTA BARAFUNDOSO GAGO ATILADO ACINTOSO GAROTO ERRADÍSSIMO INSINUANTE MELÍFLUO ARRAP AZADO SOLERTE HIPOCONDRÍACO MALANDRECO DESOPILANTE MOLE MOTEJA­DOR ACANALHADO TROCA-TINTAS ESPINAFRADO CONTUNDENTE SANTI­NHO SOTURNO ABANDALHADO IMPECÁVEL MISERICORDIOSO VOLUPTUOSO AMANCEBADO TIGRINO HOSPITALEIRO IMPANTE PRESTÁ­VEL MOROSO LAMBAREIRO SURDO FAQUISTA AMORUDO BEIJOQUEIRO DELAMBIDO SOEZ PRESENTE PRAZENTEIRO BIGODUDO ESP ARVOADO VALENTE SACRIPANTA RALHADOR FERIDO EXPULSO IDIOTA MORALISTA MAU NÃO-TE-RALES AMORDAÇADO MEDONHO COLABORANTE INSENSA­TO CRAVA VULGAR CIUMENTO TACHISTA GASTO IMORALÃO IDOSO IDEALISTA INFUNDIOSO ALDRABÃO RACISTA MENINO LADRADOR POBRE­-DIABO ENJOADO BAJULADOR VORAZ ALARMISTA INCOMPREENDIDO VÍTIMA CONTENTE ADULADO BRUTALIZADO COITADINHO FARTO PROGRAMADO IMBECIL CHOCARREIRO INAMOVÍVEL...

O'Neil, Alexandre in Poesias Completas 1951/1986, Biblioteca de Autores Portugueses, Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 3ª ed., Portugal, 1990, p. 336, 337.

O poema de Alexandre O’Neil pretende ilustrar algo que está presente em qualquer obra cinematográfica: o homem e as suas múltiplas facetas. As contradições fazem parte das características básicas da personalidade humana e é com esse processo criativo como pano de fundo que qualquer cineasta, argumentista, sedimenta a sua filmografia.

Como durante este mês escrevemos sobre os setentas, trago-vos a minha visão peculiar sobre obras cinematográficas que marcaram esta época.

Durante alguns dias falar-vos-ei de alguns filmes dos setentas vistos nos oitentas, noventas e por aí fora…

Feliz dia Mundial da Poesia.

Fonte da Imagem:
BAUDELAIRE, Charles. Da Essência do Riso (2001). Almada: íman edições.

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Poema Involuntário

Decididamente a palavra
quer entrar no poema e dispõe
com caligráfica raiva
do que o poeta no poema põe.

Entretanto o poema subsiste
informal em teus olhos talvez
mas perdido se em precisa palavra
significas o que vês.

Virtualmente teus cabelos sabem
se espalhando avencas no travesseiro
que se eu digo prodigiosos cabelos
as insólitas flores que se abrem
não têm sua cor nem seu cheiro.

Finalmente vejo-te e sei que o mar
o pinheiro a nuvem valem a pena
e é assim que sem poetizar
se faz a si mesmo o poema.

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quinta-feira, março 20, 2008

Coisas que nunca mudam

Andam nas Amêndoas. O termo foi-me várias vezes apresentado no final dos anos 70, inícios de 80. Era uma expressão muito utilizada por quem andava na estrada para definir a sagrada caça à multa na época de Páscoa. Anos se passaram, leis foram alteradas – agora já ninguém leva caixas de coelhos, galinhas ou vinho ao comandante da polícia local (espero eu), são cada vez menos os automobilistas que se lembram de tentar subornar a autoridade. Agora a coisa está, de facto, diferente: há uns dias passava eu numa estrada perto do meu local de residência, uma via com duas faixas de rodagem em cada sentido mas que, por se encontrar dentro de uma localidade, tem a óbvia velocidade máxima de circulação marcada nos 50 quilómetros/hora.
Há uns bons cinco anos, a Brigada de Trânsito costumava, ciclicamente, colocar ali um carro descaracterizado, estacionado em cima de um passeio ou em cima de uma zebra ali existente, com o radar da ordem e mais seis ou sete agentes a mandarem encostar os incautos prevaricadores uns bons 400 metros à frente.
É claro que um carro estacionado de forma abusiva em cima de um passeio para pedestres ou em cima de uma zebra chamava demasiada atenção e a caça aprendeu a lição rapidamente.
A evolução da tecnologia chegou, de há algum tempo a esta parte, o carro descaracterizado desapareceu, no seu lugar está aquilo a que chamo o radar de bolso. Todos concordaremos, acredito, que as Leis do Código de Estrada são para cumprir, alguns de nós também concordaremos que a principal missão das polícias não é reprimir mas sim dissuadir e é aqui que tudo isto me leva de volta ao velho Andam nas Amêndoas. O radar de bolso que eu já vi, por várias vezes, está sempre estrategicamente escondido atrás do pilar de um viaduto, totalmente invisível a quem se dirige para aquela armadilha. Depois de percorridos os tais 400 metros, lá estão os tais seis ou sete polícias, diligentemente, mandando encostar as moscas do dia. Obviamente que as regras são para se cumprir, obviamente que isto se passa numa estrada que, embora tendo duas vias em cada sentido, tem um limite estabelecido, obviamente que, se os agentes da autoridade escondem tão afincadamente o radar é porque não querem apenas dissuadir, querem punir, querem reprimir, querem multar.
Estão a usar o que têm como Lei mas lá que ficam mal na minha fotografia lá isso ficam.
P.S. - Se alguém me garantir que este método nos fará baixar o número de mortes nas estradas nesta época de Páscoa ainda dou um desconto mas, felizmente, na via em questão, nunca morreu ninguém desde que ela se encontra aberta.

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Moda e disco



O hit aqui ao lado é um ícone do disco.
Os Boney M, os Bee Gees, o Travolta e a sua fatiota branca esvoaçando no celuloide, foram marcas incontornáveis dos setentas.
Alguns anos depois, apenas alguns, até acho bastante piada às calças de boca de sino, aos cabelos compridos e aos saltos confortáveis.
Não há como recusar uma época tão marcante é que em qualquer lar que se preze, existem dezenas de fotografias de casamento.
A minha preferida é sem dúvida marcante:
cabelo comprido ligeiramente desalinhado, calça azul floreada, camisola de malha apertadíssima, e saltos assimétricos.
Quanto à pose?
Perna esquerda ligeiramente avançada, direita de retaguarda, mãos à cintura e olhar de republicana.
Um quadro devidamente composto com o fio de prata e a cruz de cristo, acessórios tão imprescindíveis como os piercings para os actuais deputados do PS.

Imagem

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Filhos do cê dê ésse - Parte 2 [Reloaded]

Com o ambiente que se vivia em Lisboa naquele período pós-revolucionário, ainda hoje tenho alguma dificuldade em encontrar uma explicação plausível para o facto de não ter sido arrastado pela avalanche trotskista-maóista-marxista-estalinista-leninista que parecia varrer o país de lés-a-lés. Como já meditei bastante sobre o assunto, a melhor explicação que encontrei para a minha miraculosa bem-aventurança talvez se deva àquela soberba aptidão que as crianças têm para reconhecer os aldrabões à distância. Deverá ter sido graças a esta prodigiosa capacidade infantil que nunca fui enrolado pelas falinhas mansas do camarada Mário Soares, assim como também nunca caí naquela estória de que o Álvaro Cunhal tinha vindo da ú érre ésse ésse. Já nesse tempo não era preciso ser-se muito inteligente para se depreender através da fisionomia do secretário-geral do pê cê pê que ele só podia ter vindo directamente da Roménia, mais precisamente, da Transilvânia, e era, com toda a certeza, um parente bastante próximo do Conde Vlad Drácula.

Quanto contei ao meu coleguinha de carteira esta minha desconfiança, acusou-me logo de fascista. Apercebi-me de imediato que o meu coleguinha andava a ver muitos desenhos animados checos do Vasco Granja; e, numa reacção perfeitamente normal [à época], parti-lhe uma régua na cabeça – num tempo em que as réguas ainda eram todas em madeira. O camaradinha não perdeu tempo e denunciou-me à Secretária-geral lá do sítio, a prófe vermelha. Sabendo de antemão que a camarada prófe era um puro sangue marxista, temi seriamente pela minha segurança, pois comecei logo a imaginar o COPCON a entrar por ali adentro, e a levarem-me num Chaimite para ser interrogado pessoalmente pelo camarada Otelo. Só descansei depois da Secretária-geral jurar por Marx, Estaline e Lenine, que não chamava o temido exército vermelho da Região Militar de Lisboa. Depois de me acalmar, a camarada prófe tentou fazer-me uma lavagem cerebral à velha moda do capa jê bê, procurando-me convencer que se os comunistas fossem de facto vampiros nunca defenderiam um “sol a brilhar para todos nós” porque o sol mata todos os vampiros e seus derivados. Para não complicar ainda mais a minha situação fiz um ar convencido, e bastante arrependido, mais ou menos como aquele que via os pides dê jê ésse fazer na televisão (ou RTP), apesar de saber que aquilo do “sol brilhará” não passava de mais um inteligente estratagema dos comunistas para esconder o facto de andarem mesmo a sugar o sangue das criancinhas. Felizmente que não tinha contado toda a verdade ao meu coleguinha delator, caso contrário teria sido o meu fim: nem sequer a camarada professora conseguiria arranjar uma boa justificação para o facto do camarada Álvaro Cunhal, tal e qual um bom vampiro, andar sempre a dormir em locais incertos e desconhecidos.

Foi a partir desse dia que me apercebi que morava dentro de mim um ainda desconhecido gene direitista que, para meu próprio bem, teria de aprender a dominar.

Cena do próximo capítulo: “(…) Depois da senhora Vera Lagoa ter atirado a primeira pedra em direcção à sede do pê cê pê, todos se apressaram em seguir-lhe o exemplo. (…) "

[continua…]

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quarta-feira, março 19, 2008

E você por onde é que andava no 25 de Abril?

Vivendo uma certa pré-adolescência.
Iniciando uma incompatibilidade sem terra à vista (matemática).
Experenciando um certo fanatismo por um cantor de música ligeira.
Abençoando a descrença.
E uma outra experiência difícil de esquecer: ir para a rua, pela primeira vez.
Um acontecimento tão marcante decorrendo precisamente porque uma paixão intempestiva surgiu no horizonte.
Paixão e rua poderão não rimar, mas que fazer quando se pretende esconder, do olhar dos outros, uma ligeira inclinação?
Entretanto os Abba ganham o Festival da Eurovisão e uma outra música festivaleira entra, sem pedir licença, para a História de Portugal.


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