sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Justiça carnavalesca

Se persistissem dúvidas sobre o estado da Justiça em Portugal, o contraproducente caso de censura de Torres Vedras acaba por as dissipar por completo. Como é que é possível tomarem-se decisões desta natureza, com esta ligeireza, com base em fotografias desfocadas? Com base em que fundamentos legais a senhora procuradora-adjunta do Primeira Delegação do Tribunal de Torres Vedras tomou a decisão de proibir a exibição de uma imagem num cortejo de Carnaval? Esses fundamentos legais alteraram-se de ontem para hoje?

Nota: isto num país em que escutas incriminatórias perfeitamente perceptíveis não são admissíveis como prova mesmo não existindo quaisquer dúvidas quanto à sua veracidade

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quinta-feira, julho 10, 2008

Vira o disco e...

Manuela Ferreira Leite anda em maré de azar. Primeiro decide candidatar-se à presidência do PSD (PPD/PSD para os santanistas), depois de vencer, sem convencer, enfrenta um congresso que teve o seu ponto alto no discurso do 'vou-me embora mas vou andar por aí' de Angelo Correia. O congresso serviu ainda para que se percebesse o 'target' eleito por Ferreira Leite - a classe média. Esses pobres coitados a quem José Sócrates tira tudo.
Mas Ferreira Leite é uma política que gosta de viver perigosamente e lá foi ao encontro do seu mestre, hoje Presidente da República, natural de Boliqueime, Aníbal Cavaco Silva. Há por aí alguns blogues que até dizem que ela foi a Belém não para dizer como vai fazer oposição mas para receber umas lições do Homem. A coisa até funcionou bem inicialmente, passando em claro aquele pequeno problema de comunicação que a fez ficar calada em plena crise dos camionistas, mas hoje a estreia de Paulo Rangel à frente da bancada parlamentar do PSD foi um desastre.
O homem a quem se pede que lidere as tropas empolgou os seus seguidores, mas deu o flanco e esqueceu-se que, melhor do que os aplausos dos amigos, nestas ocasiões, vale o silêncio ou embaraço dos inimigos. Foi triste perceber que o PSD não quer nada com o ser oposição, com a Internet, nem sequer com a senhora, funcionária do Parlamento, que tentou - e se tentou - entregar uma cópia em papel das dúvidas levantadas por Rangel - graciosamente dispensada por José Sócrates. A imagem da debandada geral da bancada do PSD após esse momento merece uma reflexão séria. A equipa de Ferreira Leite, a oposição que quer ser Governo em 2009 começa a debandar ser sequer chegar ao Governo. Basicamente estamos entregues ao bichos, sem qualquer ofensa para Paulo Rangel, obviamente.

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sexta-feira, abril 27, 2007

Cada vez mais claro

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quinta-feira, abril 26, 2007

«Ameaças e nebulosas»

É difícil saber se, como afirmou Paulo Rangel, «nunca como hoje se sentiu uma tão grande apetência do poder executivo para conhecer, seduzir e influenciar a agenda mediática», mas não haverá muitas dúvidas de que as tentativas de condicionamento da liberdade de expressão e de informação são uma realidade no nosso país. O facto de um “partido da liberdade” como é o PS, estar na origem de algumas dessas ameaças à liberdade de expressão coloca mesmo a questão: será que o poder, para além de corromper, também provoca amnésias selectivas? [...] Estas inequívocas ameaças e condicionamentos à liberdade de expressão e de informação não são, contudo, uma criação exclusiva do governo e do Partido Socialista; antes contam com uma participação activa e criativa do principal partido da oposição, o que, ainda mais, justifica a preocupação agora manifestada. Tem, assim, toda a razão o deputado Paulo Rangel ao celebrar o 25 de Abril na Assembleia da República, chamando a atenção para as «ameaças e nebulosas» que nos espreitam, tanto ao nível da liberdade de expressão como, eventualmente, quanto à concentração de poderes, mas fica-nos uma enorme dúvida: a quem se dirigia?

Francisco Teixeira da Mota, Ameaças à Liberdade, Público, 26/04/2007; Via:
Da Literatura

Naturalmente, o discurso de Paulo Rangel foi recebido com “algum” desconforto pelo governo, pela bancada do PS e por todo o aparelho socialista. Também não é de estranhar que face ao avolumar de questões e ao mais que comprometedor silêncio do primeiro-ministro, a amnésia selectiva dê sempre um certo jeito. Porém, pode ser que algumas das enormes dúvidas que ainda acometem determinados espíritos “livres” se dissipem após a leitura deste texto do António Balbino Caldeira.

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