Mais um recorde batido na abstenção. Os analistas afirmam que tal é resultado da [baixa] qualidade dos políticos, dos [fracos] hábitos de democracia dos portugueses, do enorme desfasamento que há entre a quantidade de queixas que os cidadãos fazem e a sua participação efectiva em escrutínios que validem tais reclamações. Embora subscrevendo em parte, tenho para mim que tanta abstenção resulta mais de um sistema que prende o cidadão à sua freguesia se quiser votar. Democracia deve ter como sinónimo liberdade, mas no dia de eleições, o dia maior das democracias, um cidadão tem de ficar «preso» durante dez minutos na sua freguesia. É impensável que em pleno século XXI eu não possa exercer o meu direito de voto no Algarve, em Vila Real ou no estrangeiro.
Um paralelismo interessante de estabelecer é com o meio financeiro: eu posso transferir todo o meu dinheiro, aqui e agora, para quem me aprouver. Mas se fosse dia de eleições e estivesse fora da minha freguesia, seria mais um a engrossar os números da abstenção. Actualmente, há meios electrónicos e informáticos seguríssimos, capazes de asseverar que a máxima «um Homem um voto» é respeitada e até melhor preparados para a detecção de fraudes eleitorais do que pelo tradicional caderninho. Como este é um Governo tão embeiçado pelas novas tecnologias, acho que o que de mais importante poderia fazer pela democracia era dotá-la de uma logística que garantisse que todos os cidadãos que quisessem votar o fariam. Porque uma democracia que exista para servir os cidadãos será sempre mais participada e mais legítima do que uma que se serve deles.
Ou será que não querem uma democracia forte?...
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