sexta-feira, março 28, 2008

Memórias alinhavadas dos setentas

Em 1975 e 1976 a escola tinha mudado ligeiramente.

A escola preparatória de Qwerty2001 era um local relativamente seguro.

De um lado confortáveis bairros da lata, do outro um cheiro ligeiramente esquisito.

Os miúdos ainda não tinham telemóveis, mas eram famosos os jogos da pedrada, por exemplo.

Os miúdos resolviam amiúde ter um comportamento de risco. Coisa de pouca monta, desde à destruição de um carro ou outro de um professor, até ao comportamento exemplar nas salas de aula.

Provavelmente a origem da violência residia nos filmes vistos no piolho, o Multiplex da altura, e cujo terror era projectado na escola.

Tubarão, 1975, um tubarão espalhando o terror pelas salas de cinema de todo o mundo. O primeiro grande êxito comercial de Spielberg. Durante a década de 70, o cineasta americano ainda realizaria uma outra obra de culto da sua filmografia: Encontros Imediatos do Terceiro Grau, 1977.

Carrie, 1976, baseado no romance de Stephen King, realizado por Brian de Palma, com Sissy Spacek como Carrie White. CARRIE é uma rapariga com telecinesia (poder de mover objectos com a mente), cujo poder se converte em arma de terror num sábado, dia de baile...

Taxi Driver, 1976, um jovem cineasta americano, Martin Scorsese, uma obra-prima, dois anos mais tarde um filme sobre o fim de uma banda de blues, The Band, que acompanhara em tempos Bob Dylan, The Last Waltz (1978), reúne estrelas maiores da música country e blues americana, Bob Dylan, The Band, Emylou Harris, etc.

Robert de Niro e Jodie Foster, duas estrelas maiores do cinema americano, cujo universo é recheado de estranheza, violência, solidão e agressividade.

Temas recorrentes na obra de Scorsese, a sua filmografia é, para mim, um misto de razão, maldade, calculismo e estranheza.

Rocky Balboa, 1976 – O pugilista mais famoso da sétima arte, encarnado por Sylvester Stalone. Do Rocky chegou-me uma dança estilo Las Vegas, protagonizada por um senhor baixinho, íamos no Rocky IV, Living in America um hit e o rei do soul, quem lhe resiste?

Esta foi alguma da filmografia dos anos setenta recuperada através de alguns alinhavos da memória. De todos o meu preferido é, sem dúvida, "Apocalipse Now", mas Coppola é o cineasta dos cineastas.

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quinta-feira, março 27, 2008

Memórias alinhavadas dos setentas

Algures nos setentas vigorava ainda uma determinada escola, professor o digno representante de uma ideia de educação, traduzida mais ou menos nestes termos: isto é tudo uma cambada de imbecis, lerdos e avessos ao trabalho intelectual, daí que o melhor é mesmo espancá-los até à medula, até à humilhação mais comezinha, pois gente desta deveria mesmo é estar a trabalhar nos campos ou na indústria ou no comércio.
Isto é gente sem eira na beira, nem pensamento.
Pelo menos era esta a pedagogia libertária da professora primária da escola tal, localizada em qwerty2001, uma digna representante do Salazar de que nos fala Jaime Nogueira Pinto, uma visão céptica do homem, do género bem eclesiástico e monárquico, esta gente não se governa, já viram a quantidade de povos que por cá andaram? isto só com repressão e mantendo o respeitinho. De outra maneira não vão lá.
Esta visão caridosa e benemérita divide ainda algum Portugal.
De um lado as famílias que se consideram dignas representantes do poder, daí que muito do seu discurso ande à volta da inveja, do não sabem falar, da ralé, da canalha, dos corruptos, etc, e o Portugal, massificado, alienado, pouco aberto à educação, ao civismo, às regras de vida em sociedade.
A tão apregoada cidadania dos socialistas e sociais democratas.
Ora meus caros, nem as elites, nem o povinho são santinhos de trazer por casa.
Se alguns dos uns se consideram dignos sucessores de determinados lugares, alguns dos outros arrogam-se o beneplácito prazer de sobreviver à custa da manha e da falta de escrúpulos.
Quando alguma elite se preocupa mais com a partilha entre si de regalias várias (o que se passa no actual PSD é disso exemplo), do que com os elementos da sociedade que ajudou a construir, do que é que está à espera? ah, pois, de milagres...
Entretanto alguma digníssima classe média apanha por tabela, tanto com uns como com outros. Alguma classe média, ora do PS, ora do PSD, e cujo grande sonho é ascender à classe média alta.

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sexta-feira, junho 01, 2007

Em Qwerty 2001 não há jet set

O artigo de Constança Cunha e Sá d'O Público, que o André transcreveu aqui, é muitíssimo pertinente a todos os níveis.
Não é devido a ele que eu votaria Carmona, caso vivesse em Lisboa, é igualmente devido a muitas suspeitas sobre a Câmara de Lisboa que pairam sobre a minha cabeça.
As minhas suspeitas recaem fundamentalmente sobre um pecado mortal extremamente interessante: a avareza e esse pecado capital, instalou-se, de há uns anos para cá, no poder político.
Miguel Sousa Tavares referiu, há algum tempo, que se fosse jornalista de investigação iria debruçar-se sobre as fundações, levantando um véu de suspeita "desgeneralizado", sobre as mesmas.
Eu se fosse jornalista de investigação começava primeiro pelo poder local.
É incrível o diz que fez e que disse, e dizendo o fazendo em seu próprio bem, entre uma gestão autárquica e outra.
Dedicava-me a desfiar o novelo entre o poder autárquico e a construção civil.
Em Qwerty2001, correm "desrumores", de há uns anos para cá, sobre uma figura interessante de um partido político, cuja megalomania em proveito próprio é tão evidente que "despanta" ainda não ter "deschegado" à barra dos tribunais.
É uma espécie de porco na engorda, mas ainda há tempo para "descriar" mais umas quantas empresas fictícias, mais umas quantas associações e mais umas quantas compras de terrenos ao desbarato, enquanto não se sabe que...
O retrato robot poderia encontrar-se por qualquer autarquia de Qwerty 2001, não querendo desmerecer os autarcas honestos, quero "desacreditar" na sua existência só para bem da minha sanidade mental.
A sinopse é a seguinte: para podermos "desconsiderar" a sua candidatura ao concurso* X, temos de comprar umas luvas no valor de tanto, as luvas estão muito caras na Loja das Meias, depois, caso ganhe, umas quarentenas parecem-nos bem.
É por estas e por outras que em Qwerty 2001 a corrupção tem mais encanto, qual jet set qual carapuça!

* - quando me falam nas virtudes dos concursos públicos rio, rio, rio, a "desbandeiras" pregadas. Só quem ainda não concorreu a concursos públicos em Qwerty 2001, só quem pretende vender gato por lebre é que nos "desprega" as virtudes dos concursos públicos.

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