sexta-feira, junho 13, 2008

alguém me explica?...

Já alguém tinha reparado que a UEFA mudou a estrutura dos jogos para as meias-finais? Se calhar já todos sabiam, mas eu só me dei conta disso ontem...

Ora, então é assim: nos quartos-de-final, joga o grupo A com o B e o C com o D - até aqui tudo bem. Mas nas meias finais, ao invés de cruzar os grupos, como era antes (A/B - C/D; A/B - C/D), decidiram agora manter a separação, jogando novamente A/B - A/B e C/D - C/D. Isto faz com que haja, logo à partida, uma separação em dois blocos, dizendo-nos de antemão que nunca irá haver uma final entre equipas dos grupos A e B ou entre equipas dos grupos C e D. Neste caso, independentemente dos resultados, nunca teremos uma final Portugal-Alemanha ou França-Itália, por exemplo.


antes
e
depois



Eu sei que isto é apenas uma parovoíce, mas serei eu a única a não perceber o porquê da mudança do sistema?! O que se ganha em separar as equipas em dois blocos estanques?... Alguém me explica?...

É parvo - eu sei - mas estou indignada! Até porque cá em casa temos um quadro para ir seguindo os percusos das equipas e, com esta mudança, vou ter de fazer um novo... Acho mal ninguém me ter pedido autorização para alterar a estrutura! =)

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quarta-feira, outubro 10, 2007

"M" de Matemática... e de Música

Foi interessante. A definição da tonalidade, a afinação e as proporções gregas e renascentistas, os 12 meios tons e a Teoria de Grupos, o belo, o número de ouro e a sucessão de Fibonacci, a música estocástica e a Lei dos Grandes Números, a auto-semelhança, a compartimentação e os fractais e a Teoria do Caos.

Foram algumas ideias breves, nada muito aprofundado, até porque se anunciava: para o público geral... Diga-se, no entanto, que a noção de público geral se aplicava apenas nos conhecimentos matemáticos... Será que o senhor se lembrou que podia haver quem não percebesse de música???!!! Acho que não... Confesso que aqueles exemplos sonoros ilustrativos de alguma coisa me passaram quase todos ao lado. Mas foi engraçado observar as reacções da plateia. Pelos acenos de cabeça e alguns comentários finais dava para perceber perfeitamente quem estava lá mais pela Música e quem lá estava mais pela Matemática; e acho que ninguém lá foi que não tivesse alguma afinidade com pelo menos uma das áreas.

No final, comentou alguém – músico! –, que o prazer com que ouviu uma vez um cientista falar do seu trabalho se equiparava ao do músico na composição. Uma posição – matemática! – discordou dessa comparação, frisando que a beleza da Matemática está no processo construtivo, no caminho que se percorre para provar algum resultado e não tanto no resultado em si, enquanto que a beleza da Música está no produto final. Sem querer ser tendenciosa, acho que concordo com esta discordância...

[Esta sessão do Breve Dicionário de Ouvir da Casa da Música integra-se no Mês da Matemática do Serviço Educativo, que tem mais actividades agendadas.]

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segunda-feira, outubro 08, 2007

Matemática na Casa da Música

Outubro é o mês da Matemática na Casa da Música (no Porto)! Nas salas de ensaio - espaços interiores subterrâneos, de que não falei aqui, onde chegamos por uns mega elevadores todos bonitos ou por uns corredores e escadarias com aspecto de construção inacabada e claustrofóbica - vão decorrendo espectáculos, palestras e conversas para públicos variados. Há actividades específica e exclusivamente pensadas para as escolas mas também outras para professores e para o público geral.

- 6/Out, 16h: "M" de Matemática (para o público geral)

- 13/Out, 15h: Zoo Lógico (para o público geral)

- 13 e 20/Out, 11h: Descobrir Matemática com a Música (para professores de Matemática) [colaboração com o CMUP]

- 27/Out, 14h30: Música na aula de Matemática, Matemática na aula de Música (para professores do básico, educadores de infância e animadores musicais)

Para cada uma delas é necessário bilhete (5€).

[Eu estive lá neste sábado e foi interessante... - amanhã depois eu conto!]

imagem adaptada (Serviço Educativo da Casa da Música)

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domingo, setembro 23, 2007

Dez textos sobre Economia(s) (I)

O lema deste blogue é «estórias do quotidiano político, social e cultural». No entanto, tanto a política, como a sociedade ou a cultura são interdependentes da Economia.

Na política é bastante óbvio o que afirmo: as promessas mais marcantes de qualquer campanha estão sempre situados no âmbito económico. A diminuição dos impostos, o aumento do poder de compra, a travagem da inflação e do desemprego, entre outras, são promessas de todos os candidatos a primeiro ministro e estão devidamente inscritas nos respectivos programas de Governo. Além disso, um político que consiga ter uma boa performance nestas matérias tem, excluindo casos pontuais como o de Aznar, uma reeleição garantida ou uma promoção assegurada.

A sociedade move-se hoje pela economia e a economia é movida pela sociedade: as Empresas, as Famílias, o Estado todos eles são agentes económicos e uma boa coordenação entre eles tem efeitos positivos recíprocos: uma sociedade bem organizada, sem burocracias em excesso ou com infra-estruturas decentes permite uma Economia mais saudável que consequentemente retribuirá dando melhor nível de vida às famílias, mais lucros às empresas e uma maior receita fiscal ao Estado. No entanto, a premissa atrás aduzida também funciona em sentido contrário. E penso que é o que se passa actualmente no país.

Finalmente, a Cultura. Há em Portugal uma certa ideia de que a cultura é independente da economia. Mais, não é raro os senhores da cultura olharem com altivez para os senhores "maníacos do números" da economia, assim como com altivez olham os senhores da Economia para os "improdutivos" senhores da cultura. Um exemplo pessoal: um escritor português de renome tinha acabado de ganhar um prémio de vida literária. Entrou no meu escritório, dedicado às contas e, no fim da conversa, eu pedi-lhe para autografar uns livros que tinha dele. Pergunta dele: «o senhor também lê?»
Embora se queira estabelecer uma separação entre Cultura e Economia, elas estão intimamente relacionadas: que explicação pode existir para se visitar um museu em Munique com quadros de Turner, Van Gogh e outros mestres por um euro e ter pago dois euros em Viana do Castelo para ver esboços (nem desenhos chegavam a ser) de Júlio Pomar? E no centro dessa mesmo Munique ter encontrado um livro, com excelente acabamento, numa das melhores livrarias da cidade, de Lobo Antunes por seis euros e meio?
A Economia deveria olhar com mais respeito para a Cultura e esta deveria fazer o mesmo pelas "contas". Porque tanto a Economia, no campo material, como Cultura, a nível espiritual, procuram o mesmo: tirar um pouco da angústia à Condição Humana.

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