sexta-feira, junho 13, 2008

alguém me explica?...

Já alguém tinha reparado que a UEFA mudou a estrutura dos jogos para as meias-finais? Se calhar já todos sabiam, mas eu só me dei conta disso ontem...

Ora, então é assim: nos quartos-de-final, joga o grupo A com o B e o C com o D - até aqui tudo bem. Mas nas meias finais, ao invés de cruzar os grupos, como era antes (A/B - C/D; A/B - C/D), decidiram agora manter a separação, jogando novamente A/B - A/B e C/D - C/D. Isto faz com que haja, logo à partida, uma separação em dois blocos, dizendo-nos de antemão que nunca irá haver uma final entre equipas dos grupos A e B ou entre equipas dos grupos C e D. Neste caso, independentemente dos resultados, nunca teremos uma final Portugal-Alemanha ou França-Itália, por exemplo.


antes
e
depois



Eu sei que isto é apenas uma parovoíce, mas serei eu a única a não perceber o porquê da mudança do sistema?! O que se ganha em separar as equipas em dois blocos estanques?... Alguém me explica?...

É parvo - eu sei - mas estou indignada! Até porque cá em casa temos um quadro para ir seguindo os percusos das equipas e, com esta mudança, vou ter de fazer um novo... Acho mal ninguém me ter pedido autorização para alterar a estrutura! =)

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terça-feira, maio 08, 2007

A maximização da coisa

Maria de Belém é das mulheres políticas portuguesas a que mais saboreio ouvir falar.
Maria de Belém é, além de tudo, foneticamente aprazível.
As palavras ecoam nos seus lábios como roseiras bravas e o perfume que exalam é inebriante.
Hoje o tema da sua pequena crónica na Antena 1 foi sobre a tomada da bastilha, salve seja, desculpem, a Câmara de Lisboa.
Às tantas Maria de Belém diz qualquer coisa como "a maximização da interpretação da lei", blá, blá, blá, blá...
Estando eu num exercício de gestação de algum pensamento genial, quando, a jornalista, ouvindo os meus entendimentos, pergunta:
O que pretende dizer com "maximização da interpretação da lei"?
E lá explica Maria de Belém, qualquer coisa interpretada como:
não sei se sabe mas, em Portugal, qualquer pessoa pode colocar qualquer pessoa em situação de arguido, para tal basta escrever uma carta anónima, ora se não existirem critérios mais razoáveis para a interpretação da lei, isto é se:
constituído como "arguido" = culpado (maximização da interpretação),
sem sequer entrar em linha de conta a presunção da inocência, um dia destes poderemos encontrar-nos numa situação de ingovernabilidade.
Todos nós que temos amigos, todos nós que já ouvimos falar sobre o caso tal e tal, todos nós amigos do oficial de justiça que ouviu o sr fulano de tal a dizer qual, todos nós espantadíssimos com cambalhotas argumentativas e todos nós ainda mais atónitos com as considerações, geniais e inovadoras, dos actores políticos.

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domingo, abril 22, 2007

EXPLICAÇÃO DA ETERNIDADE

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgávamos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
e idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luis Peixoto; "Explicação da eternidade", O Amor É a Solidão, in A casa a Escuridão, Temas e Debates, 2002, pág 66

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