quarta-feira, junho 15, 2011

Habemus Papam

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

Blog Convidado da Semana: «Portugal dos Pequeninos»

O blog convidado desta semana, cujos posts mais recentes vão surgir em tempo real no topo direito do GR, é o «Portugal dos Pequeninos». O João Gonçalves é um blogger político extremamente dinâmico, perspicaz, e incisivo - indubitavelmente, um dos meus favoritos na blogosfera lusa.

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quinta-feira, setembro 13, 2007

saudades do Filipe...

No sentido de... digamos, de me "cultivar politicamente", sempre li atentamente a opinião do Filipe, pois, sem qualquer pretensiosismo, ele falava de uma mudança pessoal de estádios, referindo claramente uma posição inicial - primária e natural - que eu sempre achei inevitável... Isto porque eu não acho natural nascer-se de direita! Numa inocente, ingénua ou mesmo ignorante teoria, tenho para mim que, em condições normais - seja lá o que isso for! -, todos somos inicial e naturalmente de esquerda... A força das circunstâncias - seja também o que isso for! - é que nos traz novas ideologias...

Mas dizia eu que tenho saudades do Filipe...

«Na adolescência, não tinha dúvidas: não só a Esquerda era a melhor solução possível, como a existência de uma coisa chamada Direita me era inexplicável. Não era a Esquerda pela igualdade, pela liberdade, pelo fim da pobreza, pelo fim das desigualdades sociais? E não eram esses objectivos os mais nobres dos objectivos? [...] o meu mundo era claro como a água. De um lado, os bons: a Esquerda. Do outro, os maus: a Direita. O único senão deste esquema eram os regimes comunistas [...] Via-os como uma degenerescência dos ideais da Esquerda, mas, por qualquer razão obscura, não os ligava às ideias em si, mas aos homens que as levaram à prática. [...] E acabava por refugiar-me no subconsiente: se determinada ideia era boa, é porque era de Esquerda. Douta ignorância! Até que encontrei a minha estrada de Damasco. Não propriamente a que me converteu, mas a que me educou. A que me ensinou que Esquerda e Direita eram só diferentes, sem que o Senhor Deus se tivesse alguma vez pronunciado sobre a validade absoluta de ambas.»
Filipe Alves Moreira, Dez/2005
Esquerda / Direita: um depoimento pessoal

«a maior parte das pessoas, pura e simplesmente, está-se nas tintas para saber se tal ou tal política é mais de Lenine, Burke, Reagan ou nórdica. Havendo sol no Verão e chuva no Inverno, 60 e muito % da população mundial passa bem sem discussões intelectuias sobre o neo-liberalismo ou o socialismo democrático. E, vejamos: o comunismo ruiu, as teocracias ruiram (vão ruindo...), o capitalismo, provavelmente, vai ruir. Quem nos pode garantir o que quer que seja? Em muito que pese aos velhos profetas de Esquerda, ou aos novos profetas de Direita, a humanidade patenteia uma imprevisibilidade desconcertante, de mistura com uma acentuada propensão para a mudança.»
Filipe Alves Moreira, Dez/2005
Opções



Integrando eu, infelizmente, os tais 60 e muito % da população e estando ainda a atravessar uma adolescência política tardia, continuo a perguntar-me quando é que as "ideias correctas" deixaram de ser comunistas... ou ainda quando é que as ideias comunistas deixaram de ser "ideias correctas"...

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sexta-feira, maio 18, 2007

Foguetório antes da festa

Apesar desta sondagem valer o que vale [muito pouco nesta altura do campeonato], vai ser giro se, como previsível, grande parte das as intenções de voto em Carmona forem transferidas para Fernando Negrão. Depois de tudo o que se tem passado em Lisboa, fartava-me de rir se o PSD voltasse a vencer as eleições na autarquia alfacinha.

Não é preciso ser um expert em sondagens para se entender o motivo pelo qual Fernando Negrão se mostrou satisfeito. “O que não é natural é” que mais à direita exista tanta gente preocupada com o candidato do PSD, quando é desde já previsível que o candidato de Paulo Portas, seja ele quem for, se arrisca a ter a pior votação de sempre do CDS/PP em Lisboa.

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quinta-feira, março 29, 2007

Filhos do cê dê ésse [Parte 2]

Com o ambiente que se vivia em Lisboa naquele período pós-revolucionário, ainda hoje tenho alguma dificuldade em encontrar uma explicação verosímil para o facto de não ter sido arrastado pela avalanche trotskista-maóista-marxista-estalinista-leninista que varria o país de lés-a-lés. Como já meditei bastante sobre o assunto, a melhor explicação que encontrei para a minha miraculosa bem-aventurança baseia-se naquela soberba aptidão que as crianças têm para reconhecer um aldrabão à distância. Deverá ter sido graças a esta prodigiosa capacidade infantil que nunca fui enrolado pelas falinhas mansas do camarada Mário Soares, assim como também nunca caí naquela estória de que o Álvaro Cunhal tinha vindo da ú érre ésse ésse.

Já nesse tempo não era preciso ser-se muito inteligente para se depreender através da fisionomia do secretário-geral do pê cê pê que ele só podia ter vindo directamente da Roménia, mais precisamente, da Transilvânia, e era, com toda a certeza, um parente bastante próximo do Conde Drácula. Mas o pior aconteceu quanto contei esta descoberta ao meu colega de carteira que nunca perdia os desenhos animados checos do Vasco Granja. Chamou-me logo de fascista. Depois de lhe ter partido uma régua na cabeça, não perdeu tempo a denunciar-me à camarada professora.

Sabendo de antemão que a camarada professora era comunista, temi seriamente pela minha segurança, e já imaginava o COPCON a entrar por ali dentro e a levarem-me para ser interrogado pelo camarada Otelo. Só descansei depois da camarada professora me ter chamado e procurado convencer que se os comunistas fossem de facto vampiros, nunca defenderiam um sol a brilhar para todos nós.

Para não complicar ainda mais as coisas fiz um ar bastante arrependido, igual àquele que via os pides fazer na televisão, mesmo tendo a consciência que aquilo do “sol brilhará para todos nós” não passava de mais um inteligente estratagema dos comunistas para esconder o facto de andarem mesmo a sugar o sangue das criancinhas. Felizmente que não tinha contado toda a verdade ao meu colega delator, caso contrário teria sido o meu fim. Pois nem sequer a camarada professora conseguiria arranjar uma boa desculpa para o facto do camarada Álvaro Cunhal, tal e qual um bom vampiro, dormir sempre em local incerto, e desconhecido do mais comum dos mortais.

Apesar de até àquele dia sempre que alguém me perguntava o meu partido eu nem sequer hesitar – levantava o braço esquerdo e de punho cerrado gritava, “éme érre pê pê” –, a verdade é que foi a partir daí que me apercebi que morava dentro de mim um ainda desconhecido gene direitista que, para meu próprio bem, teria de aprender a dominar.

[continua…]

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sexta-feira, março 23, 2007

Filhos do cê dê ésse [Parte 1]

Fui um daqueles afortunados que teve a oportunidade única de poder aprender a ler as primeiras palavras nas instrutivas paredes de uma Lisboa pós-revolucionária. Ainda me lembro [como se fosse hoje] da imensa satisfação que senti quando consegui ler a primeira frase completa. Nesse inolvidável dia, ia a sair da escola pela mão da minha progenitora, e consegui ler em voz alta a seguinte inscrição pintada numa parede exterior da Basílica da Estrela: “O Povo libertou Arnaldo Matos e libertará todos os antifascistas presos”. Recordo que o meu pai pareceu algo surpreendido, mas a minha mãe ficou tão feliz que nos dias que se seguiram sempre que me iam buscar à escola, à saída, virava-me para a Basílica e não me cansava de repetir aquela ladainha. Alguns dias mais tarde, ao sair da escola, ia naquela parte do “ e libertará”, quando senti uma valente carolada. Compreendi de imediato que o meu progenitor considerava que já estava na hora de eu começar a aprender a ler outro tipo de preposições.

Dizem as más-línguas que naquela época não se aprendia nada nas escolas. Maior falsidade não pode existir. Posso garantir que quando saí da escola primária [para além do Avante] já sabia de cor todas as letras e músicas do Zeca, Ermelinda, Adriano, Sérgio, Branco, e companhia limitada. E sou uma testemunha viva que o sistema de ensino era tão exigente e revolucionário, que também aprendíamos precocemente a entoar todos os pregões revolucionários; a traduzir todas as siglas das inumeráveis forças políticas, sociais, sindicais, militares e paramilitares; e a associar a complexa iconologia existente na época às respectivas [des]organizações.

E estão redondamente enganados todos aqueles que ainda pensam que a exigência educacional que incorria sobre as crianças pós-revolucionárias se cingia exclusivamente a áreas como a literatura, música ou a pintura. Também nos foi facultada uma formação de excelência na área das ciências exactas. Por exemplo, éramos compelidos a dominar a ciência matemática precocemente, pois tudo o que se passava à nossa volta era decidido após uma breve votação de braço no ar. E mais! Com a inflação galopante que se fazia sentir, se queríamos continuar a lanchar todos os dias as deliciosas bolas de berlim com creme, quentinhas, que se vendiam na cantina da escola, acompanhadas de um refrescante e super-nutritivo Pirolito, tínhamos de conhecer bem os processos inflacionários para poder negociar com os nossos pais todos os tostões das nossas semanadas.

[continua…]

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