quinta-feira, março 27, 2008

a aluna, a professora e o telemóvel...

Estava eu a gozar descansadamente as minhas férias de docente privilegiada - que tem montes de dias de férias e quer trabalhar menos que qualquer um, achando-se mais do que toda a gente - quando me entram pela casa as imagens da aluna, da professora e do telemóvel... Ora bem, já que me perturbaram o descanso, cá vai a minha opinião [espero não ser mal interpretada... por isso, leiam devagarinho, pf]:


Foi falado só porque foi filmado e publicado. Não é nada que não tenha sido já relatado, mas quando é o professor a falar é um mero lamúrio repetitivo - a força das imagens é outra coisa. No entanto, é apenas um caso de indisciplina (aliada à falta de educação)... em que a professora perdeu a noção da situção. [Sim... a professora...] Acredito que a posteriori a senhora não tivesse a mesma atitude, nem que a alternativa fosse cruzar os braços e ficar a ver a aluna com o telemóvel. Pessoalmente acho essa passividade - que não leva a lado algum, eu sei - um enredo bastante mais aceitável "visualmente" - é claro que aí iriam surgir as acusações de permissividade e falta de autoridade da professora... Não é fácil, nem simples, nem imediato, nem nada que se pareça, mas o que fez deste caso notícia - mais uma vez, para além da óbvia publicação das imagens - foi a postura da professora e não a postura da aluna (pois aí seria um vulgar caso de indisciplina). Não estou, de modo algum, a dizer que as atitudes da aluna e da turma são culpa da senhora, mas, sim, que é da sua responsabilidade a força das imagens e a agitação geral em torno do caso. [Espero que tenham lido devagarinho: eu não estou a desculpar a aluna de nada! Sim?...]

Saíndo da sala de aula e da estrutura escolar, mexem comigo as (mais que muitas) vozes que resolviam toda esta situação (na hora ou posteriormente) com uma simplicidade óbvia e imediata, fruto de uma qualquer clarividência indubitável!

Independentemente da pressão pública posterior, acredito [apenas baseada no meu bom senso] que a ocorrência tenha seguido os trâmites habituais - até porque não me parece uma situação assim tão invulgar... Não estou a dizer que não se devam condenar as atitudes da turma, mas não me parece necessária, nem correcta, uma intervenção extraordinária.


E agora vou voltar para o meu descanso merecido, porque até se compreende que o coitadinho do professor precise de arejar a sua mente e a sua alma com alguma frequência.

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domingo, maio 06, 2007

A Fuga das Galinhas

No passado dia 19 de Fevereiro Alberto João Jardim demitiu-se, num protesto veemente contra a Lei de Finanças Regionais, numa clara provocação ao Governo da República.

Apesar de já então ser improvável que Alberto João não voltasse a vencer as eleições legislativas regionais, pela nona vez consecutiva com maioria absoluta, ainda havia por aí uma réstia de crédulos esperançados que José Sócrates fosse dar alguma luta – se mais não fosse, porque são os combates mais adversos que avaliam verdadeiramente o carácter de um político. Mas a verdade é que o primeiro-ministro não foi capaz de mostrar a tão almejada, quão imaginada, fibra. Bem pelo contrário. Só para não ver o seu nome associado a uma derrota, José Sócrates limitou-se a fugir. Fugiu, mas não vai ser capaz encobrir a responsabilidade política da derrota. Uma derrota pessoal e vergonhosa, porque nem sequer teve coragem para lutar.

Se dúvidas ainda existissem, estas eleições na Madeira acabam por ser bastante clarificadoras quanto ao verdadeiro carácter político do actual primeiro-ministro e do seu séquito ministrial.

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