Bloco de Notas
1 - Saio e regresso e a nova saga da "Guerra das Estrelas" continua, pena a mudança abrupta de realizador. Lucas era mais talentoso.2 - Criança de quatro anos - Nancy, o que quer dizer reputação?
3 - O cartaz que figura no presente post encontrava-se num daqueles postes publicitários que existem espalhados por algumas cidades da Europa. Não resisti, empunhei a minha fraquinha máquina fotográfica digital, e aqui está. Não sei se vos acontece o mesmo mas a minha vida é recheada de coincidências deste tipo. Eu gosto particularmente deste mobiliário, bastante preferível aos cartazes que inundam as cidades de lixo urbano. Gostaria que encontrassem uma solução semelhante para as gatafunhadas que alguns chamam graffitis.
4 - Tenho alguma dificuldade em gostar de poesia hermética. Aquela poesia banhada por palavras encontradas ao acaso no dicionário. A mim é o que me parece. A poesia para me dizer alguma coisa tem de reunir uma das seguintes condições: musicalidade, estranheza, imaginação, originalidade e lirismo.
5 - Um exemplo do que disse anteriormente é um poema de Walter de La Mare, 1873-1956, poeta e romancista inglês, chamado "À Escuta". Apetece ler em voz alta pela sua extraordinária musicalidade e estranheza:
"Está aí alguém?", disse o Viajante,
Batendo na porta banhada de luar;
No silêncio da floresta cheia de fetos
Só se ouvia o cavalo a mastigar.
E um pássaro voou de um torreão
Por cima de a cabeça do Viajante:
Ele bateu na porta uma segunda vez;
"Está aí alguém?", disse, expectante.
Mas com o Viajante ninguém veio ter;
E ao peitoril debruado de folhedo,
Ninguém veio mirar os seus olhos cinzentos,
Ali onde ele estava imóvel e surpreso.
Mas unicamente os inúmeros fantasmas,
Que então naquela casa viviam sós,
Escutavam na quietude do luar
Vinda do mundo dos homens, aquela voz.
Sob o ténue luar, sobre o átrio vazio,
Apinhavam-se ali na sombria escada,
Atentos, enquanto o ar era agitado
Pla pergunta do Viajante solitário.
Sentiu no seu coração essa estranheza,
O silêncio deles respondendo ao seu grito,
Enquanto o cavalo comia a erva escura,
Sob a cúpula estrelada do infinito.
Depois, de repente, ele bateu na porta
Com mais força ainda, a cabeça levantada: -
"Digam-lhe que eu vim e ninguém respondeu,
E que eu estou aqui pra cumprir minha palavra."
Os que estavam escutando não se mexeram,
Embora cada palavra que proferiu
Ecoasse entre as sombras e o silêncio da casa,
Vinda de o único ser ainda vivo:
Ah, eles sentiram-lhe o pé no estribo,
E o som das ferraduras no empedrado,
E como o silêncio voltou suavemente,
Quando o cavalo se afastou apressado.
SIMÕES, António, trad., Antologia de Poesia Anglo-Americana, De Chaucer a Dylan Thomas, Porto, Campo das Letras, 2002, p.386-387
6- Afinal que promessa viria o Viajante cumprir?
3 - O cartaz que figura no presente post encontrava-se num daqueles postes publicitários que existem espalhados por algumas cidades da Europa. Não resisti, empunhei a minha fraquinha máquina fotográfica digital, e aqui está. Não sei se vos acontece o mesmo mas a minha vida é recheada de coincidências deste tipo. Eu gosto particularmente deste mobiliário, bastante preferível aos cartazes que inundam as cidades de lixo urbano. Gostaria que encontrassem uma solução semelhante para as gatafunhadas que alguns chamam graffitis.
4 - Tenho alguma dificuldade em gostar de poesia hermética. Aquela poesia banhada por palavras encontradas ao acaso no dicionário. A mim é o que me parece. A poesia para me dizer alguma coisa tem de reunir uma das seguintes condições: musicalidade, estranheza, imaginação, originalidade e lirismo.
5 - Um exemplo do que disse anteriormente é um poema de Walter de La Mare, 1873-1956, poeta e romancista inglês, chamado "À Escuta". Apetece ler em voz alta pela sua extraordinária musicalidade e estranheza:
"Está aí alguém?", disse o Viajante,
Batendo na porta banhada de luar;
No silêncio da floresta cheia de fetos
Só se ouvia o cavalo a mastigar.
E um pássaro voou de um torreão
Por cima de a cabeça do Viajante:
Ele bateu na porta uma segunda vez;
"Está aí alguém?", disse, expectante.
Mas com o Viajante ninguém veio ter;
E ao peitoril debruado de folhedo,
Ninguém veio mirar os seus olhos cinzentos,
Ali onde ele estava imóvel e surpreso.
Mas unicamente os inúmeros fantasmas,
Que então naquela casa viviam sós,
Escutavam na quietude do luar
Vinda do mundo dos homens, aquela voz.
Sob o ténue luar, sobre o átrio vazio,
Apinhavam-se ali na sombria escada,
Atentos, enquanto o ar era agitado
Pla pergunta do Viajante solitário.
Sentiu no seu coração essa estranheza,
O silêncio deles respondendo ao seu grito,
Enquanto o cavalo comia a erva escura,
Sob a cúpula estrelada do infinito.
Depois, de repente, ele bateu na porta
Com mais força ainda, a cabeça levantada: -
"Digam-lhe que eu vim e ninguém respondeu,
E que eu estou aqui pra cumprir minha palavra."
Os que estavam escutando não se mexeram,
Embora cada palavra que proferiu
Ecoasse entre as sombras e o silêncio da casa,
Vinda de o único ser ainda vivo:
Ah, eles sentiram-lhe o pé no estribo,
E o som das ferraduras no empedrado,
E como o silêncio voltou suavemente,
Quando o cavalo se afastou apressado.
SIMÕES, António, trad., Antologia de Poesia Anglo-Americana, De Chaucer a Dylan Thomas, Porto, Campo das Letras, 2002, p.386-387
6- Afinal que promessa viria o Viajante cumprir?
Etiquetas: Aqui há gato, Mês da Poesia, Super-heróis

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