sexta-feira, junho 27, 2008

3 anos!!!

A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou,
já se cansou, desapareceu, ou então casou, ou então mudou
ou então morreu, já se acabou.

A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas
de anarquistas, deprimidos e de artistas, e de autistas
estatelou-se docemente contra o céu.

A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções
pelo seu estilo controverso.

A minha geração só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras
de reflexos da sua funda castração.

A minha geração é a herdeira do silêncio
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso,
e um belo dia esqueceu tudo e fez-se à vida
na cegueira do comércio.

A minha geração é toda a minha solidão, é flor de ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão.

Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor
do lixo e do descuido, deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai
corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro
preconceito, que o teu único defeito é ter demasiadas
qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente que é por demais
inteligente para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus,
de fingie que o nosso destino é ser um bocadinho melhores do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente por tudo e por nada,
com medo de ser inventada, o que é que te falta agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração
ou só te resta morrer desintegrada?

Mas, minha geração, valeu a trapaça, até teve graça.
tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo,
e a comida estava óptima! O que vamos fazer?


J.P. Simões, "1970 (Retrato)" (2007)


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segunda-feira, julho 02, 2007

I Started a Joke [dois anos depois]

Porque há dois anos atrás ainda não era exequível inserir vídeos no Blogger; porque há dois anos atrás a maioria dos portugueses ainda acreditava nas promessas eleitorais de José Sócrates; porque há dois anos atrás era impensável que Cavaco Silva vencesse as eleições presidenciais; porque há dois anos atrás a responsabilidade dos incêndios deixou de ser da ineficácia das medidas governamentais e passou a ser imputada às altas temperaturas que se fazem sentir na época estival; porque há dois anos atrás ainda era possível pedir-se a reforma sem qualquer penalização com 36 anos de descontos e 60 anos de idade; porque há dois anos atrás ainda não se instauravam processos disciplinares na função pública por piadas mais ou menos jocosas sobre os nossos governantes; porque há dois anos atrás não se processavam bloggers por dizerem algumas verdades inoportunas.

Começou tudo há dois anos atrás… no tempo em que José Sócrates ainda era tratado por senhor engenheiro. Porque dois anos, parecendo que não, são mesmo dois anos. E em dois anos, muita coisa muda.

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sexta-feira, março 09, 2007

Livro de Estilo do Blogue Geração Rasca

Pretende-se, com o presente livro de estilo, proporcionar aos bloggers participantes no blogue "Geração Rasca" (GR) uma linha orientadora em relação a vários pontos considerados pertinentes, entre eles:

- temática de fundo
- orientação ideológica
- comportamento desejável

Tratando-se de um blogue colectivo, é sempre desejável esclarecermos, à partida, que tipo de actuação se espera dos seus participantes.

Em primeiro lugar, a utilização de uma regra básica do senso comum: bom senso. Contudo, e porque o "bom senso" confere a si mesmo um sentido demasiado lato, optou-se por "regulamentar" aquilo que é considerado bom senso, por parte dos bloggers do GR.

Em segundo lugar, o objecto da temática central: "estórias do quotidiano". Por "estórias do quotidiano" entendem-se vivências e pensamentos pessoais variados, tanto social, como cultural, como politicamente, tratados, via "post", de uma forma universal, isto é, que possam interessar a outros leitores.

Essas vivências e/ou pensamentos, deverão ter em atenção a clareza e a consequente honestidade intelectual da argumentação.

São indesejáveis "posts" que ofendam gratuitamente qualquer blogger, do GR ou não, bem como instituições privadas, públicas ou outro(a)s.

O blogue GR pretende ter uma presença construtiva e pro-activa, por isso o debate de ideias é sempre bem-vindo, tendo como pressuposto o referido anteriormente.

Em terceiro lugar, o blogue GR não assume colectivamente nenhuma posição ideológica, não podendo, por isso, ser conotado, colectivamente, como um blogue de X ou Y.

O mesmo não se aplica aos seus bloggers individualmente, uma vez que cada um é livre de manifestar a sua posição ideológica, sem que ofenda ou calunie, conforme o referido anteriormente.

Em quarto lugar, nenhum blogger participante no GR deverá ser anónimo, sendo todos os bloggers identificados por nome próprio e apelido.

Por último, a enumeração dos pontos considerados essenciais e o tipo de participação que se pretende no GR:

1 - Escrever com a frequência possível, mas fazê-lo pelo menos uma vez por semana (salvo períodos de ausência excepcionais - que devem ser prevenidos aos colegas de blogue)

2 - Sempre que se colocar um texto, uma imagem ou um vídeo, referir a sua fonte.

3 - Argumentar claramente, de forma válida e não ofensiva quando se pretende combater alguma ideia em qualquer "post" ou comentário colocado neste ou noutro blogue. E perceber claramente que a caixa dos comentários é um rastilho de pólvora em "postes" mais polémicos.

4 - De um modo geral, cada blogger escreve em nome individual. No entanto, o colectivo pode ser invocado em situações pontuais inócuas que não comprometam a individualidade.

5 - Aos bloggers que possuam blogues individuais, é permitida a inserção no GR de "posts" iguais ou idênticos aos já inseridos nos seus blogues. Contudo, não é autorizado o direccionamento ou continuação, via link, de um "post" colocado no GR, para o seu blogue.

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Isto não é uma delegação. É uma constatação.

Foto: Julius Rooymans

Como no Geração Rasca os homens estão em evidente minoria, é Dia da Mulher sempre que a Cristina a Vera e a Leonor quiserem.

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segunda-feira, março 05, 2007

António Barreto e o país real (III)

Um leitor comenta mais abaixo:
onde estava António Barreto quando alguém chamou a uma geração inteira: geração rasca?
Caríssimo arrebenta,
continua a dar-se demasiada importância ao que dizem os cronistas desta praça, muitas das vezes esquecemos que eles são pessoas comuns cuja originalidade, genialidade, sofre alguns desequilíbrios;
o problema do exercício de qualquer profissão, seja ela qual for, é precisamente o de tentar encontrar esse ponto, alguns conseguem ser equilibradamente geniais, outros esporadicamente e finalmente outros mediocremente;
existe uma certa dificuldade em perceber qual é o objectivo de uma profissão:
que género de profissional pretendo ser?;
dessa nuance, visionária, pedacem a maior parte dos homens e mulheres, daí que assumam papéis nefastamente conhecidos: vítimas, paranoicos, intriguistas, caluniadores, mal educados, fala baratos, etc;
o certo é que tendencialmente humanos, enfim é a nossa cruz, também deveríamos ser tendencialmente profissionais;
para bem de todos.
Mas para não dizer que fugi à questão devolvo-lha em forma interrogativa: e a Geração Rasca por onde andará?

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