quarta-feira, janeiro 30, 2008

Geração Tinoni

Fotografia: Julie Blackmon

Durante muito tempo as portuguesas deram à luz nas suas próprias casas e eram assistidas por parteiras. Era vulgar o local de nascimento indicar uma morada de uma qualquer aldeia, vila ou cidade, com nome da rua, número da porta, andar e tudo [na época ainda ninguém se tinha lembrado de inventar o código postal].

Mais tarde chegou a época das grandes maternidades. As mães passaram a ser assistidas por obstetras, e nós passámos a nascer praticamente todos no mesmo local. Há quem diga [e eu acredito] que mais de 30% dos portugueses que hoje têm menos de 45 anos nasceram na Maternidade Alfredo da Costa.

Até que chegou o período Correia de Campos. Nesse período uma elevada percentagem das nossas crianças passou a nascer em ambulâncias, e as portuguesas a serem assistidas no parto por motoristas dos bombeiros. Os locais de nascimento passaram a ser os mais variados mas com a tendência para ficarem sempre a meio caminho entre o local de residência da parturiente e a maternidade mais próxima. Assim, passou a ser vulgar encontrar uma criança portuguesa com idades entre os zero e os três anos que tenha nascido na Estrada Nacional xis, quilometro ípsilon, na direcção tal [norte, sul, este ou oeste], e já com código postal e tudo.

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terça-feira, maio 29, 2007

Desplaneamento familiar

Foto: Frank Uyttenhove

A DECO solicitou a um grupo de jovens entre os 15 e os 20 anos para procurarem uma consulta de planeamento familiar em 85 estabelecimentos de saúde pública. Apesar da Lei n.º 120/99 determinar que mesmo que os jovens se dirijam a estabelecimentos de saúde fora da sua área de residência estas instituições deverem em qualquer caso garantir os serviços de planeamento familiar, a verdade é que 49 das utentes nem sequer conseguiram passar da recepção; e das 36 felizardas que foram recebidas, 14 não tiveram direito a métodos contraceptivos porque os estabelecimentos não os tinham para fornecer.

O coordenador nacional para a Infecção VIH/Sida, Henrique Barros, ficou naturalmente perturbado com os resultados deste estudo divulgado pela DECO. Mas como sou optimista por natureza, presumo que qualquer jovem utente que no futuro possa vir a ter alguma dificuldade similar na obtenção de uma consulta de planeamento familiar poderá sempre ser devidamente compensada com uma facilidade especial no acesso a um estabelecimento hospitalar para solicitar uma interrupção voluntária da gravidez.

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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Aqui há gato!


Com tanta substância, não consigo entender a manifesta falta de inspiração que tomou conta dos Gatos Fedorentos nas últimas semanas.

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