quinta-feira, julho 26, 2007

a democracia...

[Adaptado de memória (de forma muito livre) do episódio desta semana de ER...]

Luka:
Tu és daqueles que ainda acredita que, se o mundo aderisse todo à democracia, seria um mundo melhor...

eu:
??? Mas... mas... eu também... então não era suposto???!!!...

Carter: ... E qual é a alternativa?! ditaduras militares?!

eu: Pois, isso! Qual é a alternativa?...

Luka: Quem cá está é que sente. Quem cá está é que sofre. Quem cá está é que morre. Quem cá está é que vê morrer... Os soldados americanos voltam nos seus aviões, para as suas casas, para as suas esposas, para os seu filhos, os seus sofás e as suas televisões...

eu: Mas isso não é "culpa" da democracia...

Carter: Mas também morreram americanos no Iraque!...

eu: Ó lindo, agora estás a ser mais ingénuo que eu... A questão aqui não é tanto sobre os soldados que morrem... É sobre os que não morrem, sobre o que fica para eles viverem...

Luka:
Mas não são as mulheres americanas que são violadas, não são as crianças americanas que são mutiladas... Ainda que por cá os movam inicialmente orgulhos nacionalistas e sentimentos patrióticos, mais cedo ou mais tarde, as coisas deixam de fazer sentido... Quando se começa a perder a família e as raízes deixa-se de saber porque é que se há-de continuar a viver a guerra... Aí começa a sobrevivência... Os rostos audazes de outrora são agora estes rostos assustados e temerosos...

Carter e eu:
...

... ... ...

eu:
Espera lá... mas isso não é "culpa" da democracia, pois não?...

... ... ...

eu: Não é, pois não?...

A democracia é o pior
de todos os sistemas
com excepção de todos os outros
[...]
Há muitos países que julgam
que têm democracia
inclusive às vezes o nosso
mas encha-se de justiça o fosso
e erga-se a liberdade ao meio
que só de intenções está o inferno cheio

Não há justiça sem liberdade
e o vice-versa é também verdade
essa é a luta, no fundo
p’los direitos humanos no mundo

Sérgio Godinho, "A Democracia (aforismos)" (1989)

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quarta-feira, julho 25, 2007

um murro no estômago...

Ontem terminou na RTP2 mais uma temporada (a nona) de ER (Serviço de Urgência)... Foi forte, muito forte... Eu sei que sou fraquinha e que me incomodo com as imagens das operações, dos órgãos todos para lá a mexer cheios de sangue, das agulhas e dos bisturis. E nesta altura, perguntam vocês, então, porque vejo eu a série... ER vai muito além disso, além da cama de operações, além das chegadas das ambulâncias,... Há vidas, relações, problemas, dúvidas e decisões... Mas neste episódio isso também foi forte!

Carter juntou-se a Luka por uns dias na missão de voluntariado em África... A África das guerras e das guerrilhas. A África onde não se vive... sobrevive-se! A África que nos mostra a insignificância dos nossos problemas... Eu sei que essa África existe, mas instintivamente tendo a esquecê-la... E, depois, de cada vez que tropeço nestas histórias, levo um murro no estômago... Antes deste acho que foi com "Diamante de Sangue"... Fico uns momentos anestesiada, sem capacidade de reacção... Sinto-me pequenina, pequenina, pequenina... Carter, inconsolável, insurgia-se contra o facto de ali se morrer de algo facilmente curável com um medicamento de $10... Luka, mais conformado, muda-lhe o ponto de vista: «Hoje vacinámos 200 crianças! Quando é que em Chicago, salvaste 200 vidas num só dia?...»

A fechar o episódio, o regresso a Chicago e um beijo silencioso na testa de Abby que dorme tranquila... - acalma o espírito e serena a tensão...

imagens (1) (2)

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terça-feira, maio 01, 2007

"Uma História de Violência"

Agora que o André fez as devidas apresentações ao "Mês do Cinema" do «GR», abro as hostilidades com o filme que mais me marcou no ano transacto: “Uma História de Violência”, de David Cronenberg.

Reconhecemos a Cronenberg a predilecção por filmes que contem histórias surreais ou que estejam no limiar do irreal. Nesta película, ele desce à realidade e com base num magnífico argumento de John Olson, constrói um filme a todos os níveis admirável. A interpretação é deixada a um Viggo Mortensen em grande forma, a Maria Bello que faz uma representação simples e eficaz e a Ed Harris, o rapaz que é «só» o melhor actor da sua geração.

Um bom argumento, um bom realizador e bons actores: parece simples, e no entanto é tudo o que um filme necessita para ser excelente. O que é o caso.

Portanto, e se me permitem a sugestão, da próxima vez que visitarem o videoclube ou a Fnac, não percam a oportunidade de (re)ver aquele que considero o melhor filme (e o mais injustamente esquecido) do ano que passou.
Aqui mais informação sobre o filme.
Foto

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