quarta-feira, junho 10, 2009

Sempre a Razão vencida foi de Amor



Sempre a Razão vencida foi de Amor;
Mas, porque assim o pedia o coração,
Quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!

Novo modo de morte e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
Que perde suas forças a afeição,
Por que não perca a pena o seu rigor.

Pois nunca houve fraqueza no querer,
Mas antes muito mais se esforça assim
Um contrário com outro por vencer.

Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há-de ser
Inclinação que eu tenho contra mim.


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domingo, julho 27, 2008

Prémio Camões 2008

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terça-feira, junho 10, 2008

dia de...

Estava eu à procura de inspiração para falar do Dia de hoje - para além da raça do nosso presidente - quando, momentos antes da minha fantástica ligação internética falhar, fazendo o cruzamento de palavras como Portugal e Camões, achei umas referências a Agostinho da Silva... O Quinto Império do Poeta afincadamente defendido pelo pensador... Remexi mais umas coisas e ainda da boca de Agostinho da Silva ouvi...

Que todo o mundo seja Portugal!

Hummm... Acho que o post de hoje vai por aqui... Entretanto, o computador sem ligação deixa de ser útil, por isso, levanto-me em busca de «Agostinho da Silva - A última conversa»... Folheio, fazendo uma leitura diagonal...
Os Portugueses pensavam o seguinte: quero lá saber se o Camões coxeava de um lado ou não, se roubou ou não roubou as mulheres dos amigos, se enjoava a bordo ou não enjoava! O que eu quero é ler os seus sonetos, não é assim, porque o resto tanto me faz. Se o homem tinha os olhos de uma cor ou de outra, era indiferente, porque o importante era que aqueles sonetos eram os dos Lusíadas, não é assim?
Pronto, vou falar de Camões nas palavras de Agostinho! Viro a página e leio:
Eu acredito na ideia de Vieira. O Padre António Vieira, quando andava no seminário, contrariando os professores, tinha lido nos Lusíadas o Canto IX, o da «ilha dos Amores», que os professores proibiam nesse tempo, como alás ainda era proibido aos meninos até há pouco. Vieira leu tudo aquilo e disse: este Camões é de raça!

Desisto... parece que hoje estamos condenados a falar todos no mesmo...

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quarta-feira, abril 25, 2007

Camões

Verdes são os campos,
De cor do limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes;
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gado, que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não o entendeis:
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Camões, Luís de, Poesia Lírica, Lisboa, Dom Quixote, 2003, p.80-81

Camões é o meu poeta preferido. Falo Universalmente. Camões deu-nos o seu talento e ainda nos enalteceu e celebrou.
Camões é um dos meus grandes amores, que fazer? Celebrá-lo!, principalmente num dia em que se enaltece a liberdade.
Não há ninguém que simbolize de forma tão gritante a própria poesia e o que é a poesia? A suprema liberdade: a da criação.
Descansa em paz, meu guerreiro!

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quarta-feira, abril 11, 2007

Sem mais: Camões

«Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda que se tema de mudanças,
Menos teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.»
No 10º ano era-me exigido a divisão em orações e em sílabas desta redondilha, aliás, deste monumento, como método de interpretação do mesmo. Enfim, uma chatice absoluta. Hoje, entra aqui na relação dos meus «favoritos» porque alguém me incentivou a reler Camões aos 27 anos. E, meus caros, sem divisão silábica, a coisa ganha um renovado encanto. Caso contrário, isto é, se o relesse com as exigências divisórias, continuaria rotulado como ódio de estimação.

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terça-feira, março 27, 2007

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

O resultado da votação foi a seguinte:

1º António de Oliveira Salazar - 41,0%
2º Álvaro Cunhal - 19,1%
3º Aristides de Sousa Mendes - 13,0%
4º D. Afonso Henriques - 12,4%
5º Luís de Camões - 4,0%
6º D. João II - 3,0%
7º Infante D. Henrique - 2,7%
8º Fernando Pessoa - 2,4%
9º Marquês de Pombal - 1,7%
10º Vasco da Gama - 0,7%

Nesta votação espanta-me o terceiro lugar de Aristides de Sousa Mendes.
Os dois primeiros lugares são óbvios, são os que se aproximam da memória histórica e colectiva presente.
Eu votaria sem hesitar no maior poeta português de todos os tempos: Luís de Camões, mas compreendo que para muitos isso seja impossível, dado que, de geração em geração, houve uma espécie de concertação silenciosa e pedagógica, que alimentou a nossa relação de amor
com o épico português.
É claro que essa relação de amor teve a capacidade de desenvolver um ódio
muito saudável e pouco ressentido, sintoma aliás comum a qualquer relação de amor... saudável.

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