quarta-feira, abril 11, 2007

Sem mais: Camões

«Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda que se tema de mudanças,
Menos teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.»
No 10º ano era-me exigido a divisão em orações e em sílabas desta redondilha, aliás, deste monumento, como método de interpretação do mesmo. Enfim, uma chatice absoluta. Hoje, entra aqui na relação dos meus «favoritos» porque alguém me incentivou a reler Camões aos 27 anos. E, meus caros, sem divisão silábica, a coisa ganha um renovado encanto. Caso contrário, isto é, se o relesse com as exigências divisórias, continuaria rotulado como ódio de estimação.

Etiquetas: ,

Partilhar

4 Comments:

Blogger NancyB said...

ah camões camões

quinta-feira, abril 12, 2007 6:37:00 p.m.  
Blogger cristina said...

Percebo o que dizes, mas há poemas que gostei de dissecar e de analisar na escola...

quinta-feira, abril 12, 2007 8:38:00 p.m.  
Blogger Carlos Malmoro said...

Nancy:
isso foi um suspiro de desolação ou de admiração? ;)

Cristina:
Os poemas não são para se dissecarem; são mais para se fruir;)

sexta-feira, abril 13, 2007 8:07:00 a.m.  
Blogger cristina said...

Mas isso não tem de ser incompatível!... :)

sexta-feira, abril 13, 2007 1:31:00 p.m.  

Enviar um comentário

Voltar à Página Inicial