Sem mais: Camões
«Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda que se tema de mudanças,
Menos teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.»
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando absente,
Não sente mais que a pena das lembranças,
Porque, inda que se tema de mudanças,
Menos teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.»
No 10º ano era-me exigido a divisão em orações e em sílabas desta redondilha, aliás, deste monumento, como método de interpretação do mesmo. Enfim, uma chatice absoluta. Hoje, entra aqui na relação dos meus «favoritos» porque alguém me incentivou a reler Camões aos 27 anos. E, meus caros, sem divisão silábica, a coisa ganha um renovado encanto. Caso contrário, isto é, se o relesse com as exigências divisórias, continuaria rotulado como ódio de estimação.
Etiquetas: Luís de Camões, Mês da Poesia

4 Comments:
ah camões camões
Percebo o que dizes, mas há poemas que gostei de dissecar e de analisar na escola...
Nancy:
isso foi um suspiro de desolação ou de admiração? ;)
Cristina:
Os poemas não são para se dissecarem; são mais para se fruir;)
Mas isso não tem de ser incompatível!... :)
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