quinta-feira, julho 16, 2009

O Prognóstico das Negociações

À mesa estarão corporações (professores/políticos) com objectivos e finalidades dificilmente inconciliáveis (uma avaliação consensual), no final da reunião as acusações serão mútuas.
Os "uns" acusarão os "outros" de autoritarismo, os "outros" acusarão os "uns" de inflexibilidade e dificuldade de adaptação a novas regras, incapacidade de resposta aos novos desafios.
Os "uns" também diabolizarão o capitalismo, os "outros" a mentalidade corporativa.
Os ingredientes dos "uns" e dos "outros" pressupõem, ironicamente, a mesma base, talvez resquícios de uma mentalidade corporativa e autoritária, talvez incapacidade de conviver com os "outros nós".
Ambas as corporações construiram um interior metaforicamente consensual, com alicerces no autoritarismo e ausência de prática democrática. Quer me parecer que quando se impede o diálogo e conflito interior, rapidamente se alcança uma "forma" corporativa de ler o mundo. Enfim, a melhor forma de ler o mundo é a nossa, não há diálogo possível com outras formas de ler o mundo, pois são as dos "outros" e os "outros" nunca serão o "nós".
Os "outros nós" a razão de ser implícita de uma ida à mesa de negociações, e a garantia do emprego dos "uns" e dos "outros", rapidamente se transformarão em actores manipuláveis, mas os "uns" e os "outros" estarão "conscientes" da necessidade de os defenderem, a causa metafórica da "sua" existência.
Nos noticiários das 20h00 as reportagens dos jornalistas evidenciarão as vozes dos "uns", estes acusarão o governo de prática anti-democrática e autoritária, e as dos "outros", estes acusarão os professores de prática corporativista e anti-avaliação.
Os "outros nós" assistirão ao noticiário e, continuando a garantir a razão da existência dos "uns" e dos "outros", encolherão os ombros e pensarão: "Estes fdp não se entendem! É sempre gira o disco e toca o mesmo! Tou farto(a) destes c*!"
Para o ano que vem os "supra uns" (instituições supranacionais) voltarão a garantir, nos media nacionais, as razões da defesa dos argumentos dos "uns" e dos "outros" e quanto aos "outros nós"? Encolherão os ombros, assobiarão para o lado e dirão "Este país é sempre a mesma m*!". De repente uma onda consensual invade todos, não é que os "uns", os "outros", os "outros nós" e os "outros outros nós" chegaram finalmente a um consenso e perceberam que afinal têm mais convergências do que divergências? Então, perdendo o medo de manifestar a sua alegria consensual concluem um tanto ou quanto euforicamente "este país é sempre a mesma m*!"

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quarta-feira, junho 11, 2008

Scolari arranjou uma nova santa e até dorme com ela*

Segundo uma determinada Banca estes são os títulos dos jornais de hoje:

"Polícia vai escoltar camiões para garantir gasolina" - Diário de Notícias;
"Bloqueio seca bombas de gasolina e esvazia prateleiras" - Jornal de Notícias;
"Gasolina e supermercados perto da ruptura" - Público;
"Bombas de gasolina estão sem combustíveis" - Primeiro de Janeiro;
"Morte na estrada enfurece Sócrates" - Correio da Manhã;
"Camionista morre atropelado mas paralisação vai continuar" - Destak;
"Razões do sucesso" versus "Protestos continuam na estrada" - Metro.

JPP no Abrupto falou na ilegalidade da paralisação e algures na corrente de alienação.
Curiosamente a massa medíocre alienada e pouco educada está do lado dos camionistas.
Como é que os habitantes de um determinado estado, fundado na legalidade, se encontram mais preparados para se moverem no mundo da ilegalidade?
Se legalidade é, para alguns mortais, estar dentro da lei, é, para outros, estar dentro da lei rodeado de escritórios de advogados que interpretam a lei a favor de "uma determinada causa" (Miguel Sousa Tavares, Expresso, 8/06/2008, falou-nos sobre um determinado tipo de legalidade a de Joe Berardo, por exemplo).
Legalidade pode ser, portanto, tão (in)oportuna quanto a ilegalidade.

* - e o 24 horas ganhou o prémio "Meu Deus, estou grávida! Mas, quem é o pai?".

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terça-feira, junho 10, 2008

dia de...

Estava eu à procura de inspiração para falar do Dia de hoje - para além da raça do nosso presidente - quando, momentos antes da minha fantástica ligação internética falhar, fazendo o cruzamento de palavras como Portugal e Camões, achei umas referências a Agostinho da Silva... O Quinto Império do Poeta afincadamente defendido pelo pensador... Remexi mais umas coisas e ainda da boca de Agostinho da Silva ouvi...

Que todo o mundo seja Portugal!

Hummm... Acho que o post de hoje vai por aqui... Entretanto, o computador sem ligação deixa de ser útil, por isso, levanto-me em busca de «Agostinho da Silva - A última conversa»... Folheio, fazendo uma leitura diagonal...
Os Portugueses pensavam o seguinte: quero lá saber se o Camões coxeava de um lado ou não, se roubou ou não roubou as mulheres dos amigos, se enjoava a bordo ou não enjoava! O que eu quero é ler os seus sonetos, não é assim, porque o resto tanto me faz. Se o homem tinha os olhos de uma cor ou de outra, era indiferente, porque o importante era que aqueles sonetos eram os dos Lusíadas, não é assim?
Pronto, vou falar de Camões nas palavras de Agostinho! Viro a página e leio:
Eu acredito na ideia de Vieira. O Padre António Vieira, quando andava no seminário, contrariando os professores, tinha lido nos Lusíadas o Canto IX, o da «ilha dos Amores», que os professores proibiam nesse tempo, como alás ainda era proibido aos meninos até há pouco. Vieira leu tudo aquilo e disse: este Camões é de raça!

Desisto... parece que hoje estamos condenados a falar todos no mesmo...

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quarta-feira, julho 04, 2007

Só eles vão saber porque é que vai ser preferível ficar em casa

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