segunda-feira, novembro 17, 2008

Uma oração por Portugal

Miguel Esteves Cardoso é o entrevistado do mês: revista Ler, Novembro 2008. MEC é uma pessoa de escrita alegre, escorreita e torrencial, é verdadeiro e avesso a truques de manipulação. Para MEC não é incoerente defender-se um determinado tipo de leitor e um determinado tipo de escritor, só lê génios embora escreva e não seja um génio. Os contemporâneos (só portugueses?) como grandes incógnitas não o seduzem. Um contemporâneo precisa de tempo para se afirmar, tempo que não se dispõe.
Li a entrevista duas vezes e haveria muito mais para desdizer.
Quando a escrita do MEC surgiu nos jornais era repleta de promessas e jovialidade, mostrou-nos a possibilidade de um certo optimismo, os grandes do pós-punk e a tristeza do não futuro.
Na entrevista MEC faz a apologia de um certo isolamento, para que os dislates de certos portugueses não contaminem o seu amor por Portugal. O amor por Portugal será compatível com o isolamento? O amor por Portugal não se praticará todos os dias e contra todos os portugueses cujo ideal de vida em comum é incompatível com o ideal de vida em comum de todos os outros portugueses? [Um amigo chamou-lhe a democracia do caos, aquela que corrói a alma de todos nós].
MEC a tua apologia do isolamento cheira-me a corrosão, deixaste-te avassalar pela mediocridade de um certo senso comum?

“Que o mal e o pouco do presente nos não deprimam nem iludam: são eles que confirmam o nosso raciocínio. Tenhamos a coragem de ir para aquela pouca alegria que vem das bandas para onde o raciocínio nos leva! Prepara-se em Portugal uma renascença extraordinária, um ressurgimento assombroso. O ponto de luz até onde essa renascença nos deve levar não se pode dizer neste breve estudo; desacompanhada de um raciocínio confirmativo, essa previsão pareceria um lúcido sonho de louco.
Tenhamos fé. Tornemos essa crença, afinal lógica, num futuro mais glorioso do que a imaginação o ousa conceber, a nossa alma e o nosso corpo, o quotidiano e o eterno em nós. Dia e noite, em pensamento e acção, em sonho e vida, esteja connosco, para que nenhuma das nossas almas falte à missão de hoje, de criar o supra-Portugal de amanhã.”

PESSOA, Fernando (2006). Fernando Pessoa. Crítica – Ensaios, Artigos e Entrevistas – Vol. I. Lisboa: Planeta DeAgostini (edição original de Assírio e Alvim), p. 17.

Etiquetas: ,

Partilhar

domingo, junho 08, 2008

O pecado mora ao lado



Os dados adquiridos de determinados pontos de vista também têm o seu "pontapé" de Aquiles.

O Neoliberalismo insinua-se como ideologia através de uma determinada tentativa de hegemonia económica, algumas das suas utopias:
- não temos outro remédio senão adaptar-nos;
- a educação deverá estar virada para o mercado, pois é necessária mão-de-obra qualificada;
- os sistemas de ensino deverão gerar mais consumidores e menos cidadãos.

A ideologia que serve de base é simples, quanto mais mercado, mais liberdade individual, quanto mais liberdade individual, maior é a possibilidade de grandes grupos económicos, alta finança, accionistas, etc usufruírem deste mundo globalizado, a nova versão do "salve-se quem poder".

Este tipo de ideologia aproxima-se dos estados em vias de desenvolvimento e a cenoura que oferece aos políticos pouco preparados é:

- maior competitividade é igual a planos tecnológicos;
- maior competitividade é igual a orientações estruturais delineadas pelo FMI e pela OCDE;
- maior competitividade é igual a menos estado, só assim se consegue combater o despesismo e o défice orçamental;
- maior competitividade é igual à livre circulação da mão de obra, logo mais flexibilidade e menos direitos laborais;

O problema do novo capitalismo é velho: as sociedades (ai, é verdade elas não existem!*) são constituídas por milhões de indivíduos que não usufruem de um certo tipo de regalias e que tendem a chatear-se com isso.

* - "não existe sociedade, apenas indivíduos e as suas famílias" - Margareth Thatcher)
Imagem

Etiquetas: , , , , ,

Partilhar

segunda-feira, maio 05, 2008

O Campeonato da Segunda Circula [4/5]

Sendo o Sporting a única equipa invicta em casa na Superliga, e só faltando 1 “mero” pontinho para garantir o acesso directo à Liga dos Campeões, só uma verdadeira hecatombe [à Benfica] é que poderá vir a impedir o Sporting de comemorar na próxima jornada a vitória na quinta prova mais importante da temporada futebolística nacional – que é como quem diz, a vitória no saborosíssimo Campeonato da Segunda Circular. Se tudo correr segundo os meus planos [id est: desejos expressos], o Guimarães também irá vencer o Estrela, e o Benfica terá a oportunidade de aproveitar a visita do Setúbal para fazerem uma celebração conjunta pelo apuramento para a Taça UEFA. E para que não me venham a acusar de ser um faccioso da pior estirpe [da estirpe virĭdis], aproveito desde já para endereçar ao Benfica, e a todos os seus abnegados simpatizantes, uma prestação feliz na próxima edição da Taça UEFA – quanto mais não seja porque [até eu] começo a ficar deprimido com as conferências de imprensa do Chalana, e já tenho de fazer algum esforço para conter as lágrimas quando o escuto aquele pesaroso, “estamos tristes!”.

Etiquetas: , , , , , ,

Partilhar