domingo, junho 08, 2008

O pecado mora ao lado



Os dados adquiridos de determinados pontos de vista também têm o seu "pontapé" de Aquiles.

O Neoliberalismo insinua-se como ideologia através de uma determinada tentativa de hegemonia económica, algumas das suas utopias:
- não temos outro remédio senão adaptar-nos;
- a educação deverá estar virada para o mercado, pois é necessária mão-de-obra qualificada;
- os sistemas de ensino deverão gerar mais consumidores e menos cidadãos.

A ideologia que serve de base é simples, quanto mais mercado, mais liberdade individual, quanto mais liberdade individual, maior é a possibilidade de grandes grupos económicos, alta finança, accionistas, etc usufruírem deste mundo globalizado, a nova versão do "salve-se quem poder".

Este tipo de ideologia aproxima-se dos estados em vias de desenvolvimento e a cenoura que oferece aos políticos pouco preparados é:

- maior competitividade é igual a planos tecnológicos;
- maior competitividade é igual a orientações estruturais delineadas pelo FMI e pela OCDE;
- maior competitividade é igual a menos estado, só assim se consegue combater o despesismo e o défice orçamental;
- maior competitividade é igual à livre circulação da mão de obra, logo mais flexibilidade e menos direitos laborais;

O problema do novo capitalismo é velho: as sociedades (ai, é verdade elas não existem!*) são constituídas por milhões de indivíduos que não usufruem de um certo tipo de regalias e que tendem a chatear-se com isso.

* - "não existe sociedade, apenas indivíduos e as suas famílias" - Margareth Thatcher)
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quinta-feira, maio 24, 2007

A inveja

A leitura do artigo da Carla Hilário Quevedo, "A punição à distância" é extremamente interessante em muitos aspectos.
Um texto cujos argumentos se podem comprovar na prática, e quem anda "por aí" encontra, por exemplo, este:
«se B não fosse filha de quem é não tinha conseguido subir na carreira tão depressa»
com alguma frequência.
Ultimamente o tom tem variado um pouco, estamos na onda do melodrama "vítima":
«nunca tive oportunidades na vida, nunca ninguém apostou em mim»
Contudo, quanto ao argumento "banalização" da inveja, não concordo, pois se o alvo da inveja, não a ignorasse, corria um risco sério:
o invejado mais paranóico do Universo, prestes a transformar-se em mais uma das vítimas da inveja.
Ora o invejado não tem culpa das paranóias dos outros, também tem direito a viver a sua vida, daí que deva seguir o caminho da tal banalização.
Quanto à questão: o que é que isso tem a ver com a Internet?
É óbvia, a Internet, apesar de não parecer, é povoada de homens e mulheres, e como é natural, em ambos os casos as nuances mais profundas são transferidas para o mundo virtual, com uma agravante: são ampliadas. É que no mundo real ainda existe um certo prurido em demonstrar este tipo de pensamentos.
Há uma outra questão de fundo com a qual eu também não concordo. A Carla propõe-nos uma espécie de invejoso terminal.
"Iago" de Shakespeare, por exemplo, é um invejoso terminal. E a sua inveja é tão megalómana que destrói todos à sua volta, com um propósito determinado: destruir a vida de Desdémona e a relação desta com Otelo, minando a confiança do guerreiro no amor da filha do senador de Veneza (?). Como é que Iago mina a crença de Otelo? Apresentando-lhe factos que comprovam a infidelidade de Desdémona. E porque é que Otelo se deixa influenciar por Iago? Porque no fundo Otelo sentiu-se um homem bafejado pela sorte. Logo ele, um mouro, alguém cuja cor de pele e religião é desprezada pelos demais, e apenas o consideram pelos seus resultados perante o inimigo, porque é que ele, apenas ele, um "desconsiderado", poderá, um dia, ser alvo da atenção de uma dama tão bela?
Iago, como o invejoso terminal completo, sabia bem como minar o amor de Otelo, atacando as suas fraquezas.
O invejoso terminal é destrutivo e tem um alvo a abater: o invejado.
O invejoso que se encontra no dia-a-dia, é um ser humano. E o ser humano é permeável a qualquer tipo de pecado. Diríamos que há seres humanos que conseguem afastar pensamentos negativos através dos seus valores mais profundos, quem não tem consciência dos seus valores, é, por isso, mais permeável a todo o tipo de pensamentos negativos, mas humanos.
No fundo, bem no fundo, é tudo uma questão de valores.

P.S. Agradeço à Leonor, porque me encaminhou até ao Pedro, e ao Pedro por ter aconselhado a leitura.

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